{"id":94532,"date":"2026-07-06T16:10:32","date_gmt":"2026-07-06T19:10:32","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lider-sem-terra-ameacado-vive-sob-escolta-em-disputa-por-fazenda-no-para\/"},"modified":"2026-07-06T16:10:32","modified_gmt":"2026-07-06T19:10:32","slug":"lider-sem-terra-ameacado-vive-sob-escolta-em-disputa-por-fazenda-no-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lider-sem-terra-ameacado-vive-sob-escolta-em-disputa-por-fazenda-no-para\/","title":{"rendered":"L\u00edder sem-terra amea\u00e7ado vive sob escolta em disputa por fazenda no Par\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><strong>BREU BRANCO (PA)<\/strong> \u2014 Para visitar o acampamento de trabalhadores rurais sem-terra que preside, Ivan da Silva Assun\u00e7\u00e3o precisa avisar a pol\u00edcia e esperar escolta. S\u00f3 depois ele vai at\u00e9 os barracos de lona onde fam\u00edlias aguardam h\u00e1 anos uma decis\u00e3o sobre a \u00e1rea conhecida como Fazenda Tigre. \u201cEu me sinto que nem um prisioneiro. Eu sou prisioneiro dentro da minha pr\u00f3pria resid\u00eancia\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>Assun\u00e7\u00e3o preside a Amocot (Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores da Comunidade Tigre) e conta que entrou em programa de prote\u00e7\u00e3o depois de sofrer amea\u00e7as no conflito pela terra. \u201cN\u00e3o posso vir aqui no acampamento fazer uma reuni\u00e3o sem ser escoltado pela pol\u00edcia\u201d, diz.<\/p>\n<p>A disputa pela fazenda \u00e9 alvo de uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica movida pelo estado do Par\u00e1 na Vara Agr\u00e1ria de Castanhal que pede o cancelamento da matr\u00edcula da Fazenda Tigre e indeniza\u00e7\u00e3o por suposto apossamento ilegal de terra p\u00fablica. A \u00e1rea est\u00e1 localizada na margem esquerda do rio Moju, no sudeste do Par\u00e1, nos munic\u00edpios de Breu Branco e Goian\u00e9sia do Par\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>Registrada como Fazenda S\u00e3o Francisco, a \u00e1rea teve a matr\u00edcula bloqueada por decis\u00e3o liminar em 2023. O pedido de cancelamento definitivo do t\u00edtulo, por\u00e9m, ainda aguarda senten\u00e7a. Para as fam\u00edlias do Acampamento Tigre, a espera pela decis\u00e3o se mistura \u00e0 falta de trabalho, comida e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA gente quer mostrar o nosso valor, o valor dos trabalhadores que precisam de um peda\u00e7o de terra para trabalhar e criar os seus filhos\u201d, explica Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>R\u00e9us na Justi\u00e7a, os fazendeiros que alegam serem os donos da \u00e1rea afirmam que a fazenda n\u00e3o se sobrep\u00f5e a terras p\u00fablicas. Na contesta\u00e7\u00e3o, Paulo C\u00e9sar Te\u00f3filo, Fernando da Silva Te\u00f3filo, Rafael da Silva Te\u00f3filo e Solange Pereira da Silva Te\u00f3filo sustentam que a propriedade tem origem em uma carta de sesmaria da antiga Fazenda S\u00e3o Paulo das Cachoeiras.\u00a0<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/reuniao-acampamento-tigre-fernando-martinho.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/reuniao-acampamento-tigre-fernando-martinho.jpg 900w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/reuniao-acampamento-tigre-fernando-martinho-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/reuniao-acampamento-tigre-fernando-martinho-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\"><figcaption>Reuni\u00e3o de moradores no Acampamento Tigre, onde fam\u00edlias se organizam em barracos de lona, madeira e palha enquanto vivem sem saneamento b\u00e1sico e \u00e1gua encanada (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os r\u00e9us tamb\u00e9m afirmam que a fazenda foi adquirida de forma regular e passou por registros, averba\u00e7\u00f5es e georreferenciamentos. A \u00e1rea teria sido comprada pela Reflorestadora Tigre Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio em 2005. A <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> tentou contato por e-mail e liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica com a defesa dos r\u00e9us, mas n\u00e3o obteve retorno at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.\u00a0<\/p>\n<p>A Amocot pediu para entrar no processo ao lado do estado. A associa\u00e7\u00e3o representa mais de 300 fam\u00edlias que reivindicam a \u00e1rea desde 2017 por consider\u00e1-la terra p\u00fablica estadual.<\/p>\n<p>Procurado, o Iterpa (Instituto de Terras do Par\u00e1) informou que considera a fazenda uma \u00e1rea p\u00fablica estadual com base em dois processos administrativos, instaurados a partir de demanda do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Breu Branco. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, a conclus\u00e3o se baseia em supostas irregularidades na concess\u00e3o do t\u00edtulo rural emitido em favor de Belchior Mendes de Moraes, figura hist\u00f3rica associada ao per\u00edodo colonial da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 18, Belchior foi o comandante da ofensiva movida pelos portugueses contra Ajuricaba, l\u00edder dos ind\u00edgenas mana\u00f3s que resistiu \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o colonial no rio Negro. Depois, ele seguiu \u201cdestruindo aldeias e matando os \u00edndios habitantes do rio Negro e seus afluentes\u201d, descreve o livro <em>A Presen\u00e7a Ind\u00edgena na Forma\u00e7\u00e3o do Brasil<\/em>, publicado pelo MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o) e pela Unesco (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura). A publica\u00e7\u00e3o afirma que mais de 40 mil ind\u00edgenas foram mortos e o povo mana\u00f3 foi exterminado nesse processo.\u00a0<\/p>\n<p>O Iterpa informou que o t\u00edtulo \u00e9 objeto de a\u00e7\u00e3o judicial de cancelamento, na qual foi determinado o bloqueio liminar da matr\u00edcula. Enquanto n\u00e3o houver tr\u00e2nsito em julgado, o \u00f3rg\u00e3o afirma que o Estado est\u00e1 impedido de arrecadar a \u00e1rea, abrir matr\u00edcula em seu nome e destin\u00e1-la a ocupantes ou \u00e0 reforma agr\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o disse ainda que acompanha o tr\u00e2mite judicial e mant\u00e9m interlocu\u00e7\u00e3o com o Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria) e entidades representativas dos trabalhadores rurais para buscar uma solu\u00e7\u00e3o que respeite os limites legais e favore\u00e7a a pacifica\u00e7\u00e3o social na \u00e1rea.<\/p>\n<h2>Sem saneamento b\u00e1sico e \u00e1gua encanada<\/h2>\n<p>Enquanto a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega a uma decis\u00e3o final, os acampados permanecem \u00e0s margens da rodovia, onde se instalaram em barracos de lona, madeira e palha, \u00e0 espera de eventual destina\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para reforma agr\u00e1ria. Vivem sem saneamento b\u00e1sico e sem acesso \u00e0 \u00e1gua encanada, em espa\u00e7o reduzido para o cultivo. Dependem de trabalhos tempor\u00e1rios em fazendas da regi\u00e3o enquanto aguardam a decis\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Acampamento Tigre \u00e9 uma fra\u00e7\u00e3o de um problema maior na Amaz\u00f4nia Legal. Levantamento do Instituto Escolhas, citado em reportagem da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, aponta que 118 milh\u00f5es de hectares de terras p\u00fablicas federais e estaduais ainda n\u00e3o t\u00eam destina\u00e7\u00e3o formal na regi\u00e3o \u2014 \u00e1rea equivalente \u00e0 soma de Espanha, Fran\u00e7a e Portugal. Parte dessas terras est\u00e1 ocupada, mas sem defini\u00e7\u00e3o do Estado, o que favorece disputas fundi\u00e1rias, inseguran\u00e7a jur\u00eddica e avan\u00e7o da grilagem.<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 lutando pra conseguir um peda\u00e7o de terra para cada um ter o seu pr\u00f3prio trabalho, o seu pr\u00f3prio sustento\u201d, afirma Oziel Ferreira Gon\u00e7alves, que est\u00e1 desempregado. Ele diz que trabalhou em fazendas, recebendo di\u00e1rias, mas n\u00e3o encontra mais servi\u00e7o. Para ele, um lote seria a possibilidade de sustentar a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>No acampamento, a vida sob a lona \u00e9 muito dura, ele diz. Gon\u00e7alves vive com a fam\u00edlia em um barraco sem piso, com pouco espa\u00e7o e, muitas vezes, depende de doa\u00e7\u00f5es para sobreviver. \u201cQuem n\u00e3o vive essa realidade n\u00e3o sabe como \u00e9. Voc\u00ea s\u00f3 pode falar do deserto se voc\u00ea passar por ele\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/cozinha-acampamento-tigre-fernando-martinho.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/cozinha-acampamento-tigre-fernando-martinho.png 900w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/cozinha-acampamento-tigre-fernando-martinho-300x200.png 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/cozinha-acampamento-tigre-fernando-martinho-768x512.png 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\"><figcaption>Cozinha em barraco de lona no Acampamento Tigre: sem saneamento b\u00e1sico ou estrutura adequada, moradores mant\u00eam os espa\u00e7os dom\u00e9sticos limpos e organizados (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Maria Alves de Ara\u00fajo, conhecida como Baixinha, tem 58 anos, sete filhos e muitos netos. Ela diz que as fam\u00edlias querem a terra por uma raz\u00e3o simples: trabalhar. Segundo ela, parte dos acampados vem de Goian\u00e9sia do Par\u00e1, Breu Branco, Tucuru\u00ed e Novo Repartimento, cidades do sudoeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Baixinha diz que a falta de trabalho empurrou muita gente para a luta pela terra. \u201cA maioria trabalhava de empregado, de serraria, mas n\u00e3o est\u00e1 tendo mais\u201d, afirma. A fala resume uma mudan\u00e7a comum em regi\u00f5es marcadas por ciclos de explora\u00e7\u00e3o de madeira, abertura de fazendas e trabalho tempor\u00e1rio: quando a atividade econ\u00f4mica recua, os trabalhadores passam a atuar por di\u00e1rias e bicos e aumenta a depend\u00eancia de emprego em propriedades de terceiros.<\/p>\n<p>A vida sob a lona tamb\u00e9m \u00e9 uma rotina para Neurizete de Souza. Criada na zona rural, ela conta que o pai viveu em acampamentos at\u00e9 conseguir uma terra. Depois que ele morreu, a m\u00e3e adoeceu e vendeu a propriedade. Souza diz que criou quatro filhos trabalhando \u201cem terra de fazendeiro\u201d. O mais velho tem 31 anos. A mais nova, 26. Nenhum tem t\u00edtulo de terra.<\/p>\n<p>\u201cEu fui criada na cultiva\u00e7\u00e3o da terra. Eu n\u00e3o sei morar em cidade\u201d, diz. \u201cEu quero ganhar o meu peda\u00e7o de terra para trabalhar, viver meus dias trabalhando\u201d, completa. O desejo \u00e9 plantar, criar porco, criar galinha e permanecer na ro\u00e7a. No acampamento, ela diz que j\u00e1 passou noites acordada depois que o vento rasgou a lona do barraco e a chuva entrou. \u201cFiquei com as crian\u00e7as mudando de um lado para outro para n\u00e3o molhar\u201d, recorda.<\/p>\n<h2>Suspeita de grilagem na \u00e1rea\u00a0<\/h2>\n<p>O processo judicial mostra que a disputa n\u00e3o se limita \u00e0 presen\u00e7a das fam\u00edlias na regi\u00e3o: o estado do Par\u00e1 sustenta nos autos haver irregularidade fundi\u00e1ria. Em manifesta\u00e7\u00e3o de outubro de 2025, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Par\u00e1 resumiu a a\u00e7\u00e3o como um pedido do estado de nulidade de ato administrativo, cancelamento de matr\u00edcula e indeniza\u00e7\u00e3o pelo apossamento ilegal de terra p\u00fablica.<\/p>\n<p>A promotora Ione Missae da Silva Nakamura, titular da Promotoria Agr\u00e1ria da 1\u00aa Regi\u00e3o, afirmou que o processo trata de poss\u00edvel irregularidade fundi\u00e1ria e registro indevido de terras p\u00fablicas em nome de particulares, com ind\u00edcios de sobreposi\u00e7\u00e3o e duplicidade de registros imobili\u00e1rios.<\/p>\n<p>A PGE (Procuradoria-Geral do Estado) argumenta no processo que o problema do t\u00edtulo vai al\u00e9m de falhas no procedimento usado para separar uma \u00e1rea do patrim\u00f4nio do Estado e registr\u00e1-la como propriedade privada, como inconsist\u00eancias em documentos ou etapas administrativas. Segundo o Par\u00e1, a \u00e1rea teria origem em uma sesmaria de 1734, concedida a Belchior Mendes de Moraes, que deu origem \u00e0 antiga Fazenda S\u00e3o Paulo das Cachoeiras. A PGE afirma, por\u00e9m, que o problema est\u00e1 no caminho percorrido at\u00e9 chegar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual: a sucess\u00e3o de registros, divis\u00f5es e transfer\u00eancias que, ao longo do tempo, resultaram na matr\u00edcula da fazenda.\u00a0<\/p>\n<p>Para o Estado, a matr\u00edcula da suposta Fazenda S\u00e3o Francisco, de n\u00ba 5.048, foi aberta em 2000 em nome de particulares, mas teria sido criada sobre uma \u00e1rea que j\u00e1 havia sido desapropriada pelo Incra em 1991 para o Projeto de Assentamento S\u00e3o Paulo das Cachoeiras. Por isso, a PGE aponta duplicidade de registros sobre uma mesma \u00e1rea: de um lado, a terra que teria passado ao dom\u00ednio p\u00fablico com a desapropria\u00e7\u00e3o; de outro, uma matr\u00edcula privada posterior, que o Estado considera irregular.<\/p>\n<p>Procurada pela reportagem, a PGE afirmou que a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o discute apenas se a \u00e1rea \u00e9 p\u00fablica estadual. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, o pedido tem como fundamento a exist\u00eancia de inconsist\u00eancias na cadeia dominial da fazenda e de registros imobili\u00e1rios sobrepostos incidentes sobre a mesma \u00e1rea de origem do im\u00f3vel. Por isso, o Estado pede o cancelamento da matr\u00edcula.\u00a0<\/p>\n<p>Em setembro de 2025, a ju\u00edza Rafaela de Jesus Mendes Morais, titular da Vara Agr\u00e1ria de Castanhal, abriu prazo para que as partes detalhassem provas e pedissem julgamento antecipado, e para que se manifestassem sobre o pedido da Amocot de entrar no processo ao lado do Par\u00e1 \u2014 pedido que o Minist\u00e9rio P\u00fablico apoiou.<\/p>\n<p>Para a promotoria, o cancelamento da matr\u00edcula interessa diretamente \u00e0 Amocot porque a entidade busca, no Iterpa, a regulariza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para cria\u00e7\u00e3o de um projeto de assentamento estadual, e o resultado da a\u00e7\u00e3o pode impactar centenas de fam\u00edlias.<\/p>\n<h2>\u2018Contrataram um pistoleiro para me matar\u2019<\/h2>\n<p>Para Assun\u00e7\u00e3o, a demora tem custo pessoal e coletivo. Ele afirma que o acampamento existe porque o pr\u00f3prio poder p\u00fablico teria orientado as fam\u00edlias a n\u00e3o ocupar a \u00e1rea reivindicada diretamente, para evitar conflito. Segundo ele, representantes do Iterpa reconheceram que a terra era p\u00fablica estadual, mas orientaram a associa\u00e7\u00e3o a buscar uma parceria com o Incra.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/amocot-ivan-assuncao-fernando-martinho.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/amocot-ivan-assuncao-fernando-martinho.jpg 900w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/amocot-ivan-assuncao-fernando-martinho-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/amocot-ivan-assuncao-fernando-martinho-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\"><figcaption>Ivan da Silva Assun\u00e7\u00e3o, presidente da Amocot, na entrada do Acampamento Tigre, em Breu Branco (PA). \u2018Estamos pedindo socorro para ter um peda\u00e7o de terra para trabalhar e mostrar que n\u00e3o somos vagabundos\u2019, diz (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cFizemos esse acampamento distante da propriedade para n\u00e3o dar confus\u00e3o\u201d, diz. Mas a confus\u00e3o veio mesmo assim. Assun\u00e7\u00e3o relata amea\u00e7as e diz que precisou entrar em programa de prote\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>O l\u00edder sem-terra afirma que a inclus\u00e3o no programa ocorreu depois de uma escalada de ataques. Segundo Assun\u00e7\u00e3o, sua casa foi invadida, o carro da fam\u00edlia foi destru\u00eddo e houve aviso de que um pistoleiro teria sido contratado para mat\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ele diz que foi pessoalmente \u00e0 casa da irm\u00e3 conversar com o suposto pistoleiro, que confirmou ter sido pago para mat\u00e1-lo e recomendou que ele deixasse a cidade, sob risco de outra pessoa terminar o servi\u00e7o. Assun\u00e7\u00e3o afirma que se ausentou de Goian\u00e9sia do Par\u00e1 por cerca de 15 dias; segundo ele, nesse per\u00edodo, o pr\u00f3prio pistoleiro foi morto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das amea\u00e7as, o que aparece de forma repetida nas entrevistas \u00e9 o inc\u00f4modo dos acampados com a forma como s\u00e3o tratados fora dali. Assun\u00e7\u00e3o diz ainda que as fam\u00edlias s\u00e3o chamadas de pregui\u00e7osas e vagabundas por reivindicarem terra. \u201cNa m\u00eddia, n\u00f3s somos vagabundos\u201d, insiste. \u201cA m\u00eddia v\u00ea n\u00f3s como praticamente lixo. \u00c9 assim que eu me sinto.\u201d<\/p>\n<p>A palavra volta v\u00e1rias vezes na fala dele. \u201cAqui no nosso acampamento n\u00e3o tem vagabundo\u201d, diz Assun\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00e3o todos trabalhadores, s\u00f3 esperando uma oportunidade para mostrar a realidade do que somos capazes de fazer\u201d, complementa.\u00a0<\/p>\n<p>A espera tamb\u00e9m aparece na comida. Parte dos acampados recorre \u00e0 pesca para completar a refei\u00e7\u00e3o. \u201cPessoas v\u00e3o para o rio pescar, \u00e0s vezes pega cinco, seis, sete peixes e v\u00eam feliz, porque j\u00e1 arrumou uma mistura para comer no almo\u00e7o\u201d, conta o l\u00edder sem-terra. Segundo ele, o governo n\u00e3o fornece cestas b\u00e1sicas regularmente \u00e0s fam\u00edlias. \u201cN\u00f3s estamos pedindo socorro\u201d, diz. \u201cPara ver se existe uma pessoa de bom cora\u00e7\u00e3o que fa\u00e7a acontecer a nossa realidade, que \u00e9 ter um peda\u00e7o de terra para n\u00f3s poder trabalhar e mostrar que n\u00f3s n\u00e3o somos vagabundos\u201d, completa.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"129686\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div>\n<div data-id=\"e5e1762\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"300\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/apoie-1-3.webp\" alt=\"Apoie a Rep\u00f3rter Brasil\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/apoie-1-3.webp 360w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/apoie-1-300x250.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><strong>25 anos investigando para mudar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Rep\u00f3rter Brasil j\u00e1 ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 2026, fazemos 25 anos \u2014 e vem muito mais por a\u00ed!<\/strong><\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p>\n<p>The post L\u00edder sem-terra amea\u00e7ado vive sob escolta em disputa por fazenda no Par\u00e1 appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/petro-diz-que-colombia-sofreu-ataque-a-bomba-lancada-pelo-equador\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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