{"id":94104,"date":"2026-07-01T17:54:46","date_gmt":"2026-07-01T20:54:46","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/industria-investir-nao-e-o-mesmo-que-transformar\/"},"modified":"2026-07-01T17:54:46","modified_gmt":"2026-07-01T20:54:46","slug":"industria-investir-nao-e-o-mesmo-que-transformar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/industria-investir-nao-e-o-mesmo-que-transformar\/","title":{"rendered":"Ind\u00fastria: investir n\u00e3o \u00e9 o mesmo que transformar"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1167\" height=\"756\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-17-52-33-FQ2CXQ3NLJD5TD3D7AXKKFUUPUjpg-imagem-JPEG-1200-900-pixels-Redimensionada-78.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-17-52-33-FQ2CXQ3NLJD5TD3D7AXKKFUUPUjpg-imagem-JPEG-1200-900-pixels-Redimensionada-78.jpg 1167w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-17-52-33-FQ2CXQ3NLJD5TD3D7AXKKFUUPU.jpg-imagem-JPEG-1200-\u00d7-900-pixels-Redimensionada-78-300x194.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-17-52-33-FQ2CXQ3NLJD5TD3D7AXKKFUUPU.jpg-imagem-JPEG-1200-\u00d7-900-pixels-Redimensionada-78-768x498.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1167px) 100vw, 1167px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>MAIS:<\/strong><br \/>O texto a seguir \u00e9 o \u00faltimo da s\u00e9rie sobre regimes de investimento produtivo, na hist\u00f3ria e na atualidade, e a janela hist\u00f3rica ao Brasil.<br \/>Leia tamb\u00e9m:<br \/><strong>[1] Quando o investimento ajuda o mudar a hist\u00f3ria<\/strong><br \/><strong>[2] Pol\u00edtica industrial: qual a escolha brasileira?<\/strong><br \/><strong>[3] Brasil: como resgatar as r\u00e9deas do desenvolvimento?<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA economia de um pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 o que ele produz hoje,<\/em><br \/><em>mas o que \u00e9 capaz de produzir amanh\u00e3.\u201d Albert O. Hirschman.<\/em><\/p>\n<h3><strong>O que um pa\u00eds \u00e9 capaz de produzir<\/strong><\/h3>\n<p>Retoma-se aqui uma pergunta simples \u2013 e profundamente inc\u00f4moda \u2013 que atravessa toda a s\u00e9rie: o que, afinal, um pa\u00eds \u00e9 capaz de produzir?<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/15.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/15.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o em termos de volume, mas de variedade, sofistica\u00e7\u00e3o e densidade tecnol\u00f3gica. Alguns pa\u00edses produzem semicondutores, m\u00e1quinas de precis\u00e3o, equipamentos m\u00e9dicos e sistemas complexos. Outros produzem basicamente gr\u00e3os, min\u00e9rio e petr\u00f3leo. Entre esses dois mundos n\u00e3o h\u00e1 apenas uma diferen\u00e7a de renda. H\u00e1 uma diferen\u00e7a de estrutura \u2013 e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, de poder.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o Brasil n\u00e3o deixou de crescer apenas porque investiu pouco. Deixou de avan\u00e7ar porque, ao longo do tempo, n\u00e3o conseguiu converter de forma consistente sua base de investimento em capacidade produtiva progressivamente mais complexa.<\/p>\n<p>Essa constata\u00e7\u00e3o pode ser expressa de forma direta: o pa\u00eds operou, por d\u00e9cadas, sob um padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o insuficiente para sustentar uma trajet\u00f3ria consistente de transforma\u00e7\u00e3o estrutural.<\/p>\n<h3><strong>Quando investimento vira estrutura<\/strong><\/h3>\n<p>A hist\u00f3ria econ\u00f4mica sugere que essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o conjuntural, mas estrutural. Como discutido ao longo desta s\u00e9rie, mudan\u00e7as persistentes na trajet\u00f3ria de pa\u00edses est\u00e3o associadas \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o de sua base produtiva ao longo do tempo.<\/p>\n<p>No mundo contempor\u00e2neo, essa l\u00f3gica voltou ao centro da disputa. Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e China reorganizam suas bases produtivas com instrumentos expl\u00edcitos de pol\u00edtica industrial \u2013 subs\u00eddios, compras p\u00fablicas, financiamento direcionado e metas tecnol\u00f3gicas [1, 2]. A ideia de neutralidade produtiva tornou-se, na pr\u00e1tica, insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que o caso brasileiro se torna mais n\u00edtido.<\/p>\n<h3><strong>Investir pouco \u00e9 diferente de transformar pouco<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo dados do IBGE e do <em>World Development Indicators<\/em>, a taxa de investimento brasileira \u2013 medida pela Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo \u2013 oscilou entre 17% e 22% do PIB nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, com quedas para cerca de 15% em momentos cr\u00edticos [2, 3]. Mais do que o n\u00edvel de investimento em si, o que importa \u00e9 sua capacidade de alterar a estrutura produtiva ao longo do tempo.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/curso-rosa-luxemburgo.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/curso-rosa-luxemburgo.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/curso-rosa-luxemburgo-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ao longo desse per\u00edodo, consolidou-se uma combina\u00e7\u00e3o conhecida: crescimento moderado, desindustrializa\u00e7\u00e3o relativa e especializa\u00e7\u00e3o crescente em produtos prim\u00e1rios. A promessa de que abertura e estabilidade seriam suficientes para garantir converg\u00eancia revelou-se incompleta. Como observa Gala [4], pa\u00edses que mudaram de posi\u00e7\u00e3o no sistema internacional n\u00e3o prescindiram de coordena\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e de investimento persistente.<\/p>\n<p>O ponto central, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas quanto se investe, mas como esse investimento se traduz \u2013 ou n\u00e3o \u2013 em diversifica\u00e7\u00e3o produtiva e densidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<h3><strong>Complexidade econ\u00f4mica e perda de posi\u00e7\u00e3o relativa<\/strong><\/h3>\n<p>Foi nesse contexto que emergiu um efeito cumulativo menos vis\u00edvel, por\u00e9m mais profundo: a perda de complexidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Complexidade Econ\u00f4mica (ECI), desenvolvido por Hausmann e Hidalgo [5], mede a capacidade produtiva de um pa\u00eds a partir da diversidade e da sofistica\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o. Economias complexas produzem bens que poucos pa\u00edses conseguem produzir. Economias pouco complexas produzem bens comuns, amplamente replic\u00e1veis.<\/p>\n<p>O Brasil, que construiu uma base industrial diversificada no s\u00e9culo XX, perdeu dinamismo nesse indicador. Enquanto a Coreia do Sul e a China avan\u00e7aram rapidamente, o pa\u00eds permaneceu preso a uma trajet\u00f3ria de baixa transforma\u00e7\u00e3o estrutural (ver Fig. 1).<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"551\" height=\"413\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-2.png 551w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-2-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 551px) 100vw, 551px\"><figcaption>Figura 1 \u2013 \u00cdndice de Complexidade Econ\u00f4mica (ECI), Brasil, Coreia do Sul e China. A diverg\u00eancia entre as trajet\u00f3rias reflete diferentes padr\u00f5es de transforma\u00e7\u00e3o produtiva ao longo do tempo, associados \u00e0 persist\u00eancia (ou aus\u00eancia) de estrat\u00e9gias de complexifica\u00e7\u00e3o [5]. Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esse resultado sintetiza uma din\u00e2mica simples \u2013 e persistente \u2013 ao longo do tempo: um padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o insuficiente tende a limitar a diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, reduzindo a complexidade e, por consequ\u00eancia, a capacidade de crescimento sustentado. N\u00e3o se trata apenas de crescer pouco. Em termos mais precisos, trata-se de crescer sem convergir.<\/p>\n<h3><strong>Um pa\u00eds sofisticado em partes \u2013 e simples como sistema<\/strong><\/h3>\n<p>O Brasil revela, nesse ponto, um paradoxo peculiar. Possui setores altamente sofisticados \u2013 como o agroneg\u00f3cio, a explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas e a ind\u00fastria aeron\u00e1utica \u2013 mas permanece, como sistema, relativamente pouco complexo.<\/p>\n<p>S\u00e3o ilhas de excel\u00eancia em um sistema produtivo de baixa densidade.<\/p>\n<p>O sucesso do agro n\u00e3o garante dinamismo sist\u00eamico [6]. Ao contr\u00e1rio, pode refor\u00e7ar a especializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria quando n\u00e3o h\u00e1 coordena\u00e7\u00e3o industrial capaz de ampliar encadeamentos produtivos.<\/p>\n<p>Essa limita\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais evidente quando se observa a rela\u00e7\u00e3o entre complexidade produtiva e renda (ver Fig. 2).<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"531\" height=\"413\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1.png 531w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-300x233.png 300w\" sizes=\"(max-width: 531px) 100vw, 531px\"><figcaption>Figura 2 \u2013 Complexidade econ\u00f4mica (ECI) e PIB per capita (US$). Observa-se uma associa\u00e7\u00e3o positiva entre a complexidade produtiva e o n\u00edvel de renda: pa\u00edses mais complexos tendem a apresentar maior PIB per capita. O Brasil aparece deslocado para uma faixa de menor complexidade relativa, pr\u00f3xima a economias com menor diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, indicando limita\u00e7\u00f5es estruturais na capacidade de converg\u00eancia [2, 5]. Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Complexidade \u00e9 poder<\/strong><\/h3>\n<p>A implica\u00e7\u00e3o disso \u00e9 direta. A complexidade econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 apenas um conceito anal\u00edtico \u2013 \u00e9 uma medida indireta de poder nacional.<\/p>\n<p>Pa\u00edses complexos inovam mais, exportam bens de maior valor agregado e possuem maior autonomia tecnol\u00f3gica. Pa\u00edses pouco complexos dependem de ciclos de commodities e importam conhecimento.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI, isso se traduz em geopol\u00edtica.<\/p>\n<p>A capacidade de produzir bens complexos tornou-se uma dimens\u00e3o central da soberania econ\u00f4mica.<\/p>\n<h3><strong>O que est\u00e1 realmente em jogo<\/strong><\/h3>\n<p>Se o objetivo for alterar a posi\u00e7\u00e3o do Brasil no sistema internacional, a quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 apenas crescer.<\/p>\n<p>\u00c9 transformar sua estrutura produtiva, ampliando a capacidade de produzir bens e servi\u00e7os de maior complexidade.<\/p>\n<p>Isso exige elevar a taxa de investimento, reorientar sua composi\u00e7\u00e3o e fortalecer encadeamentos produtivos. Exige tamb\u00e9m coordena\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica monet\u00e1ria, fiscal, industrial e tecnol\u00f3gica \u2013 algo que a experi\u00eancia internacional mostra ser condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para transforma\u00e7\u00f5es estruturais [7, 8].<\/p>\n<h3><strong>O que sustenta esse resultado<\/strong><\/h3>\n<p>Se a perda relativa de complexidade econ\u00f4mica revela o resultado, ela n\u00e3o explica, por si s\u00f3, o mecanismo. Para isso, \u00e9 preciso observar a arquitetura que, ao longo do tempo, passou a moldar a capacidade de investimento e coordena\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro.<\/p>\n<p>Como sintetiza a Fig. 3, tr\u00eas movimentos se consolidaram de forma simult\u00e2nea nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas: a manuten\u00e7\u00e3o de um patamar elevado de juros em propor\u00e7\u00e3o ao PIB, a compress\u00e3o do investimento p\u00fablico e a crescente fragmenta\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento discricion\u00e1rio. Observa-se uma trajet\u00f3ria gradual ao longo dos anos 2000, acelera\u00e7\u00e3o na segunda metade da d\u00e9cada de 2010 e inflex\u00e3o institucional a partir de 2019, associada \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento impositivo.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"751\" height=\"413\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image.png 751w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-300x166.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-219x121.png 219w\" sizes=\"(max-width: 751px) 100vw, 751px\"><figcaption>Figura 3 \u2013 Gr\u00e1fico-s\u00edntese do regime macroinstitucional brasileiro: juros nominais l\u00edquidos (% PIB), investimento p\u00fablico federal (% PIB) e participa\u00e7\u00e3o das emendas parlamentares no or\u00e7amento discricion\u00e1rio (%), 2002\u20132023. A combina\u00e7\u00e3o entre o elevado custo do capital, a compress\u00e3o do investimento p\u00fablico e a fragmenta\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria indica um estreitamento progressivo da capacidade de coordena\u00e7\u00e3o estatal. A figura distingue tr\u00eas fases: trajet\u00f3ria gradual (anos 2000), acelera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (2015\u20132018) e inflex\u00e3o institucional (a partir de 2019) [9-11] . Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A leitura conjunta dessas tr\u00eas trajet\u00f3rias revela um padr\u00e3o consistente. N\u00e3o se trata de flutua\u00e7\u00f5es conjunturais, mas de uma configura\u00e7\u00e3o institucional que, ao mesmo tempo, encarece o capital, limita o investimento p\u00fablico e dispersa a aloca\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>\u00c0 luz desse arranjo, h\u00e1 um dado que n\u00e3o deveria passar sem desconforto: em diversos momentos recentes, o pa\u00eds destinou ao pagamento de juros uma parcela do PIB superior \u00e0quela dedicada ao investimento p\u00fablico. N\u00e3o se trata apenas de um desequil\u00edbrio cont\u00e1bil, mas de um arranjo que, na pr\u00e1tica, limita a capacidade de expans\u00e3o da pr\u00f3pria base produtiva.<\/p>\n<p>O ponto de inflex\u00e3o observado a partir do final da d\u00e9cada de 2010 n\u00e3o inaugura esse processo, mas o consolida. A amplia\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento impositivo e o crescimento das emendas parlamentares tornam mais r\u00edgida a estrutura or\u00e7ament\u00e1ria, reduzindo o espa\u00e7o efetivo de decis\u00e3o estrat\u00e9gica do Executivo.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um Estado que preserva fun\u00e7\u00f5es importantes, mas opera com capacidade limitada de coordena\u00e7\u00e3o de longo prazo \u2013 justamente a dimens\u00e3o que a experi\u00eancia internacional aponta como decisiva para processos de transforma\u00e7\u00e3o produtiva.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que a discuss\u00e3o sobre a complexidade econ\u00f4mica deixa de ser apenas descritiva e assume plenamente seu significado institucional e estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Nesse contexto mais amplo, o contraste hist\u00f3rico torna-se mais n\u00edtido. Em momentos decisivos, pa\u00edses que alteraram sua posi\u00e7\u00e3o no sistema internacional o fizeram por meio de reorganiza\u00e7\u00f5es deliberadas de sua base produtiva: a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ao deslocar e reconfigurar sua ind\u00fastria sob a press\u00e3o da guerra; os Estados Unidos, ao transformar o choque do Sputnik em mobiliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que culminaria no programa Apollo; e a China, ao sustentar por d\u00e9cadas um processo cont\u00ednuo de acumula\u00e7\u00e3o e complexifica\u00e7\u00e3o produtiva. Em todos esses casos, o elemento comum n\u00e3o foi apenas o volume de recursos mobilizados, mas tamb\u00e9m a capacidade de organizar, de forma persistente, um padr\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o produtiva. \u00c9 \u00e0 luz dessas experi\u00eancias que a trajet\u00f3ria brasileira recente se torna mais leg\u00edvel.<\/p>\n<h3><strong>A conclus\u00e3o que evitamos formular<\/strong><\/h3>\n<p>No fim, a conclus\u00e3o \u00e9 simples \u2013 e inc\u00f4moda.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o ficou para tr\u00e1s por falta de recursos.<\/p>\n<p>Nem por falta de oportunidades.<\/p>\n<p>Ficou porque, ao longo de d\u00e9cadas, consolidou um arranjo no qual a capacidade de investir, coordenar e transformar sua estrutura produtiva se tornou progressivamente mais restrita.<\/p>\n<p>O resultado n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mico. \u00c9 geopol\u00edtico. O que est\u00e1 em jogo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 a capacidade de converg\u00eancia \u2013 n\u00e3o apenas de crescimento.<\/p>\n<p>Pa\u00edses n\u00e3o ocupam posi\u00e7\u00f5es na hierarquia internacional por direito.<\/p>\n<p>Ocupam-nas pelo que s\u00e3o capazes de produzir \u2013 e pela trajet\u00f3ria de transforma\u00e7\u00e3o produtiva que conseguem sustentar ao longo do tempo.<\/p>\n<p>\u00c0 luz das experi\u00eancias hist\u00f3ricas discutidas ao longo desta s\u00e9rie, essa trajet\u00f3ria n\u00e3o aparece como inevit\u00e1vel, mas como resultado de escolhas \u2013 ou da aus\u00eancia delas \u2013 quanto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da base produtiva.<\/p>\n<p>O tra\u00e7o mais inquietante n\u00e3o \u00e9 apenas o baixo crescimento, nem mesmo a perda de complexidade produtiva. \u00c9 a naturaliza\u00e7\u00e3o desse arranjo \u2013 como se fosse inevit\u00e1vel que um pa\u00eds com a escala, os recursos e a base institucional do Brasil operasse permanentemente abaixo de seu potencial.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>E \u00e9 precisamente essa normaliza\u00e7\u00e3o silenciosa \u2013 mais do que qualquer restri\u00e7\u00e3o objetiva \u2013 que esta s\u00e9rie buscou tornar vis\u00edvel.<\/p>\n<h3><strong>Bibliografia<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>1.\u00a0\u00a0\u00a0 Naughton, B., <em>The Rise of China and the Global Economy<\/em>. 2021, Cambridge: MIT Press.<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0\u00a0 World Bank, <em>World Development Indicators 2023<\/em>. 2023, World Bank: Washington, DC. https:\/\/databank.worldbank.org\/source\/world-development-indicators.<\/p>\n<p>3.\u00a0\u00a0\u00a0 Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, <em>Sistema de Contas Nacionais \u2013 Brasil<\/em>. 2023, IBGE: Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>4.\u00a0\u00a0\u00a0 Gala, P., <em>Por que a Coreia decolou e n\u00f3s ficamos pra tr\u00e1s?<\/em> Radar do Desenvolvimento (Substack), 2026. https:\/\/paulogala.substack.com\/p\/por-que-a-coreia-decolou-e-nos-ficamos.<\/p>\n<p>5.\u00a0\u00a0\u00a0 Hausmann, R. e C.A. Hidalgo, <em>The Atlas of Economic Complexity: Mapping Paths to Prosperity<\/em>. 2014, Cambridge: MIT Press.<\/p>\n<p>6.\u00a0\u00a0\u00a0 Gala, P., <em>O agro vai bem. O Brasil vai\u2026 mais ou menos<\/em>. Radar do Desenvolvimento (Substack), 2026. https:\/\/paulogala.substack.com\/p\/o-agro-vai-bem-o-brasil-vai-mais.<\/p>\n<p>7.\u00a0\u00a0\u00a0 Furtado, C., <em>Desenvolvimento e subdesenvolvimento<\/em>. 1961, Rio de Janeiro: Fundo de Cultura.<\/p>\n<p>8.\u00a0\u00a0\u00a0 Mazzucato, M., <em>The Entrepreneurial State: Debunking Public vs. Private Sector Myths<\/em>. 2013, London: Anthem Press.<\/p>\n<p>9.\u00a0\u00a0\u00a0 Banco Central do Brasil, <em>Sistema Gerenciador de S\u00e9ries Temporais (SGS)<\/em>. https:\/\/www.bcb.gov.br\/estatisticas\/serieshistoricas.<\/p>\n<p>10.\u00a0 Senado Federal, <em>Siga Brasil \u2013 Or\u00e7amento da Uni\u00e3o. 2023<\/em>. https:\/\/www12.senado.leg.br\/orcamento\/sigabrasil.<\/p>\n<p>11.\u00a0 Tesouro Nacional, <em>Relat\u00f3rio do Tesouro Nacional<\/em>. https:\/\/www.tesourotransparente.gov.br\/publicacoes\/relatorio-do-tesouro-nacional.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Ind\u00fastria: &lt;i&gt;investir&lt;\/i&gt; n\u00e3o \u00e9 o mesmo que &lt;i&gt;transformar&lt;\/i&gt; appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/presidentes-de-mexico-e-honduras-debatem-cooperacao-energetica-e-imigracao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Presidentes de M\u00e9xico e Honduras debatem coopera\u00e7\u00e3...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/velorio-de-juliana-marins-sera-aberto-ao-publico\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Vel\u00f3rio de Juliana Marins ser\u00e1 aberto ao p\u00fablico...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pec-da-seguranca-publica-esta-na-pauta-do-plenario-nesta-quinta-feira\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">PEC da Seguran\u00e7a P\u00fablica est\u00e1 na pauta do Plen\u00e1rio...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pulverizacao-aerea-agrotoxicos-aumentam-em-27-vezes-o-risco-de-cancer-diz-estudo-da-ufc\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/6044307-WhatsApp-Image-2024-12-17-at-16.59.46-1024x817-1-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea: agrot\u00f3xicos aumentam em 27 vez...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil vive um paradoxo peculiar: embora tenha sofisticado certos setores \u2013 como o agro e a minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas \u2013 refor\u00e7ou especializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Dela, n\u00e3o se extrai inova\u00e7\u00e3o. Subdesenvolvimento n\u00e3o \u00e9 fatalidade, \u00e9 aus\u00eancia de escolha<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/industria-investir-nao-e-o-mesmo-que-transformar\/\">Ind\u00fastria: &lt;i&gt;investir&lt;\/i&gt; n\u00e3o \u00e9 o mesmo que &lt;i&gt;transformar&lt;\/i&gt;<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":94105,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[72602,10651,292,72603,72604,17528,14217,23921,72605,72606,2250,124,72607,72608,5825,578,5004,72609,72610,48299,3602,553],"tags":[],"class_list":["post-94104","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arranjo-macroinstitucional","category-celso-furtado","category-china","category-complexificacao-produtiva","category-desindustrializacao-prematura","category-economia-nacional","category-financeirizacao","category-futuro","category-historia-economica","category-inflexao-institucional","category-investimento-publico","category-juros","category-literatura-economica","category-orcamento-fragmentado","category-outra-politica","category-pib","category-plano-real","category-regime-orcamentario","category-regras-orcamentarias","category-sputnik","category-taxas-de-juros","category-transicao-energetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94104\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94105"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}