{"id":96726,"date":"2026-07-23T05:00:00","date_gmt":"2026-07-23T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/apos-quase-extincao-dos-tapayuna-justica-ordena-demarcacao-de-territorio-no-mt\/"},"modified":"2026-07-23T05:00:00","modified_gmt":"2026-07-23T08:00:00","slug":"apos-quase-extincao-dos-tapayuna-justica-ordena-demarcacao-de-territorio-no-mt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/apos-quase-extincao-dos-tapayuna-justica-ordena-demarcacao-de-territorio-no-mt\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s quase extin\u00e7\u00e3o dos Tapayuna, Justi\u00e7a ordena demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio no MT"},"content":{"rendered":"<p><strong>YAIKU TAPAYUNA<\/strong> cresceu no Parque Ind\u00edgena do Xingu, no Mato Grosso, ouvindo a m\u00e3e e os mais velhos chorarem pela terra da qual seu povo foi expulso. Mais de meio s\u00e9culo depois da remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de seus antepassados, ele finalmente comemora um avan\u00e7o: a Justi\u00e7a Federal deu ao Estado brasileiro dois anos para concluir a demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio origin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Depois de ataques com alimentos envenenados, atribu\u00eddos a seringueiros, e de epidemias que mataram a maior parte do povo, a Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas) retirou os Tapayuna de seu territ\u00f3rio, em 1970.\u00a0<\/p>\n<p>Um grupo de 41 sobreviventes foi levado para o Parque Ind\u00edgena do Xingu, reserva criada pelo governo federal em 1961 e habitada por povos de diferentes etnias. Desde ent\u00e3o, os Tapayuna e seus descendentes vivem em terras de outros povos.<\/p>\n<p>Tapayuna \u00e9 o nome pelo qual o povo ficou mais conhecido. Eles se autodenominam Kajkwakhratxi, express\u00e3o traduzida como \u201ctronco do c\u00e9u\u201d. O territ\u00f3rio tradicional fica entre os rios Arinos e Sangue, no noroeste de Mato Grosso, e nunca foi demarcado.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Parte dos sobreviventes foi acolhida por outro povo ind\u00edgena, os K\u0129s\u00eadj\u00ea. Yaiku \u00e9 filho dessa conviv\u00eancia: a m\u00e3e \u00e9 Tapayuna; o pai, K\u0129s\u00eadj\u00ea. Hoje, ele \u00e9 cacique da aldeia Thyryk\u00f4, na Terra Ind\u00edgena Wawi.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cNa remo\u00e7\u00e3o, foram 41 pessoas. Hoje somos 444. Nossa popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo e precisamos de espa\u00e7o suficiente para morar e sobreviver\u201d, conta Yaiku.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IMG_0040_Yaiku-Suya-em-audiencia-publica-por-reparacao-na-Comissao-de-Direitos-Humanos-Minorias-e-Igualdade-Racial-da-Camara-dos-Deputa_Foto-Larissa-Silva_Rede-Juruena-Vivo.jpg\" alt=\"Yaiku Suya durante audi\u00eancia p\u00fablica sobre repara\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da C\u00e2mara dos Deputados (Foto: Larissa Silva\/Rede Juruena Vivo \/ Divulga\u00e7\u00e3o)\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IMG_0040_Yaiku-Suya-em-audiencia-publica-por-reparacao-na-Comissao-de-Direitos-Humanos-Minorias-e-Igualdade-Racial-da-Camara-dos-Deputa_Foto-Larissa-Silva_Rede-Juruena-Vivo.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IMG_0040_Yaiku-Suya-em-audiencia-publica-por-reparacao-na-Comissao-de-Direitos-Humanos-Minorias-e-Igualdade-Racial-da-Camara-dos-Deputa_Foto-Larissa-Silva_Rede-Juruena-Vivo-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/IMG_0040_Yaiku-Suya-em-audiencia-publica-por-reparacao-na-Comissao-de-Direitos-Humanos-Minorias-e-Igualdade-Racial-da-Camara-dos-Deputa_Foto-Larissa-Silva_Rede-Juruena-Vivo-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Yaiku Suya durante audi\u00eancia p\u00fablica sobre repara\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da C\u00e2mara dos Deputados (Foto: Larissa Silva\/Rede Juruena Vivo \/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A senten\u00e7a de primeiro grau de 11 de junho da Justi\u00e7a Federal, em Diamantino (MT), estipulou o prazo para a demarca\u00e7\u00e3o. O juiz Pablo Kipper Aguilar declarou que o Estado atrasou injustificadamente uma obriga\u00e7\u00e3o que j\u00e1 deveria ter sido cumprida e condenou Uni\u00e3o e Funai ao pagamento de R$ 10 milh\u00f5es por danos morais coletivos.<\/p>\n<p>Se confirmada pelas inst\u00e2ncias superiores da Justi\u00e7a Federal, a indeniza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 destinada a um fundo p\u00fablico para a repara\u00e7\u00e3o dos bens lesados e a pol\u00edticas para as comunidades. A senten\u00e7a ainda determinou um pedido de desculpas e a reuni\u00e3o, no Arquivo Nacional, dos documentos sobre as viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em nota enviada \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, a Funai informou que o processo est\u00e1 na etapa de identifica\u00e7\u00e3o e delimita\u00e7\u00e3o. Disse que o grupo t\u00e9cnico foi institu\u00eddo em fevereiro de 2025 e que conduz os estudos \u201cem car\u00e1ter priorit\u00e1rio\u201d, mas n\u00e3o deu previs\u00e3o para encerramento.<\/p>\n<p>Segundo a DPU (Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o), grandes propriet\u00e1rios rurais ocupam a regi\u00e3o reivindicada pelos Tapayuna. Sem o relat\u00f3rio, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estimar quantos im\u00f3veis rurais se sobrep\u00f5em ao territ\u00f3rio origin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Procurada, a AGU (Advocacia Geral da Uni\u00e3o) informou por meio de nota que \u201ca Uni\u00e3o e a Funai foram intimadas da decis\u00e3o e avaliam a ado\u00e7\u00e3o das medidas cab\u00edveis para se manifestarem nos autos dentro do prazo processual\u201d.<\/p>\n<p>O posicionamento diz ainda que \u201ca AGU reitera seu compromisso institucional com o cumprimento das decis\u00f5es judiciais, dentro dos par\u00e2metros legais e constitucionais aplic\u00e1veis, bem como com a promo\u00e7\u00e3o e o fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas\u201d. <\/p>\n<h2>Ind\u00edgenas teriam sofrido tentativas de envenenamento, relata pesquisa de antrop\u00f3loga<\/h2>\n<p>H\u00e1 registros de sucessivos envenenamentos para aniquilar os ind\u00edgenas. A pesquisa da antrop\u00f3loga Daniela Batista de Lima situa em 1953 um ataque com ars\u00eanico, um elemento de alta toxicidade usado como veneno, misturado em a\u00e7\u00facar.\u00a0<\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio Figueiredo, inqu\u00e9rito federal sobre crimes contra ind\u00edgenas produzido a partir de 1967, reproduz uma carta de 1966 segundo a qual seringueiros teriam dado farinha envenenada aos Tapayuna. Sobreviventes tamb\u00e9m mencionaram carne de anta com veneno de rato.\u00a0<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DSC0712_Povo-Tapayuna-com-seu-protocolo-de-consulta_foto_Helena-Corezomae_OPAN.jpg\" alt=\"Integrantes do povo Tapayuna apresentam seu protocolo de consulta, documento que estabelece como o povo deve ser ouvido em decis\u00f5es que afetem seus direitos (Foto: Helena Corezoma\u00e9\/Opan \/ Divulga\u00e7\u00e3o)\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DSC0712_Povo-Tapayuna-com-seu-protocolo-de-consulta_foto_Helena-Corezomae_OPAN.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DSC0712_Povo-Tapayuna-com-seu-protocolo-de-consulta_foto_Helena-Corezomae_OPAN-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DSC0712_Povo-Tapayuna-com-seu-protocolo-de-consulta_foto_Helena-Corezomae_OPAN-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Integrantes do povo Tapayuna apresentam seu protocolo de consulta, documento que estabelece como o povo deve ser ouvido em decis\u00f5es que afetem seus direitos (Foto: Helena Corezoma\u00e9\/Opan \/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O governo federal criou a Reserva Ind\u00edgena Tapaiuna em 1968. No ano seguinte, em plena ditadura militar, a Funai enviou uma expedi\u00e7\u00e3o para realizar o chamado contato pac\u00edfico. Segundo a pesquisa de Lima, a equipe levou jornalistas e fot\u00f3grafos, mas n\u00e3o tinha m\u00e9dico nem int\u00e9rprete. As vacinas foram transportadas de forma inadequada e ficaram inutilizadas.<\/p>\n<p>Um dos rep\u00f3rteres adoeceu de gripe e, embora tenha sido isolado, teve contato com ind\u00edgenas. O estudo relaciona a expedi\u00e7\u00e3o ao come\u00e7o da epidemia, mas ressalva que n\u00e3o existem laudos m\u00e9dicos capazes de provar a cadeia exata de transmiss\u00e3o. As mortes come\u00e7aram logo depois. Um jovem levado pela Funai ao Rio de Janeiro retornou com sarampo, agravando a crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mission\u00e1rios jesu\u00edtas da Miss\u00e3o Anchieta que voltaram ao territ\u00f3rio encontraram aldeias abandonadas, cad\u00e1veres sem sepultamento e sobreviventes debilitados. A senten\u00e7a cita uma reportagem do <em>Jornal do Brasil<\/em> de 16 de julho de 1969, na qual o chefe da expedi\u00e7\u00e3o disse ter visto crian\u00e7as mamando no peito das m\u00e3es mortas.\u00a0<\/p>\n<p>Em depoimento registrado por Lima, Ngajwotxi Tapayuna contou que viu um beb\u00ea chorando e sugando o peito do cad\u00e1ver, com insetos no rosto, nos olhos e no nariz.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 contagem segura da popula\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 epidemia. As estimativas iam de 300 a mil pessoas; uma reconstitui\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica citada no livro <em>Kajkwakhratxi-Tapayuna<\/em>, de 2023, chegou a cerca de 400. Depois da crise, 44 sobreviventes estavam fora do territ\u00f3rio. Em maio de 1970, 41 foram transferidos ao Xingu. Os outros tr\u00eas eram crian\u00e7as levadas ao Rio para tratamento e n\u00e3o viajaram com o grupo.<\/p>\n<h2>\u2018Estado n\u00e3o fez a prote\u00e7\u00e3o como deveria\u2019<\/h2>\n<p>A remo\u00e7\u00e3o dos Tapayuna se consumou em maio de 1970, com a chegada dos sobreviventes ao Parque Ind\u00edgena do Xingu.\u00a0<\/p>\n<p>A narrativa coletiva publicada no livro de 2023 conta que lhes prometeram que poderiam retornar para buscar o que deixassem. \u201cMas nos enganaram\u201d, afirmaram. Parte da viagem ocorreu em caminh\u00f5es-gaiola usados para transportar animais. Eles seguiram sob o sol, sem \u00e1gua e comida, at\u00e9 Cuiab\u00e1, de onde foram levados de avi\u00e3o para o Xingu.<\/p>\n<p>Eles viveram primeiro com os K\u0129s\u00eadj\u00ea. Mais tarde, dividiram-se entre as terras ind\u00edgenas Capoto\/Jarina, dos Meb\u00eang\u00f4kre, e Wawi. Dez dos 41 transferidos morreram depois da mudan\u00e7a, reduzindo a 31 o grupo levado ao Xingu,segundo o ISA (Instituto Socioambiental).<\/p>\n<p>O historiador e indigenista Elias dos Santos Bigio, ex-coordenador-geral de \u00cdndios Isolados e de Recente Contato da Funai, foi um dos organizadores para a OPAN (Opera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Nativa) do acervo de cartas, relat\u00f3rios e fotografias que, com a participa\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Tapayuna, deu origem ao livro publicado em 2023.<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o vivem no territ\u00f3rio deles. Vivem de favor. Isso \u00e9 muito cruel\u201d, afirma Bigio. \u201cAl\u00e9m de toda a crueldade que aconteceu, continuam vivendo num territ\u00f3rio emprestado\u201d, avalia.\u00a0<\/p>\n<p>Depois de retirar o povo, o Estado usou sua aus\u00eancia como argumento para liberar a terra. Uma expedi\u00e7\u00e3o da Funai encontrou, em 1971, aldeias queimadas e corpos sem sepultamento, mas concluiu que n\u00e3o haveria mais Tapayuna na reserva. Outra inspe\u00e7\u00e3o de 1974 recomendou liberar a reserva \u201cpara n\u00e3o atrasar o progresso desta regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O governo Ernesto Geisel extinguiu a reserva em 1976. Dois anos depois, a \u00e1rea passou da Uni\u00e3o para o Mato Grosso. Documentos reunidos no livro mostram que o governo estadual pretendia regularizar t\u00edtulos emitidos sobre a terra ind\u00edgena.\u00a0<\/p>\n<p>Em 1977, o pr\u00f3prio presidente da Funai escreveu que a reserva j\u00e1 estava \u201cfortemente ocupada\u201d. \u201cO Estado sabia onde eles estavam, sabia o territ\u00f3rio deles e n\u00e3o fez a prote\u00e7\u00e3o como deveria\u201d, diz Bigio.<\/p>\n<h2>MPF diz que Uni\u00e3o e Funai se omitiram na demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio<\/h2>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DSC0282_povo-Tapayuna-na-Festa-do-Macado-Foto_Helena-Corezomae_OPAN.jpg\" alt=\"Integrantes do povo Tapayuna durante a Festa do Macaco, ou Kukw\u00e2j K\u00f4, celebra\u00e7\u00e3o retomada depois de mais de meio s\u00e9culo (Foto: Helena Corezoma\u00e9\/Opan \/ Divulga\u00e7\u00e3o)\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DSC0282_povo-Tapayuna-na-Festa-do-Macado-Foto_Helena-Corezomae_OPAN.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DSC0282_povo-Tapayuna-na-Festa-do-Macado.-Foto_Helena-Corezomae_OPAN-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/DSC0282_povo-Tapayuna-na-Festa-do-Macado.-Foto_Helena-Corezomae_OPAN-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Integrantes do povo Tapayuna durante a Festa do Macaco, ou Kukw\u00e2j K\u00f4, celebra\u00e7\u00e3o retomada depois de mais de meio s\u00e9culo (Foto: Helena Corezoma\u00e9\/Opan \/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Yaiku temia que os jovens perdessem a l\u00edngua e a hist\u00f3ria dos Tapayuna. Antes de recorrer \u00e0 Justi\u00e7a, quis produzir um livro para as gera\u00e7\u00f5es seguintes. Quando come\u00e7ou a trabalhar com os pesquisadores, tr\u00eas anci\u00e3os que guardavam as lembran\u00e7as do territ\u00f3rio ainda estavam vivos.<\/p>\n<p>\u201cEu estava correndo contra o tempo\u201d, conta. Com apoio da Inter-American Foundation, comprou barco, motor e c\u00e2mera para gravar os depoimentos, depois confrontados com documentos localizados pelos pesquisadores.<\/p>\n<p>A reivindica\u00e7\u00e3o territorial chegou formalmente \u00e0 Funai em 2015. O MPF ajuizou a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em 2021, sustentando que Uni\u00e3o e Funai se omitiram na identifica\u00e7\u00e3o, demarca\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e\u00a0 a DPU entrou no processo para representar os Tapayuna.<\/p>\n<p>Defensor regional de direitos humanos da DPU em Mato Grosso, Renan Sotto Mayor acompanhou as lideran\u00e7as, ajudou a organizar uma reuni\u00e3o com o juiz e defendeu a fixa\u00e7\u00e3o de um calend\u00e1rio para a demarca\u00e7\u00e3o. \u201cAo ler a senten\u00e7a pela primeira vez, chorei copiosamente. \u00c9 muita luta, sabe? Ver uma decis\u00e3o como essa foi realmente emocionante\u201d, conta.<\/p>\n<p>O processo administrativo completou dez anos ainda na primeira etapa. Ao julgar o caso, o juiz afirmou que a Funai descumpriu o prazo combinado para constituir a equipe e classificou o atraso como \u201cclaro e ostensivo descumprimento\u201d.<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio inicial d\u00e1 seis meses para a conclus\u00e3o do relat\u00f3rio de identifica\u00e7\u00e3o e do levantamento fundi\u00e1rio. Em seguida, haver\u00e1 publica\u00e7\u00e3o dos limites, prazo para contesta\u00e7\u00f5es e an\u00e1lise pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. O juiz determinou audi\u00eancias de acompanhamento a cada dois meses e previu multa di\u00e1ria de R$ 40 mil para cada r\u00e9u em caso de descumprimento.<\/p>\n<p>Uni\u00e3o e Funai podem recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o, e a senten\u00e7a passar\u00e1 por revis\u00e3o obrigat\u00f3ria. Sotto Mayor espera um acordo que evite novos anos de disputa e, ao menos, que a Uni\u00e3o n\u00e3o recorra da obriga\u00e7\u00e3o de pedir desculpas.<\/p>\n<p>Mesmo que a decis\u00e3o seja mantida, ainda haver\u00e1 demarca\u00e7\u00e3o f\u00edsica, homologa\u00e7\u00e3o, registro e retirada de ocupantes n\u00e3o ind\u00edgenas. \u201cCada ano de demora \u00e9 um ano em que os mais velhos podem n\u00e3o chegar a ver a demarca\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Sotto Mayor. \u201cEssa demora n\u00e3o \u00e9 neutra. \u00c9 efetivamente uma viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos\u201d, entende.<\/p>\n<p>Em agosto de 2024, depois de mais de meio s\u00e9culo, os Tapayunavoltaram a realizar a Festa do Macaco, ou Kukw\u00e2j K\u00f4. Na aldeia Kaw\u00ear\u00eatxik\u00f4, cantaram antes do amanhecer e entraram no rio Xingu para retirar o luto pelos parentes mortos. Agora, Yaiku quer levar a celebra\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio de origem. \u201cDemarcar o territ\u00f3rio \u00e9 garantir um povo que quase acabou e que hoje vai voltar como povo\u201d, acredita.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"129686\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div>\n<div data-id=\"e5e1762\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"300\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/apoie--20.webp\" alt=\"Apoie a Rep\u00f3rter Brasil\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/apoie--20.webp 360w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/apoie-1-300x250.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><strong>25 anos investigando para mudar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Rep\u00f3rter Brasil j\u00e1 ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 2026, fazemos 25 anos \u2014 e vem muito mais por a\u00ed!<\/strong><\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>The post Ap\u00f3s quase extin\u00e7\u00e3o dos Tapayuna, Justi\u00e7a ordena demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio no MT appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ciclone-subtropical-bigua-deixa-milhares-de-gauchos-sem-luz-causa-queda-de-arvores-e-destelhamento\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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se confirmado por inst\u00e2ncias superiores, processo pode levar anos e vai depender de retirada de n\u00e3o ind\u00edgenas da \u00e1rea<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2026\/07\/indigena-tapayuna-justica-ordena-demarcacao-territorio-mt\/\">Ap\u00f3s quase extin\u00e7\u00e3o dos Tapayuna, Justi\u00e7a ordena demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio no MT<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96727,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13690,582,761,323,5799],"tags":[],"class_list":["post-96726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-_destaque-da-home-1","category-demarcacao","category-indigenas","category-mato-grosso","category-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96726\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}