{"id":94439,"date":"2026-07-03T17:50:08","date_gmt":"2026-07-03T20:50:08","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nao-ha-espaco-para-a-ia-na-literatura\/"},"modified":"2026-07-03T17:50:08","modified_gmt":"2026-07-03T20:50:08","slug":"nao-ha-espaco-para-a-ia-na-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nao-ha-espaco-para-a-ia-na-literatura\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a IA na literatura?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"818\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Sem-titulo-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Sem-titulo-1-1500x818.jpeg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Sem-titulo-1-300x164.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Sem-titulo-1-768x419.jpeg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Sem-titulo-1-1536x838.jpeg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Sem-titulo-1.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Arte: site aipolicyperspectives<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Martin Puchner<\/strong>, no <em>Aeon<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o:<strong> R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Desde que a intelig\u00eancia artificial se tornou popular, h\u00e1 alguns anos, ela tamb\u00e9m passou a funcionar como um teste de personalidade pol\u00edtica: me diga o que voc\u00ea pensa sobre a IA e eu lhe direi quem voc\u00ea \u00e9. Os preocupados com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas focam no consumo de energia. Os que denunciam o capitalismo tardio a veem como o exemplo m\u00e1ximo do monop\u00f3lio corporativo. Os que se preocupam com o racismo alertam para os vieses da IA. Os que estudam os efeitos do colonialismo a enxergam como mais uma forma de explora\u00e7\u00e3o. E os mais apocal\u00edpticos veem no ChatGPT, Claude, Gemini e Grok os quatro cavaleiros do apocalipse.<\/p>\n<p>As pessoas das artes e da cultura se sentiram particularmente amea\u00e7adas pela IA, porque a tecnologia parece vir para tomar justamente o que elas mais prezam: o uso criativo de imagens, palavras e ideias. Estes dois \u00faltimos \u2013 palavras e ideias \u2013 est\u00e3o no centro da tempestade porque a IA generativa \u00e9 baseada na linguagem e porque as ideias est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0s palavras com as quais s\u00e3o expressas. Em resposta, escritores t\u00eam optado majoritariamente pela resist\u00eancia, defendendo a criatividade genuinamente humana contra as m\u00e1quinas. Minhas redes sociais foram inundadas com porcarias de IA, produzidas e compartilhadas com entusiasmo por colegas na esperan\u00e7a de provar que a IA n\u00e3o pode ser criativa. Vamos chamar isso de Resist\u00eancia Criativa.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/14-1-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/14-1-6.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Com base na minha experi\u00eancia dando aulas e palestras pelo mundo, a Resist\u00eancia Criativa \u00e9 mais forte na Am\u00e9rica do Norte, bem menos dominante na \u00cdndia, e ainda menor na China e na Coreia, com a Europa ficando em algum ponto intermedi\u00e1rio. Quando dei uma aula sobre IA e criatividade em Seul no ver\u00e3o passado, com alunos de toda a \u00c1sia e tamb\u00e9m da Am\u00e9rica Latina, eles tinham uma \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o: por favor, nos ensine a usar essas ferramentas de forma eficaz. A \u00fanica pessoa que defendia a resist\u00eancia criativa era um aluno estadunidenses que havia se perdido e entrado na turma. Na \u00cdndia tamb\u00e9m tive muitas intera\u00e7\u00f5es com pessoas das artes que demonstraram uma atitude menos defensiva e mais explorat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Essas impress\u00f5es aned\u00f3ticas s\u00e3o respaldadas por pesquisas que medem as atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 IA em diferentes localidades de forma mais geral. \u00c9 tentador especular sobre as raz\u00f5es para essa distribui\u00e7\u00e3o desigual. O cineasta Shekhar Kapur me disse em uma conversa que se trata da defesa de privil\u00e9gios enraizados: as pessoas do Sul Global t\u00eam menos a perder e, portanto, est\u00e3o mais abertas \u00e0s novas tecnologias. Tamb\u00e9m podem existir atitudes filos\u00f3ficas e culturais mais profundas, com culturas de influ\u00eancia budista menos apegadas \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre humanos e n\u00e3o humanos.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa onde exista, a Resist\u00eancia Criativa \u00e9 compreens\u00edvel como uma rea\u00e7\u00e3o a uma tecnologia disruptiva, mas, no fim das contas, ela atrapalha a compreens\u00e3o da IA. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, tenho experimentado a IA e me tornei um otimista cauteloso. A IA pode at\u00e9 ser p\u00e9ssima para os engenheiros de software, mas acredito que \u00e9 um desenvolvimento intrigante para as pessoas que se importam com a linguagem e as ideias \u2013 justamente as que mais a rejeitam atualmente.<\/p>\n<p>A Resist\u00eancia Criativa tem um ponto v\u00e1lido quando a IA levanta quest\u00f5es sobre o que as m\u00e1quinas podem ou n\u00e3o fazer \u2013 mas tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es semelhantes sobre os humanos. Muitos dos defeitos que a Resist\u00eancia Criativa v\u00ea na IA \u2013 que ela \u00e9 previs\u00edvel, que meramente recombina o que j\u00e1 existe \u2013 tamb\u00e9m s\u00e3o verdadeiros para muitos humanos. Na verdade, grande parte do trabalho nas artes nas \u00faltimas d\u00e9cadas questionou as alega\u00e7\u00f5es sobre a criatividade humana. Isso inclui o culto ao g\u00eanio solit\u00e1rio, o papel das institui\u00e7\u00f5es na forma\u00e7\u00e3o da arte, a depend\u00eancia de ferramentas e meios, e os modos coletivos de produ\u00e7\u00e3o criativa. Tem sido estranho observar a rapidez com que escritores e artistas, diante da amea\u00e7a da IA, esqueceram tudo isso e agora buscam ref\u00fagio em vis\u00f5es muito tradicionais da criatividade humana. \u00c9 quase como se estiv\u00e9ssemos de volta ao mundo que C. P. Snow descreveu nos anos 1950, dividido entre a ci\u00eancia de vanguarda e as artes e humanidades presas \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O principal problema da Resist\u00eancia Criativa \u00e9 que ela nos cega para o que h\u00e1 de mais interessante na IA: o fato de ela ser baseada na linguagem \u2013 algo que compartilhamos com a IA. \u00c9 claro que m\u00e1quinas e humanos aprendem a linguagem de formas diferentes, processam-na de forma diferente e interagem com ela de forma diferente. Mas essas diferen\u00e7as n\u00e3o significam que apenas n\u00f3s, humanos, realmente usamos a linguagem, enquanto as m\u00e1quinas apenas a imitam. Os agentes de IA s\u00e3o usu\u00e1rios de linguagem surpreendentemente eficazes, embora com pontos fortes e fracos diferentes dos nossos. Reconhecer isso n\u00e3o nos obriga a dizer que a IA \u00e9 consciente (um conceito notoriamente dif\u00edcil de definir) ou que \u00e9 semelhante aos humanos de outras formas. Na verdade, um dos pontos fortes da IA \u00e9 que ela usa a linguagem de maneira diferente de n\u00f3s. Mas a quest\u00e3o aqui \u00e9 que a linguagem \u00e9 o territ\u00f3rio onde humanos e m\u00e1quinas se encontram. Vamos chamar isso de Modelo de Linguagem Compartilhada, o que tamb\u00e9m explica por que os humanos podem interagir com a IA em primeiro lugar.<\/p>\n<p>Conviver com o Modelo de Linguagem Compartilhada \u00e9 algo que precisamos aprender. At\u00e9 recentemente, era razo\u00e1vel supor que todos os agentes falantes eram humanos (com exce\u00e7\u00e3o de papagaios treinados), da\u00ed o nosso h\u00e1bito enraizado de atribuir personalidade aos chatbots, com todas as consequ\u00eancias amplamente divulgadas. Mas agora precisamos nos acostumar a ter outro usu\u00e1rio de linguagem entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Muitos leitores se sentem enganados quando descobrem que um texto foi escrito por IA. Mas essa atitude vai persistir?<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/OUTRAS-PALAVRAS-_A-LA-CAARTE728x90px-1-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/OUTRAS-PALAVRAS-_A-LA-CAARTE728x90px-1-1.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/OUTRAS-PALAVRAS-_A-LA-CAARTE728x90px-1-1-300x37.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Muitas disciplinas ser\u00e3o necess\u00e1rias para nos ajudar a entender as implica\u00e7\u00f5es da IA, incluindo engenharia e matem\u00e1tica. Mas elas tamb\u00e9m incluem duas teorias associadas \u00e0s humanidades: a teoria da resposta do leitor e o p\u00f3s-estruturalismo. Ambas s\u00e3o, por acaso, as teorias com as quais cresci intelectualmente, e descobri que ambas s\u00e3o surpreendentemente \u00fateis para lidar com o desafio da IA.<\/p>\n<p>A teoria da resposta do leitor se desenvolveu nos anos 1970 e 1980, na Alemanha e nos EUA, desafiando a vis\u00e3o padr\u00e3o de que a literatura \u00e9 produzida por um autor (ou v\u00e1rios autores) usando diferentes meios (rolos de manuscritos, livros impressos) e depois transmitida por intermedi\u00e1rios (bibliotecas, livrarias) at\u00e9 os leitores, que ent\u00e3o, bem, a leem. \u201cN\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pido\u201d, disseram te\u00f3ricos como Wolfgang Iser, na Alemanha, e Stanley Fish, nos EUA. A suposi\u00e7\u00e3o de que a literatura \u00e9 o que est\u00e1 preso entre as capas de um livro deixa de fora os leitores, que, na verdade, coproduzem a literatura por meio do ato da leitura. Literatura n\u00e3o s\u00e3o palavras no papel; s\u00e3o palavras no papel que est\u00e3o sendo lidas por leitores. Em sua forma mais extrema, isso significava que n\u00e3o importava como (e por quem) um texto era escrito; tudo o que importava era como ele era lido. O ato da leitura era tudo, e as palavras escritas por um autor eram meramente uma desculpa para que um ato de leitura acontecesse.<\/p>\n<p>O centro da teoria da resposta do leitor era a Universidade de Konstanz, uma universidade rec\u00e9m-fundada no extremo sudoeste da Alemanha, bem na fronteira com a Su\u00ed\u00e7a, onde fui estudar no final dos anos 1980. No meu primeiro semestre, entrei por acaso em um semin\u00e1rio de Iser, autor de \u201cO Ato da Leitura\u201d (1976), uma das primeiras obras-chave desse movimento. Quando voltei para casa no Natal daquele ano, diverti minha fam\u00edlia e amigos com a afirma\u00e7\u00e3o surpreendente de que a literatura n\u00e3o era o que eles exibiam com orgulho em suas estantes, mas algo que s\u00f3 passava a existir quando eles come\u00e7avam a ler.<\/p>\n<p>A IA \u00e9 um experimento perfeito para a teoria da resposta do leitor. Ser\u00e1 que realmente n\u00e3o importa quem (ou o qu\u00ea) produz um texto? No momento, o veredito parece ser que importa muito. A Resist\u00eancia Criativa, em particular, tem tudo investido nessa diferen\u00e7a, e muitos leitores se sentem enganados quando descobrem que um texto foi escrito por IA. Mas essa atitude vai persistir? A percep\u00e7\u00e3o central da teoria da resposta do leitor nos ajuda a formular essa pergunta de uma maneira melhor: o que importa n\u00e3o s\u00e3o as palavras em si, mas como as lemos. Para a IA, isso significa que a verdadeira quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 qu\u00e3o bons ser\u00e3o os textos produzidos por IA, mas se os leitores continuar\u00e3o a l\u00ea-los de forma diferente (ou simplesmente n\u00e3o os ler\u00e3o).<\/p>\n<p>A outra teoria liter\u00e1ria que pode nos ajudar a entender a IA \u00e9 o p\u00f3s-estruturalismo. Foi com essa teoria que tive contato na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, depois de ter passado pela teoria da resposta do leitor. Foi tamb\u00e9m o que me trouxe aos EUA, onde fui estudar com Jacques Derrida, que dava aulas regularmente na Universidade da Calif\u00f3rnia, em Irvine. Lembro-me de quando juntei coragem pela primeira vez para ir ao hor\u00e1rio de atendimento de Derrida. Esperava uma longa fila de f\u00e3s, mas, em vez disso, o encontrei sentado, completamente sozinho, no final de um longo corredor vazio. Voltei algumas vezes, ansioso por esses encontros um pouco estranhos em ingl\u00eas imperfeito (n\u00f3s dois melhoramos com o passar do semestre). Na maior parte do tempo, ele queria falar sobre seu medo de que as pessoas estivessem meramente imitando seu estilo de pensamento sem a subst\u00e2ncia. Essa preocupa\u00e7\u00e3o ficou comigo e acabou me fazendo me afastar do p\u00f3s-estruturalismo.<\/p>\n<p>Mas agora, diante da IA, cheguei a ver que o p\u00f3s-estruturalismo acertou em algo importante: que n\u00e3o h\u00e1 nada de natural na linguagem. A linguagem n\u00e3o \u00e9 uma capacidade m\u00e1gica que nos torna humanos, mas uma tecnologia estranha que se apoderou de n\u00f3s e mudou a forma como pensamos.<\/p>\n<p>A forma como Derrida apresentou esse argumento era aparentemente contraintuitiva: a escrita \u00e9 mais fundamental do que a fala. Essa afirma\u00e7\u00e3o contrariava as evid\u00eancias hist\u00f3ricas de que os humanos evolu\u00edram primeiro a capacidade de falar, cerca de 100 mil anos atr\u00e1s, e s\u00f3 muito depois aprenderam a capturar as palavras faladas por meio de signos escritos. O que incomodava Derrida nessa hist\u00f3ria era que ela fazia a linguagem parecer natural e a escrita artificial, quando, na verdade, toda linguagem era artificial: uma ferramenta de pensamento. A melhor maneira de provar esse ponto era mostrar que a fala continha tra\u00e7os (uma palavra importante para Derrida) da escrita, no sentido de que era um sistema criado artificialmente que operava de acordo com suas pr\u00f3prias regras. Essa artificialidade era mais f\u00e1cil de ver na escrita, da\u00ed sua afirma\u00e7\u00e3o de que a escrita, essa tecnologia abertamente artificial, revelava algo sobre a fala que, de outra forma, seria dif\u00edcil de perceber. Na verdade, o p\u00f3s-estruturalismo n\u00e3o surgiu com essa teoria do nada, e alguns p\u00f3s-estruturalistas, como Jacques Lacan, chegaram a ler os te\u00f3ricos por tr\u00e1s da revolu\u00e7\u00e3o da IA, como Claude Shannon e Norbert Wiener.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da teoria liter\u00e1ria, h\u00e1 outra fonte \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos escritores que pode nos ajudar a avaliar a IA: a hist\u00f3ria cultural. Do mito de Pigmali\u00e3o \u00e0 pe\u00e7a \u201cR.U.R.\u201d (1920), de Karel \u010capek \u2013 na qual o escritor tcheco cunhou a palavra \u201crob\u00f4\u201d \u2013, a literatura vem refletindo sobre a IA h\u00e1 muito tempo. A melhor literatura aqui n\u00e3o se limita a avisos apocal\u00edpticos no estilo \u201cO Exterminador do Futuro\u201d, embora as preocupa\u00e7\u00f5es com a perda de controle possam ser encontradas em mitos como \u201cO Aprendiz de Feiticeiro\u201d, que desencadeia um mecanismo m\u00e1gico que n\u00e3o consegue controlar. Outras hist\u00f3rias sobre criaturas inteligentes podem ser encontradas em contos sobre l\u00e2mpadas m\u00e1gicas e tapetes voadores, fantasmas, g\u00eanios e fadas, or\u00e1culos e deuses. N\u00f3s, escritores e estudiosos, possu\u00edmos vastos recursos culturais para pensar sobre outras formas de intelig\u00eancia, se ao menos descobrirmos como us\u00e1-los.<\/p>\n<p>Veja um romance como \u201cFrankenstein\u201d (1818). \u00c0 luz da IA, podemos perceber que Mary Shelley pensou profundamente sobre o papel da linguagem e o que hoje chamar\u00edamos de dados de treinamento na cria\u00e7\u00e3o de uma criatura artificial. No romance, o Dr. Frankenstein abandona sua criatura antes de complet\u00e1-la: ele lhe deu forma exterior, mas nenhum conhecimento ou educa\u00e7\u00e3o. Lan\u00e7ado ao mundo, a criatura agora precisa adquirir isso por conta pr\u00f3pria: Shelley faz com que ela aprenda a linguagem espionando uma fam\u00edlia de humanos durante meses.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. A criatura tamb\u00e9m precisa adquirir conhecimento baseado em livros. Shelley especifica precisamente quatro livros que a criatura l\u00ea e que, de fato, moldam suas rea\u00e7\u00f5es subsequentes ao mundo e sua intelig\u00eancia. Esses dados de treinamento s\u00e3o: \u201cVidas Paralelas\u201d, de Plutarco; \u201cPara\u00edso Perdido\u201d (1667), de John Milton; \u201cOs Sofrimentos do Jovem Werther\u201d (1774), de J. W. Goethe; e \u201cAs Ru\u00ednas\u201d (1791), de C. F. Volney, uma obra sobre a hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es. Esses quatro textos \u2013 o superc\u00e2non de Shelley \u2013 incutem na Criatura sua no\u00e7\u00e3o de grandeza baseada em ideais cl\u00e1ssicos (Plutarco); um senso dram\u00e1tico da cria\u00e7\u00e3o e seus desafios morais (Milton); uma linguagem de interioridade e sentimento (Goethe); al\u00e9m de um senso tr\u00e1gico da hist\u00f3ria mundial (Volney).<\/p>\n<p>Abordar a IA a partir da hist\u00f3ria cultural profunda tamb\u00e9m pode ajudar a explicar alguns dos comportamentos mais perturbadores da IA. Como nossa IA foi treinada com a heran\u00e7a coletiva e digitalizada do pensamento humano, essa hist\u00f3ria de imaginar a IA \u00e9, na verdade, parte desses dados de treinamento. Pelo menos parte das intera\u00e7\u00f5es inquietantes entre humanos e chatbots de IA, que soam como algo sa\u00eddo diretamente de \u201cO Exterminador do Futuro\u201d, realmente vieram de \u201cO Exterminador do Futuro\u201d \u2013 n\u00e3o porque a franquia do ciborgue assassino previu o futuro com precis\u00e3o, mas porque sua pegada cultural faz parte dos dados de treinamento e, portanto, est\u00e1 moldando o comportamento dos chatbots. Escritores, com um bom conhecimento dos c\u00e2nones da literatura mundial, seriam excelentes analistas desses ciclos de retroalimenta\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Os dados de treinamento \u2013 a ingest\u00e3o de enormes quantidades de texto criado por humanos, desde as grandes obras da literatura mundial at\u00e9 todo o Reddit e o X (antigo Twitter) \u2013 levantam a quest\u00e3o dos direitos autorais. Como \u00e9 amplamente sabido, as empresas de IA treinaram seus modelos n\u00e3o apenas em livros de dom\u00ednio p\u00fablico (como as obras de Plutarco, Milton e Goethe), mas tamb\u00e9m em vastos reposit\u00f3rios de obras protegidas (incluindo v\u00e1rias das minhas). Escritores e artistas t\u00eam se indignado com o fato de que empresas privadas primeiro roubam nosso trabalho e depois oferecem para vend\u00ea-lo de volta para n\u00f3s a pre\u00e7os muito baixos. Os processos judiciais resultantes desse ato generalizado de pirataria est\u00e3o atualmente tramitando nos tribunais e provavelmente ser\u00e3o resolvidos a favor dos autores, como deve ser. Mas a IA tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es mais espinhosas sobre propriedade e arte. \u00c9 verdade que os produtores criativos h\u00e1 muito dependem da prote\u00e7\u00e3o dos direitos autorais para ganhar a vida com seu of\u00edcio. Ao mesmo tempo, eles dependem do direito de usar obras criadas por outros por meio da doutrina do \u201cfair use\u201d (uso justo), que lhes permitia apropriar-se e transformar obras protegidas de maneiras criativas. As empresas de IA n\u00e3o apenas violaram as leis antipirataria. Elas tamb\u00e9m reivindicam a mesma doutrina de \u201cfair use\u201d criada para proteger a liberdade criativa dos artistas. Isso, mais do que os atos mais diretos de pirataria, amea\u00e7a o delicado equil\u00edbrio entre prote\u00e7\u00e3o e liberdade art\u00edstica que sustenta a arte h\u00e1 mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Como escritor e historiador cultural, tenho experimentado a IA nos \u00faltimos tr\u00eas anos e quero encorajar mais escritores e artistas a fazerem o mesmo. No passado, sempre houve alguns artistas com versatilidade t\u00e9cnica que programavam computadores para usos criativos (eu n\u00e3o era um deles). Mas agora \u00e9 necess\u00e1rio apenas um conhecimento t\u00e9cnico m\u00ednimo para acessar e trabalhar com grandes corpora e c\u00e2nones, e criar ferramentas personalizadas usando nada mais do que nossa tecnologia favorita: palavras, palavras, palavras.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia mais emocionante para mim tem sido o \u201cvibe coding\u201d (construir software dando instru\u00e7\u00f5es conversacionais \u00e0 IA). Assim que me dei conta de que o romance de Shelley continha instru\u00e7\u00f5es assustadoramente prof\u00e9ticas sobre o uso da linguagem e dados de treinamento, comecei a criar um chatbot. Pelo que aprendi, a Criatura estava basicamente implorando para ser implementada em um chatbot baseado em RAG (Retrieval-Augmented Generation). Chatbots baseados em RAG s\u00e3o constru\u00eddos sobre grandes modelos de linguagem (LLMs). Olhando em termos do romance \u201cFrankenstein\u201d, o LLM \u00e9 como a primeira fase, em que a Criatura aprende a falar, aprendendo a usar a linguagem como ferramenta. Ent\u00e3o vem a pr\u00f3xima fase, a fase RAG, quando ela l\u00ea quatro livros espec\u00edficos que moldar\u00e3o seu comportamento subsequente. Um processo RAG significa adicionar uma base de conhecimento com esses quatro textos. Esses textos, uma vez transformados em um formato pesquis\u00e1vel (tecnicamente, um espa\u00e7o vetorial), formam um filtro principal que molda a forma como o chatbot usa a linguagem. O processo exigiu algumas outras etapas e muitas tentativas e erros. Mas eventualmente funcionou: eu tinha criado a Criatura de Frankenstein, gra\u00e7as \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o precisa de Shelley. Desde ent\u00e3o, criei algumas d\u00fazias desses chatbots, ou, como um dos meus alunos disse, um \u201cJurassic Park\u201d para a literatura.<\/p>\n<p>Encorajado por essas primeiras experi\u00eancias, passei dos chatbots baseados em RAG para aplicativos de \u201cvibe coding\u201d que colocam esses chatbots em a\u00e7\u00e3o. Um projeto \u00e9 um aplicativo que encena debates entre esses fil\u00f3sofos, realizando o que muitos fil\u00f3sofos e humanistas sempre sonharam: reunir as melhores mentes do mundo e faz\u00ea-las conversar entre si. Outro oferece conselhos mais pr\u00e1ticos sobre carreira e escolhas de vida, uma esp\u00e9cie de coach executivo com base filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>Ambas as experi\u00eancias mudaram minha abordagem em rela\u00e7\u00e3o aos materiais criativos que leciono h\u00e1 d\u00e9cadas: gra\u00e7as ao \u201cvibe coding\u201d, agora posso pensar de forma muito mais concreta sobre como os alunos \u2013 ou qualquer pessoa, na verdade \u2013 podem interagir com esses materiais e com que finalidade. Em outras palavras, como esses materiais podem ser aplicados. O \u201cvibe coding\u201d me ensinou a pensar mais como um engenheiro. \u201cPara quem tem um martelo, tudo parece um prego\u201d, diz o velho ditado. Sempre achei que o que parece uma cr\u00edtica \u2013 \u201cnem tudo \u00e9 um prego\u201d \u2013 \u00e9, na verdade, uma vis\u00e3o profunda: os martelos nos transformaram em uma esp\u00e9cie que martela. Para manejar um martelo com efic\u00e1cia, precisamos ver o mundo sob sua \u00f3tica, ou seja, como um monte de pregos em potencial.<\/p>\n<p>Algo semelhante est\u00e1 acontecendo com o \u201cvibe coding\u201d: agora vejo o mundo em termos de aplica\u00e7\u00f5es. No fundo da minha mente, uma nova forma de pensar est\u00e1 sempre em a\u00e7\u00e3o: posso transformar essa vis\u00e3o, essa filosofia, em algo que tenha um uso concreto e pr\u00e1tico? N\u00e3o estou dizendo que todos precisam adotar esse tipo de atitude, apenas que a IA permitiu que escritores dispostos a experiment\u00e1-la fa\u00e7am isso.<\/p>\n<p>Quase todos os professores de humanidades se preocupam com a deteriora\u00e7\u00e3o das habilidades de leitura, escrita e pensamento entre os alunos que usam IA rotineiramente. E \u00e9 verdade que h\u00e1 boas evid\u00eancias de que o uso excessivo de IA para certas tarefas pode impedir os alunos de aprender habilidades cognitivas cruciais. Isso significa que a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e universit\u00e1ria deve incluir estrat\u00e9gias de ensino da era pr\u00e9-IA, aquelas das quais todos n\u00f3s, inclusive entusiastas da IA como eu, nos beneficiamos ao longo de d\u00e9cadas de ensino anal\u00f3gico. E como as tarefas e avalia\u00e7\u00f5es desempenham uma importante fun\u00e7\u00e3o de incentivo, \u00e9 certo estrutur\u00e1-las de modo que os alunos nem sempre possam usar a IA, seja por meio de reda\u00e7\u00f5es feitas em sala de aula, exames orais ou outras t\u00e9cnicas. O ponto \u00e9 que os alunos devem ser protegidos da tenta\u00e7\u00e3o de sempre usar a IA como atalho, para que possam desenvolver habilidades cognitivas cruciais, incluindo habilidades metacognitivas (ou aprender a aprender), como fazer anota\u00e7\u00f5es, estruturar ideias, pesquisar e revisar.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os alunos, como os das minhas turmas na Coreia, est\u00e3o absolutamente certos em exigir que a faculdade os ensine a usar as ferramentas de IA em evolu\u00e7\u00e3o. E como essas ferramentas evoluem t\u00e3o rapidamente, ser\u00e1 necess\u00e1rio ensinar aos alunos o que se pode chamar de habilidades \u201cmeta-IA\u201d, ou seja, abordagens para pensar sobre como usar a IA. Observar meu pr\u00f3prio uso nos \u00faltimos dois anos e meio me deu uma ideia de como isso pode ser. Envolveria aprender a interagir efetivamente com a IA, aprender a pensar como um engenheiro. Tamb\u00e9m envolveria pensar sobre aplica\u00e7\u00f5es, como as percep\u00e7\u00f5es podem ser testadas e aplicadas por meio de ferramentas de IA (ou outras).<\/p>\n<p>Uma \u00e1rea em que eu mesmo tentei implementar essa abordagem \u00e9 um curso de reda\u00e7\u00e3o on-line que desenvolvi nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Nossa abordagem foi ensinar aos alunos um processo passo a passo de escrita que inclui como fazer uma pergunta de pesquisa vi\u00e1vel, como fazer pesquisa, como construir um argumento, como reunir evid\u00eancias, como revisar uma tese com base em contra-argumentos e contrapontos, como estruturar uma reda\u00e7\u00e3o, como obter feedback e como revisar. O objetivo \u00e9 apresentar a escrita como uma t\u00e9cnica para pensar, incluindo a capacidade de evitar fal\u00e1cias l\u00f3gicas comuns. Sentimos que os alunos precisavam absolutamente passar por esse processo trabalhoso para aprender habilidades cognitivas sofisticadas. A escrita, aqui, foi apresentada como um processo de pensamento e, portanto, n\u00e3o deveria ser terceirizada para a IA.<\/p>\n<p>Mesmo que os alunos venham a depender da IA para muitas formas de escrita depois da faculdade, eles precisam desenvolver aquelas habilidades cognitivas que s\u00f3 est\u00e3o dispon\u00edveis depois de se esfor\u00e7ar com uma reda\u00e7\u00e3o mais longa, por meio de muitas revis\u00f5es. Al\u00e9m disso, esse processo colocar\u00e1 os alunos em condi\u00e7\u00f5es de julgar a qualidade da escrita produzida pela IA. Por fim, a IA nos encorajou a enfatizar aquelas habilidades estil\u00edsticas \u2013 como se arriscar, criar frases surpreendentes e met\u00e1foras incomuns \u2013 nas quais a IA \u00e9 notoriamente ruim. Mesmo que a escrita gerada por IA seja boa o suficiente para muitas tarefas, h\u00e1 um valor em saber como ser melhor do que a IA.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, sentimos que, se usada corretamente, a IA poderia melhorar o processo de escrita e pensamento. Para isso, ensinamos os alunos a criar agentes de IA que atuam como parceiros de treino, for\u00e7ando-os a aprimorar seu pensamento reagindo a contra-argumentos e contrapontos. A IA tamb\u00e9m pode ser usada como assistente de pesquisa e para brincar com diferentes estruturas. Por fim, como o curso precisa ser escal\u00e1vel, constru\u00edmos agentes treinados para dar feedback preciso sobre os primeiros rascunhos e atuar como auxiliares no planejamento do processo de revis\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde que criei esse curso, \u00e9 assim que tenho usado a IA pessoalmente. Criei v\u00e1rios assistentes personalizados que conhecem meus projetos e aos quais instru\u00ed para testar ao limite minhas ideias e argumentos. \u00c9 claro que isso n\u00e3o substitui a leitura e a conversa com humanos, mas se tornou uma pr\u00e1tica cr\u00edtica que incorporei ao meu processo de pensamento e escrita.<\/p>\n<p>A IA \u00e9 uma tecnologia poderosa que ter\u00e1 muitas consequ\u00eancias, intencionais e n\u00e3o intencionais. H\u00e1 boas raz\u00f5es para nos preocuparmos com seu impacto no mercado de trabalho e na educa\u00e7\u00e3o, entre outras \u00e1reas. Nesse contexto, \u00e9 especialmente importante que n\u00f3s, art\u00edfices da palavra, entendamos a IA corretamente. Para isso, temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o ferramentas te\u00f3ricas e hist\u00f3ricas que nos ajudam a descobrir o que \u00e9 a IA e como devemos interagir com ela. Vamos us\u00e1-las.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a IA na literatura? appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/marchar-e-uma-forma-de-luta-da-classe-trabalhadora-em-todo-o-mundo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image_processing20200201-29235-14759j8-750x533-1-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Marchar \u00e9 uma forma de luta da classe trabalhadora...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/licao-do-julgamento-fascismo-ainda-nao-foi-vencido\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Li\u00e7\u00e3o do julgamento: fascismo ainda n\u00e3o foi vencid...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/haiti-farol-e-futuro-de-nossa-america\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Haiti, farol e futuro de nossa Am\u00e9rica<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-necessario-retorno-da-classe-operaria-no-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Abre-Perfil-Brasil-REDIMENSIONADO-83-4-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">O necess\u00e1rio retorno da classe oper\u00e1ria no Brasil...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seriam os chatbots amarras \u00e0 criatividade? Um professor de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria mostra que \u00e9 poss\u00edvel utiliz\u00e1-los para experimentar caminhos art\u00edsticos. Jamais para a escrita: ela requer a cr\u00edtica, reflex\u00e3o e aud\u00e1cia de que as m\u00e1quinas n\u00e3o s\u00e3o capazes<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/poeticas\/ha-espaco-para-a-ia-na-literatura\/\">N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a IA na literatura?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":94440,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,978,22560,9382,37917,79,73357,9707,309,73358,73359,73360,6218,73361,73362,16814,1228,53643,570,37797,73363,5499,73364,47029,1482,73365],"tags":[],"class_list":["post-94439","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-capitalismo","category-chatbots","category-chatgpt","category-claude","category-colonialismo","category-comportamentos-da-ia","category-consumo-de-energia","category-cultura","category-escrita-artificial","category-fair-use","category-gemini","category-grok","category-habilidades-metacognitivas","category-historia-cultural","category-ia-generativa","category-inteligencia-artificial","category-liberdade-criativa","category-mudancas-climaticas","category-palavras","category-personalidade-politica","category-poeticas","category-pos-estruturalismo","category-resistencia-criativa","category-sul-global","category-teoria-literaria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94439\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}