{"id":95830,"date":"2026-07-16T15:41:21","date_gmt":"2026-07-16T18:41:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eua-a-industria-para-demolir-sindicatos\/"},"modified":"2026-07-16T15:41:21","modified_gmt":"2026-07-16T18:41:21","slug":"eua-a-industria-para-demolir-sindicatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eua-a-industria-para-demolir-sindicatos\/","title":{"rendered":"EUA: A ind\u00fastria para demolir sindicatos"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"800\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5102658934677376759_y1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5102658934677376759_y1.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5102658934677376759_y1-300x188.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5102658934677376759_y1-768x480.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Foto: Luigi Morris<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 um n\u00famero que resume, com brutalidade cont\u00e1bil, a dist\u00e2ncia entre o direito formal e a vida real do trabalhador estadunidense: 1,7 bilh\u00e3o de d\u00f3lares. \u00c9 o quanto os empregadores dos Estados Unidos gastam, por ano, contratando consultores e escrit\u00f3rios de advocacia especializados numa \u00fanica tarefa \u2014 impedir que seus funcion\u00e1rios formem um sindicato. O dado n\u00e3o vem de panfleto militante. Vem de um relat\u00f3rio t\u00e9cnico do Economic Policy Institute, publicado com o LaborLab em maio de 2026, com metodologia explicitada em ap\u00eandice.<\/p>\n<p>Em 2025, a sindicaliza\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos cresceu ao maior ritmo desde 2009 \u2014 sinal de que a popula\u00e7\u00e3o enxerga cada vez melhor os sindicatos como instrumento de economia mais justa. Mas o relat\u00f3rio lembra um contraponto inc\u00f4modo: mais de 50 milh\u00f5es de trabalhadores n\u00e3o sindicalizados adeririam a um sindicato se pudessem, e n\u00e3o conseguem porque a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista do pa\u00eds abre brechas suficientes para que o empregador trave qualquer tentativa de organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa lacuna que o relat\u00f3rio se prop\u00f5e a medir.<\/p>\n<p>A cifra central se divide em duas partes que vale distinguir com cuidado. A primeira, 442 milh\u00f5es anuais, \u00e9 o que se gasta com consultores \u2014 advogados e n\u00e3o advogados \u2014 contratados especificamente para campanhas de persuas\u00e3o antissindical, sob a Lei de Divulga\u00e7\u00e3o e Relat\u00f3rios de Gest\u00e3o Trabalhista (LMRDA). A segunda, 1,48 bilh\u00e3o, \u00e9 a receita anual das pr\u00e1ticas trabalhistas dos seis maiores escrit\u00f3rios do setor, somando representa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica perante o \u00f3rg\u00e3o regulador, consultoria e lit\u00edgio. Somadas as duas categorias \u2014 e descontada a sobreposi\u00e7\u00e3o entre consultores que tamb\u00e9m atuam como advogados \u2014, chega-se ao 1,7 bilh\u00e3o. Mesmo assim, a cifra \u00e9 piso, n\u00e3o teto: o relat\u00f3rio exclui deliberadamente gastos com prepara\u00e7\u00e3o para greves, programas de \u201cengajamento positivo dos funcion\u00e1rios\u201d desenhados como substituto preventivo ao sindicato, e qualquer lit\u00edgio que n\u00e3o seja diretamente classific\u00e1vel como pr\u00e1tica trabalhista.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1-15.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1-15.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A lacuna entre o que se gasta e o que se declara \u00e9 tema de outro estudo do LaborLab, citado no relat\u00f3rio: 57% dos empregadores que deveriam ter declarado gastos com consultoria antissindical em 2024 n\u00e3o o fizeram, tr\u00eas meses ap\u00f3s o prazo. Apenas 153 empresas declararam naquele ano \u2014 n\u00famero \u00ednfimo diante dos mais de 3.200 pedidos de elei\u00e7\u00e3o sindical protocolados, e da constata\u00e7\u00e3o de que 71% a 87% dos empregadores contratam algum consultor diante de uma campanha de organiza\u00e7\u00e3o. A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 numa categoria jur\u00eddica deliberadamente vaga: a lei isenta de declara\u00e7\u00e3o tudo que se enquadra como mera \u201corienta\u00e7\u00e3o\u201d, interpretada de modo amplo o bastante para excluir quase todo o trabalho real desses consultores, que n\u00e3o t\u00eam contato direto com os trabalhadores mas desenham cada elemento da campanha.<\/p>\n<p>A lista dos maiores gastadores de 2025 mostra que n\u00e3o se trata de pr\u00e1tica marginal, restrita a pequenas empresas resistindo \u00e0 primeira tentativa de organiza\u00e7\u00e3o. A Amazon sozinha declarou mais de 26,6 milh\u00f5es de d\u00f3lares em pagamentos a consultores antissindicais \u2014 quase dez vezes o valor do segundo colocado, a rede hospitalar UnityPoint Health, com 2,1 milh\u00f5es. Na sequ\u00eancia aparecem a rede de laborat\u00f3rios LabCorp (2 milh\u00f5es), a Premier Health (801 mil), a American Rock Products (584 mil), a distribuidora Sygma Network (559 mil), a Corewell Health (526 mil), a multinacional 3M (501 mil), a prestadora de servi\u00e7os Comfort Systems USA Southwest (471 mil) e a rede hospitalar Dartmouth Health (452 mil). A presen\u00e7a maci\u00e7a do setor de sa\u00fade nessa lista n\u00e3o \u00e9 acidente \u2014 \u00e9 onde a organiza\u00e7\u00e3o sindical mais cresceu nos \u00faltimos anos, e onde a resposta corporativa tem sido proporcionalmente mais agressiva.<\/p>\n<p>Do lado da oferta, o relat\u00f3rio detalha os seis escrit\u00f3rios com maior participa\u00e7\u00e3o em casos perante o NLRB em 2024, estimando a receita da pr\u00e1tica trabalhista de cada um a partir do n\u00famero de advogados especializados cruzado com o faturamento total declarado, descontado pela metade \u2014 assumindo que metade do trabalho desses advogados se d\u00e1 em outras \u00e1reas do direito. A Littler Mendelson lidera com 5,7% dos casos e receita estimada de 58,7 milh\u00f5es de d\u00f3lares; a Ogletree, Deakins, Nash, Smoak &amp; Stewart vem em seguida com 4% dos casos e 68,9 milh\u00f5es \u2014 a maior receita do grupo, mesmo com participa\u00e7\u00e3o menor; a Jackson Lewis tem 3,6% e 49,6 milh\u00f5es; a Seyfarth Shaw, 2,3% e 32,3 milh\u00f5es; a Morgan, Lewis &amp; Bockius, apenas 1,9% dos casos mas faturamento total de mais de 3 bilh\u00f5es, dos quais 34 milh\u00f5es atribu\u00eddos \u00e0 pr\u00e1tica trabalhista; e a Fisher &amp; Phillips, 1,6% e 38,8 milh\u00f5es. Juntos, esses seis escrit\u00f3rios concentram 19,1% de toda a litig\u00e2ncia perante o NLRB e faturam mais de 280 milh\u00f5es de d\u00f3lares s\u00f3 com pr\u00e1tica trabalhista.<\/p>\n<p>Os perfis individuais completam o quadro. A Littler Mendelson, a maior do grupo, tem mais de 1.800 advogados (at\u00e9 1.700 d\u00f3lares a hora), oitenta anos de hist\u00f3ria, j\u00e1 representou Delta Airlines e McDonald\u2019s, e teve papel central na campanha antissindical da Starbucks; seu instituto de pol\u00edticas p\u00fablicas atuou contra a Lei de Assembleia 5 da Calif\u00f3rnia e apoiou a Proposi\u00e7\u00e3o 22, que isentou motoristas de aplicativo da categoria de empregado formal \u2014 epis\u00f3dio em que a fronteira entre consultoria jur\u00eddica e lobby praticamente desaparece. A Morgan Lewis, ainda mais cara \u2014 at\u00e9 1.900 d\u00f3lares a hora \u2014, representa Amazon, REI e McDonald\u2019s, e lidera a a\u00e7\u00e3o que pretende declarar inconstitucional o pr\u00f3prio NLRB, ao mesmo tempo em que emprega ex-funcion\u00e1rios do \u00f3rg\u00e3o. A Jackson Lewis, com quase setenta anos em evita\u00e7\u00e3o sindical, presen\u00e7a forte em educa\u00e7\u00e3o superior e sa\u00fade, atende tamb\u00e9m ExxonMobil e Google, e oferece pacotes \u201ccompletos\u201d com treinamento de supervisores e discursos antissindicais prontos.<\/p>\n<p>Um ap\u00eandice do relat\u00f3rio reconstr\u00f3i o roteiro padr\u00e3o com que esses escrit\u00f3rios respondem a uma tentativa de organiza\u00e7\u00e3o, etapa por etapa do processo eleitoral do NLRB. Come\u00e7a na pr\u00f3pria contrata\u00e7\u00e3o, com sess\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o que j\u00e1 incluem doutrina\u00e7\u00e3o antissindical: a caracteriza\u00e7\u00e3o do sindicato como \u201cterceiro\u201d que atrapalharia a comunica\u00e7\u00e3o direta entre trabalhador e gest\u00e3o, e previs\u00f5es \u2014 sempre no limite legal entre opini\u00e3o e amea\u00e7a velada \u2014 sobre fechamento de f\u00e1bricas, greves e descontos salariais por mensalidade sindical. Quando trabalhadores come\u00e7am a discutir entre si a possibilidade de se organizar, \u00e9 comum que lideran\u00e7as informais sejam demitidas sob outro pretexto, sabendo que o lit\u00edgio sobre a ilegalidade dessa demiss\u00e3o se arrastar\u00e1 por anos sem multa financeira efetiva \u2014 o simples efeito de intimidar o resto da equipe j\u00e1 cumpre a fun\u00e7\u00e3o pretendida. Uma vez protocolada a peti\u00e7\u00e3o formal de elei\u00e7\u00e3o sindical, com assinaturas de ao menos 30% da categoria, o empregador tem sete dias corridos para responder, e costuma usar esse prazo para contestar a pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o da categoria de trabalhadores aptos a votar \u2014 disputa processual cujo \u00fanico objetivo real \u00e9 ganhar tempo para a campanha antissindical se desenrolar por mais algumas semanas. Segue-se vigil\u00e2ncia dos trabalhadores durante a elei\u00e7\u00e3o supervisionada, contesta\u00e7\u00e3o de votos individuais sempre que isso pode impedir a certifica\u00e7\u00e3o do resultado e, depois de uma eventual vit\u00f3ria sindical, recusa deliberada de sentar para negociar o primeiro contrato coletivo \u2014 empurrando o caso para os tribunais federais.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que os pr\u00f3prios trabalhadores, exauridos pela espera, terminam circulando uma peti\u00e7\u00e3o para descertificar o sindicato que eles mesmos conquistaram. \u00c9 precisamente esse desfecho, adverte o relat\u00f3rio, o objetivo real da campanha desde o primeiro dia.<\/p>\n<p>O caso mais did\u00e1tico do relat\u00f3rio \u00e9 o mais simples de enunciar. A Amazon foi recentemente obrigada pelo NLRB a negociar com trabalhadores de um dep\u00f3sito em Staten Island que haviam votado pela sindicaliza\u00e7\u00e3o havia mais de quatro anos. A meta interna do pr\u00f3prio NLRB \u00e9 resolver casos em at\u00e9 180 dias; a mediana real j\u00e1 ultrapassa 100 dias, e para alguns trabalhadores o processo se estende por anos. Quatro anos entre o voto e a primeira mesa de negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 falha do sistema: \u00e9 a pr\u00f3pria arma, manejada com precis\u00e3o por uma estrat\u00e9gia jur\u00eddica com nome e pre\u00e7o de mercado \u2014 revelando que esse tipo de pr\u00e1tica nunca foi servi\u00e7o t\u00e9cnico neutro, mas instrumento de poder que se volta, quando conveniente, contra a pr\u00f3pria arquitetura legal que lhe garante espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ironia, e coer\u00eancia, em escrit\u00f3rios que empregam ex-funcion\u00e1rios do NLRB processando o NLRB por inconstitucionalidade: se a lei nem sempre pode ser dobrada a favor do empregador, ataca-se sua legitimidade.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/HUCITEC-vozesindigenas-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/HUCITEC-vozesindigenas-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-vozesindigenas-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Os casos da Starbucks e da Trader Joe\u2019s, citados pelo relat\u00f3rio entre as maiores campanhas da \u00faltima d\u00e9cada, ilustram a mesma l\u00f3gica: contesta\u00e7\u00e3o da unidade de negocia\u00e7\u00e3o loja por loja, em vez de rede inteira, multiplicando o n\u00famero de elei\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e, com isso, o custo e o tempo de cada vit\u00f3ria sindical.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio termina sem ingenuidade, mas tamb\u00e9m sem desespero, e os n\u00fameros sustentam algum otimismo cauteloso. Em 2025, 16,5 milh\u00f5es de trabalhadores estadunidenses estavam representados por sindicato \u2014 alta de 463 mil em rela\u00e7\u00e3o a 2024, o maior n\u00famero em dezesseis anos. Quase 70% da popula\u00e7\u00e3o v\u00ea os sindicatos com bons olhos, e pesquisas mostram que a maioria considera o decl\u00ednio hist\u00f3rico da sindicaliza\u00e7\u00e3o ruim tanto para o pa\u00eds (60%) quanto para os pr\u00f3prios trabalhadores (62%). Em comunidades com maior densidade sindical, as fam\u00edlias trabalhadoras t\u00eam renda mais alta, mais acesso a sa\u00fade e enfrentam menos restri\u00e7\u00f5es ao voto \u2014 uma cadeia de efeitos que conecta o poder de organiza\u00e7\u00e3o no local de trabalho \u00e0 sa\u00fade da democracia em sentido mais amplo.<\/p>\n<p>Mas o pr\u00f3prio relat\u00f3rio prova que essa simpatia popular crescente enfrenta um advers\u00e1rio organizado, bem financiado e juridicamente sofisticado \u2014 que transforma um processo eleitoral desenhado para ser simples num labirinto deliberadamente intranspon\u00edvel. Para reverter esse desequil\u00edbrio, os autores defendem a aprova\u00e7\u00e3o do Richard L. Trumka Protecting the Right to Organize Act, que criaria penalidades civis para empregadores infratores, limitaria a interfer\u00eancia patronal no processo eleitoral, estabeleceria mecanismo para garantir que a negocia\u00e7\u00e3o do primeiro contrato avance dentro de prazo razo\u00e1vel, e fecharia a brecha da \u201corienta\u00e7\u00e3o\u201d que hoje deixa a maior parte do trabalho de evita\u00e7\u00e3o sindical fora de qualquer registro p\u00fablico.<\/p>\n<p>Para o leitor brasileiro, o relat\u00f3rio convida a compara\u00e7\u00e3o cautelosa, n\u00e3o a transposi\u00e7\u00e3o direta. O arcabou\u00e7o legal \u00e9 outro, e a repress\u00e3o sindical brasileira contempor\u00e2nea opera por vias distintas \u2014 a fragmenta\u00e7\u00e3o via terceiriza\u00e7\u00e3o, a sobrecarga cr\u00f4nica da Justi\u00e7a do Trabalho, o esvaziamento do financiamento sindical promovido pela reforma trabalhista de 2017. Mas o princ\u00edpio de fundo atravessa fronteiras: sempre que existe uma lei que garante direitos aos trabalhadores, existir\u00e1 tamb\u00e9m um mercado disposto a vender, a pre\u00e7o de hora de advogado, a compet\u00eancia de esvazi\u00e1-la na pr\u00e1tica. O relat\u00f3rio do EPI tem o m\u00e9rito de colocar esse mercado, finalmente, na planilha.<\/p>\n<h3><strong>A paralisia do sindicalismo consolidado<\/strong><\/h3>\n<p>Uma lacuna do relat\u00f3rio merece registro \u00e0 parte. Em nenhum momento ele examina como o movimento sindical j\u00e1 estabelecido reage \u2014 ou deixa de reagir \u2014 \u00e0s campanhas de organiza\u00e7\u00e3o que documenta sendo esmagadas. O texto opera inteiramente numa dualidade entre o empregador e sua ind\u00fastria de consultoria de um lado, e trabalhadores n\u00e3o sindicalizados tentando se organizar pela primeira vez do outro. Sindicatos com categoria j\u00e1 consolidada, centrais sindicais, fundos de greve \u2014 nenhum desses atores aparece, nem mesmo nos casos mais not\u00f3rios citados (Amazon, Starbucks, Trader Joe\u2019s), que historicamente tiveram algum grau de apoio externo.<\/p>\n<p>Essa aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 peculiaridade do relat\u00f3rio: \u00e9 sintoma de um problema estrutural amplamente documentado pela pr\u00f3pria literatura sindical estadunidense. A AFL-CIO, maior central sindical do pa\u00eds, aprovou recentemente uma resolu\u00e7\u00e3o que reconhece explicitamente a insufici\u00eancia dessa solidariedade e prop\u00f5e constru\u00ed-la deliberadamente \u2014 o que \u00e9, em si, uma admiss\u00e3o de que ela hoje n\u00e3o existe na escala necess\u00e1ria. A resolu\u00e7\u00e3o fala em \u201cconstruir uma cultura de solidariedade e apoio \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o\u201d e criar comit\u00eas de coordena\u00e7\u00e3o setorial, exatamente porque essa cultura e essa coordena\u00e7\u00e3o s\u00e3o fracas no modelo vigente.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o tem raiz hist\u00f3rica, n\u00e3o apenas atitudinal. Desde a fus\u00e3o entre AFL e CIO em 1955, a tradi\u00e7\u00e3o predominante do sindicalismo estadunidense \u2014 que a literatura cr\u00edtica chama de business unionism \u2014 concentrou recursos na manuten\u00e7\u00e3o e na melhoria de condi\u00e7\u00f5es para os j\u00e1 sindicalizados, n\u00e3o na expans\u00e3o para categorias inteiramente novas. O cientista pol\u00edtico Ian Taplin observou j\u00e1 em 1990 que, no p\u00f3s-guerra, os sindicatos da AFL-CIO escolheram uma estrat\u00e9gia de \u201ccorresponsabilidade\u201d com o capital em vez de campanhas agressivas de organiza\u00e7\u00e3o no setor de servi\u00e7os e no sul do pa\u00eds \u2014 escolha que abriu caminho para que justamente esses dois polos se tornassem, d\u00e9cadas depois, os territ\u00f3rios de menor densidade sindical dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A grande contribui\u00e7\u00e3o anal\u00edtica da resenha reside em confrontar a efic\u00e1cia da m\u00e1quina patronal com a pr\u00f3pria paralisia e acomoda\u00e7\u00e3o das estruturas sindicais j\u00e1 consolidadas. O desinteresse do trabalhador comum pelo sindicato existente ganha contornos n\u00edtidos quando se observa o fen\u00f4meno do <em>business unionism<\/em> \u2014 e sua evolu\u00e7\u00e3o para o <em>finance unionism<\/em> \u2014, onde os sindicatos, encastelados em suas sedes, mais preocupados em gerir seu patrim\u00f4nio e atender burocraticamente as categorias j\u00e1 filiadas do que em expandir e proteger novas frentes de trabalho. O dado trazido pela revista <em>Jacobin<\/em> sintetiza esse div\u00f3rcio: o investimento da central AFL-CIO na organiza\u00e7\u00e3o de novos setores equivale a meros 0,7% de seu movimento financeiro total. Cria-se um c\u00edrculo vicioso: o trabalhador se afasta porque n\u00e3o se v\u00ea representado por uma m\u00e1quina patrimonialista, e o sindicato, isolado, perde a for\u00e7a de mobiliza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para enfrentar o avan\u00e7o do capital.<\/p>\n<p>Tratar a fragmenta\u00e7\u00e3o sindical como peculiaridade institucional do <em>business unionism<\/em> estadunidense \u00e9 um equ\u00edvoco de escala. A pulveriza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho \u00e9 um tra\u00e7o estrutural do capitalismo contempor\u00e2neo, e n\u00e3o uma distor\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. A teoria cr\u00edtica do sindicalismo identificou como o capital desarticulou sistematicamente a greve de solidariedade ao impor a separa\u00e7\u00e3o entre o \u201cbra\u00e7o pol\u00edtico\u201d (partidos que disputam o Parlamento) e o \u201cbra\u00e7o sindical\u201d (organiza\u00e7\u00f5es por ramo de atividade). Essa divis\u00e3o, longe de ser t\u00e9cnica ou neutra, operou como o instrumento fundamental para neutralizar a for\u00e7a de ambos.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico encontra antecipa\u00e7\u00e3o precisa no trabalho do historiador portugu\u00eas Jo\u00e3o Bernardo. Em <em>Capital, gestores, sindicato<\/em> (V\u00e9rtice, 1987), Bernardo demonstra que a institui\u00e7\u00e3o sindical n\u00e3o apenas capitulou diante da l\u00f3gica do capital, mas passou a oper\u00e1-la ativamente. A subordina\u00e7\u00e3o assume sua forma mais acabada quando a empresa \u00e9 propriedade do sindicato \u2014 caso que Bernardo documenta em escala comparativa: bancos sindicais na Alemanha desde a d\u00e9cada de 1920, sindicatos como patr\u00e3o de um quarto dos trabalhadores em Israel, o United Mine Workers of America propriet\u00e1rio do National Bank of Washington. Nos Estados Unidos, a Chrysler, a GM e a Pan-American inclu\u00edam representantes da diretoria sindical em seus conselhos de administra\u00e7\u00e3o; em troca, os dirigentes limitavam as reivindica\u00e7\u00f5es e impunham cortes salariais aos pr\u00f3prios representados. A conclus\u00e3o de Bernardo \u00e9 estrutural: \u201co capital \u00e9 basicamente uma rela\u00e7\u00e3o social \u2014 ela resulta do fato dos trabalhadores serem mantidos como proletariado a conferir ao dinheiro possu\u00eddo pelos aparelhos sindicais a qualidade de capital\u201d (p. 53). Lido ao lado do relat\u00f3rio do EPI, o argumento de Bernardo sugere que a ind\u00fastria antissindical n\u00e3o opera apenas contra o movimento oper\u00e1rio \u2014 opera tamb\u00e9m dentro dele.<\/p>\n<p>A engenharia jur\u00eddica do capital confinou os sindicatos \u00e0s disputas estritamente econ\u00f4micas e locais, banindo do horizonte democr\u00e1tico qualquer \u201ca\u00e7\u00e3o sindical politicamente motivada\u201d. \u00c9 por meio desse bloqueio que se inviabiliza a greve de solidariedade: o apoio a uma luta alheia, sem reivindica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica imediata da categoria, torna-se uma ilegalidade inadmiss\u00edvel. As unidades locais do trabalho s\u00e3o autorizadas por lei a entrar em lit\u00edgio apenas com as unidades particulares do capital \u00e0s quais est\u00e3o diretamente vinculadas. A lei pro\u00edbe estruturalmente o enfrentamento ao capital social total, confinando o trabalhador \u00e0 disputa isolada com seu patr\u00e3o imediato. Longe de resistirem, as burocracias sindicais aceitaram passivamente tal situa\u00e7\u00e3o, legitimando a pr\u00f3pria armadilha institucional que hoje as sufoca.<\/p>\n<p>A natureza extraparlamentar do capital social total confere a ele o poder de dobrar governos \u2014 mesmo aqueles eleitos sob bandeiras trabalhistas \u2014, chantageando-os com mecanismos como a \u201cgreve geral de investimentos\u201d. Ao trabalho organizado, resta apenas a disputa fragmentada que a lei autoriza.<\/p>\n<p>Sob essa \u00f3tica, o sil\u00eancio do relat\u00f3rio do EPI sobre a solidariedade intersindical reflete a normaliza\u00e7\u00e3o internacional de uma fragmenta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 falha de gest\u00e3o, mas efeito de uma arquitetura legal deliberadamente constru\u00edda para impedir uma resposta unificada da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Para a leitura que esta resenha prop\u00f5e, a omiss\u00e3o \u00e9 ela mesma reveladora. Um relat\u00f3rio dedicado inteiramente a quantificar a repress\u00e3o sindical n\u00e3o julga sequer relevante perguntar pela solidariedade entre os atingidos e os n\u00e3o atingidos \u2014 o que sugere que essa solidariedade, no horizonte do movimento sindical estadunidense contempor\u00e2neo, n\u00e3o \u00e9 percebida como recurso dispon\u00edvel, mas como problema ainda por construir. A fragmenta\u00e7\u00e3o que o capital imp\u00f5e entre categorias de trabalhadores encontra, assim, uma fragmenta\u00e7\u00e3o correspondente do lado de quem deveria combat\u00ea-la.<\/p>\n<p>A leitura acima corre o risco de um equ\u00edvoco de escala: tratar a fragmenta\u00e7\u00e3o sindical como peculiaridade institucional do business unionism estadunidense, quando se trata de um tra\u00e7o estrutural do capitalismo contempor\u00e2neo em qualquer geografia. A formula\u00e7\u00e3o mais rigorosa desse problema vem de fora dos Estados Unidos \u2014 do fil\u00f3sofo h\u00fangaro Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros, no cap\u00edtulo 18 de <em>Para Al\u00e9m do Capital<\/em> (edi\u00e7\u00e3o brasileira, Boitempo, 2002). M\u00e9sz\u00e1ros distingue, no movimento trabalhista organizado, dois \u201cbra\u00e7os\u201d historicamente separados: o \u201cbra\u00e7o pol\u00edtico\u201d \u2014 partidos social-democratas e trabalhistas que disputam o Parlamento \u2014 e o \u201cbra\u00e7o sindical\u201d \u2014 a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nas empresas, por ramo de atividade. A separa\u00e7\u00e3o entre os dois n\u00e3o foi, segundo ele, uma divis\u00e3o t\u00e9cnica neutra de tarefas, mas o instrumento estrutural que permitiu ao capital neutralizar a for\u00e7a de ambos.<\/p>\n<p>O argumento central de M\u00e9sz\u00e1ros \u00e9 que essa separa\u00e7\u00e3o exigiu uma contrapartida fatal das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias: o capital aceita a legitimidade do interlocutor sindical desde que este restrinja suas demandas ao que \u00e9 vi\u00e1vel dentro da ordem econ\u00f4mica estabelecida. Ao confinar a a\u00e7\u00e3o sindical \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o estritamente corporativa e imediata, o Estado e o capital criminalizam e deslegitimam qualquer a\u00e7\u00e3o que vise \u00e0 totalidade do sistema.<\/p>\n<p>A greve de solidariedade representa o momento em que uma categoria cruza a fronteira corporativa para apoiar outra, agindo n\u00e3o em nome de um ganho imediato e restrito, mas em fun\u00e7\u00e3o de uma identidade comum de classe. Ao desarticular a greve de solidariedade \u2014 muitas vezes com a cumplicidade de legisla\u00e7\u00f5es antissindicais que a esquerda institucionalizada, em vez de combater, assimilou e legitimou \u2014, o sistema produz os mesmos efeitos que o sal\u00e1rio confiscado e a expropria\u00e7\u00e3o do tempo: o tempo de luta deixa de pertencer \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o coletiva e \u00e9 fragmentado em disputas setoriais isoladas.<\/p>\n<p>Sem a capacidade de acionar o \u201cbra\u00e7o sindical\u201d para fins pol\u00edticos abrangentes, o movimento oper\u00e1rio capitulou diante da estrutura regulat\u00f3ria do Estado. M\u00e9sz\u00e1ros argumenta que essa postura puramente defensiva conferiu legitimidade ao modo de controle sociometab\u00f3lico do capital \u2014 express\u00e3o com que o autor designa o conjunto de mecanismos pelos quais o capital regula a reprodu\u00e7\u00e3o social para al\u00e9m da esfera estritamente econ\u00f4mica. A solidariedade horizontal foi substitu\u00edda por uma transfer\u00eancia vertical do poder de decis\u00e3o para as centrais e c\u00fapulas partid\u00e1rias, neutralizando o potencial combativo enraizado nas f\u00e1bricas, nos bairros oper\u00e1rios e nas redes de apoio m\u00fatuo local.<\/p>\n<p>Mais adiante no mesmo cap\u00edtulo, M\u00e9sz\u00e1ros formula o ponto com ainda mais precis\u00e3o jur\u00eddica: as unidades locais do \u201cbra\u00e7o sindical\u201d s\u00e3o, por lei, autorizadas a entrar em \u201cdisputa econ\u00f4mica\u201d apenas com as unidades particulares do capital \u00e0s quais est\u00e3o diretamente vinculadas \u2014 nunca com o capital social total, nunca em solidariedade com trabalhadores de outro empregador ou de outro setor. A lei n\u00e3o apenas deixa de incentivar a solidariedade intersindical: pro\u00edbe-a estruturalmente, confinando cada sindicato \u00e0 disputa econ\u00f4mica isolada com seu pr\u00f3prio patr\u00e3o imediato.<\/p>\n<p>M\u00e9sz\u00e1ros documenta esse mecanismo com um epis\u00f3dio factual revelador, ocorrido sob um governo formalmente trabalhista: o ex-diretor-geral da Confedera\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Brit\u00e2nica admitiu publicamente, em entrevista de televis\u00e3o, ter amea\u00e7ado o primeiro-ministro trabalhista Harold Wilson com uma \u201cgreve geral de investimentos\u201d caso o governo n\u00e3o atendesse \u00e0s demandas da confedera\u00e7\u00e3o patronal \u2014 e Wilson cedeu. O epis\u00f3dio demonstra, segundo M\u00e9sz\u00e1ros, que o capital social total \u00e9, por natureza, uma for\u00e7a extraparlamentar: pode amea\u00e7ar e impor suas condi\u00e7\u00f5es mesmo a governos eleitos sob bandeira trabalhista, enquanto ao trabalho organizado resta apenas a disputa econ\u00f4mica fragmentada que a lei lhe autoriza.<\/p>\n<p>Lido a partir de M\u00e9sz\u00e1ros, o sil\u00eancio do relat\u00f3rio do EPI sobre solidariedade intersindical deixa de parecer lacuna pontual e passa a expressar algo mais amplo: a normaliza\u00e7\u00e3o, em escala internacional, de uma fragmenta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 falha de organiza\u00e7\u00e3o a ser corrigida com boa vontade entre sindicatos, mas efeito de uma arquitetura legal deliberadamente constru\u00edda, em diferentes pa\u00edses e sob governos de diferentes orienta\u00e7\u00f5es, para impedir a resposta unificada que a unidade do capital social total exigiria do trabalho.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>AFL-CIO. Resolution 1: A Plan to Help Workers Win \u2014 Uniting Our Power to Build a Stronger, Growing Labor Movement. Washington, DC: AFL-CIO, 2022.<\/p>\n<p>BERNARDO, Jo\u00e3o. Capital, gestores, sindicato. S\u00e3o Paulo: V\u00e9rtice, 1987. Resenha de: TRAGTENBERG, Maur\u00edcio. Revista de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, S\u00e3o Paulo, v. 27, n. 3, p. 69, jul.\/set. 1987.<\/p>\n<p>BOHNER, Chris. The Labor Movement\u2019s \u201cBusiness Unionism\u201d Has Transformed into \u201cFinance Unionism\u201d. Jacobin, 5 fev. 2023.<\/p>\n<p>McNICHOLAS, Celine; POYDOCK, Margaret; WOLFE, Julia; ZIPPERER, Ben; LAFER, Gordon; LOUSTAUNAU, Lola. Unlawful: U.S. Employers Are Charged with Violating Federal Law in 41.5% of All Union Election Campaigns. Washington, DC: Economic Policy Institute, dezembro de 2019.<\/p>\n<p>M\u00c9SZ\u00c1ROS, Istv\u00e1n. Para Al\u00e9m do Capital: Rumo a uma Teoria da Transi\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Cezar Castanheira e S\u00e9rgio Lessa. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2002.<\/p>\n<p>POYDOCK, Margaret; WIGGIN, Teke; McNICHOLAS, Celine. U.S. Employers Spend More than $1.5 Billion Annually on Union Avoidance. Washington, DC: Economic Policy Institute \/ LaborLab, 20 maio 2026.<\/p>\n<p>TAPLIN, Ian M. The Contradictions of Business Unionism and the Decline of Organized Labour. Economic and Industrial Democracy, v. 11, n. 1, p. 76-95, 1990.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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