{"id":96666,"date":"2026-07-21T16:47:00","date_gmt":"2026-07-21T19:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-lulismo-diante-da-crise-das-democracias-liberais\/"},"modified":"2026-07-21T16:47:00","modified_gmt":"2026-07-21T19:47:00","slug":"o-lulismo-diante-da-crise-das-democracias-liberais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-lulismo-diante-da-crise-das-democracias-liberais\/","title":{"rendered":"O lulismo diante da crise das democracias liberais"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"971\" height=\"648\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5116261401046486161_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5116261401046486161_y.jpg 971w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5116261401046486161_y-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5116261401046486161_y-768x513.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5116261401046486161_y-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 971px) 100vw, 971px\"><figcaption>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Seja Relevante<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os bons debates servem tanto para revermos nossas posi\u00e7\u00f5es iniciais como para buscarmos melhor fundamentar nossas ideias. Confesso que, em se tratando de explica\u00e7\u00f5es para o fortalecimento da extrema direita no Brasil, tendo a ratificar minha posi\u00e7\u00e3o inicial. Qual seja, que a ascens\u00e3o do bolsonarismo deve-se menos \u00e0 for\u00e7a reativa das elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas do Pa\u00eds do que ao fracasso do reformismo institucionalista dos governos petistas.<\/p>\n<p>Como afirmei em texto anterior, reconhe\u00e7o as capacidades reativas das elites brasileiras contra toda e qualquer tentativa de mudan\u00e7a do <em>status quo<\/em>. Afinal, os n\u00edveis escandalosos e obscenos de concentra\u00e7\u00e3o de renda que espoliam o nosso presente e hipotecam o nosso futuro s\u00e3o o resultado de um determinado projeto de pa\u00eds. No entanto, \u00e9 ineg\u00e1vel que as for\u00e7as conservadoras proliferam nas frustra\u00e7\u00f5es sociais geradas pela decad\u00eancia das democracias liberais em concomit\u00e2ncia com o reordenamento das for\u00e7as produtivas capitalistas. Compreender o contexto de produ\u00e7\u00e3o dessas insatisfa\u00e7\u00f5es bem como o modo como elas s\u00e3o operacionalizadas politicamente pode apontar para respostas mais consistentes acerca dos atuais conflitos que vivemos em nossa sociedade.<\/p>\n<h3><strong>A malograda tentativa de ruptura<\/strong><\/h3>\n<p>Como, geralmente, os esclarecimentos devem-se mais \u00e0 falta de clareza do locutor do que \u00e0 incapacidade de compreens\u00e3o do interlocutor, gostaria de retomar meu argumento central acerca da Nova Matriz Econ\u00f4mica da Presidenta Dilma Rousseff (2011-2016). A esse respeito, reafirmo que a tentativa de ruptura com o padr\u00e3o rentista de acumula\u00e7\u00e3o de capitais estava correta em seu objetivo. Entretanto, a pol\u00edtica econ\u00f4mica daquele per\u00edodo falhava em sua premissa inicial. Para reindustrializar o Pa\u00eds era necess\u00e1rio o fortalecimento do mercado interno, de modo que, com a expans\u00e3o da demanda agregada, tanto os investimentos p\u00fablicos como os privados aumentassem nossa capacidade produtiva e possibilitassem a sistematiza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de redistribui\u00e7\u00e3o de renda. De fato, o problema da Nova Matriz n\u00e3o foi o n\u00edvel estabelecido para a Selic. O que erodia sua base de sustenta\u00e7\u00e3o era a insist\u00eancia obtusa em tentar expandir a riqueza nacional a partir de um injustificado aumento da oferta. Ora, a oferta s\u00f3 pode aumentar quando h\u00e1 demanda suficiente para justificar investimentos, e esse n\u00e3o era o cen\u00e1rio daquela \u00e9poca. Nesse sentido, Dilma e Guido Mantega estavam muito mais para Friedrich Hayek e Milton Friedman do que para Concei\u00e7\u00e3o Tavares e Celso Furtado.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/14--30.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/14--30.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A import\u00e2ncia do reconhecimento desse equ\u00edvoco n\u00e3o se restringe a um debate t\u00e9cnico. As principais diretrizes econ\u00f4micas de um governo retratam compromissos, embates e media\u00e7\u00f5es t\u00edpicos da arena pol\u00edtica. \u00c9 a partir de decis\u00f5es concernentes ao or\u00e7amento p\u00fablico e \u00e0s principais vari\u00e1veis macroecon\u00f4micas que um governo d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de seu projeto pol\u00edtico. \u00c9 nos meandros da pol\u00edtica econ\u00f4mica e nas nuances or\u00e7ament\u00e1rias que a influ\u00eancia de determinados atores pol\u00edticos pode ser mensurada e desvelada. Afirmar que a tentativa de ruptura gerou uma rea\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas reconhecer a ess\u00eancia conflituosa da pol\u00edtica, mas n\u00e3o explicar, consistentemente, como a concilia\u00e7\u00e3o e os equ\u00edvocos do pr\u00f3prio campo progressista corroboraram o fortalecimento do populismo reacion\u00e1rio.<\/p>\n<h3><strong>A elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2018<\/strong><\/h3>\n<p>Como novos elementos foram trazidos a esse debate, permito-me estender minha linha de racioc\u00ednio com alguns outros argumentos, sem que o foco na realidade brasileira seja suplantado por demasiadas elucubra\u00e7\u00f5es. O primeiro ponto diz respeito \u00e0 resili\u00eancia da candidatura petista no ano de 2018. Apesar da pris\u00e3o ilegal e inconstitucional de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, Fernando Haddad herdou grande parte dos votos que iriam a Lula e chegou ao segundo turno daquela elei\u00e7\u00e3o presidencial. Se seu bom desempenho na primeira ronda n\u00e3o foi traduzido em vit\u00f3ria no segundo turno, uma s\u00e9rie de elementos podem explicar os limites eleitorais de sua candidatura. Mas, aqui, o ponto de maior interesse diz respeito \u00e0 for\u00e7a que o candidato petista manteve, mesmo com todas as adversidades encontradas por uma parte da esquerda brasileira em um contexto de Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e de criminaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. Sendo assim, \u00e9 importante n\u00e3o ignorarmos nem a estrutura partid\u00e1ria que deu sustenta\u00e7\u00e3o a Haddad nem o invej\u00e1vel capital pol\u00edtico de Lula.<\/p>\n<p>Naquele ano de 2018, o PT contava com mais de 1,5 milh\u00e3o de filiados espalhados em mais de 2.700 diret\u00f3rios municipais, em todos as unidades federativas do Pa\u00eds. Al\u00e9m desse not\u00e1vel grau de capilaridade partid\u00e1ria, a campanha de Haddad contou ainda com 500 milh\u00f5es de reais em valores correntes provenientes do Fundo Eleitoral, a segunda maior cota partid\u00e1ria daquelas elei\u00e7\u00f5es. Como sabido, essa gigantesca m\u00e1quina partid\u00e1ria n\u00e3o teve maiores dificuldades para suplantar alternativas mais ou menos moderadas do campo progressista mais amplo, fossem elas o trabalhismo de Ciro Gomes (PDT) ou o socialismo democr\u00e1tico de Guilherme Boulos (PSoL). Todavia, nem mesmo toda essa organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria seria suficiente para a manuten\u00e7\u00e3o de uma candidatura petista, n\u00e3o fosse a popularidade de sua maior lideran\u00e7a. O capital pol\u00edtico de Lula dispensa maiores coment\u00e1rios, haja vista as in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es que o testaram positivamente. Foi assim em sua reelei\u00e7\u00e3o, na elei\u00e7\u00e3o de Dilma e na garantia de seu terceiro mandato.<\/p>\n<p>Indubitavelmente, grande parte dos cerca de 31 milh\u00f5es de votos recebidos por Haddad no primeiro turno foi transmitida pela candidatura impugnada e indeferida de Lula, em uma campanha cuidadosamente arquitetada para associar Haddad a Lula. N\u00e3o foi por acaso que a c\u00fapula petista tratou de insistir no nome do ex-presidente, mesmo estando ele sob cust\u00f3dia da Pol\u00edcia Federal em Curitiba, at\u00e9 o indeferimento oficial de sua candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pouco mais de um m\u00eas do primeiro turno. Em linguagem weberiana, \u00e9 imposs\u00edvel ignorarmos o valor que o poder carism\u00e1tico prov\u00ea para a defesa de qualquer projeto pol\u00edtico, sobretudo em regimes democr\u00e1ticos como o nosso. Nesse sentido, a cren\u00e7a na natureza extraordin\u00e1ria do l\u00edder e as vincula\u00e7\u00f5es emocionais com sua figura constituem, parcialmente, a rela\u00e7\u00e3o de Lula com grande parte de seus eleitores. De certa forma, o lulismo \u00e9, pois, maior do que o petismo. \u00c0 for\u00e7a da estrutura partid\u00e1ria petista somou-se o carisma de Lula, mesmo sem sua presen\u00e7a f\u00edsica nos palanques da campanha eleitoral de Fernando Haddad.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel rebater esse argumento, sustentando-se que a maior organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria da direita viu o seu candidato naufragar naquelas tormentosas elei\u00e7\u00f5es de 2018. A ressalva seria v\u00e1lida, se apenas consider\u00e1ssemos o valor da estrutura partid\u00e1ria como tal. Mesmo com amplos recursos financeiros, longo tempo de propaganda em r\u00e1dio e TV e grande coliga\u00e7\u00e3o interpartid\u00e1ria, o postulante Geraldo Alckmin (PSDB) amargou um vexat\u00f3rio quarto lugar, com pouco mais de 4% dos votos v\u00e1lidos. Mas aquela elei\u00e7\u00e3o de 2018 n\u00e3o teve precedentes em nossa conturbada hist\u00f3ria pol\u00edtica. E a crise institucional e pol\u00edtica que a enquadrava fazia do poder carism\u00e1tico algo ainda mais importante e essencial. A esquerda reformista tinha Lula; a extrema direita tinha Bolsonaro. Enquanto aquele estava preso injustamente, este estava livre para, em que pese a insignific\u00e2ncia do partido que deu guarida a sua candidatura (PSL), angariar apoio entre uma popula\u00e7\u00e3o crescentemente descontente com os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o. O cen\u00e1rio, ent\u00e3o, estava armado para o florescimento de um populismo reacion\u00e1rio, discursivamente antissist\u00eamico e politicamente autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es \u00f3bvias, as elites liberais receiam menos o extremismo de direita do que o reformismo de esquerda. A candidatura de Bolsonaro n\u00e3o foi a primeira op\u00e7\u00e3o da oligarquia rentista. Inicialmente, aquele projeto de poder tinha o apoio dos setores mais extremistas das For\u00e7as Armadas e das for\u00e7as estaduais de seguran\u00e7a, al\u00e9m dos segmentos mais arcaicos do agroneg\u00f3cio. Mas a Faria Lima e as maiores entidades industriais, agropecu\u00e1rias e comerciais somente aderiram a sua campanha quando ficou claro que o escolhido para o seu Minist\u00e9rio da Economia seria um liberal. Paulo Guedes foi al\u00e7ado \u00e0quele posto para dar sequ\u00eancia \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o das contrarreformas iniciadas por Michel Temer (2016-2019). A Reforma da Previd\u00eancia, abortada com o esc\u00e2ndalo dos irm\u00e3os Batista em 2017 e promulgada em 2019, nada mais foi do que a concretiza\u00e7\u00e3o de um compromisso assumido ainda durante a campanha. Diante do esfacelamento do PSDB e da inviabilidade eleitoral de Alckmin, para os donos do poder era vital domesticar o populismo de Bolsonaro com o liberalismo de Guedes.<\/p>\n<h3><strong>O cen\u00e1rio internacional<\/strong><\/h3>\n<p>O segundo ponto trazido ao debate resgata, acertadamente, elementos do cen\u00e1rio internacional. Como o fortalecimento da extrema direita brasileira est\u00e1 associado a um fen\u00f4meno de abrang\u00eancia global, \u00e9 prudente analisar o bolsonarismo sob o vi\u00e9s da pol\u00edtica comparativa. Com os ilustrativos exemplos de Donald Trump (EUA), Giorgia Meloni (It\u00e1lia), Viktor Orb\u00e1n (Hungria), Marine Le Pen (Fran\u00e7a), Geert Wilders (Pa\u00edses Baixos), Javier Milei (Argentina) e Alice Weidel (Alemanha), podemos compreender as semelhan\u00e7as que interligam esses diferentes representantes do extremismo de direita, bem como as diferen\u00e7as entre eles e os fatores particularmente relevantes para o fen\u00f4meno brasileiro. Nesse sentido, \u00e0 pergunta colocada a respeito da ocorr\u00eancia ou n\u00e3o de pol\u00edticas de concilia\u00e7\u00e3o em todos esses pa\u00edses imp\u00f5e-se uma sonora e reveladora resposta afirmativa.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>A despeito das singularidades nacionais e regionais, o terreno comum que engloba diferentes manifesta\u00e7\u00f5es de populismo reacion\u00e1rio \u00e9, justamente, a malograda e equivocada insist\u00eancia na concilia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o que a modera\u00e7\u00e3o social-democrata tenha criado o extremismo de direita. O problema \u00e9 muito mais profundo e dif\u00edcil de ser investigado. Todavia, uma de suas vari\u00e1veis facilmente identificadas \u00e9 a capitula\u00e7\u00e3o da social-democracia europeia no debate pol\u00edtico-econ\u00f4mico que op\u00f4s, originalmente, a ortodoxia neoliberal \u00e0 heterodoxia keynesiana a partir dos anos 1970. Enquadrados por uma crise econ\u00f4mica que, sem precedentes, fundia a alta infla\u00e7\u00e3o ao baixo crescimento (estagfla\u00e7\u00e3o), os partidos reformistas n\u00e3o tiveram a capacidade de reagir ao avan\u00e7o do paradigma neoliberal sobre as estruturas do Estado. Mais do que um debate meramente acad\u00eamico, a oposi\u00e7\u00e3o entre aquelas duas comunidades epist\u00eamicas refletiu e influenciou a disputa pol\u00edtica travada nos mais diferentes pa\u00edses.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o de Margaret Thatcher em 1979 e a elei\u00e7\u00e3o de Ronald Reagan em 1980 sinalizaram apenas o come\u00e7o de uma nova fase do capitalismo internacional, com a hegemonia do neoliberalismo. Naquele momento, uma terceira revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfico-tecnol\u00f3gica gerava uma ampla reordena\u00e7\u00e3o do sistema produtivo e uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es que, por sua vez, subvertiam e anulavam grande parte das antigas conquistas sociais dos trabalhadores. O longo processo de enfraquecimento do Estado de Bem-Estar Social foi acompanhado do revigoramento do mercado, sem mais as amarras regulat\u00f3rias que lhe impuseram restri\u00e7\u00f5es nos primeiros vinte anos ap\u00f3s a Segunda Guerra. A desindustrializa\u00e7\u00e3o de economias centrais, o desmantelamento de sindicatos, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, a austeridade fiscal, tudo isso fez parte do receitu\u00e1rio neoliberal implementado pelas mais diversas elites dirigentes do Norte Global. Com distintos graus de \u00eaxito e em diversos ritmos, uma verdadeira opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica transnacional desenrolava-se no Ocidente. Ao avan\u00e7o desse tipo de assalto \u00e0s estruturas do Estado moderno a resist\u00eancia social-democrata foi desorganizada e inconsistente.<\/p>\n<p>Diante de tantas mudan\u00e7as econ\u00f4micas e sociais, os tradicionais partidos de esquerda perderam suas bases sociais. Com o empoderamento do capital, os diques que por tantos anos contiveram os excessos capitalistas e protegeram os trabalhadores n\u00e3o mais funcionavam a contento. Da seara pol\u00edtica n\u00e3o provinha mais a esperan\u00e7a, sen\u00e3o a rendi\u00e7\u00e3o a uma nefasta ideologia disfar\u00e7ada de t\u00e9cnica. Sua suposta assepsia valorativa atra\u00eda uma parte relevante da esquerda europeia. Nos anos 1990, o soci\u00f3logo Anthony Giddens prop\u00f4s a renova\u00e7\u00e3o da social-democracia sob o nome de Terceira Via. A aparente novidade conceitual mostrou-se um verdadeiro embuste, domesticando-se o trabalho em prol do capital. O canto da sereia seduziu l\u00edderes como Romano Prodi (It\u00e1lia), Wim Kok (Pa\u00edses Baixos) e Gerhard Schr\u00f6der (Alemanha), todos eles oriundos da velha esquerda reformista. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a mar\u00e9 neoliberal encontrou, respectivamente, no democrata Bill Clinton e no trabalhista Tony Blair os mais entusiastas defensores das contrarreformas iniciadas no fim da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<h3><strong>Uma nova crise, os mesmos erros<\/strong><\/h3>\n<p>A crise financeira de 2008 podia ter prenunciado a supera\u00e7\u00e3o do paradigma neoliberal, uma vez que a irrespons\u00e1vel desregulamenta\u00e7\u00e3o do mercado financeiro estadunidense \u00e9 que propiciou a prolifera\u00e7\u00e3o de ativos podres pelos balan\u00e7os patrimoniais dos principais bancos de investimentos de <em>Wall Street<\/em>. Em vez disso, trilh\u00f5es de d\u00f3lares foram, magicamente, criados pelo <em>Federal Reserve <\/em>e injetados no sistema financeiro. O empo\u00e7amento de liquidez inflacionou os ativos financeiros, recompensando inescrupulosos financistas e condenando trabalhadores ao desemprego e \u00e0 mis\u00e9ria. Enquanto <em>Wall Street<\/em> alimentava com dinheiro p\u00fablico as novas bestas que comandariam a economia internacional, <em>Main Street <\/em>sentia as agruras do esfacelamento do famigerado sonho americano. Logo, os recursos p\u00fablicos que n\u00e3o chegaram \u00e0 economia real financiaram a disruptiva emerg\u00eancia das <em>Big Techs<\/em>, precarizando ainda mais as condi\u00e7\u00f5es das classes trabalhadoras estadunidenses.<\/p>\n<p>A Europa continental, aparentemente imune \u00e0 farra do rentismo anglo-sax\u00e3o, n\u00e3o tardou a mostrar sua verdadeira face corrompida. A ciranda financeira que securitizava hipotecas e criava ativos de alto risco contaminava tamb\u00e9m os grandes bancos europeus. Quando ficou claro que a busca por retornos descomedidos n\u00e3o se restringia aos banqueiros de Nova York, um amplo e agressivo programa de austeridade fiscal passou a ser implementado por diferentes governos europeus. Para as elites europeias (sobretudo as alem\u00e3s), a defesa do euro exigia sacrif\u00edcios das classes trabalhadoras a partir do desmantelamento do Estado de Bem-Estar Social. A socializa\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos financeiros desencadeou a crise da d\u00edvida soberana, desgastando os elos mais fracos da zona do euro, tais como Portugal, Espanha, Irlanda e It\u00e1lia. Como se n\u00e3o bastasse o aterrador cen\u00e1rio social, os trabalhadores viam-se abandonados por parte de seus representantes, haja vista o conservadorismo fiscal de grande parte dos partidos socialistas e social-democratas.<\/p>\n<p>Foi assim que, na Hungria do primeiro-ministro socialista Ferenc Gyurcs\u00e1ny (2004-2009), o caminho para a vit\u00f3ria de Viktor Orb\u00e1n em 2010 foi pavimentado entre um eleitorado descrente de suas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Ap\u00f3s anos de instabilidade pol\u00edtica, a It\u00e1lia de Matteo Renzi (2014-2016) tamb\u00e9m foi incapaz de resistir \u00e0 press\u00e3o da Comiss\u00e3o Europeia por acentuados cortes sociais. Embora Renzi liderasse o Partido Democr\u00e1tico, de centro-esquerda, seu governo implementou um doloroso programa de austeridade fiscal. Entretanto, a experi\u00eancia mais traum\u00e1tica viria de Atenas, onde o PASOK de Ge\u00f3rgios Papandr\u00e9u (2009-2011) j\u00e1 havia sucumbido aos ditames do capital financeiro. O voto de confian\u00e7a que a popula\u00e7\u00e3o grega daria a uma emergente for\u00e7a de esquerda em 2015 seria, vergonhosamente, menosprezado pelo Governo Alexis Tsipras (2015-2019). O SYRIZA havia sido apenas uma miragem no deserto da austeridade que deslegitimava as democracias liberais europeias.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, embora Barack Obama (2009-2017) fosse uma lideran\u00e7a vinculada \u00e0 elite do Partido Democrata, sua elei\u00e7\u00e3o representou a esperan\u00e7a de que os chamados bancos zumbis n\u00e3o fossem mais resgatados por um Estado que pouco fazia para salvaguardar as massas mais vulner\u00e1veis. Em vez disso, a insolv\u00eancia privada continuou sendo quitada com recursos p\u00fablicos. O aprofundamento dos resgates banc\u00e1rios transformou a esperan\u00e7a em revolta e preparou os nutrientes com que o populismo reacion\u00e1rio de Donald Trump alimentar-se-ia menos de uma d\u00e9cada mais tarde. Era, pois, com descarada hipocrisia que as elites dirigentes prestavam sua homenagem \u00e0 credulidade do povo daquele pa\u00eds. Inegavelmente, o racismo, o conservadorismo e o fundamentalismo crist\u00e3o existiam muito antes de Obama. No entanto, o \u00f4nus pol\u00edtico daquela crise financeira ainda geraria um maior enfraquecimento do Partido Democrata, com um flagrante distanciamento entre sua burocracia e sua base social.<\/p>\n<h3><strong>A identifica\u00e7\u00e3o da esquerda com um sistema em decad\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de falsos consensos foi uma das t\u00e9cnicas operacionalizadas para que a resist\u00eancia das classes trabalhadoras fosse enfraquecida. Dessa forma, a apar\u00eancia cient\u00edfica de uma velha e carcomida ideologia esvaziou as alternativas pensadas \u00e0 esquerda do espectro pol\u00edtico. Com a capitula\u00e7\u00e3o da social-democracia, a ado\u00e7\u00e3o do receitu\u00e1rio neoliberal passou a ser vista como destino, n\u00e3o mais como fruto de embates e de compromissos, de decis\u00f5es essencialmente pol\u00edticas. Se outrora o antagonismo e o conflito \u00e9 que baseavam as estrat\u00e9gias e as tomadas de posi\u00e7\u00e3o, desde ent\u00e3o uma suposta harmonia de interesses entorpece parte relevante dos representantes dos trabalhadores. A resigna\u00e7\u00e3o \u00e9, doravante, a lente atrav\u00e9s da qual a esquerda institucional v\u00ea a desvantajosa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as nos parlamentos e na composi\u00e7\u00e3o dos governos.<\/p>\n<p>Com o aprofundamento das liberdades econ\u00f4micas, a pr\u00f3pria democracia liberal perdeu sua vitalidade. \u00c0 custa das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, o mercado vingou-se pelos anos de regramento keynesiano. A redu\u00e7\u00e3o das complexidades pol\u00edticas a uma mera gest\u00e3o econ\u00f4mica afastou diversos setores da esfera p\u00fablica, limitando o atendimento a suas principais demandas. Sem espa\u00e7o suficiente para uma efetiva e profunda participa\u00e7\u00e3o popular, diversos regimes democr\u00e1ticos viram a sua energia ser drenada unicamente para as viv\u00eancias eleitorais. Convergindo com a interpreta\u00e7\u00e3o minimalista de Schumpeter, muitas das democracias mais longevas e consolidadas degradaram-se em meros ritos e procedimentos que regulam, minimamente, a disputa pelos votos dos eleitores.<\/p>\n<p>Sem condi\u00e7\u00f5es de oferecer respostas e, sobretudo, de viabilizar alternativas \u00e0 selvageria neoliberal, a esquerda passou a ser vista como parte integrante de um sistema em decomposi\u00e7\u00e3o. A longa e teimosa pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de interesses fez dela um s\u00f3cio minorit\u00e1rio no condom\u00ednio pol\u00edtico das democracias liberais. Saem conservadores; assumem social-democratas. E, aos olhos do grande p\u00fablico, poucas s\u00e3o as diferen\u00e7as. Personagens diferentes; mesmo roteiro teatral. \u201cSe quisermos que tudo continue como est\u00e1, \u00e9 preciso que tudo mude\u201d, \u00e9 o que proclama, cinicamente, o personagem Tancredi no cl\u00e1ssico <em>O Leopardo<\/em>.<\/p>\n<h3><strong>Por uma revitaliza\u00e7\u00e3o do campo progressista<\/strong><\/h3>\n<p>As profundas transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas engendradas no seio do capitalismo internacional fazem das atuais contradi\u00e7\u00f5es entre for\u00e7as produtivas e rela\u00e7\u00f5es sociais algo mais grave do que os abalos s\u00edsmicos dos anos 1970. A nefasta financeiriza\u00e7\u00e3o da economia mundial foi ultrapassada pela cria\u00e7\u00e3o de um capital que submete nossas identidades a um m\u00e9todo espoliativo de extra\u00e7\u00e3o de valor. As rentas geradas a partir de nossos dados tornaram at\u00e9 mesmo os capitalistas tradicionais obsoletos e ref\u00e9ns de um novo tipo de rentismo. Com a ampla datifica\u00e7\u00e3o da economia, vivemos uma esp\u00e9cie de interregno gramsciano. Quando o novo ainda n\u00e3o tem for\u00e7a suficiente para surgir e o velho apresenta sinais de uma iminente morte, s\u00e3o as for\u00e7as progressistas que devem apontar para caminhos politicamente vi\u00e1veis e socialmente desej\u00e1veis.<\/p>\n<p>O n\u00facleo mais duro do eleitorado de esquerda pode continuar, apesar de suas cr\u00edticas e de seus dissabores, votando nos partidos reformistas. Entretanto, a esquerda institucional sempre precisou atingir segmentos menos politizados para que a luta pol\u00edtica fosse traduzida em vit\u00f3ria eleitoral. \u00c9 a perda desse eleitorado e a desmobiliza\u00e7\u00e3o de seus militantes mais fi\u00e9is que comprometem o seu futuro e preparam o terreno para a ascens\u00e3o da extrema direita. Diante de tantas incertezas e de tamanhas incoer\u00eancias, uma fren\u00e9tica puls\u00e3o de morte leva uma parte significativa da classe m\u00e9dia empobrecida e dos trabalhadores mais precarizados a aderir, entusiasticamente, ao populismo reacion\u00e1rio. Quando tanto a direita democr\u00e1tica como a esquerda reformista s\u00e3o vistas como parte do sistema que explora e subjuga, parece n\u00e3o restarem mais op\u00e7\u00f5es para al\u00e9m dos mais boquirrotos e autorit\u00e1rios extremistas.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a beleza e a sofistica\u00e7\u00e3o te\u00f3ricas n\u00e3o prescindem de comprova\u00e7\u00e3o emp\u00edrica. Nem mesmo o mais inveterado cr\u00edtico do positivismo pode ignorar uma tal realidade dos fatos. Mas, quando a teoria em quest\u00e3o \u00e9 capaz de oferecer boas ferramentas anal\u00edticas, a aparente confus\u00e3o inintelig\u00edvel na qual estamos inseridos passa a ser, coerentemente, interpretada. Em outros termos, a perspectiva hist\u00f3rica ajuda-nos a compreender como chegamos a uma crise sist\u00eamica muito mais grave do que aquela representada pelo decl\u00ednio do consenso keynesiano. \u00c9 a partir desse tipo de reflex\u00e3o, pois, que infiro que uma injustificada insist\u00eancia nos mesmos erros de outrora pode decretar uma letal derrota do campo progressista.<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post O lulismo diante da crise das democracias liberais appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-defende-investigacao-no-caso-master-doa-a-quem-doer\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/lula-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula defende investiga\u00e7\u00e3o no caso Master: \u2018doa a q...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/stf-valida-lei-da-igualdade-salarial-e-reforca-cobranca-sobre-empresas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Supremo-Tribunal-Federal-STF-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">STF valida Lei da Igualdade Salarial e refor\u00e7a cob...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/candidatas-cobram-protecao-frente-as-violencias-e-ameacas-que-se-espalham-pelo-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Candidatas cobram prote\u00e7\u00e3o frente \u00e0s viol\u00eancias e ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-cooperacao-digital-china-america-latina-ganha-novo-impulso\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-7-13-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">A coopera\u00e7\u00e3o digital China-Am\u00e9rica Latina ganha no...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afirmar que o reformismo morno de parte da esquerda gera rea\u00e7\u00e3o violenta das elites \u00e9 apenas reconhecer a arena conflituosa da pol\u00edtica. A frustra\u00e7\u00e3o tem ra\u00edzes econ\u00f4micas: por que ainda insiste-se na concilia\u00e7\u00e3o com quem espolia o presente e hipoteca o futuro das maiorias?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/o-lulismo-diante-da-crise-das-democracias-liberais\/\">O lulismo diante da crise das democracias liberais<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96667,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[114,45,9076,6007,11437,76469,769,76470,696,76471,5827,6874,9,423,76472,76473,50907,2804,112,76474,4324,5471,17070,1059,19012,76475,76476,7143,4972],"tags":[],"class_list":["post-96666","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bolsonarismo","category-brasil","category-campo-progressista","category-crise-brasileira","category-democracia-liberal","category-democracias-liberais","category-dilma-roussef","category-direita-extremista","category-eleicoes","category-elites-liberais","category-elites-politicas","category-esquerda-brasileira","category-eua","category-extrema-direita","category-forcas-conservadoras","category-forcas-produtivas-capitalistas","category-governos-petistas","category-investimentos-publicos","category-lula","category-mudancas-economicas","category-operacao-lava-jato","category-politica-nacional","category-populismo","category-pt","category-reformismo","category-reformismo-institucionalista","category-regimes-democraticos","category-reindustrializacao","category-rentismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96666"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96666\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}