{"id":94917,"date":"2026-07-10T04:00:00","date_gmt":"2026-07-10T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/professora-demitida-por-indicar-livro-fala-sobre-dor-da-censura-e-iniciativa-de-dua-lipa\/"},"modified":"2026-07-10T04:00:00","modified_gmt":"2026-07-10T07:00:00","slug":"professora-demitida-por-indicar-livro-fala-sobre-dor-da-censura-e-iniciativa-de-dua-lipa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/professora-demitida-por-indicar-livro-fala-sobre-dor-da-censura-e-iniciativa-de-dua-lipa\/","title":{"rendered":"Professora demitida por indicar livro fala sobre \u201cdor da censura\u201d e iniciativa de Dua Lipa"},"content":{"rendered":"<p>A professora de hist\u00f3ria, Daniela Torres foi demitida em 2021 pela dire\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Vit\u00f3ria R\u00e9gia, no bairro de Cabula, em Salvador, Bahia. O motivo foi a indica\u00e7\u00e3o aos alunos da obra \u201cOlhos D\u2019\u00c1gua\u201d, da autora Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Para os diretores, o livro n\u00e3o seria apropriado para o ambiente escolar.<\/p>\n<p>Em junho deste ano, a cantora inglesa Dua Lipa anunciou o lan\u00e7amento da Biblioteca Manifesto, um acervo de 100 livros que foram alvos de censura, persegui\u00e7\u00e3o, ou banimento, em algum lugar do mundo. \u201cOlhos D\u2019\u00c1gua\u201d est\u00e1 entre as obras selecionadas justamente em fun\u00e7\u00e3o do ocorrido com a professora Daniela Torres. A biblioteca est\u00e1 dispon\u00edvel na Livraria Lello, cidade de Porto, em Portugal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da obra de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, a colet\u00e2nea conta com obras mundialmente reconhecidas como \u201cO Conto do Aia\u201d, de Margaret Atwood, \u201c1984\u201d, de George Orwell, \u201cO Segundo Sexo\u201d, de Simone de Beauvoir, e \u201cThe Books Of Jacob\u201d (sem tradu\u00e7\u00e3o brasileira), da ganhadora do Nobel de Literatura de 2018, Olga Tokarczuk. <span>No site da biblioteca, Dua Lipa afirma que o espa\u00e7o \u00e9 \u201cum santu\u00e1rio dedicado aos autores cuja coragem desmascara as estruturas de poder e controle, e aos leitores que se recusam que lhes digam que livros podem ler\u201d<\/span>. A cantora mant\u00e9m desde 2023 um Clube de Leituras no Service95 que conta com pelo menos 400 mil seguidores.<\/p>\n<figure><figcaption>Professora de hist\u00f3ria Daniela Torres foi desligada de duas escolas por trabalhar a obra \u201cOlhos D\u2019\u00c1gua\u201d em sala de aula <\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo Daniela Torres, a entrada de\u00a0\u201dOlhos D\u2019\u00c1gua\u201d no acervo de Dua Lipa teve um sabor agridoce. Se por um lado teve a felicidade de ver o livro de Evaristo reconhecido mundialmente, por outro lembrou a sua luta e o que chama de \u201ca dor da censura\u201d. \u201cPorque os livros n\u00e3o est\u00e3o censurados sozinhos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA biblioteca preserva a mem\u00f3ria dos livros, mas quem preserva a mem\u00f3ria das pessoas que mantiveram os livros vivos?\u201d, indaga Torres. A professora relata que, desde a demiss\u00e3o, que acabou atingindo a sua rela\u00e7\u00e3o com outra escola, n\u00e3o conseguiu retornar ao trabalho nas escolas da regi\u00e3o. Ela conta sobre essa experi\u00eancia, no livro \u201cA negra parda que me tornei\u201d, lan\u00e7ado pela Filos Editora, no ano passado.<\/p>\n<p>Daniela Torres, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica,<\/strong> ressalta que, ao ofertar aos alunos a leitura de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, estava colocando em pr\u00e1tica a Lei Federal n.\u00ba 10.639\/2003, que instituiu o ensino obrigat\u00f3rio de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira nas escolas.<\/p>\n<p>\u201cEu virei, na minha cidade, a pessoa que, por n\u00e3o suportar o racismo, [as outras pessoas deduzem que] n\u00e3o tem toler\u00e2ncia, que \u00e9 problem\u00e1tica [e, por isso,] eu n\u00e3o quero ela na minha escola\u201d, relata. Segundo Torres, a diretoria do Col\u00e9gio Vit\u00f3ria R\u00e9gia chegou, na \u00e9poca, a pedir que ela se desculpasse publicamente aos pais dos alunos por ter recomendado \u201cOlhos D\u2019\u00c1gua\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo sendo acusada pelos\u00a0alunos de causar uma dor que \u201cn\u00e3o era deles\u201d, Torres n\u00e3o desistiu de indicar a leitura. <span>\u201cEu trabalhei com meus alunos porque acreditei na for\u00e7a transformadora do livro. Trazer aquela obra era possibilitar aos meus alunos conhecer aquela dor, que \u00e9 uma dor liter\u00e1ria, mas [tamb\u00e9m] da popula\u00e7\u00e3o [negra brasileira]\u201d<\/span>. Para ela, a censura n\u00e3o amea\u00e7a apenas os livros ou os autores, mas o direito do estudante de questionar, ter pensamento cr\u00edtico e conhecer outras perspectivas.<\/p>\n<p>Atualmente, Olhos D\u2019\u00c1gua aparece como leitura obrigat\u00f3ria em vestibulares de universidades p\u00fablicas de todo o pa\u00eds. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em S\u00e3o Paulo, por exemplo, tem o livro em sua lista de obras obrigat\u00f3rias desde 2024. Em 2023, o vestibular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) tamb\u00e9m incluiu o livro na lista de leitura obrigat\u00f3ria de seu vestibular.<\/p>\n<p>A Biblioteca Manifesto da cantora brit\u00e2nica, para Daniela Torres, pode ser um ponto de partida n\u00e3o s\u00f3 para que os livros fiquem conhecidos, junto com suas hist\u00f3rias de censura e banimento, mas tamb\u00e9m quem s\u00e3o os professores e mediadores que foram afetados pela censura.<\/p>\n<p><span>\u201cOs livros n\u00e3o s\u00e3o censurados sozinhos, sempre existe algu\u00e9m que decide coloc\u00e1-los nas m\u00e3os dos leitores e, muitas vezes, essa pessoa continua perdendo, [sentindo] as marcas da censura muito tempo depois da not\u00edcia desaparecer\u201d<\/span>, afirma a professora. Mesmo assim, Daniela Torres continua a luta pelos livros. \u201cTalvez as nossas hist\u00f3rias n\u00e3o sejam contadas, os nossos nomes sejam apagados das narrativas hist\u00f3ricas. A gente n\u00e3o est\u00e1 lutando por n\u00f3s, estamos lutando pelo direito de poder ler, pelo direito de aprender\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Leia abaixo os principais trechos da entrevista com Daniela Torres:<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea recebeu a not\u00edcia de que \u201cOlhos D\u2019\u00c1gua\u201d, de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, estava no acervo de livros censurados da cantora Dua Lipa?<\/strong><\/p>\n<p>Eu fui pega de surpresa [pela not\u00edcia da] inclus\u00e3o do livro \u201cOlhos d\u2019\u00c1gua\u201d entre as 100 obras que v\u00e3o compor o acervo da Dua Lipa na biblioteca. Recebi essa mat\u00e9ria de uma outra pessoa e, no primeiro momento, \u00e9 claro que eu fiquei muito feliz que a obra tinha alcan\u00e7ado esse patamar. Ao mesmo tempo, fiquei muito intrigada com essa quest\u00e3o de voc\u00ea construir uma biblioteca com 100 obras que foram censuradas.<\/p>\n<p>Comecei a refletir sobre quem estava sob a posse dessas obras, quando elas foram censuradas, quem foram as pessoas que sofreram a dor da censura na pele, porque nem todas as vezes s\u00e3o os autores. Esse processo de censura [que] aconteceu [comigo] no ano de 2021. A obra foi censurada na escola, passei por um processo muito doloroso e desgastante para conseguir uma demiss\u00e3o assistida. Eu j\u00e1 tinha quase 18 anos trabalhando [nesta] escola, tinha os meus direitos trabalhistas e n\u00e3o queria pedir demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Sofri uma rejei\u00e7\u00e3o dentro da escola porque todas as pessoas, tirando tr\u00eas, com as quais trabalhei durante 18 anos \u2014 funcion\u00e1rios do corredor, coordena\u00e7\u00e3o e professores \u2014, todas pararam de falar comigo. Eu me tornei uma <em>persona non grata<\/em> dentro da escola. Criou-se um clima de que [os outros trabalhadores] precisavam escolher um lado: se voc\u00ea escolhe o lado da Daniela, voc\u00ea est\u00e1 fora da escola. As pessoas, com medo de demiss\u00e3o, acabaram me isolando.<\/p>\n<p>Foi um ano muito dif\u00edcil. A obra est\u00e1 em todos os jornais; [o livro] \u00e9 excelente. N\u00e3o estou aqui para tirar o m\u00e9rito da obra. A obra \u00e9 fant\u00e1stica; j\u00e1 era premiada quando foi censurada na escola em que eu trabalhava, mas eu carreguei sozinha a dor dessa censura. Gerou minha demiss\u00e3o de duas escolas, fechou todas as portas na minha cidade, porque eu passei a ser uma professora problem\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea se tornou escritora?<\/strong><\/p>\n<p>Tornar-me escritora foi o caminho que a censura me jogou. \u00c9 aquela ideia que falamos: \u201cpegar o lim\u00e3o e fazer uma limonada\u201d. Escrevi um livro para contar o meu processo de letramento, porque durante muito tempo eu vivi no limbo da branquitude, sendo aquela mulher que era clara demais para ser negra, escura demais para ser branca. Ent\u00e3o, quando eu passei a construir o meu processo de identidade racial, foi exatamente no momento em que eu mudei a minha pr\u00e1tica pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>Trabalhei 18 anos em uma escola, 11 anos em outra escola, e as escolas n\u00e3o sabiam que trabalhava com essas obras porque vivia como se eu fosse branca. Quando eu passei a fazer a lei federal n.\u00ba 10.639\/2003 [que instituiu o ensino obrigat\u00f3rio de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira nas escolas] funcionar na pr\u00e1tica, isso incomodou. Porque as escolas eram acostumadas a trabalhar o curr\u00edculo como testemunha [como apenas um observador]. \u00c9 o projeto do 20 de novembro, \u00e9 o dia para comemorar o zumbi, \u00e9 muita dan\u00e7a, comida, caracteriza\u00e7\u00e3o. A\u00ed, quando voc\u00ea come\u00e7a com o debate, traz a dor e traz transforma\u00e7\u00e3o, isso incomoda.<\/p>\n<p>Eu estava pesquisando que a biblioteca vai botar 100 livros que sofreram censura pelo mundo. Eu fui pesquisar sobre esses livros. Eu conhe\u00e7o a minha hist\u00f3ria que est\u00e1 por tr\u00e1s de Olhos D\u2019\u00c1gua, mas, nos outros livros, [queria saber] quem s\u00e3o essas pessoas comuns. Estava vendo que as hist\u00f3rias s\u00e3o distintas, mas, por exemplo, o Conto da Aia, de Margaret Atwood, est\u00e1 entre as obras [porque] foi proibido em uma cidade norte-americana.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 era uma s\u00e9rie, j\u00e1 era um livro famoso, de grande repercuss\u00e3o. Ele ganhou os holofotes quando, em uma formatura [da Academia de Belas-Artes de Idaho, Estados Unidos], uma estudante protestou, entregando o livro ao representante da escola .\u00a0<\/p>\n<p>A estudante foi o \u00edcone da m\u00eddia. Mas quem botou o livro na escola? Foi a bibliotec\u00e1ria. Ela construiu a biblioteca da escola, selecionou as obras e, quando come\u00e7ou o processo de censura, ela solicitou aposentadoria. Ela \u00e9 a pessoa que sentiu a dor da censura do Conto da Aa, e o seu nome foi esquecido na hist\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<p>Quem s\u00e3o as pessoas? Quem s\u00e3o os bibliotec\u00e1rios, os professores, os mediadores de leitura? Quem pagou o pre\u00e7o? Onde est\u00e3o essas pessoas? A biblioteca preserva a mem\u00f3ria dos livros, mas quem preserva a mem\u00f3ria das pessoas que mantiveram os livros vivos?<\/p>\n<p><strong>Vendo agora, qual foi a import\u00e2ncia para a senhora insistir na indica\u00e7\u00e3o do livro? A senhora mudaria alguma coisa? Como n\u00e3o insistir em Olhos d\u2019\u00c1gua?<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o, eu tive essa oportunidade de voltar atr\u00e1s, porque, em algum momento, ali no in\u00edcio do processo, a escola me chamou e pediu que eu esquecesse o trabalho e se pedisse desculpas aos pais, tudo estaria resolvido. Eles fariam um evento e me dariam um microfone, no qual eu pediria desculpas aos pais, porque eu assumiria que o livro n\u00e3o era apropriado para trabalhar na escola, e ficaria tudo tranquilo.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o quis, eu trabalhei [o livro] com meus alunos porque eu acreditei na for\u00e7a transformadora do livro. A obra j\u00e1 [tinha impacto] internacional; trazer aquela obra era possibilitar aos meus alunos conhecer aquela literatura e aquela dor, que \u00e9 uma dor liter\u00e1ria, mas \u00e9 [tamb\u00e9m] da popula\u00e7\u00e3o [negra brasileira]. Eu jamais aceitaria anular a obra, porque Olhos D\u2019\u00c1gua est\u00e1 entre as minhas obras preferidas.<\/p>\n<p>Eu me lembro quando os pais disseram que o livro tinha identidade comigo. E eu disse a eles que eu agradecia ter essa identidade, que eu n\u00e3o sou ruim, n\u00e3o. E que, se eu tivesse o talento da Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, eu escreveria ou ajudaria mil vezes, porque eu n\u00e3o achava a obra mal escrita e nem mesmo pornogr\u00e1fica. Eles diziam que a obra era pornogr\u00e1fica porque um conto do livro tem uma cena de estupro. E eu dizia a eles que estupro n\u00e3o \u00e9 sexo, estupro \u00e9 viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu fico muito emocionada com esse reconhecimento internacional de \u201cOlhos D\u2019\u00c1gua\u201d. E isso me faz refletir muito tamb\u00e9m sobre por que os livros s\u00e3o censurados. Por que eu fui para [o livro] Olhos D\u2019\u00c1gua? Eu fui a mediadora. O livro \u00e9 maravilhoso. O livro chegou hoje no cen\u00e1rio internacional, apenas com 100 obras, e isso \u00e9 um patamar incr\u00edvel. E eu me sinto orgulhosa de ter sido a mediadora desse processo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se eu fosse trocar, eu permaneceria com a minha viv\u00eancia de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo.<\/p>\n<p><strong>A censura n\u00e3o atingiu s\u00f3 o livro da Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Em 2024, o livro \u201cAvesso da Pele\u201d, do Jefferson Ten\u00f3rio, foi retirado pelas secretarias de Educa\u00e7\u00e3o de estados como Paran\u00e1, Goi\u00e1s e Mato Grosso do Sul. O que a senhora falaria para outras pessoas, para as outras professoras e bibliotec\u00e1rias, que tamb\u00e9m sofrem, ou sofreram, com a dor da censura?<\/strong><\/p>\n<p>Quando fui perseguida, eu sabia que n\u00e3o estava apenas ensinando o livro. Eu estava dizendo aos meus alunos que suas hist\u00f3rias importavam, que a literatura negra tamb\u00e9m \u00e9 literatura brasileira, e que eu tinha o direito de me reconhecer no que eles viram.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias foram minhas, porque elas n\u00e3o foram s\u00f3 profissionais, elas foram consequ\u00eancias at\u00e9 familiares. Cheguei a ouvir pessoas dizendo: \u201cvoc\u00ea foi inventar de ser negra e agora est\u00e1 passando por isso\u201d. Ent\u00e3o, comecei a conviver com medo, com a inseguran\u00e7a, com a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica e com a sensa\u00e7\u00e3o de que ensinar hist\u00f3ria e literatura podia custar muito caro.<\/p>\n<p>Mas eu tamb\u00e9m aprendi uma coisa: quando um livro \u00e9 atacado, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a obra que est\u00e1 em disputa, mas o direito dos estudantes de fazer perguntas, de conhecer outras perspectivas e de construir um pensamento cr\u00edtico. Eu podia ter desistido, poderia nunca mais levar um livro como \u201cOlhos D\u2019\u00c1gua\u201d em uma sala de aula. Se eu fizesse isso, a censura teria vencido. Eu acho que \u00e9 por isso que eu continuo lutando.<\/p>\n<p>Eu luto pelo direito de qualquer professora ir para uma sala de aula sem medo, sem d\u00favida. Eu luto porque eu sei que os livros transformam vidas. E \u00e9 justamente para acreditar nisso que eu tamb\u00e9m aprendi que eles podem incomodar. Por qu\u00ea? Porque a sociedade prefere que a gente aprenda a n\u00e3o questionar, que a gente aprenda a n\u00e3o refletir, que a gente aprenda a n\u00e3o reconhecer as desigualdades. E hoje, quando eu olho para tr\u00e1s e olho para frente e vejo onde o Olhos D\u2019\u00c1gua chegou, eu vejo que isso \u00e9 uma responsabilidade.<\/p>\n<p>Aquela hist\u00f3ria, que come\u00e7ou l\u00e1 em 2021, em uma escola, no bairro de Cabula, na cidade de Salvador, no estado da Bahia, continua em mim. E \u00e9 por isso que eu falo para a gente pensar. A quest\u00e3o \u00e9 saber se as pessoas que defenderam os livros tamb\u00e9m conseguiram sobreviver.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que eu falo para as pessoas que carregam os livros, que seguram os livros, que lutam pelos livros, \u00e9 que elas n\u00e3o desistam. Porque s\u00e3o essas pessoas que v\u00e3o transformar a sociedade l\u00e1 na frente. Que talvez as nossas hist\u00f3rias n\u00e3o sejam contadas. Que os nossos nomes sejam apagados das narrativas hist\u00f3ricas. A gente n\u00e3o est\u00e1 lutando por n\u00f3s, estamos lutando pelo direito de poder ler, pelo direito de aprender. E mais que isso, \u00e9 pelo direito de enfrentar o sentido.<\/p><\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/notas-sobre-a-turbulencia-mundial\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Notas sobre a turbul\u00eancia mundial<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/contratacao-publica-tera-8-de-vagas-para-mulheres-vitimas-de-violencia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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