{"id":95834,"date":"2026-07-16T15:56:40","date_gmt":"2026-07-16T18:56:40","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/astrojildo-pereira-e-as-sementes-do-marxismo-no-brasil\/"},"modified":"2026-07-16T15:56:40","modified_gmt":"2026-07-16T18:56:40","slug":"astrojildo-pereira-e-as-sementes-do-marxismo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/astrojildo-pereira-e-as-sementes-do-marxismo-no-brasil\/","title":{"rendered":"Astrojildo Pereira e as sementes do marxismo no Brasil"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1182\" height=\"710\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/astrojildo-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/astrojildo-3.png 1182w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/astrojildo-3-300x180.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/astrojildo-3-768x461.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1182px) 100vw, 1182px\"><figcaption>Foto: Acervo CEDEM\/Asmob\/Unesp<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>MAIS<\/strong><br \/><em>Outras Palavras <\/em>passa a publicar verbetes do Dicion\u00e1rio Marxismo na Am\u00e9rica, uma iniciativa do N\u00facleo Pr\u00e1xis-USP, que busca resgatar personagens centrais na hist\u00f3ria das lutas sociais de nosso continente. <\/p>\n<h3><strong>1 \u2013 Vida e pr\u00e1xis pol\u00edtica<\/strong><\/h3>\n<p>Astrojildo Pereira Duarte Silva nasceu em Rio dos \u00cdndios, pequeno povoado do estado do Rio de Janeiro, sendo filho de Ramiro Pereira Duarte Silva e de Isabel Neves da Silva. Seu pai, descendente de portugueses e formado em medicina, foi fazendeiro, comerciante e pequeno industrial, vindo a migrar do interior para Niter\u00f3i e depois para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em sua cidade natal, Astrojildo estudou inicialmente em escola p\u00fablica e depois particular. Com o crescimento dos neg\u00f3cios da fam\u00edlia, aos 13 anos mudou-se para Nova Friburgo (RJ), matriculando-se no tradicional Col\u00e9gio Anchieta, dirigido por jesu\u00edtas. Influenciado pelo novo ambiente, nutriu o desejo de ser \u201cfrade, n\u00e3o padre\u201d, mas logo se desencantou com a f\u00e9, ao considerar que seus professores cat\u00f3licos mentiam \u2013 e a partir desse momento rompeu com o catolicismo. Nesse col\u00e9gio terminou o ensino secund\u00e1rio e, sem motiva\u00e7\u00e3o para continuar os estudos formais, dedicou-se durante um tempo ao empreendimento do pai.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1-16.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1-16.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Trabalhou como gr\u00e1fico e jornalista, al\u00e9m de ensa\u00edsta, tornando-se um leitor apaixonado e dono de um \u201cautodidatismo arquiatabalhoado\u201d, como ele mesmo se descrevia. Desde cedo, dedicou-se \u00e0 milit\u00e2ncia pol\u00edtica. Com um engajamento ativo, de in\u00edcio apoiou a candidatura liberal de Rui Barbosa \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (1910); mais tarde, indignado com a a\u00e7\u00e3o do Estado contra a Revolta da Chibata (1910), aderiu ao ide\u00e1rio anarquista.<\/p>\n<p>Em 1913, ajudou a organizar o II Congresso Oper\u00e1rio Brasileiro. Ap\u00f3s o evento, passou a colaborar com diversos \u00f3rg\u00e3os da imprensa anarquista e sindical, e desde este momento passou a ser reconhecido como uma das principais lideran\u00e7as oper\u00e1rias.<\/p>\n<p>Durante a I Guerra Mundial, Astrojildo notabilizou-se por denunciar o car\u00e1ter imperialista do conflito, sustentando a neutralidade brasileira. Quando eclodiu a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, acompanhou as mat\u00e9rias reproduzidas pelas ag\u00eancias franco-inglesas \u2013 que chegavam \u00e0 Am\u00e9rica Latina atrav\u00e9s das ag\u00eancias de not\u00edcias de pa\u00edses envolvidos na Guerra. Nos notici\u00e1rios, os \u201cmaximalistas\u201d, como foram chamados os revolucion\u00e1rios russos, seriam tratados como agentes da espionagem alem\u00e3, como bandidos arruaceiros e, algumas vezes, como sonhadores ut\u00f3picos ou infantis. Por meio de investiga\u00e7\u00f5es e de an\u00e1lise cr\u00edtica, Astrojildo procurou esclarecer o que estava realmente ocorrendo na distante R\u00fassia \u2013governada pelo regime absolutista dos czares \u2013, pa\u00eds que, desde fevereiro de 1917, parecia oscilar entre uma situa\u00e7\u00e3o de caos, um regime liberal \u201cde tipo ocidental\u201d e <em>algo novo<\/em>.<\/p>\n<p>Em 1918, sob o pseud\u00f4nimo Alex Pavel, o at\u00e9 ent\u00e3o adepto do anarquismo escreveu uma s\u00e9rie de cartas \u00e0 imprensa dominante da \u00e9poca, em que questionava as premissas difundidas acerca do car\u00e1ter da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e de personagens como L\u00eanin. Ainda neste ano, com alguns camaradas anarquistas, liderou a tentativa de insurrei\u00e7\u00e3o armada de trabalhadores no Rio de Janeiro \u2013 sendo preso por alguns meses.<\/p>\n<p>Foi neste processo de evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional que L\u00eanin e os revolucion\u00e1rios marxistas passaram a se tornar a solu\u00e7\u00e3o para o impasse anarquista \u2013 e Astrojildo, como muitos libert\u00e1rios da \u00e9poca, logo viria a ser um fervoroso apoiador dos bolcheviques e da nova Internacional Comunista (IC).<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1919, ap\u00f3s uma greve geral e uma tentativa frustrada de criar um soviete, Astrojildo e seu grupo resolveram aceitar a convoca\u00e7\u00e3o feita pela rec\u00e9m-criada IC \u2013 e fundaram um ef\u00eamero Partido Comunista do Brasil. Os principais organizadores deste partido, al\u00e9m dele, foram: Jos\u00e9 Oiticica, Maria de Lourdes Nogueira, Oct\u00e1vio Brand\u00e3o e Edgard Leuenroth. Uma interessante caracter\u00edstica desta agremia\u00e7\u00e3o foi a de que seus l\u00edderes eram mais <em>anarquistas <\/em>do que propriamente <em>comunistas<\/em>. E o grupo logo se dividiu entre os que apoiavam a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e os que eram cr\u00edticos do processo.<\/p>\n<p>Conforme se agu\u00e7aram as interven\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias na R\u00fassia, bem como as contradi\u00e7\u00f5es entre as correntes que apoiavam a Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique, Astrojildo passou a liderar os grupos favor\u00e1veis \u00e0 R\u00fassia Sovi\u00e9tica, sobretudo por meio do jornal <em>Spartacus \u2013 <\/em>embora tenha mantido como objetivo a unidade do movimento sindical (que neste momento estava em refluxo). Em 1920, ajudou a organizar o III Congresso da <em>Confedera\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria Brasileira (COB)<\/em>, buscando trazer como modelo ao movimento sindical brasileiro a linha do sindicalismo estadunidense da <em>Industrial Workers of the World <\/em>(IWW) [<em>Trabalhadores Industriais do Mundo<\/em>], que era um exemplo de <em>frente \u00fanica <\/em>entre anarquistas e socialistas marxistas. Este esfor\u00e7o, por\u00e9m, n\u00e3o alcan\u00e7ou o resultado esperado.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina-1.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o doIII Congressoda IC e do contato que estabeleceu com um representante da Internacional, Astrojildo decidiu empenhar-se na forma\u00e7\u00e3o de um partido comunista. Em 7 de novembro de 1921 foi criado o Grupo Comunista do Rio de Janeiro\u2013 o qual estimularia a organiza\u00e7\u00e3o de outros coletivos.<\/p>\n<p>Pouco depois, em 25 de mar\u00e7o de 1922, foi fundado o Partido Comunista do Brasil (PCB), que se tornaria a Se\u00e7\u00e3o Brasileira da IC (sendo, na d\u00e9cada de 1960, renomeado Partido Comunista Brasileiro, devido a quest\u00f5es de registro legal). Contudo, em julho deste ano, o pa\u00eds passou a viver sob estado de s\u00edtio \u2013 o que duraria at\u00e9 dezembro de 1926 \u2013 e, com isto, o novo partido foi logo lan\u00e7ado \u00e0 ilegalidade.<\/p>\n<p>Com o Levante do Forte de Copacabana (julho de 1922), a insurrei\u00e7\u00e3o dos <em>tenentes <\/em>e sua breve tomada de poder em S\u00e3o Paulo (1924), Astrojildo percebeu que a conjuntura da \u00e9poca apontava para um colapso do regime pol\u00edtico nascido com a Rep\u00fablica. Isso levou a que ele e o Comit\u00ea Central do PCB buscassem alian\u00e7as com a juventude militar rebelada \u2013 setor da pequena burguesia brasileira que representava e impulsionava certas demandas democr\u00e1ticas. Para tanto, Astrojildo foi at\u00e9 a Bol\u00edvia (em 1927) encontrar-se com Luiz Carlos Prestes e prop\u00f4s ao comandante tenentista a composi\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a pol\u00edtica; na ocasi\u00e3o, o <em>Cavaleiro da Esperan\u00e7a <\/em>e outros militares insurretos leram e discutiram os materiais e livros trazidos pelo comunista.<\/p>\n<p>J\u00e1 sob orienta\u00e7\u00e3o da III Internacional, o objetivo do PCB era a constru\u00e7\u00e3o de um Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas (BOC), com vistas a formar uma frente que permitisse alian\u00e7as com a pequena burguesia e as demais camadas m\u00e9dias contra o imperialismo ingl\u00eas e as oligarquias agr\u00e1rias \u2013 rompendo o isolamento t\u00edpico da matriz anarquista que se concentrava no sindicalismo.<\/p>\n<p>Em 1928, Astrojildo Pereira foi eleito membro do Comit\u00ea Executivo da Internacional Comunista (CEIC). \u00c0s v\u00e9speras da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, o PCB e seu n\u00facleo dirigente sofreram uma interven\u00e7\u00e3o da IC, que acusou Astrojildo e O. Brand\u00e3o de exercerem uma dire\u00e7\u00e3o pequeno-burguesa \u2013 um desvio <em>direitista <\/em>e <em>menchevique <\/em>\u2013, devido \u00e0 defesa que faziam das possibilidades de alian\u00e7as com os tenentes e por propagarem a tese conhecida como \u201cIndustrialismo versus agrarismo\u201d (que serviu de base para as teses do III Congresso do PCB, em 1927). Ambos seriam, ent\u00e3o, afastados e o Partido passaria a priorizar a presen\u00e7a de membros de origem oper\u00e1ria em sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste \u00ednterim, em 1931, Astrojildo se casou com In\u00eas Dias, companheira com quem permaneceria por toda a vida.\u00a0Apartado da milit\u00e2ncia partid\u00e1ria, passou a se dedicar aos neg\u00f3cios herdados do pai, em Rio Bonito-RJ. Posteriormente, retornaria ao partido de forma mais discreta, colaborando como cr\u00edtico liter\u00e1rio em jornais e revistas.<\/p>\n<p>Em 1939, sob o patroc\u00ednio do Minist\u00e9rio da Cultura, organizou-se um evento em comemora\u00e7\u00e3o aos 100 anos de Machado de Assis, cuja \u00eanfase estava em transform\u00e1-lo, acriticamente, numa unanimidade nacional. Contra todo o ufanismo expresso pela ditadura de Vargas, a <em>Revista do Brasil<\/em>, dirigida por Ot\u00e1vio Tarqu\u00ednio de Sousa, editou um n\u00famero especial em que retratou <em>criticamente<\/em> Machado de Assis. Al\u00e9m do pr\u00f3prio editor, participaram desta edi\u00e7\u00e3o intelectuais como Graciliano Ramos, L\u00facia Miguel Pereira, Augusto Mayer, Trist\u00e3o de Ata\u00edde e Astrojildo Pereira \u2013 que apresentou o ensaio \u201cMachado de Assis, romancista do Segundo Reinado\u201d. Na publica\u00e7\u00e3o, todos destacaram um Machado ao mesmo tempo brasileiro e universal.<\/p>\n<p>O fim da II Guerra e a desagrega\u00e7\u00e3o da ditadura do Estado Novo trouxeram um novo ambiente democr\u00e1tico para a sociedade brasileira. Em 1945, Astrojildo escreveu uma carta ao PCB em forma de autocr\u00edtica, solicitando seu reingresso ao Partido; atendido em seu pedido, saiu candidato a vereador, obtendo apoios importantes, como o de Graciliano Ramos e Otto Maria Carpeaux. No entanto, n\u00e3o obteve votos suficientes para se eleger intendente.<\/p>\n<p>Em 1946, foi eleito suplente do Comit\u00ea Central do PCB e, a partir da\u00ed, passou a se empenhar na atividade da an\u00e1lise pol\u00edtica e liter\u00e1ria. Tornou-se ent\u00e3o respons\u00e1vel pela revista <em>Literatura <\/em>(que circulou entre 1946 e 1948, no Rio de Janeiro) \u2013 a qual, dedicada aos estudos liter\u00e1rios, promovia tamb\u00e9m debates pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Dos anos 1950 at\u00e9 o fim da vida, Astrojildo Pereira se voltou \u00e0 escrita, bem como a participar de confer\u00eancias e ministrar palestras. Foi nesta \u00faltima fase, j\u00e1 consagrado como te\u00f3rico, que ele passou a desempenhar um papel ativo na pol\u00edtica cultural, junto \u00e0 intelectualidade nacional. Animado pelo clima desenvolvimentista que se abria \u2013 com os governos G. Vargas (1951-1954) e J. Kubitschek (1956-1961) \u2013, Astrojildo viria a discutir temas como democracia, est\u00e9tica, artes, psican\u00e1lise, socialismo e a realidade do Brasil, entre outros. Muitos destes textos foram publicados na <em>Revista Estudos Sociais<\/em>, que se tornaria um verdadeiro espa\u00e7o de <em>frente \u00fanica<\/em> \u2013 ambiente prop\u00edcio para a germina\u00e7\u00e3o do pensamento cr\u00edtico e reflex\u00f5es sobre o desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p>Com o golpe militar de 1964, o marxista foi preso e sua biblioteca saqueada pela pol\u00edcia. A gravidade da situa\u00e7\u00e3o acabaria por resultar em uma campanha nacional e internacional por sua liberdade e pelo resgate de seus livros. Cabe aqui mencionar que todas as publica\u00e7\u00f5es socialistas ou mesmo progressistas sofreram dura censura neste per\u00edodo (inclusive a <em>Revista Estudos Sociais<\/em>,com a qual colaborava).<\/p>\n<p>Alguns meses depois, Astrojildo Pereira foi posto em liberdade; curiosamente, sua devo\u00e7\u00e3o por Machado de Assis foi utilizada como argumento para a soltura. Por\u00e9m, com seu estado de sa\u00fade j\u00e1 bastante fragilizado pela pris\u00e3o, morreu em 20 de novembro de 1965. No seu enterro, realizou-se um ato de grandes propor\u00e7\u00f5es, que contou com a presen\u00e7a de centenas de personalidades pol\u00edticas e liter\u00e1rias. Em seguida, o\u00a0precioso acervo pessoal de sua biblioteca \u2013 com documenta\u00e7\u00e3o e iconografia\u00a0de grande valor para a hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio brasileiro \u2013 foi transferido secretamente para o <em>Instituto Feltrinelli<\/em>, em Mil\u00e3o (It\u00e1lia), sendo devolvido ao pa\u00eds somente com o fim da ditadura.<\/p>\n<h3><strong>2 \u2013 Contribui\u00e7\u00f5es ao marxismo<\/strong><\/h3>\n<p>Astrojildo Pereira teve uma vida intensa e de paix\u00f5es prof\u00edcuas: desde jovem se dedicou \u00e0 causa dos trabalhadores, primeiro como anarquista e depois como organizador partid\u00e1rio e firme militante comunista \u2013 vindo a ter uma grande dimens\u00e3o pol\u00edtica para a classe trabalhadora brasileira de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Estudioso autodidata, foi ensa\u00edsta, pesquisador das culturas e das artes, cr\u00edtico liter\u00e1rio, cientista pol\u00edtico, jornalista e, acima de tudo, um engajado revolucion\u00e1rio. Pouco afeito a sectarismos, foi um pensador marxista intelectualmente amplo. Sua consistente forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pol\u00edtica reverberou em sua obra: buscou amplas fontes para entender o Brasil e o mundo, como o demonstra, por exemplo, sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s primeiras formula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas marxistas da realidade nacional (quando na dire\u00e7\u00e3o do PCB), e sua original pesquisa sobre a obra machadiana. Dedicou-se intensamente \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o do pensamento comunista, escrevendo textos em que trata de temas como a Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica, a teoria marxista, a realidade brasileira e a constru\u00e7\u00e3o do PCB.<\/p>\n<p>Ainda mo\u00e7o, apaixonou-se pela literatura de Machado de Assis e veio a ser um dos mais importantes conhecedores e cr\u00edticos da obra do \u201cbruxo do Cosme Velho\u201d (como o escritor era conhecido). A este respeito, Euclides da Cunha, em \u201cA \u00faltima visita\u201d (1908), narra a visita de um desconhecido ao leito de morte de Machado: o rapaz entra no quarto do mestre, beija sua m\u00e3o e sai, silenciosamente, como entrou; este gesto foi sintetizado pelo cronista como um momento memor\u00e1vel no qual o \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d do jovem \u201cbateu sozinho pela alma de uma nacionalidade\u201d. Vinte anos depois, soube-se que aquele homem era Astrojildo Pereira.<\/p>\n<p>Em sua correspond\u00eancia escrita entre 1917 e 1918, Astrojildo analisou a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e seus l\u00edderes, desenvolvendo uma argumenta\u00e7\u00e3o cuja consist\u00eancia destoa dos artigos publicados na imprensa dominante da \u00e9poca, os quais eram meras reprodu\u00e7\u00f5es das not\u00edcias de ag\u00eancias anglo-francesas. Nessa s\u00e9rie de textos, que est\u00e3o entre as primeiras interpreta\u00e7\u00f5es brasileiras da Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique, ele exp\u00f4s as mentiras e incoer\u00eancias afirmadas por estes meios conservadores sobre a R\u00fassia e sobre L\u00eanin, afirmando que os russos estavam levando a cabo uma \u201cverdadeira revolu\u00e7\u00e3o\u201d, na qual se dava uma efetiva \u201ctransforma\u00e7\u00e3o violenta e radical de sistemas, de m\u00e9todos e de organismos sociais\u201d. No entanto, somente o <em>Jornal do Brasil<\/em> publicou uma \u00fanica de suas cartas. O autor resolveu ent\u00e3o reuni-las em uma pequena brochura, publicando-as por conta pr\u00f3pria e difundindo-as no meio oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo de 1922 a 1930, o n\u00facleo dirigente do PCB, composto por Astrojildo, Oct\u00e1vio Brand\u00e3o e Paulo Lacerda, dedicou-se a difundir no\u00e7\u00f5es do marxismo-leninismo para a classe trabalhadora brasileira: fundaram editoras, jornais, revistas, traduziram e publicaram obras ainda in\u00e9ditas de Marx, Engels e L\u00eanin, al\u00e9m de materiais da IC.<\/p>\n<p>Ao longo da d\u00e9cada de 1920, Astrojildo, Brand\u00e3o e Lacerda elaboraram uma das primeiras interpreta\u00e7\u00f5es marxistas das particularidades da forma\u00e7\u00e3o social brasileira. Com base no livro <em>Agrarismo e industrialismo <\/em>(1926) \u2013 escrito por Brand\u00e3o, com colabora\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do PCB \u2013, Astrojildo, ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral do Partido, redigiu um relat\u00f3rio sobre a situa\u00e7\u00e3o brasileira, o qual seria enviado ao Secretariado Sul-Americano da IC e publicado na revista <em>Correspond\u00eancia Internacional <\/em>(1928), servindo de tese para o III Congressodo PCB (1929). A ideia exposta na obra assinada por Brand\u00e3o afirmava que as classes dominantes no Brasil estavam divididas entre uma fac\u00e7\u00e3o agrarista (ligada ao capital ingl\u00eas) e outra industrialista (relacionada ao capital estadunidense). Embora o texto traga uma importante reflex\u00e3o \u2013 sustentada por dados consistentes, em um esfor\u00e7o por aprofundar as particularidades brasileiras \u2013, o faz de forma ainda esquem\u00e1tica, o que serviria para sustentar ilus\u00f5es acerca do papel transformador de setores das classes dominantes brasileiras. De acordo com a avalia\u00e7\u00e3o dos dirigentes do PCB, a monocultura do caf\u00e9 entraria em colapso, o que provocaria novas rebeli\u00f5es, como a do movimento tenentista (em 1928); com isto, os rebeldes tenderiam a se dividir, aliando-se ou com a burguesia industrial nascente ou com o novo movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Astrojildo e o Comit\u00ea Central do PCB visavam ao crescimento do Partido como protagonista social \u2013 e com efeito obtiveram apoios na sociedade em ebuli\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. Sua estrat\u00e9gia era a de organizar um movimento prolet\u00e1rio mais aut\u00f4nomo, com maior participa\u00e7\u00e3o no processo hist\u00f3rico, o que possibilitaria realizar uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa soberana e radical \u2013 em uma evolu\u00e7\u00e3o de acontecimentos que faria com que as classes m\u00e9dias, por sua vez, rompessem com o latif\u00fandio e o imperialismo. Contudo, caso o movimento n\u00e3o lograsse alcan\u00e7ar seus objetivos, o desenrolar dos eventos poderia conduzir a uma transi\u00e7\u00e3o \u201cpor cima\u201d, em que as camadas m\u00e9dias se aliariam com a burguesia e as oligarquias agr\u00e1rias \u2013 constituindo um regime antipopular (o que, afinal, acabaria ocorrendo, no Estado Novo de Get\u00falio Vargas).<\/p>\n<p>Entretanto, a inexperi\u00eancia dos jovens fundadores do PCB os levaria \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de que a rebeli\u00e3o da pequena burguesia (o movimento tenentista) significava uma radicaliza\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria; enquanto, por outro lado, a IC debatia as complica\u00e7\u00f5es a que poderiam levar tais cren\u00e7as na pequena burguesia e nas ditas \u201cburguesias nacionais\u201d \u2013 apontando como exemplo as alian\u00e7as malogradas em pa\u00edses como a China do <em>Kuomintang<\/em> de Chiang Kai-shek e o governo p\u00f3s-revolucion\u00e1rio de Plutarco El\u00edas Calles, no M\u00e9xico (nas quais os comunistas seriam perseguidos). Neste embate, em 1930, Astrojildo e Brand\u00e3o \u2013 os principais dirigentes do PCB \u2013 foram afastados, sendo acusados de representar um \u201cdesvio pequeno-burgu\u00eas\u201d.<\/p>\n<p>Afastado da dire\u00e7\u00e3o do Partido, Astrojildo passou ent\u00e3o a atuar intensamente como jornalista e cr\u00edtico liter\u00e1rio, escrevendo para diversos ve\u00edculos. Nestes textos, destaca-se seu empenho para a difus\u00e3o do marxismo, inserindo este pensamento \u2013 que defendeu como ferramenta pol\u00edtica e te\u00f3rica necess\u00e1ria para a compreens\u00e3o da realidade \u2013 nos debates da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Astrojildo, em suma, sonhou um Brasil alfabetizado, desenvolvido, soberano e socialista \u2013 e lutou toda sua vida por este ideal.<\/p>\n<h3><strong>3 \u2013 Coment\u00e1rio sobre a obra<\/strong><\/h3>\n<p>Astrojildo Pereira escreveu diversos artigos e livros nos quais tratou de quest\u00f5es te\u00f3ricas de seu tempo \u2013 analisando problemas do Brasil, em uma perspectiva revolucion\u00e1ria \u2013, al\u00e9m de se dedicar \u00e0 cr\u00edtica liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Sua primeira importante contribui\u00e7\u00e3o ao debate pol\u00edtico foi o livreto <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Russa e a imprensa <\/em>(S.l.: s.n., 1918), escrito entre o fim de novembro de 1917 (um m\u00eas ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro) e fevereiro de 1918, assinado com o pseud\u00f4nimo Alex Pavel, em que o ainda anarquista procurou interpretar os acontecimentos da Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique. Neste pequeno texto, ele utilizou como instrumento de investiga\u00e7\u00e3o a an\u00e1lise cr\u00edtica de todos os dados a que teve acesso, explicando o significado da dire\u00e7\u00e3o de L\u00eanin, o que era o Partido Bolchevique e como se dera a constru\u00e7\u00e3o do primeiro Estado dirigido pela classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Entre 1919 e 1930, Astrojildo produziu v\u00e1rios artigos em defesa da Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica, al\u00e9m de textos voltados \u00e0 difus\u00e3o popular do marxismo e sobre a funda\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do PCB. Isto foi registrado em documentos partid\u00e1rios e em artigos publicados em peri\u00f3dicos brasileiros (principalmente <em>A Classe Oper\u00e1ria<\/em>, em 1925), bem como na revista te\u00f3rica da IC (<em>La Correspond\u00eancia Sudamericana<\/em>, entre 1926 e 1930). Estes escritos foram mais tarde reunidos no livro <em>Construindo o PCB: 1922-1924<\/em> (1962), em que trata de temas como a legalidade do PCB e a liberdade pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p>Tais discuss\u00f5es se mostram tamb\u00e9m nos debates sobre a forma\u00e7\u00e3o do Brasil e a conjuntura da d\u00e9cada de 1920, registradas no livro de O. Brand\u00e3o, <em>Agrarismo e industrialismo<\/em> (1926) \u2013 o qual apresenta a interpreta\u00e7\u00e3o da realidade nacional realizada pelos ent\u00e3o dirigentes do PCB (contidas nas teses para oII e III Congressos do Partido).<\/p>\n<p>Em <em>URSS-It\u00e1lia-Brasil<\/em> (Rio de Janeiro: Editora Alba, 1935), livro que se considera sua obra de estreia, Astrojildo re\u00fane textos escritos elaborados entre 1929 e 1934. Cabe aqui ressaltar que, em 1930, Astrojildo e Oct\u00e1vio Brand\u00e3o estavam em Moscou e sofreram duras cr\u00edticas pela alian\u00e7a do PCB com os <em>tenentistas<\/em> (tendo sido vistos como \u201cpequena burguesia revolucion\u00e1ria\u201d). A publica\u00e7\u00e3o est\u00e1 dividida em tr\u00eas partes.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 sobre a URSS, reunindo cartas que o autor escreveu quando morava ali (a maioria de 1929) e artigos que redigiu no per\u00edodo de 1931 a 1933, quando j\u00e1 n\u00e3o mais pertencia \u00e0s fileiras do Partido. Nesta parte, aborda quest\u00f5es da economia e da luta de classes.<\/p>\n<p>Na segunda parte do livro, ele trata da It\u00e1lia fascista. Mostra como os fascistas tentaram se impor como uma terceira via, pretensamente nem capitalista nem socialista, projeto fadado ao fracasso. Denuncia as diretrizes e a incoer\u00eancia pr\u00f3pria do fascismo, acompanhando o entendimento da IC de que o fascismo \u00e9 a \u201cexpress\u00e3o pol\u00edtica\u201d de uma \u201cditadura direta\u201d \u2013 ideologia demag\u00f3gica que se disfar\u00e7a sob um discurso pretensamente \u201cnacional\u201d, sendo seu objetivo primordial o de esmagar pelo terror o movimento revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora, em especial sua vanguarda comunista. E demonstra ainda o fracasso da economia fascista, apresentando seu Estado como regressista e parasit\u00e1rio \u2013 como a parte mais agressiva do capital.<\/p>\n<p>A terceira e \u00faltima parte abarca seus artigos sobre o Brasil: \u201cManifesto da contrarrevolu\u00e7\u00e3o\u201d, de 1931, e \u201cCampo de batalha\u201d, escrito entre 1933 e 1934. No primeiro, aborda o perigo das Legi\u00f5es \u2013 principalmente a paulista, que reivindicava naquele momento uma \u201cbrasilidade\u201d \u2013, mostrando a aproxima\u00e7\u00e3o deste grupo com Pl\u00ednio Salgado Filho, adepto de ideias fascistas. J\u00e1 no \u00faltimo dos escritos, Astrojildo analisa o Brasil p\u00f3s-1930, retratando-o como um pa\u00eds economicamente dependente do imperialismo; explica tamb\u00e9m o conflito entre as grandes pot\u00eancias por uma nova divis\u00e3o do mundo, afirmando que essa luta levaria a uma guerra mundial \u2013 como, de fato, aconteceu (e vale notar que este texto, elaborado nos anos 1930, tem ainda bastante atualidade).<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada seguinte, publica <em>Interpreta\u00e7\u00f5es<\/em> (Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil, 1944). A obra est\u00e1 dividida em tr\u00eas partes: \u201cRomances brasileiros\u201d; \u201cHist\u00f3ria pol\u00edtica e social\u201d e \u201cGuerra ap\u00f3s guerra\u201d. A primeira das partes cont\u00e9m ensaios inovadores, introduzindo a literatura em torno da constru\u00e7\u00e3o de uma ideia de na\u00e7\u00e3o; aqui encontramos novamente o \u201cMachado de Assis, romancista do Segundo Reinado\u201d (1939), ensaio que abre a obra. Noutro ensaio \u2013 \u201cRomancistas da cidade: Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, Rui Barbosa, Joaquim Manuel de Macedo e Lima Barreto\u201d \u2013, analisa estes autores e suas obras a partir da transforma\u00e7\u00e3o do ambiente da cidade do Rio de Janeiro e do pa\u00eds como um todo; ao interpretar o processo de mudan\u00e7as de h\u00e1bitos e costumes, mantendo como fio condutor os pr\u00f3prios autores e seus escritos, ele observa a passagem da sociedade estamental \u00e0 sociedade burguesa. J\u00e1 em \u201cEspelho da fam\u00edlia burguesa\u201d, o autor comenta o romance <em>Vertigem<\/em>, do romancista Gast\u00e3o Cruls (1888-1956); no ensaio, Astrojildo destaca como Cruls, na arquitetura de seu romance, descreve os \u201ctipos da fam\u00edlia burguesa\u201d, qual uma esp\u00e9cie de psicologia de classe \u2013 a \u201cpsicologia da gente burguesa de qualquer pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>A segunda parte de <em>Interpreta\u00e7\u00f5es<\/em> \u2013 \u201cHist\u00f3ria e pol\u00edtica social\u201d \u2013 re\u00fane textos como: um coment\u00e1rio ao livro <em>Popula\u00e7\u00f5es meridionais do Brasil <\/em>(1922), de Oliveira Viana; \u201cRui Barbosa e a escravid\u00e3o\u201d (1944); e \u201cUma biografia do Padre Feij\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a terceira e \u00faltima parte da obra \u2013 \u201cGuerra ap\u00f3s guerra\u201d \u2013 destaca-se pelos escritos: \u201cA guerra, a B\u00edblia e Hitler\u201d; e \u201cPosi\u00e7\u00e3o e tarefas da intelig\u00eancia\u201d (de 1944). Vale destacar este \u00faltimo artigo, em que o marxista explica que o processo de abertura em dire\u00e7\u00e3o a um regime com mais espa\u00e7os democr\u00e1ticos no Brasil n\u00e3o poderia ficar restrito a aspectos pol\u00edticos, mas deveria abarcar tamb\u00e9m a economia, a sociedade e a cultura; neste sentido, aponta para o fim do analfabetismo e amplia\u00e7\u00e3o de escolas e universidades, buscando construir uma pol\u00edtica ampla que alcan\u00e7asse todos os setores da sociedade e rompesse com a pesada heran\u00e7a escravagista e olig\u00e1rquica. Com an\u00e1lise aprofundada e ampla, este texto, que mant\u00e9m sua atualidade, viria a se estabelecer como um c\u00e2none, vindo a ter import\u00e2ncia na a\u00e7\u00e3o alfabetizadora de Paulo Freire, nos trabalhos dos teatros paulistas Oficina e de Arena, e no movimento Cinema Novo brasileiro.<\/p>\n<p>Vale, ainda, apresentar o livro <em>Machado de Assis<\/em> (Rio de Janeiro: Livraria e Editora S\u00e3o Jos\u00e9, 1959). Na obra, Astrojildo foge do dogma art\u00edstico do \u201crealismo socialista\u201d, que exigia que a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica expressasse uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica prolet\u00e1ria <em>a priori<\/em> \u2013 com um posicionamento expl\u00edcito. Assim, apresenta-nos um Machado bem distinto da leitura que faziam dele na \u00e9poca: absente\u00edsta, estrangeirado na pol\u00edtica e na sociedade, favor\u00e1vel ao abolicionismo e cr\u00edtico contumaz da sociedade. Destaca tamb\u00e9m a ascens\u00e3o de Machado por meio do trabalho: um homem que, de origem pobre, nascido no morro, de oper\u00e1rio se tornaria um dos maiores escritores brasileiros. Para Astrojildo, Machado, ao exaltar as coisas brasileiras, nacionais, ofereceu aos escritores do pa\u00eds uma ideia de <em>pol\u00edtica cultural <\/em>\u2013 sintetizada em sua abordagem cr\u00edtica, diversificada e que quebra a ideia de que a literatura seria circunscrita ao entretenimento.<\/p>\n<p>Em 1962, na ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es dos 40 anos do PCB, Astrojildo reuniu importantes textos seus \u2013 que integram parte da bibliografia fundamental dos primeiros anos do Partido \u2013, publicados como <em>Forma\u00e7\u00e3o do PCB: 1922-1928<\/em>.<\/p>\n<p>No ano seguinte, veio \u00e0 luz <em>Cr\u00edtica impura<\/em> (Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1963), livro que tem um t\u00edtulo emblem\u00e1tico. Nele, Astrojildo parte do princ\u00edpio de que o trabalho do escritor exige tomar partido; se n\u00e3o pode existir uma \u201cliteratura pura\u201d, tampouco h\u00e1 uma \u201ccr\u00edtica pura\u201d. Os adeptos da <em>cr\u00edtica impura<\/em> n\u00e3o acreditam na \u201carte pela arte\u201d \u2013 ou seja, uma arte superficial, que desconsidere quest\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas. Tratava-se de uma resposta \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de <em>Cr\u00edtica pura <\/em>(1938), de Henrique Ab\u00edlio. A obra est\u00e1 dividida em tr\u00eas partes. A primeira, \u201cEnsaios e notas de leitura\u201d, re\u00fane artigos sobre E\u00e7a de Queiroz, Lima Barreto, Jos\u00e9 Lins do Rego, Machado de Assis, Monteiro Lobato e Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, entre outros, incluindo tamb\u00e9m texto sobre o movimento sindical no Brasil. A segunda parte, \u201cTestemunhos sobre a nova China\u201d, cont\u00e9m ensaios como: \u201cChina de hoje\u201d, \u201cChina sem muralhas\u201d, \u201cViagens ao planeta China\u201d, \u201cA nova China\u201d, e \u201cFlor de Loto\u201d. A terceira parte, \u201cCultura e sociedade\u201d, re\u00fane v\u00e1rios escritos que dizem respeito a quest\u00f5es que se colocavam \u00e0 \u00e9poca (e continuam atuais), tais como: \u201cPoesia e sociedade\u201d; \u201cBicenten\u00e1rio da <em>Enciclop\u00e9dia<\/em> francesa\u201d; e \u201cCi\u00eancia e sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Postumamente, reunindo artigos de sua autoria \u2013 elaborados e j\u00e1 publicados em distintas \u00e9pocas de sua vida \u2013 foi editado <em>Ensaios hist\u00f3ricos e pol\u00edticos<\/em> (S\u00e3o Paulo: Alfa-\u00d4mega, 1979), livro que conta com apresenta\u00e7\u00e3o de Heitor Ferreira Lima e re\u00fane cinco ensaios: \u201cForma\u00e7\u00e3o do PCB\u201d (reedi\u00e7\u00e3o da obra de 1962); \u201cSociologia e apolog\u00e9tica\u201d (1929), \u201cRui Barbosa e a escravid\u00e3o\u201d (1944); \u201cManifesto da contrarrevolu\u00e7\u00e3o\u201d (1931); e \u201cCampo de batalha\u201d (1933-1934).<\/p>\n<p>Na rede, sua obra pode ser lida em portais como: <em>Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Mem\u00f3ria da UNESP <\/em>(www.cedem.unesp.br); e <em>Marxismo 21 <\/em>(https:\/\/marxismo21.org).<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Bibliografia de refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>ARIAS, Santiane. \u201cAstrojildo Pereira e a <em>Revista Estudos Sociais<\/em>\u201d. <em>Revista Novos Rumos<\/em>, n. 44, 2005.<\/p>\n<p>BELOCH, Israel. \u201cAstrojildo Pereira\u201d. <em>Marxismo 21<\/em>. Disp: https:\/\/marxismo21.org.<\/p>\n<p>BUONICORE, Augusto. \u201cAgrarismo e industrialismo: o primeiro encontro do marxismo com o Brasil\u201d. <em>Vermelho<\/em>, jun. 2006. Disp.: https:\/\/vermelho.org.br.<\/p>\n<p>COTRIM, Renata Aparecida. <em>Mem\u00f3ria militante: a atua\u00e7\u00e3o das redes de preserva\u00e7\u00e3o documental na salvaguarda dos arquivos das classes subalternas<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria), Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, S. Paulo, 2022.<\/p>\n<p>DEL ROIO, Marcos. \u201cA trajet\u00f3ria de Astrojildo Pereira (1890-1965)\u201d. <em>Marxismo 21<\/em>, 2015. Disp: https:\/\/marxismo21.org.<\/p>\n<p>______. \u201cAstrojildo Pereira: fundador do marxismo no Brasil\u201d. <em>Marxismo 21<\/em>, 2012.Disp: https:\/\/marxismo21.org.<\/p>\n<p>DEVEZA, Felipe. \u201cAstrojildo Pereira e a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917\u201d. <em>Revista Converg\u00eancia Cr\u00edtica<\/em>, n. 10, 2017.<\/p>\n<p>FEIJ\u00d3, Martin Cezar. <em>Um revolucion\u00e1rio cordial<\/em>:<em> Astrojildo Pereira e as origens de uma pol\u00edtica cultural<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2022.<\/p>\n<p>OLIVEIRA, Ilka Maria de. \u201cAstrojildo Pereira nos bastidores da Hist\u00f3ria Liter\u00e1ria\u201d. <em>Letras de Hoje<\/em>, v. 30, n. 3,2013. Disp: https:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br.<\/p>\n<p>RIDENTI, Marcelo. \u201cAstrojildo Pereira\u201d. <em>Margem Esquerda, <\/em>n. 39, 2022. Disp.: https:\/\/aterraeredonda.com.br.<\/p>\n<p>VIANNA, Mary de A. G. \u201cAstrojildo Pereira, um revolucion\u00e1rio\u201d. Em: PEREIRA, Astrojildo<em>. URSS-It\u00e1lia-Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2022.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>Com colabora\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de texto de Yuri Martins-Fontes, Joana A. Coutinho e V\u00e2nia Noeli Ferreira de Assun\u00e7\u00e3o, este artigo foi originalmente publicado no portal do <em>N\u00facleo Pr\u00e1xis-USP<\/em>, sendo um dos verbetes do <em>Dicion\u00e1rio marxismo na Am\u00e9rica<\/em>; permite-se sua reprodu\u00e7\u00e3o, sem fins comerciais, desde que citada a fonte (nucleopraxisusp.org) e que seu conte\u00fado n\u00e3o seja alterado. Sugest\u00f5es e cr\u00edticas s\u00e3o bem-vindas: nucleopraxis.usp.br@gmail.com.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Astrojildo Pereira e as sementes do marxismo no Brasil appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/economia-digital-na-encruzilhada\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/260320-OMC-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Economia digital na encruzilhada<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rs-registra-queda-brusca-na-alfabetizacao-apos-enchentes-e-brasil-nao-atinge-meta\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">RS registra queda brusca na alfabetiza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s enc...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/inss-devolve-r-129-bilhao-a-aposentados-e-pensionistas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">INSS devolve R$ 1,29 bilh\u00e3o a aposentados e pensio...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/brasil-endossa-neutralidade-do-canal-e-amplia-negocios-com-panama\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Presidente-da-Republica-Luiz-Inacio-Lula-da-Silva-durante-reuniao-bilateral-com-o-Presidente-da-Republica-do-Panama-Jose-Raul-Mulino-Palacio-do-Planalto-Brasilia-DF-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Brasil endossa neutralidade do Canal e amplia neg\u00f3...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autodidata, cr\u00edtico liter\u00e1rio e int\u00e9rprete de Machado de Assis, foi um dos primeiros brasileiros a analisar a Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique. Come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria no anarquismo. Depois tornou-se principal articulador pol\u00edtico e fundador do Partido Comunista Brasileiro<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/astrojildo-pereira-e-as-sementes-do-marxismo-no-brasil\/\">Astrojildo Pereira e as sementes do marxismo no Brasil<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":95835,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[347,73214,19533,75273,1311,42741,75274,5488,1115,3027,1628,52002,3172,4524,1664,31157,75275,4170,3165,75276],"tags":[],"class_list":["post-95834","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-analise-literaria","category-analise-politica","category-astrojildo-pereia-duarte-silva","category-comunismo","category-golpe-militar-de-1964","category-grafico","category-historia-e-memoria","category-imperialismo","category-jornalista","category-luiz-carlos-prestes","category-militancia-politica","category-ministerio-da-cultura","category-partido-comunista-do-brasil","category-pcb","category-pensamento-critico","category-regime-politico","category-revolucao-russa","category-revolucionario","category-revolucionarios-marxistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95834\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95835"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}