{"id":94660,"date":"2026-07-07T16:20:41","date_gmt":"2026-07-07T19:20:41","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-que-o-legado-de-tereza-de-benguela-e-lelia-gonzalez-nos-ensinam-sobre-o-25-de-julho\/"},"modified":"2026-07-07T16:20:41","modified_gmt":"2026-07-07T19:20:41","slug":"o-que-o-legado-de-tereza-de-benguela-e-lelia-gonzalez-nos-ensinam-sobre-o-25-de-julho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-que-o-legado-de-tereza-de-benguela-e-lelia-gonzalez-nos-ensinam-sobre-o-25-de-julho\/","title":{"rendered":"O que o legado de Tereza de Benguela e L\u00e9lia Gonzalez nos ensinam sobre o 25 de Julho?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"783\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-25-at-165208-Dest.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-25-at-16.52.08-Dest-1024x783.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-25-at-16.52.08-Dest-300x229.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-25-at-16.52.08-Dest-768x587.jpeg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-25-at-165208-Dest.jpeg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Tereza de Benguela, l\u00edder quilombola. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o web<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Elizana Monteiro, Paula Fran\u00e7a e Aline Luana Oliveira<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>O dia 25 de julho n\u00e3o \u00e9 apenas uma data comemorativa, mas, acima de tudo, trata-se de um marco pol\u00edtico da luta das mulheres negras da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Institu\u00edda em 1992, em Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, durante o 1\u00ba Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, a data nasce da urg\u00eancia de denunciar as muitas viol\u00eancias impostas \u00e0s mulheres negras e de afirmar uma agenda coletiva de enfrentamento ao racismo, ao sexismo e \u00e0s desigualdades de classe. <\/p>\n<p>No Brasil, o 25 de julho tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, por meio da Lei n\u00ba 12.987\/2014, que reafirma o papel das mulheres negras na constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de projetos de liberdade, dignidade e justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>As opress\u00f5es que nos atravessam s\u00e3o interseccionais, pois a ra\u00e7a, g\u00eanero, classe, territ\u00f3rio, sexualidade e gera\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7am na vida concreta. O feminismo negro segue sendo uma ferramenta pol\u00edtica fundamental para todas n\u00f3s. Ao mostrar que as mulheres negras ocupam a base da pir\u00e2mide social, esse pensamento n\u00e3o apenas evidencia uma posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de explora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m revela a for\u00e7a de corpos e saberes que sustentam a vida, a cultura e a resist\u00eancia coletiva. Quando as mulheres negras se movem, movem tamb\u00e9m as estruturas mais profundas da sociedade, porque questionam a ordem que naturaliza a desigualdade e a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A fil\u00f3sofa, antrop\u00f3loga, professora e ativista, L\u00e9lia Gonzalez foi pioneira ao formular, no Brasil, uma cr\u00edtica \u00e0 articula\u00e7\u00e3o entre racismo e sexismo, desmontando o mito da democracia racial e denunciando como o patriarcado e o colonialismo organizam a vida social. Sua trajet\u00f3ria no movimento negro e no movimento feminista foi marcada e ligada \u00e0 experi\u00eancia hist\u00f3rica do povo negro. Ao afirmar que a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres negras exige enfrentar, ao mesmo tempo, o racismo, o sexismo e a explora\u00e7\u00e3o de classe, L\u00e9lia nos deixou uma chave de leitura essencial para compreender o pa\u00eds e transformar a realidade.<\/p>\n<p>Muito antes da interseccionalidade obter import\u00e2ncia na academia, L\u00e9lia Gonzalez j\u00e1 mostrava que a condi\u00e7\u00e3o das mulheres negras exige uma leitura capaz de unir opress\u00f5es estruturais e pr\u00e1ticas de resist\u00eancia. Sua cr\u00edtica ao feminismo branco, muitas vezes incapaz de compreender o peso do racismo na vida das mulheres negras, e ao movimento negro, quando reproduzia pr\u00e1ticas patriarcais e silenciava as mulheres, continua atual e necess\u00e1ria. Ao valorizar a cultura negra, a ancestralidade afrodiasp\u00f3rica e a linguagem produzida pelas popula\u00e7\u00f5es marginais, ela construiu uma teoria insurgente, comprometida com a liberta\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p><strong>O 25 de julho nos traz tamb\u00e9m a mem\u00f3ria de Tereza de Benguela e se inscreve nessa luta em uma longa hist\u00f3ria de resist\u00eancia.<\/strong> Tereza foi uma l\u00edder quilombola do s\u00e9culo XVIII e governou o Quilombo do Quariter\u00ea, na regi\u00e3o do vale do Guapor\u00e9, no Mato Grosso. Sua trajet\u00f3ria rompe com as narrativas coloniais que tentaram empurrar as mulheres negras para a invisibilidade. <\/p>\n<p>Tereza foi estrategista militar, dirigente pol\u00edtica e s\u00edmbolo da liberdade negra. Sob sua lideran\u00e7a, o quilombo organizou formas pr\u00f3prias de economia, defesa do territ\u00f3rio, em uma experi\u00eancia que enfrentou de maneira direta a l\u00f3gica escravista e colonial.<\/p>\n<p>Mesmo cercada por lacunas da hist\u00f3ria, produzidas pela pr\u00f3pria viol\u00eancia do apagamento hist\u00f3rico, Tereza de Benguela permanece como uma refer\u00eancia da luta antirracista e antipatriarcal no Brasil. Sua lideran\u00e7a \u00e0 frente de uma comunidade formada por negros, negras, ind\u00edgenas mostra que a resist\u00eancia quilombola n\u00e3o era apenas fuga, mas tamb\u00e9m constru\u00e7\u00e3o concreta de outro projeto de sociedade. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Ao relembrar o legado de Tereza, afirmamos que as mulheres negras sempre estiveram na linha de frente das batalhas por liberdade, autonomia e justi\u00e7a, ainda que a hist\u00f3ria oficial tenha tentado apagar o nosso protagonismo.<\/em>\u201c<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Nos dias de hoje, a vida das mulheres negras continua atravessada por viol\u00eancias materiais e simb\u00f3licas que atualizam a heran\u00e7a colonial. Somos as mais afetadas pela precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, pela desigualdade salarial, pela viol\u00eancia obst\u00e9trica, pelo feminic\u00eddio, pelo genoc\u00eddio da juventude negra, pelo racismo institucional e pela exclus\u00e3o dos espa\u00e7os de poder e decis\u00e3o. Tamb\u00e9m somos as que enfrentam, todos os dias, o controle sobre os nossos corpos, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da nossa est\u00e9tica, o silenciamento de nossas vozes e a tentativa constante de limitar nossa produ\u00e7\u00e3o intelectual, art\u00edstica e pol\u00edtica. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Ser mulher negra no Brasil exige aud\u00e1cia, coragem, mem\u00f3ria e organiza\u00e7\u00e3o. Por isso, o 25 de Julho precisa ser vivido como mem\u00f3ria, den\u00fancia e an\u00fancio.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>N\u00f3s, mulheres negras, carregamos no corpo a marca hist\u00f3rica da escravid\u00e3o e nas m\u00e3os a for\u00e7a de quem faz brotar nesse ch\u00e3o a vida e o alimento. Nossa luta pela Reforma Agr\u00e1ria Popular representa o confronto direto e inevit\u00e1vel pela terra, pela ra\u00e7a e classe. Uma batalha de vida e liberta\u00e7\u00e3o para destruir a estrutura racista, machista e capitalista que tenta nos invisibilizar.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Estamos em cada lona preta que erguemos, em cada semente crioula que lan\u00e7amos ao ch\u00e3o, que representam um ato revolucion\u00e1rio de amor e resist\u00eancia. Brotamos das mesmas ra\u00edzes de L\u00e9lia Gonzalez, Tereza de Benguela, Marielle Franco, Dandara e tantas outras.<\/em>\u201c<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Nossa presen\u00e7a nos territ\u00f3rios de Reforma Agr\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 apenas resist\u00eancia: \u00e9 proposta de mundo. A luta pela Reforma Agr\u00e1ria Popular e pela agroecologia \u00e9 tamb\u00e9m a luta feminista e antirracista, ao reposicionar a terra como bem comum e reconhecer os saberes tradicionais das mulheres negras e quilombolas, guardi\u00e3s de sementes, de rituais e de cuidados. <\/p>\n<p>Defender a soberania alimentar \u00e9 defender vidas negras, \u00e9 disputar o sentido da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, transformando trabalho em dignidade, conhecimento em autonomia e solidariedade em pol\u00edtica. Que essa mem\u00f3ria nos fortale\u00e7a e nos guie: cultivemos a terra, os saberes e o futuro juntas, negras e livres!<\/p>\n<p>*Elizana Monteiro dos Santos \u00e9 militante do setor de forma\u00e7\u00e3o do MST no DFE, assentada em Una\u00ed MG, educadora do campo e faz parte do Coletivo Terra, Ra\u00e7a e Classe. \/ Paula Fran\u00e7a \u00e9 militante do Coletivo Nacional de Educa\u00e7\u00e3o do MST, integra o Coletivo Terra, Ra\u00e7a e Classe, contribuiu na Brigada Samora Machel na Z\u00e2mbia e, atualmente faz parte da Brigada Nacional Joaquin Pi\u00f1ero, em Maric\u00e1. \/ Aline Luana Oliveira \u00e9 militante do MST no PR, educadora popular e integra a coordena\u00e7\u00e3o nacional do MST pelo Coletivo LGBTI+ Sem Terra, e o Coletivo Terra, Ra\u00e7a e Classe.<\/p>\n<p><em>**Editado por Solange Engelmann<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/07\/07\/o-que-o-legado-de-tereza-de-benguela-e-lelia-gonzalez-nos-ensinam-sobre-o-25-de-julho\/\">O que o legado de Tereza de Benguela e L\u00e9lia Gonzalez nos ensinam sobre o 25 de Julho?<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/delgatti-ganha-100-dias-de-liberdade-com-nota-no-enem-e-deixa-moraes-intrigado-com-estudo-na-prisao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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