{"id":94236,"date":"2026-07-02T16:30:09","date_gmt":"2026-07-02T19:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-marxismo-complexo-de-diego-rivera\/"},"modified":"2026-07-02T16:30:09","modified_gmt":"2026-07-02T19:30:09","slug":"o-marxismo-complexo-de-diego-rivera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-marxismo-complexo-de-diego-rivera\/","title":{"rendered":"O marxismo complexo de Diego Rivera"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"865\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5058100921019075609_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5058100921019075609_y.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5058100921019075609_y-300x203.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5058100921019075609_y-768x519.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Thoughtco<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>1 \u2013 Vida e pr\u00e1xis pol\u00edtica<\/strong><\/h3>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Nascido em Guanajuato, sendo filho de Maria e de Diego Barrientos Rivera, Diego Maria de la Concepci\u00f3n Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodr\u00edguez nasceu na regi\u00e3o central da cidade. Por\u00e9m, devido a recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e suspeitas de desnutri\u00e7\u00e3o, logo foi viver no interior montanhoso pr\u00f3ximo, ficando aos cuidados de Antonia, sua bab\u00e1 ou \u201cnana ind\u00edgena\u201d, conforme narra em suas mem\u00f3rias<sup>1<\/sup>. Interessou-se pelo desenho desde muito pequeno. Recuperado pelo clima das montanhas e pelo zelo de Antonia, retornou aos cuidados de sua m\u00e3e e seu pai. Professores de forma\u00e7\u00e3o, seu pai era funcion\u00e1rio municipal e sua m\u00e3e se dedicava as atividades dom\u00e9sticas de uma casa abastada. A fam\u00edlia Rivera era tipicamente mesti\u00e7a e com diversas origens, tendo antepassados ind\u00edgenas e europeus.<\/p>\n<p>Aos 6 anos foi morar na Cidade do M\u00e9xico, onde seus pais e familiares teriam pap\u00e9is importantes na sua educa\u00e7\u00e3o. Aprendeu a ler e escrever com uma tia-av\u00f3, at\u00e9 que foi matriculado em uma escola cat\u00f3lica. Esta experi\u00eancia lhe provocou uma repulsa, desde a inf\u00e2ncia, pela religi\u00e3o. Aos 10 anos come\u00e7ou a ter aulas noturnas de arte na <em>Academia de San Carlos <\/em>e um pouco depois j\u00e1 frequentava a escola de arte em tempo integral. Teve uma forma\u00e7\u00e3o mais art\u00edstica que escolar convencional. Foi durante esse per\u00edodo que conheceu o famoso gravador Jos\u00e9 Guadalupe Posada \u2013 quem, com obras publicadas em jornais e livros, popularizou a imagem das caveiras mexicanas (as <em>catrinas<sup>2<\/sup><\/em>).<\/p>\n<p>Ao completar 20 anos, conseguiu uma bolsa de estudos para viajar \u00e0 Espanha e conhecer o ambiente acad\u00eamico da pintura europeia. Viveu 14 anos na Europa, dez deles com Angelina Beloff, uma pintora de origem russa com quem se casou e morou em Paris. Teve um filho com ela, que morreu de meningite ainda beb\u00ea. Durante seu per\u00edodo europeu (1907-1921) conheceu Picasso, as obras de C\u00e9zanne e os artistas do bairro de Montparnasse, podendo experimentar as tend\u00eancias art\u00edsticas que estavam florescendo, como o cubismo e o p\u00f3s-impressionismo, que lhe renderam um relativo reconhecimento em Paris. Para ganhar a vida, especializou-se em copiar obras conhecidas e o estilo dos autores, vendendo seus quadros no mercado da falsifica\u00e7\u00e3o. Esse per\u00edodo lhe rendeu um grande aprendizado, o qual mais tarde empregaria em suas mais c\u00e9lebres obras.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/15-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/15-2.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Diferentemente de outros muralistas, Diego n\u00e3o se envolveu nas batalhas da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana (1910-1920). Em 1921 ele foi convidado por Jos\u00e9 Vasconcelos (1882-1959), secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o do governo p\u00f3s-revolucion\u00e1rio de \u00c1lvaro Obreg\u00f3n (1920-1924) para decorar as paredes de pr\u00e9dios p\u00fablicos com obras que ajudassem a contar a hist\u00f3ria do pa\u00eds. Embora desejasse refundar a cultura nacional, Vasconcelos buscava na Europa refer\u00eancias para o renascimento cultural mexicano, e Diego foi escolhido por seu reconhecimento art\u00edstico nos sal\u00f5es parisienses.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os anos na Europa, em 1921 ele desembarcou no porto de Veracruz. Por essa \u00e9poca se separou de Belloff, e em 1922 se casou com Guadalupe Marin (1895-1983), com quem teria duas filhas \u2013 Ruth e Guadalupe Rivera Marin. Como muitos outros modernistas latino-americanos, seria a partir do retorno da experi\u00eancia europeia que Diego redescobriria o M\u00e9xico, perceberia a exuber\u00e2ncia de suas cores, a pl\u00e1stica da vida cotidiana e as imagens da Revolu\u00e7\u00e3o, com suas tropas populares, de grandes sombreiros e pesadas cartucheiras, inspirando novos tipos, formas e temas. Trabalhando na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, procurou retratar festas populares, cenas do cotidiano de trabalhadores, e foi evoluindo para composi\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 luta de classes e pela terra.<\/p>\n<p>O retorno de Diego Rivera ao M\u00e9xico ocorreu nos anos de funda\u00e7\u00e3o e in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o do <em>Partido Comunista de M\u00e9xico \u2013<\/em> no embalo da Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique (1917) \u2013, e ele foi imediatamente atra\u00eddo para o centro do partido, criando uma unidade entre a atividade art\u00edstica dos muralistas e a atividade pol\u00edtica comunista.<\/p>\n<p>Em 1928, Diego se separou de Guadalupe, e logo come\u00e7ou sua rela\u00e7\u00e3o com Frida Kahlo, que conhecera enquanto pintava a gigantesca obra mural que decora o edif\u00edcio da <em>Secretar\u00eda de la Educaci\u00f3n P\u00fablica<\/em>, no centro da Cidade do M\u00e9xico. Com Frida \u2013 que buscava refer\u00eancias entre os pintores mais politizados da \u00e9poca e passou a acompanhar o seu trabalho \u2013 Diego viveu um intenso relacionamento, at\u00e9 a morte dela em 1954. Ele, por sua vez, se tornou um grande admirador dos quadros da companheira. No ano seguinte (1929), eles se casaram, e conforme demonstram suas cartas, di\u00e1rios e registros, Frida e Diego foram muito parceiros, embora ela nunca tenha deixado de expor suas opini\u00f5es, m\u00e1goas e cr\u00edticas ao marido.<\/p>\n<p>Entre 1923 e 1928, quando concluiu o famoso mural \u201cArsenal\u201d \u2013 em que aparecem Frida Kahlo e Tina Modotti distribuindo armas aos revolucion\u00e1rios \u2013, Diego Rivera daria uma nova orienta\u00e7\u00e3o \u00e0s obras murais, superando a ideia de car\u00e1ter did\u00e1tico da simples ilustra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria mexicana, para as in\u00fameras tentativas aleg\u00f3ricas de representar nos murais a luta de classes.<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1920, os governos do <em>Maximato<\/em> (s\u00e9rie de governos controlados pelo ex-presidente Calles) perseguiram o PCM e o mantiveram na ilegalidade. Diego Rivera, que nessa \u00e9poca j\u00e1 era uma importante figura p\u00fablica, conservaria seus contratos com o governo, sendo assim acusado por comunistas de colaborar com a \u201cnova burguesia mexicana\u201d. Isolado, Diego aceitou realizar alguns murais nos Estados Unidos, onde a sua obra ganhou notoriedade internacional.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s pintar murais na Calif\u00f3rnia e em Nova Iorque com temas variados, em 1932 ele come\u00e7ou a pintar um mural no Rockfeller Center, pr\u00e9dio central de ic\u00f4nico magnata capitalista estadunidense. Desde o in\u00edcio este mural foi pol\u00eamico, j\u00e1 que juntava o mais famoso artista comunista da \u00e9poca a uma das mais ic\u00f4nicas sedes dos capitalistas. Em meio \u00e0 maior crise econ\u00f4mica dos Estados Unidos e ao clima de concilia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas do <em>New Deal<\/em>, do governo Roosevelt (1933-1945), este fato seria interpretado como excentricidade do magnata, e tamb\u00e9m do artista. O mural procurava representar a modernidade, o desenvolvimento cient\u00edfico e suas contradi\u00e7\u00f5es de classe, em um tempo no qual se desenvolvia um pujante proletariado revolucion\u00e1rio. A obra tinha um retrato de L\u00eanin em meio a faixas vermelhas e l\u00edderes do movimento oper\u00e1rio \u2013 retrato que o magnata exigiu que fosse retirado. Com a recusa do artista, o pr\u00f3prio Rockfeller cobriria com tinta a figura do l\u00edder revolucion\u00e1rio russo. Vendo sua obra vandalizada, Rivera foi procurar explica\u00e7\u00f5es, e recebeu um ultimato: desistir do rosto do l\u00edder comunista, ou abandonar a obra. Diego destruiu o mural. Com o dinheiro que recebeu, pintaria uma r\u00e9plica na Cidade do M\u00e9xico, atualmente exposta no <em>Palacio de Bellas Artes<\/em>.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/circuito3anos-banner_outraspalavras-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/circuito3anos-banner_outraspalavras-1.jpg 729w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/circuito3anos-banner_outraspalavras-300x37.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 729px) 100vw, 729px\" width=\"729\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Antes de retornar ao M\u00e9xico, Diego ainda produziu outras obras em centros socialistas dos EUA, ligados \u00e0 dissid\u00eancia trotskista, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que o levariam a se filiar \u00e0 IV Internacional. Com esta proximidade, em 1937, Rivera recebeu Le\u00f3n Tr\u00f3tski (1879-1940) em sua casa no M\u00e9xico \u2013 como exilado, durante o governo C\u00e1rdenas (1934-1940).<\/p>\n<p>Em 1939, por diverg\u00eancias pol\u00edticas com Rivera, Tr\u00f3tski deixaria sua casa, cortando la\u00e7os com o pintor. No mesmo ano, Diego foi expulso da IV Internacional, rompendo definitivamente com o trotskismo. Ap\u00f3s o assassinato do exilado russo, Rivera chegou a ser considerado um dos suspeitos.<\/p>\n<p>Depois do fim da II Guerra e das vit\u00f3rias da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica contra o fascismo, Rivera pediu seu reingresso no PCM, tendo ent\u00e3o escrito uma autocr\u00edtica p\u00fablica acerca de suas posi\u00e7\u00f5es contra o governo sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, Diego j\u00e1 havia produzido milhares de metros de pintura mural e se dedicava \u00e0 decora\u00e7\u00e3o do Est\u00e1dio Ol\u00edmpico, na Cidade Universit\u00e1ria da Cidade do M\u00e9xico, um mosaico de pedras naturais. Ainda teve tempo de produzir um mural sobre a invas\u00e3o da Nicar\u00e1gua, e outro em que denunciava o bombardeio estadunidense sobre a popula\u00e7\u00e3o civil de Hiroshima e Nagasaki, com as figuras de St\u00e1lin e Mao Ts\u00e9-Tung lado a lado \u2013 destacados como l\u00edderes do mundo socialista.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte de Frida, ele se casou, em 1955, com Emma Hurtado, uma amiga que lhe havia servido de modelo para v\u00e1rias obras. Emma possu\u00eda afinidade pol\u00edtica e ideol\u00f3gica com Diego Rivera, era formada em contabilidade e turismo, e ajudou o marido a organizar suas exposi\u00e7\u00f5es, a gerir seus bens e a redigir suas mem\u00f3rias \u2013 publicadas por ela em livro p\u00f3stumo.<\/p>\n<p>No ano seguinte, Diego Rivera foi para a URSS tratar de um tumor. Em 1957, na Cidade do M\u00e9xico, com 70 anos de idade, o pintor comunista faleceu devido a complica\u00e7\u00f5es do c\u00e2ncer.<\/p>\n<h3><strong>2 \u2013 Contribui\u00e7\u00f5es ao marxismo<\/strong><\/h3>\n<p>Diego Rivera \u00e9 considerado um dos maiores pintores mexicanos \u2013 tendo retratado a partir do marxismo e da perspectiva das lutas de classe, a hist\u00f3ria e a cultura popular da Am\u00e9rica Latina \u2013, al\u00e9m de ter sido um militante ativo, que teve protagonismo no movimento socialista de seu tempo, debatendo e escrevendo sobre a rela\u00e7\u00e3o da arte e dos artistas com a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Destacou-se como muralista ao retratar a luta e a cultura popular, a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana e as grandes contendas mundiais da primeira metade do s\u00e9culo XX. Suas obras, \u00edcones da identidade nacional, foram uma tentativa de interpretar, a partir do marxismo, a luta de classes e a hist\u00f3ria do povo mexicano.<\/p>\n<p>Diego passou por diversas fases em sua carreira de artista, consagrando-se como um dos tr\u00eas grandes muralistas mexicanos<sup>3<\/sup>. Entre tantos temas, divulgou as <em>catrinas<\/em>, a luta camponesa, a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, e a imagem esquecida da capital asteca de Tenochtitl\u00e1n, al\u00e9m de colocar as cores populares de seu pa\u00eds em um contexto internacional. Produziu uma imensa obra pictogr\u00e1fica que serviu de refer\u00eancia para a constru\u00e7\u00e3o da identidade visual do M\u00e9xico de ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o, retratando as principais tem\u00e1ticas da na\u00e7\u00e3o e as grandes contendas mundiais de sua \u00e9poca. Os murais de Diego Rivera atualmente ilustram p\u00f4steres, livros did\u00e1ticos, revistas, jornais e todo tipo de material que retrate a hist\u00f3ria e a cultura mexicana.<\/p>\n<p>Diego Rivera pintou ao longo de muitos anos a hist\u00f3ria mexicana. Em especial, dedicou-se a ilustrar a hist\u00f3ria pr\u00e9-colombiana, a Conquista, a Independ\u00eancia do M\u00e9xico e temas relacionados \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana. Al\u00e9m de produzir muitas das imagens pelas quais se conhece o M\u00e9xico no mundo, Rivera, juntamente com sua companheira Frida, tamb\u00e9m estudou e colecionou arte e objetos arqueol\u00f3gicos de culturas pr\u00e9-colombianas, construindo uma cole\u00e7\u00e3o com milhares de pe\u00e7as. Essa imensa cole\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica do casal hoje faz parte do Museu Anahuacalli, um pr\u00e9dio em formato de pir\u00e2mide mesoamericana, ricamente decorado com mosaicos de temas indigenistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de seu significado para o meio art\u00edstico nacional, o pintor foi um militante comunista que procurou utilizar o marxismo para interpretar, por meio da arte, a hist\u00f3ria das classes populares em sua luta por emancipa\u00e7\u00e3o. Com efeito, embora tenha tamb\u00e9m legado ensaios de tem\u00e1tica marxista, as mais importantes contribui\u00e7\u00f5es de Diego Rivera ao marxismo est\u00e3o nos murais. Suas obras carregam diversas refer\u00eancias a quest\u00f5es em disputa no interior do movimento comunista ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Diego Rivera descobriu o marxismo a partir do leninismo e da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. O pensamento marxista de Rivera esteve relacionado com a constru\u00e7\u00e3o do PCM e com a luta pol\u00edtica no interior do movimento comunista. Suas reflex\u00f5es se dedicaram particularmente \u00e0 compreens\u00e3o da arte e do papel dos artistas para a revolu\u00e7\u00e3o, a partir do marxismo e do leninismo.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil determinar uma coer\u00eancia linear em seu pensamento, marcado por muitas oscila\u00e7\u00f5es \u2013 por vezes contradit\u00f3rias. Inicialmente Rivera assumiu a ideia de que o muralismo seria um movimento de artistas prolet\u00e1rios, organizados no <em>Sindicato de Obreros T\u00e9cnicos, Pintores y Escultores<\/em> (SOTPE), que fariam o que foi denominado \u201carte prolet\u00e1ria\u201d \u2013 uma arte feita por prolet\u00e1rios e para prolet\u00e1rios. Mas logo, a quest\u00e3o sobre o que seria essa arte prolet\u00e1ria \u2013 em termos de forma, conte\u00fado e prop\u00f3sito pol\u00edtico \u2013 se tornou um debate complexo. A URSS se mantinha como uma refer\u00eancia pol\u00edtica, embora os mexicanos tivessem cr\u00edticas ao esp\u00edrito criativo e revolucion\u00e1rio dos artistas sovi\u00e9ticos, procurando uma arte comunista propriamente mexicana \u2013 ou latino-americana.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma est\u00e9tica mexicana iria se desenvolver ao longo da d\u00e9cada de 1920, e os murais de Diego Rivera na <em>Secretar\u00eda de Educaci\u00f3n P\u00fablica<\/em> (SEP)<sup>4<\/sup> e na <em>Universidad Nacional de Chapingo<\/em> teriam um papel central para o in\u00edcio do movimento muralista mexicano. Estas obras s\u00e3o uma demonstra\u00e7\u00e3o da monumentalidade e do vigor do trabalho de Rivera, bem como do desenvolvimento pol\u00edtico do pr\u00f3prio autor.<\/p>\n<p>Cobrindo 1585 m\u00b2, o conjunto de murais da Secretaria, denominado \u201cVisi\u00f3n pol\u00edtica del pueblo mexicano\u201d, representa variados aspectos da cultura e da hist\u00f3ria popular. Diego, tendo sido influenciado pela Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique \u2013 e sendo membro do Partido Comunista desde 1923 \u2013, tentou interpretar o que pintava a partir de uma perspectiva marxista. Ele fez numerosas experi\u00eancias pl\u00e1sticas e est\u00e9ticas, com diferentes materiais e t\u00e9cnicas. V\u00e1rias dessas quest\u00f5es t\u00e9cnico-est\u00e9ticas seriam discutidas ao longo de sua carreira com o companheiro muralista David Alfaro Siqueiros (1896-1974)<sup>5<\/sup>, com quem teve uma pol\u00eamica p\u00fablica. Nesse conjunto de murais, Diego inicialmente representou foices e martelos, oper\u00e1rios apontando a <em>dire\u00e7\u00e3o<\/em> da hist\u00f3ria, prolet\u00e1rios em greve, e uma caracteriza\u00e7\u00e3o do movimento campon\u00eas com signos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>J\u00e1 os murais das paredes da <em>Universidad Nacional de Chapingo<\/em>, em especial um edif\u00edcio depois denominado <em>Capela Riverina<\/em>, exigiram um grande esfor\u00e7o interpretativo do significado do campesinato mexicano e de sua luta por emancipa\u00e7\u00e3o, buscando integrar aspectos pr\u00e9-colombianos, o ciclo do milho e os m\u00e1rtires da revolu\u00e7\u00e3o camponesa, em particular a figura de Emiliano Zapata.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que trabalhou para a <em>SEP<\/em>, Diego Rivera passou a abordar as tradi\u00e7\u00f5es populares em sua arte, chegando ent\u00e3o a obras em que expunha a luta de classes. Ao fim dos anos 1920, com o desenvolvimento de seus murais, Diego aperfei\u00e7oou a sua capacidade de retratar momentos hist\u00f3ricos e compor cenas \u00e9picas, geralmente dividindo em grandes campos os opressores e os oprimidos, al\u00e9m de os retratar em uma multiplicidade de detalhes e dar-lhes significado. Os murais desenvolvem crit\u00e9rios de tamanho, propor\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o, em sua proposta de hierarquizar personagens hist\u00f3ricos. Como um grande mosaico de signos e formas, Rivera aprendeu gradualmente a entreter o p\u00fablico com enigmas, interpreta\u00e7\u00f5es e sentidos nos seus imensos murais. Cada nova obra mobilizava discuss\u00f5es e coment\u00e1rios na imprensa e no p\u00fablico em geral, interessados que se mantinham por um bom tempo observando e tentando entender cada pequeno peda\u00e7o daquelas paredes t\u00e3o ousadamente coloridas.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que Tr\u00f3tski esteve junto da fam\u00edlia de Rivera, abriu-se tamb\u00e9m uma pol\u00eamica entre comunistas do PCM e trotskistas, acerca do papel da arte na revolu\u00e7\u00e3o. A discuss\u00e3o pode ser sintetizada por duas concep\u00e7\u00f5es: de um lado, as ideias expostas em artigos por David Alfaro Siqueiros; e por outro, o manifesto redigido e assinado por Andr\u00e9 Breton, Tr\u00f3tski e Rivera, denominado \u201cManifiesto por un arte revolucionario independiente\u201d. Em linhas gerais, este manifesto defendia a import\u00e2ncia da liberdade criativa do artista, que estava sendo sufocada no regime fascista da Alemanha, mas tamb\u00e9m estaria sendo cerceada na URSS. Segundo o manifesto, o comunismo n\u00e3o se opunha ao sentido da arte evidenciado pela psican\u00e1lise. Mais relacionado \u00e0 arte surrealista de Breton do que \u00e0 pr\u00f3pria obra de Rivera, a declara\u00e7\u00e3o afirmava: \u201cSe, para o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas materiais, cabe \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o erigir um regime socialista de plano centralizado, para a cria\u00e7\u00e3o intelectual ela deve, desde o come\u00e7o, estabelecer e assegurar um regime anarquista\u201d<sup>6<\/sup>. O manifesto tinha como objetivo opor-se \u00e0 posi\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica sobre a arte, e ao seu papel na luta de classes que se desenvolvia na URSS. Essencialmente, o texto defendia que a arte e as ci\u00eancias \u2013 ou a atividade intelectual dos revolucion\u00e1rios marxistas \u2013 n\u00e3o deveriam ser dirigidas pelas necessidades, planos ou diretrizes do Partido Comunista, mas que era uma necessidade do processo criativo a liberdade individual plena do artista.<\/p>\n<p>O maior antagonista desse manifesto foi David Alfaro Siqueiros, militante do PCM, que acusava a posi\u00e7\u00e3o de Rivera e Breton de decad\u00eancia pequeno-burguesa, j\u00e1 que n\u00e3o superava o papel do \u201cg\u00eanio individual\u201d no processo de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, e abstraia a luta de classes e o significado hist\u00f3rico das obras. Ademais, Siqueiros denunciava a posi\u00e7\u00e3o c\u00f4moda de artistas, como Rivera, que circulavam entre empres\u00e1rios e mecenas com gordos soldos para a sua arte independente.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos 1940, Rivera foi se aproximando novamente do PCM, na mesma medida em que os comunistas passavam a liderar as frentes antifascistas durante a II Guerra e as frentes \u00fanicas em pa\u00edses da periferia colonial, trazendo temas relacionados ao nacionalismo antiimperialista para o centro da pol\u00edtica comunista do p\u00f3s-guerra. A luta de classes entre proletariado e burguesia, ou entre camponeses e latifundi\u00e1rios se complexificava, vindo \u00e0 baila debates sobre sa\u00fade, \u00e1gua e principalmente a heran\u00e7a ind\u00edgena latino-americana. Os textos de Rivera, bem como as suas obras murais dessa segunda fase, procuram explorar uma perspectiva anticolonial da hist\u00f3ria, retratando a resist\u00eancia ind\u00edgena, dando significado e protagonismo aos astecas, \u00e0 cidade de Tenochtitl\u00e1n, \u00e0s <em>calaveras<\/em>, e enriquecendo de detalhes, cores e densidade a hist\u00f3ria popular e pr\u00e9-colonial mexicana. S\u00e3o desse per\u00edodo os murais que retratam multid\u00f5es de <em>nahuas<\/em> em Tenochtitl\u00e1n. A partir dos pinc\u00e9is de Rivera temos a primeira importante reconstru\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o dos espanh\u00f3is ao verem o Vale do M\u00e9xico com o <em>Templo Mayor<\/em>, as constru\u00e7\u00f5es mexicas, o mercado de Tlatelolco e as centenas de outros detalhes visuais \u00e9picos da hist\u00f3ria mexicana.<\/p>\n<p>A partir do in\u00edcio da Guerra Fria, Diego se envolver\u00e1 nas Campanhas pela Paz promovidas pela URSS, denunciando atrav\u00e9s de sua obra os crimes at\u00f4micos contra as popula\u00e7\u00f5es de Hiroshima e Nagasaki, e retratando em detalhes as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sustentadas pelo PCM no plano internacional. Cabe destacar o seu entusiasmo com vit\u00f3ria comunista na China em 1949 e suas den\u00fancias sobre as invas\u00f5es estadunidenses na Am\u00e9rica Latina. Em seus textos da d\u00e9cada de 1950, sua percep\u00e7\u00e3o do papel da arte j\u00e1 est\u00e1 muito relacionada a um papel de propaganda; inclusive \u00e9 com essa reflex\u00e3o que Rivera inicia um dos artigos dessa \u00e9poca, que tem como tema exatamente a defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 arte. Propaganda pol\u00edtica e ideol\u00f3gica j\u00e1 n\u00e3o se apresenta mais como um empecilho para a liberdade criativa do artista, mas como uma condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel da arte em uma sociedade dividida em classes.<\/p>\n<h3><strong>3 \u2013 Coment\u00e1rio sobre a obra<\/strong><\/h3>\n<p>A obra de Rivera pode ser entendida pelo mesmo fio condutor pelo qual se entende a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea da primeira metade do s\u00e9culo XX. Na d\u00e9cada de 1920, sob influ\u00eancia direta da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana e da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, Diego pintou zapatistas, revolucion\u00e1rios, comunistas, agraristas e o cotidiano popular. Na medida em que o fascismo emergiu, que a URSS se consolidou e houve uma intensa luta pol\u00edtica no interior do movimento comunista, personalizado nas figuras de St\u00e1lin e Tr\u00f3tski, seus murais procuraram se posicionar, explicar e ilustrar as contradi\u00e7\u00f5es dos novos tempos. Ap\u00f3s a II Guerra Mundial, Rivera tamb\u00e9m procurou interpretar o novo per\u00edodo que se abria, denunciando os efeitos da bomba at\u00f4mica, retratando a luta anticolonial, a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, o imperialismo estadunidense e a defesa da paz sob o socialismo.<\/p>\n<p>Os textos que Diego Rivera escreveu ao longo da vida foram publicados em jornais e revistas ligadas \u00e0 esquerda, e que tratavam de artes pl\u00e1sticas. Diego escreveu muito, participou de v\u00e1rias pol\u00eamicas. Destacamos a seguir alguns de seus artigos, textos e livros que ilustram os temas principais e as posi\u00e7\u00f5es mais relevantes do marxista.<\/p>\n<p>Um importante compilado de textos de Diego Rivera est\u00e1 no livro <em>Palavras ilustres (1921-1957)<\/em>, publicado em 2007 pelo <em>Museo Estudio Diego Rivera<\/em>, no M\u00e9xico. Nessa obra s\u00e3o tratados diversos temas, entre os quais se destacam os relacionados \u00e0 arte e a seu significado pol\u00edtico e revolucion\u00e1rio. As abordagens s\u00e3o diversas, desde an\u00e1lises acerca do papel da arte moderna e da arte na R\u00fassia, \u00e0 quest\u00e3o da nacionalidade e as diversas personagens que inovavam e surgiam no debate art\u00edstico e cultural, al\u00e9m de cr\u00edticas e autocr\u00edticas sobre sua posi\u00e7\u00e3o quanto ao legado de St\u00e1lin na URSS, bem como cartas e apresenta\u00e7\u00f5es dos murais pintados.<\/p>\n<p>Outras duas compila\u00e7\u00f5es similares, com grande parte dos mesmos textos importantes, podem ser encontradas nas suas obras escolhidas, organizadas por: Xavier Moyss\u00e9n: <em>Textos de arte <\/em>[II tomos] (M\u00e9xico: El Col\u00e9gio Nacional, 1996); e por Raquel Tibol<em>, Arte y pol\u00edtica<\/em> (M\u00e9xico: Grijalbo, 1979)<sup>7<\/sup>. Dessas publica\u00e7\u00f5es, citamos seus escritos mais significativos, os quais refletem bem as suas posi\u00e7\u00f5es, e especialmente a maneira como ele entendia a rela\u00e7\u00e3o entre marxismo e arte.<\/p>\n<p>No artigo \u201cLa posici\u00f3n del artista en Rusia hoy en dia\u201d, publicado originalmente na revista <em>Arts Weekly<\/em> (v. 1, n. 1, Nova Iorque, mar. 1932), Diego Rivera elabora uma primeira cr\u00edtica a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o que culminaria com sua aproxima\u00e7\u00e3o com o trotskismo. Enaltece o desenvolvimento do teatro como a forma mais desenvolvida das artes sovi\u00e9ticas, enquanto percebe uma decad\u00eancia nas artes pl\u00e1sticas do pa\u00eds. Associando o desenvolvimento art\u00edstico \u00e0s etapas hist\u00f3ricas da luta de classes, compara o desenvolvimento do teatro franc\u00eas no s\u00e9culo XIX ao grau de desenvolvimento do pa\u00eds na \u00e9poca. Para o autor, \u00e9 necess\u00e1rio que os artistas russos se libertem da est\u00e9tica pequeno-burguesa de outras \u00e9pocas, que abandonem a pintura de cavalete, individual e limitada, o que segundo ele tinha sido desenvolvido pela burocracia estatal, alimentada na NEP e sustentada por St\u00e1lin.<\/p>\n<p>Pouco depois, escreve um texto que trata de um dos temas mais centrais da arte: \u201c\u00bfPara qu\u00e9 serve el arte?\u201d (<em>Modern Monthly<\/em>, v. 7, n. 3, Nova Iorque, jun. 1933). No ensaio, Rivera questiona o desenvolvimento das artes pl\u00e1sticas sovi\u00e9ticas, que muitas vezes mantiveram a mesma forma e est\u00e9tica czarista, substituindo apenas as figuras de suas obras. Em lugar de colocar o Czar, retratavam L\u00eanin, ao inv\u00e9s de pintarem as batalhas da Guerra da Crimeia, pintavam da mesma maneira, com as mesmas composi\u00e7\u00f5es e formas, as batalhas do per\u00edodo da Guerra Civil Revolucion\u00e1ria (1918-1921). Para Rivera, a maneira de superar essa dificuldade estaria em entender que os artistas deveriam n\u00e3o apenas se interessar e pintar temas prolet\u00e1rios e camponeses, mas se colocar como acompanhantes dessas classes, estando assim verdadeiramente a servi\u00e7o da classe prolet\u00e1ria, como soldados da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em \u201cNacionalismo y arte\u201d (<em>The Worker\u2019s Age<\/em>, Nova Iorque, 15\/06\/1933), Rivera critica o nacionalismo que estaria surgindo nos EUA, associando-o ao fascismo e ao giro reacion\u00e1rio da burguesia estadunidense, o que segundo o autor havia ficado patente ap\u00f3s o epis\u00f3dio da pintura de Detroit, em que Rockfeller proibiu o rosto de L\u00eanin em sua obra mural.<\/p>\n<p>Em \u201cArquitetura y pintura mural\u201d (<em>The Architectural Forum<\/em>, Nova Iorque, jan. 1934), Rivera associa duas personagens das ci\u00eancias, Morse e Fulton, para demonstrar que arte e progresso tecnol\u00f3gico andavam juntos. A partir disso, o marxista muralista faz uma cr\u00edtica \u00e0 tend\u00eancia dos arquitetos de impedir ou limitar as \u00e1reas destinadas a um mural em seus projetos. Segundo ele, pensam sempre o mural como algo figurativo e secund\u00e1rio, mas deveriam tratar o mural como algo fundamental \u2013 que ocupasse todos os espa\u00e7os. Estes lugares deveriam ser pensados j\u00e1 com poss\u00edveis murais \u2013 apenas dessa forma os arquitetos poderiam apoiar a populariza\u00e7\u00e3o da arte, objetivo central do movimento muralista.<\/p>\n<p>No artigo \u201cLa lucha de classes y el problema ind\u00edgena\u201d (<em>Revista Clave<\/em>, n. 2, nov. 1938), Diego Rivera acusa a posi\u00e7\u00e3o estadunidense em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, usando o \u201cproblema ind\u00edgena\u201d para cometer todo tipo de atrocidades. Ele mostra tamb\u00e9m como os espanh\u00f3is colonizaram a Am\u00e9rica com a mesma inten\u00e7\u00e3o de usar a m\u00e3o-de-obra escrava dos ind\u00edgenas. Ele critica o processo de coloniza\u00e7\u00e3o e as subsequentes consequ\u00eancias para a popula\u00e7\u00e3o nativa. Fala ainda da quest\u00e3o agr\u00e1ria no M\u00e9xico da d\u00e9cada de 1930, e sobre a posi\u00e7\u00e3o do novo governo p\u00f3s-revolucion\u00e1rio quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<p>Em \u201cEl arte, base del panamericanismo\u201d (<em>Revista As\u00ed<\/em>, n. 144, ago\/1943) o autor come\u00e7a delineando as pol\u00edticas falidas das grandes pot\u00eancias europeias ao longo da hist\u00f3ria. Mas quanto \u00e0s Am\u00e9ricas, diz que na cultura americana \u201cpersiste sobretudo por meio da obra de arte uma cosmogonia, um sentido filos\u00f3fico realista e maravilhoso\u201d. Quando a sociedade americana n\u00e3o era dividida em classes, como coloca o autor, a arte existia plenamente e se expandia.<\/p>\n<p>Em \u201cArte antiguo mexicano\u201d, texto apresentado em 1956 em uma confer\u00eancia do Partido Comunista do M\u00e9xico, e publicado na citada colet\u00e2nea de 1979, Rivera exalta o valor das antigas pinturas feitas em paredes rochosas das cavernas, destacando a extens\u00e3o e o movimento destas pinturas \u2013 que s\u00f3 poderiam ser comparadas com o audiovisual dos dias atuais. A explica\u00e7\u00e3o novamente retoma a tese de que em uma sociedade sem classes, a arte seria mais desenvolvida, relacionando as possibilidades criativas do comunismo primitivo com as do futuro comunismo.<\/p>\n<p>Rivera tamb\u00e9m \u00e9 coautor do mencionado \u201cManifiesto por un arte revolucionario independiente\u201d (<em>Partisan Review<\/em>, Nova Iorque, 1938), assinado juntamente com Tr\u00f3tski e Andr\u00e9 Breton \u2013 renomado te\u00f3rico do dada\u00edsmo e surrealismo. Neste manifesto, eles abordam cr\u00edticas ao modelo de arte controlado pelo Partido Comunista, enfatizando a necessidade de uma express\u00e3o art\u00edstica independente que respeite a individualidade criativa. O documento defende a liberdade individual do artista como um elemento crucial para a cria\u00e7\u00e3o, mesmo quando a arte se compromete com quest\u00f5es sociais. Ressaltando o indiv\u00edduo no papel de criador, o documento foi um marco na carreira de Rivera. Este seu alinhamento com o trotstkismo, por\u00e9m, foi uma fase curta na carreira do artista.<\/p>\n<p>No documento que Diego Rivera escreve \u00e0 comiss\u00e3o de controle do PCM para a solicita\u00e7\u00e3o de reingresso<sup>8<\/sup> (em 1954), ele fala longamente sobre o abandono de suas rela\u00e7\u00f5es com o trotskismo. Considerava uma quest\u00e3o pontual em sua carreira, epis\u00f3dica, e afirma que naquela \u00e9poca j\u00e1 n\u00e3o trabalhava com trotskistas. Diego fala ainda sobre como est\u00e1 \u201cinteiramente de acordo com a atual linha pol\u00edtica do Partido\u201d. Essa aproxima\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do rompimento claro com Tr\u00f3tski, demonstra a posi\u00e7\u00e3o internacional sobre St\u00e1lin, valorizado como o vitorioso da II Guerra Mundial, como o l\u00edder que estava avan\u00e7ando com o socialismo na URSS. Como Rivera, diversos artistas da \u00e9poca, tais como Picasso, fizeram homenagens a St\u00e1lin no meio da d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p>No documento \u201cDel arte\u201d, publicado no cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o <em>\u201c45 Autorretratos de pintores mexicanos\u201d<\/em> (M\u00e9xico, 1947), Rivera fala sobre como a arte, em um n\u00edvel individual, \u00e9 \u201cuma fun\u00e7\u00e3o org\u00e2nica que se pode canalizar, intensificar, especializar, destruir ou atrofiar por meio da t\u00e9cnica\u201d. Com esta vis\u00e3o, ele j\u00e1 se mostra afastado do anterior manifesto que assinara com Breton, no qual colocava a individualidade do artista em primeiro lugar \u2013 no cerne do processo criador. Agora, diferentemente, Rivera afirma: \u201cn\u00e3o existe uma arte pura, uma arte apol\u00edtica\u201d. Percebendo a arte como uma ferramenta de propaganda usada por explorados e exploradores, diz que: \u201cToda arte \u00e9 propaganda\u201d, em conson\u00e2ncia com a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica comunista da \u00e9poca sobre a arte na URSS.<\/p>\n<p>Cabe ainda ressaltar o pref\u00e1cio (\u201cIntroducci\u00f3n\u201d) escrito em 1930 por Rivera<sup>9<\/sup>, para apresentar a colet\u00e2nea de gravuras de Jos\u00e9 Guadalupe Posada \u2013 \u201cMonografia de 406 grabados\u201d <em>(Mexican Folkways<\/em>, Cidade do M\u00e9xico, 1930) \u2013, um dos criadores das t\u00e3o conhecidas <em>calaveras<\/em> mexicanas. O texto ressalta as caracter\u00edsticas originais nas gravuras de Posada e op\u00f5e essas caracter\u00edsticas \u00e0 decadente arte burguesa. Esse livro foi respons\u00e1vel por popularizar e tornar conhecida mundialmente a obra de Posada e suas <em>calaveras<\/em>, tema de muitos murais de Rivera.<\/p>\n<p>Pouco antes de sua morte, em 1957, foi publicado o guia fotogr\u00e1fico <em>Sus frescos en el Palacio Nacional de M\u00e9xico<\/em> (M\u00e9xico: Palacio Nacional), com detalhes de seus murais neste edif\u00edcio.<\/p>\n<p>Para se conhecer mais da obra de Diego Rivera, pode-se consultar diversos textos e cat\u00e1logos em portais como: <em>Museo Anahuacalli<\/em> (https:\/\/museoanahuacalli.org.mx), museu em forma piramidal mesoamericana constru\u00eddo para abrigar o acervo de artefatos antigos que Rivera juntou ao longo da vida; <em>Murales de la Secretar\u00eda de Educaci\u00f3n P\u00fablica <\/em>(https:\/\/murales.sep.gob.mx); <em>Instituto Nacional de Bellas Artes y Literatura <\/em>(https:\/\/inba.gob.mx), com um passeio virtual pelo <em>Palacio Nacional de Bellas Artes<\/em>;<em> Historia-Arte <\/em>(https:\/\/historia-arte.com); <em>Museo Mural Diego Rivera<\/em> (museomuraldiegorivera.inba.gob.mx); e a publica\u00e7\u00e3o \u201cPalacio Nacional\u201d, dispon\u00edvel no portal do governo mexicano (https:\/\/www.gob.mx).<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>4 \u2013 Bibliografia de refer\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>CRUZ MAJARREZ, Maricela Gonz\u00e1lez. <em>La pol\u00e9mica Siqueiros-Rivera: planteamientos est\u00e9tico-pol\u00edticos (1934-35).<\/em> Cidade do M\u00e9xico: Museo Dolores Olmedo Pati\u00f1o, 1996.<\/p>\n<p>Lozano, Luis Mart\u00edn y CORONEL RIVERA, Juan Rafael. <em>Diego Rivera: obra mural completa<\/em>. Colonia (Alemania): Taschen, 2010.<\/p>\n<p>MATUTE, \u00c1lvaro. <em>La revoluci\u00f3n mexicana: actores, escenarios y acciones \u2013 vida cultural y pol\u00edtica (1901-1929)<\/em>. M\u00e9xico, Editorial Oc\u00e9ano, 2002.<\/p>\n<p>MONSIV\u00c1IS, Carlos. <em>La cultura mexicana en el Siglo XX<\/em>, M\u00e9xico: El Col\u00e9gio de M\u00e9xico, 2010.<\/p>\n<p>ROCHFORT, Desmond. <em>Mexican muralist: Orozco, Rivera, Siqueiros.<\/em> S\u00e3o Francisco (EUA): Chronicle Book, 1998.<\/p>\n<p>S\u00c1NCHEZ, Am\u00e9rico (coord.). <em>Ra\u00edces iconogr\u00e1ficas: mural Sue\u00f1o de una Tarde Dominical en la Alameda Central de Diego Rivera.<\/em> Cid. M\u00e9xico: INBA, 2010.<\/p>\n<p>SECRETAR\u00cdA DE EDUCACI\u00d3N P\u00daBLICA. <em>Diego Rivera: cat\u00e1logo geral de obra mural y fotograf\u00eda personal.<\/em> Cid. M\u00e9xico: SEP e INBA, 1988.<\/p>\n<p>SIQUEIROS, David Alfaro. <em>Me llamaban El Coronelazo (memorias).<\/em> Cid. M\u00e9xico: Grijalbo, 1977.<\/p>\n<p>VASCONCELLOS, <em>Camilo Mello. <\/em><em>Imagens da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana: o Museu Nacional de Hist\u00f3ria do M\u00e9xico (1940-1982)<\/em>. S\u00e3o Paulo: Humanitas\/Alameda, 2007.<\/p>\n<p>WOLFE, Bertram D. <em>La fabulosa vida de Diego Rivera.<\/em> Cid. M\u00e9xico: Diana, 1989.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>Com colabora\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de texto de Yuri Martins-Fontes, Joana Aparecida Coutinho e Paulo Alves Junior, e ilustra\u00e7\u00e3o de Felipe Santos Deveza, este artigo foi originalmente publicado no portal do N\u00facleo Pr\u00e1xis-USP, sendo um dos verbetes do <em>Dicion\u00e1rio marxismo na Am\u00e9rica.<\/em> Permite-se sua reprodu\u00e7\u00e3o, sem fins comerciais, desde que citada a fonte (nucleopraxisusp.org) e que seu conte\u00fado n\u00e3o seja alterado. Sugest\u00f5es e cr\u00edticas s\u00e3o bem-vindas: editoria@nucleopraxisusp.org.<\/p>\n<p>1<em> Museo Mural Diego Rivera<\/em>. Disp.: https:\/\/museomuraldiegorivera.inba.gob.mx.<\/p>\n<p>2 \u201cCatrinas\u201d \u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o dada \u00e0s caveiras mexicanas que retratam pessoas e situa\u00e7\u00f5es sociais de maneira cr\u00edtica. As caveiras est\u00e3o relacionadas ao legado mesoamericano, \u00e0 est\u00e9tica das pinturas de antigos c\u00f3dices pr\u00e9-colombianos e coloniais, e foram popularizados contemporaneamente por Guadalupe Posada, que as usou para realizar s\u00e1tiras pol\u00edticas, especialmente sobre a I Guerra Mundial e a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana.<\/p>\n<p>3 Os dois outros muralistas s\u00e3o: David Alfaro Siqueiros e Jos\u00e9 Clemente Orozco.<\/p>\n<p>4 Dispon\u00edvel na p\u00e1gina eletr\u00f4nica da <em>SEP<\/em>: https:\/\/murales.sep.gob.mx<\/p>\n<p>5 Cruz Majarrez, 1996.<\/p>\n<p>6 Bret\u00f3n; Rivera; Tr\u00f3tski. \u201cManifiesto por un arte revolucionario independiente\u201d. <em>Partisan Review<\/em>, Nova Iorque, 1938.<\/p>\n<p>7 Rivera [org. Tibol]. <em>Arte y pol\u00edtica. <\/em>M\u00e9xico: Grijalbo, 1979.<\/p>\n<p>8 Rivera, 1979, p. 347-355.<\/p>\n<p>9 Rivera, Diego. \u201cIntroducci\u00f3n\u201d. Em: Posadas, Jos\u00e9 Guadalupe. <em>Monograf\u00eda: 406 grabados.<\/em> Cidade do M\u00e9xico: Toledo, 1991, s\/p [<em>Mexican Folkways<\/em>, Cid. M\u00e9xico, 1930].<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post O marxismo complexo de Diego Rivera appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/negociado-sobre-o-legislado-principio-que-desmantelou-o-direito-do-trabalho\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/reforma-trabalhista-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u201cNegociado sobre o legislado\u201d: princ\u00edpio que desma...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mulheres-sao-a-maioria-no-empreendedorismo-no-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Mulheres s\u00e3o a maioria no empreendedorismo no Bras...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/colombia-enviara-aviao-presidencial-aos-eua-para-transportar-migrantes-deportados-somos-o-oposto-dos-nazistas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Col\u00f4mbia enviar\u00e1 avi\u00e3o presidencial aos EUA para t...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/portugal-notifica-mais-de-5-mil-brasileiros-a-deixar-pais-voluntariamente-ou-a-forca\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/gasbt_cxsaicnbi-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Portugal notifica mais de 5 mil brasileiros a deix...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sua arte, de rara pot\u00eancia e proje\u00e7\u00e3o mundial, transitou da rea\u00e7\u00e3o ao dirigismo pol\u00edtico \u00e0 defesa do panfleto. Mas estabeleceu, em todas as fases, la\u00e7os profundos com a heran\u00e7a ind\u00edgena. 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