{"id":96894,"date":"2026-07-23T14:02:18","date_gmt":"2026-07-23T17:02:18","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/charly-garcia-rebelde-latino-americano\/"},"modified":"2026-07-23T14:02:18","modified_gmt":"2026-07-23T17:02:18","slug":"charly-garcia-rebelde-latino-americano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/charly-garcia-rebelde-latino-americano\/","title":{"rendered":"Charly Garc\u00eda: rebelde latino-americano"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/51208010612192738741.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/51208010612192738741.jpg 960w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/51208010612192738741-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/51208010612192738741-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><figcaption>Charly Garc\u00eda. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Diego Queijo<\/strong> em entrevista a <strong>Guilherme Arruda<\/strong><\/p>\n<p>Um inconfund\u00edvel bigode bicolor, castanho e branco. Um talento \u00edmpar com o piano e o sintetizador. Uma viagem a B\u00fazios que mudou tudo e um namoro com uma bailarina brasileira. Umas quantas m\u00fasicas censuradas e umas cinco d\u00e9cadas de desregramento musical e comportamental. Um piano jogado em um lago. Um salto suicida do nono andar de um hotel\u2026 apenas para cair na piscina (<u>est\u00e1 tudo filmado<\/u>).<\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1350\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CHARLY-1350-X-1080jpg1_.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CHARLY-1350-X-1080jpg1_.jpeg 1080w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CHARLY-1350-X-1080.jpg1_-240x300.jpeg 240w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CHARLY-1350-X-1080.jpg1_-768x960.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\"><figcaption><em>Pasajero en trance \u2013 uma hist\u00f3ria de Charly Garc\u00eda no Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Voc\u00ea provavelmente n\u00e3o conhece este cantor. Mas num pa\u00eds vizinho ao Brasil, ele \u00e9 \u201co Maradona da m\u00fasica\u201d, explica o jornalista <strong>Diego Queijo<\/strong>, autor de <em><u>Pasajero en trance \u2013 uma hist\u00f3ria de Charly Garc\u00eda no Brasil<\/u><\/em>, livro-reportagem que est\u00e1 em <strong>campanha de pr\u00e9-venda na plataforma Catarse at\u00e9 o dia 30 de julho<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Mas porque este \u00eddolo dos <em>hermanos<\/em> interessa aos brasileiros? Em primeiro lugar, \u00e9 claro, porque trata-se de um m\u00fasico fenomenal, com uma carreira prol\u00edfica e \u00f3tima de se descobrir. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um fator mais \u00edntimo: sua transi\u00e7\u00e3o de protagonista do nicho roqueiro para \u00eddolo de milh\u00f5es de jovens argentinos come\u00e7a no Brasil. Em 1977, querendo escapar do ambiente sufocante da ditadura argentina, Charly e seu colega de banda David Leb\u00f3n v\u00eam ao nosso pa\u00eds \u2013 tamb\u00e9m governado pelos militares, mas j\u00e1 em processo de abertura.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/14--32.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/14--32.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A dupla alugou uma casa em B\u00fazios, onde passaram tr\u00eas meses. No mesmo per\u00edodo, Garc\u00eda come\u00e7a a namorar Marisa Pederneiras, a Zoca, irm\u00e3 da fam\u00edlia de bailarinos que fundou o Grupo Corpo. Zoca apresentou ao namorado o que havia de mais recente e instigante na m\u00fasica brasileira, que vivia um momento de auge. Foi uma revolu\u00e7\u00e3o. Inspirados pelo que ouviram, os argentinos voltam para casa movidos a criar o novo pop rock que tomaria as r\u00e1dios do pa\u00eds. Como tudo que vai volta, bandas brasileiras do estilo, como os Paralamas do Sucesso, se inspiraram na sonoridade do roqueiro portenho, e at\u00e9 se tornariam seus amigos. <\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil escolher por onde come\u00e7ar a falar de Charly Garc\u00eda. O roqueiro argentino, nascido em uma regi\u00e3o abastada de Buenos Aires no ano de 1951, tem o impressionante feito de ter sido um representante paradigm\u00e1tico de pelo menos uns quatro g\u00eaneros musicais ao longo de sua carreira. Sua genialidade musical, cultivada pela fam\u00edlia de industriais desde as aulas de piano na inf\u00e2ncia, o permitiu essa multiplicidade espetacular. Tentarei apresentar um resumo geral de sua carreira, de forma breve.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1003\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-21-2048x1369.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-21-1500x1003.png 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-21-300x201.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-21-768x513.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-21-1536x1027.png 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-21-2048x1369.png 2048w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-21-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Charly Garc\u00eda em show em Porto Alegre (RS), em foto in\u00e9dita. 1997. Foto: Emilio Pacheco<\/figcaption><\/figure>\n<p>Primeiro, foi o <em>folk<\/em> <em>rock<\/em> do in\u00edcio dos anos 1970. Mal sa\u00eddo da adolesc\u00eancia, ele formara a banda Sui Generis com o amigo de escola Nito Mestre, e \u00e9 nesta dupla que come\u00e7a a despontar. \u201cRasgu\u00f1a las piedras\u201d e a emocionante \u201cCanci\u00f3n para mi muerte\u201d, composta por Garc\u00eda para exorcizar o desespero do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, s\u00e3o suas grandes can\u00e7\u00f5es. Uma bonita interpreta\u00e7\u00e3o de ambas as faixas est\u00e1 registrada no document\u00e1rio <em><u>Rock hasta<\/u><\/em> <em><u>que se ponga el sol<\/u><\/em> (1973) \u2013 que, ali\u00e1s, conta com apresenta\u00e7\u00f5es de praticamente todas as grandes bandas argentinas da \u00e9poca. (Esta fase ainda teria como coda o protocolar disco hom\u00f4nimo do supergrupo PorSuiGieco, lan\u00e7ado em 1976.)<\/p>\n<p>No \u00faltimo disco do Sui Generis, <em>Peque\u00f1as An\u00e9cdotas sobre las Instituciones <\/em>(1975), Charly iniciaria sua transi\u00e7\u00e3o rumo ao rock progressivo. Origin\u00e1rio do piano, foi fortemente atra\u00eddo pelos sintetizadores, e se tornaria um mestre desses ent\u00e3o inovadores instrumentos eletr\u00f4nicos. Nesta seara, tamb\u00e9m comandou a banda La M\u00e1quina de Hacer P\u00e1jaros. Com o grupo, que formou com o objetivo de criar \u201co Yes do subdesenvolvimento\u201d, gravou um disco hom\u00f4nimo em 1976 e o fort\u00edssimo <em>Pel\u00edculas <\/em>(1977).<\/p>\n<p>Depois, desenvolveria uma sonoridade muito particular e criativa com o <em>jazz rock<\/em> radiof\u00f4nico do Seru Gir\u00e1n. Aqui, uma opini\u00e3o individual pol\u00eamica: no estilo desse grupo, o ouvinte brasileiro pode ter um vislumbre de uma vers\u00e3o mais ousada e menos brega de bandas como 14 Bis ou mesmo Roupa Nova. Os quatro discos \u2013 <em>Seru Gir\u00e1n <\/em>(1978), <em>La Grasa de las Capitales<\/em> (1979), <em>Bicicleta <\/em>(1980) e <em>Peperina (1981) <\/em>\u2013 mostram que o quarteto era um f\u00e1brica de <em>hits<\/em>, mas tamb\u00e9m um agrupamento arrojado. N\u00e3o por outro motivo, o baixista Pedro Aznar trilharia uma carreira de sucesso no jazz, solo e acompanhando Pat Metheny.<\/p>\n<p>Logo na sequ\u00eancia, \u201cpopificando\u201d ainda mais seus sintetizadores, Charly tornaria-se um astro da <em>new wave <\/em>no in\u00edcio dos anos 1980. Vendeu milh\u00f5es de discos e emplacou sucessos como \u201cNos siguen pegando abajo\u201d, \u201cDemoliendo Hoteles\u201d e uma penca de outros <em>singles <\/em>dan\u00e7antes. Tamb\u00e9m comp\u00f4s trilhas sonoras para filmes como <em>Pubis Angelical (1982)<\/em> e <em>Lo que vendr\u00e1 (1987)<\/em>.<\/p>\n<p>Charly marca o ouvido pela musicalidade inventiva e tamb\u00e9m pelas letras mordazes e divertidas. Sem ser o que tradicionalmente definir\u00edamos como um artista pol\u00edtico, n\u00e3o deixou de compor can\u00e7\u00f5es contra a repress\u00e3o e tamb\u00e9m o liberalismo desenfreado. Para restringir-se a duas can\u00e7\u00f5es menos conhecidas, em \u201c<u>Juan Represi\u00f3n<\/u>\u201d criticou os sanguinolentos funcion\u00e1rios da pol\u00edcia pol\u00edtica; e com \u201c<u>Jos\u00e9 Mercado<\/u>\u201d, satirizou Jos\u00e9 Mart\u00ednez de Hoz, o todo-poderoso ministro das Finan\u00e7as do general-presidente Jorge Videla na \u00faltima ditadura militar, respons\u00e1vel por um congelamento de sal\u00e1rios que empobreceu duramente os argentinos. Em \u201cInconsciente Colectivo\u201d, presente na trilha sonora do premiado filme <em>Argentina, 1985<\/em>, lembrou dos \u201cque morreram e dos que est\u00e3o na pris\u00e3o\u201d. Em s\u00edntese, \u201cum artista pleno\u201d, como definiu Diego Queijo nesta entrevista.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/banner-5.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/banner-5.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/banner-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Por tudo isso, surpreende o qu\u00e3o pouco difundida \u00e9 a obra \u201ccharlyana\u201d no Brasil. Seja como for, o novo livro-reportagem do jornalista tem o potencial de mudar essa hist\u00f3ria. <em>Pasajero en trance \u2013 uma hist\u00f3ria de Charly Garc\u00eda no Brasil<\/em>, como j\u00e1 diz o t\u00edtulo, retra\u00e7a a caminhada do m\u00fasico portenho por nosso pa\u00eds, cheia de causos. Seguindo a trilha do m\u00fasico, Diego entrevistou sua empres\u00e1ria, grandes m\u00fasicos e uma infinidade de outros nomes cujas trajet\u00f3rias cruzaram com a de Charly.<\/p>\n<p>Sem mais delongas, fique com a entrevista. E adquira o livro, sem perder tempo: a pr\u00e9-venda acaba no dia 30 de julho.<\/p>\n<h3><strong>Eis a entrevista<\/strong><\/h3>\n<p><strong>Quem \u00e9 Charly Garc\u00eda e o que esse personagem significa para a cultura argentina?<\/strong><\/p>\n<p>Essa pergunta tem muito a ver com o que me motivou a fazer este livro. Charly \u00e9 uma pessoa muito importante, est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 pr\u00f3pria identidade argentina. Acaba sendo um \u00edcone, tem um status de Maradona por l\u00e1. \u00c9 um m\u00fasico que, em v\u00e1rios momentos, traduziu sentimentos coletivos da popula\u00e7\u00e3o argentina, seja como \u00eddolo adolescente no Sui Generis, em bandas como La M\u00e1quina de Hacer P\u00e1jaros e Seru Gir\u00e1n, ou em sua carreira solo.<\/p>\n<p>Agora mesmo, ele foi a estrela do <u>comercial da cerveja Quilmes<\/u> [marca tradicional e mais vendida da Argentina] para a Copa do Mundo. Quando a sele\u00e7\u00e3o argentina se classificou para a final, centenas de pessoas se aglomeraram na frente de sua casa para comemorar [veja v\u00eddeos: <u>1<\/u>, <u>2<\/u>]. Em resumo, \u00e9 um cara que n\u00e3o pode sair para comprar p\u00e3o sem ser assediado. \u00c9 uma figura t\u00e3o grande que j\u00e1 tem est\u00e1tua dele em Mar del Plata, uma <u>esquina com seu nome em Buenos Aires<\/u> e uma <u>esquina com seu nome em Nova York<\/u>.<\/p>\n<p>Entrevistando o Frank Jorge [m\u00fasico ga\u00facho, ex-membro das bandas Cascavelletes e Graforr\u00e9ia Xilarm\u00f4nica], ele disse que o Charly \u00e9 um cara que viveu sete vidas em uma. Ele tem muitas hist\u00f3rias, uma carreira muito prol\u00edfica e diversa, sempre se renovando e, \u00e0s vezes, destruindo o que construiu para fazer algo diferente. S\u00f3 o fato de ser um m\u00fasico de forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica em conservat\u00f3rio e que se converteu em <em>rockstar<\/em> j\u00e1 \u00e9 algo interessante.<\/p>\n<p><strong>A passagem de Charly Garc\u00eda pelo Brasil no final de 1977 significou um divisor de \u00e1guas para sua m\u00fasica e os rumos de sua carreira. Que import\u00e2ncia o nosso pa\u00eds tem para a obra e a vida do argentino?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, o primeiro registro de Charly no Brasil \u00e9 no in\u00edcio de 1977, quando ele foi a Porto Alegre assistir um show do Genesis. Foi a \u00fanica turn\u00ea do Genesis na Am\u00e9rica do Sul, e uma comitiva de argentinos se deslocou ao Rio Grande do Sul. Isso faz muito sentido, porque isso acabou se expressando na sonoridade que ele desenvolveu posteriormente.<\/p>\n<p>Depois, veio ao nosso pa\u00eds para viver mesmo \u2013 tinha conhecido a Marisa Pederneiras, a Zoca, e acabou vindo passar uma temporada em B\u00fazios. N\u00e3o tinha vindo para trabalhar mas, claro, sendo m\u00fasico, comp\u00f4s alguns materiais que depois acabaram gerando o primeiro \u00e1lbum do Seru Gir\u00e1n.<\/p>\n<p>Mas, no primeiro momento, o Brasil acabou sendo um lugar de ref\u00fagio, at\u00e9 porque as coisas na Argentina n\u00e3o estavam muito legais. Algo que est\u00e1 no pr\u00f3logo do livro \u00e9 que um dos objetivos \u00e9 contar para o Brasil o papel que ele mesmo teve na trajet\u00f3ria desse que hoje \u00e9 o maior m\u00fasico vivo na Argentina. Eles tamb\u00e9m tiveram o Luis Alberto Spinetta e o Carlos Gardel, mas como disse o Daniel Melingo na entrevista que fiz com ele, \u201cCharly \u00e9 Gardel hoje\u201d. E o Brasil desconhece seu papel na constru\u00e7\u00e3o desse personagem.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1003\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Charly-e-Herbert-1997_Credito_Emilio-Pacheco.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Charly-e-Herbert-1997_Credito_Emilio-Pacheco-1500x1003.png 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Charly-e-Herbert-1997_Credito_Emilio-Pacheco-300x201.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Charly-e-Herbert-1997_Credito_Emilio-Pacheco-768x513.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Charly-e-Herbert-1997_Credito_Emilio-Pacheco-1536x1027.png 1536w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Charly-e-Herbert-1997_Credito_Emilio-Pacheco-272x182.png 272w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Charly-e-Herbert-1997_Credito_Emilio-Pacheco.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Chaly Garc\u00eda e Herbert Vianna, em Porto Alegre, em registro in\u00e9dito. 1997. Foto: Emilio Pacheco<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tamb\u00e9m descobri que Charly teve um papel muito importante na m\u00fasica brasileira. O show que ele fez em Porto Alegre em 1986 estava cheio de m\u00fasicos da cena do rock ga\u00facho na plateia, que foram muito influenciados. O mesmo vale para o show de 1987 no morro da Urca, no Rio de Janeiro, que tamb\u00e9m foi muito marcante para os m\u00fasicos que estavam presentes: o Kid Abelha inteiro, o Paralamas do Sucesso inteiro, Ritchie, Charles Gavin dos Tit\u00e3s, Kledir Ramil, Vitor Ramil, Renato Russo. Entrevistei a maioria \u2013 menos o Renato Russo \u2013, e eles dizem que Charly chegou com um show extremamente profissional, com trabalho de luzes, usando m\u00e1quinas de ritmo. Uma \u201ccara de show gringo\u201d, disseram. Uma produ\u00e7\u00e3o muito mais profissional do que se fazia na \u00e9poca no Brasil. Todo mundo ficou meio chocado.<\/p>\n<p>Charles Gavin, por exemplo, disse que at\u00e9 esse show nunca tinha visto m\u00fasicos usarem uma m\u00e1quina de ritmos [instrumento eletr\u00f4nico tamb\u00e9m conhecido como <em>drum machine<\/em>] em apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo, s\u00f3 em est\u00fadio. Ele tamb\u00e9m conta que, depois desse show, Charly foi at\u00e9 o est\u00fadio Nas Nuvens, onde os Tit\u00e3s estavam gravando o disco <em>Jesus n\u00e3o tem dentes no pa\u00eds dos banguelas<\/em> (1987) e ficou l\u00e1 dando pitacos, fazendo sugest\u00f5es. N\u00e3o digo que ele deu orientou a sonoridade do disco, mas houve uma troca.<\/p>\n<p><strong>Brian Eno teria dito que \u201co primeiro \u00e1lbum do Velvet Underground vendeu apenas 10 mil c\u00f3pias, mas todo mundo que comprou formou uma banda\u201d. Tem um certo paralelismo com esse fen\u00f4meno do Charly?<\/strong><\/p>\n<p>Tem um certo paralelo tamb\u00e9m com aquele show dos Sex Pistols em Manchester que mexeu com o pessoal que depois formaria bandas como The Smiths, Joy Division, New Order, Buzzcocks, The Fall.<\/p>\n<p>Tanto o show do morro da Urca, para a cena carioca, quanto o show de Porto Alegre, para a cena ga\u00facha, foram muito impactantes. Charly n\u00e3o \u00e9 reconhecido pelo p\u00fablico brasileiro mais amplo, mas \u00e9 muito reconhecido pelos m\u00fasicos. Quando decidi fazer um livro sobre isso e entrei em contato com os m\u00fasicos brasileiros, achei que ningu\u00e9m ia querer falar sobre isso. Mas, salvo por uma fonte que teve um problema de agenda, todos aceitaram e falaram dele com muita admira\u00e7\u00e3o, dizendo que realmente \u00e9 um personagem sensacional.<\/p>\n<p><strong>E quem s\u00e3o esses m\u00fasicos que conheceram e foram amigos de Charly? Com quem voc\u00ea pode conversar durante o processo de pesquisa e que fontes consultou?<\/strong><\/p>\n<p>Muitos brasileiros foram amigos de Charly, posso listar alguns com quem conversei. Gilberto Gil. Bi Ribeiro, Jo\u00e3o Barone e Jo\u00e3o Fera, do Paralamas do Sucesso. Fl\u00e1vio Venturini, do 14 Bis e d\u2019O Ter\u00e7o, foi muito importante. George Israel, do Kid Abelha, gravou o show da Urca com uma c\u00e2mera de v\u00eddeo. Maur\u00edcio Barros, do Bar\u00e3o Vermelho. Paulinho Moska. Rolando Castello J\u00fanior, da Patrulha do Espa\u00e7o. Alexandre Barea, Frank Jorge e Nei van Soria, dos Cascavelletes. Kledir Ramil. Marcelo Gross, do Cachorro Grande. Thedy Corr\u00eaa, do Nenhum de N\u00f3s. Vitor Ramil. Yanto Laitano.<\/p>\n<p>Dos argentinos, pude falar com nomes como Pedro Aznar, Billy Bond, Andr\u00e9s Calamaro, Torcuato Mariano, Daniel Melingo, Fabi\u00e1n Quintero, Javier Weintraub, Pipo Cipolatti, Mariela Chintalo, Fernando Samalea, Hilda Lizaraz\u00fa, Tonio Silva Pe\u00f1a.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 bibliografia, usei mais de 50 livros como refer\u00eancia, uns 20 deles sobre o Charly. Existem muitos livros em espanhol sobre ele \u2013 quais s\u00e3o os m\u00fasicos brasileiros que tem uma bibliografia sobre eles t\u00e3o vasta? Al\u00e9m dos livros, pude usar jornais, revistas, documentos e entrevistar ou consultar quase 80 pessoas.<\/p>\n<p><strong>Interessante voc\u00ea destacar o Fl\u00e1vio Venturini como muito importante para a pesquisa. O Seru Gir\u00e1n me lembra muito o 14 Bis.<\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de Charly com Minas Gerais \u00e9 algo pouco documentado. Mas o Clube da Esquina foi uma coisa muito marcante para eles, especialmente para ele e David Leb\u00f3n. Na \u00e9poca do Seru Gir\u00e1n, eles iam muito a Minas, at\u00e9 por causa da rela\u00e7\u00e3o de Charly com Zoca, que era membro do Grupo Corpo, de Belo Horizonte (MG), e foram muito influenciados pela m\u00fasica de l\u00e1. No \u00e1lbum <em>Como conseguir chicas (1989)<\/em>, no final da faixa \u201cSuicida\u201d, Charly canta um trecho de \u201cF\u00e9 Cega, Faca Amolada\u201d, do Milton Nascimento.<\/p>\n<p>O disco <em>Piano Bar<\/em> (1984) foi praticamente todo composto em Belo Horizonte. A Zoca me confirmou isso, algo que era apenas cogitado nas biografias do Charly. Apesar de haver todos esses livros, essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 documentada ao fundo. Sempre h\u00e1 algo a se descobrir. O que Fl\u00e1vio Venturini disse foi que a grande conex\u00e3o da turma do Clube da Esquina com Charly foram os Beatles.<\/p>\n<p><strong>Por que voc\u00ea acha que, apesar dessas rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas do Charly com tanta gente na cena musical brasileira, ele n\u00e3o se tornou conhecido do grande p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p>Esse foi um dos grandes motes do livros. Busquei entrar nessa discuss\u00e3o e procurar explica\u00e7\u00f5es. H\u00e1 v\u00e1rias, que valem tanto para ele quanto par outros m\u00fasicos <em>hispanohablantes<\/em>. Gilberto Gil opinou que tem muito a ver com o <em>soft power<\/em> dos Estados Unidos, que foi dominando os gostos com a m\u00fasica em ingl\u00eas. Antes, se ouvia bastante m\u00fasica em espanhol no Brasil, muita rumba, muita m\u00fasica afro-caribenha.<\/p>\n<p>Sobraram exce\u00e7\u00f5es, como o Julio Iglesias. Ali\u00e1s, o Thedy Corr\u00eaa, do Nenhum de N\u00f3s, tem uma teoria interessante de que o Julio Iglesias e os Menudos, que fizeram muito sucesso no Brasil, geraram uma esp\u00e9cie de preconceito no p\u00fablico do rock. Super f\u00e3 do Charly, ele diz que levava discos dele para as r\u00e1dios, como o <em>Piano Bar<\/em> (1984) e o <em>Clics modernos<\/em> (1983), para as r\u00e1dios e o pessoal torcia o nariz, dizendo que \u201cparecia Menudos\u201d. N\u00e3o tinha nada a ver! Mas era em espanhol, ent\u00e3o n\u00e3o se dava valor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 claro, muitas m\u00fasicas do Charly s\u00e3o bem ligadas ao contexto \u2013 nem sempre pol\u00edtico, \u00e0s vezes apenas social ou sentimental \u2013 do que estava acontecendo na Argentina, e isso \u00e9 mais uma barreira para as pessoas entenderem e se interessarem.<\/p>\n<p><strong>O que essa hist\u00f3ria que voc\u00ea investigou na pode significar sobre as possibilidades de integra\u00e7\u00e3o latino-americana, especialmente nesse \u00e2mbito mais cultural?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que significa bastante coisa, mas estamos vivendo um momento muito diferente.<\/p>\n<p>Dos anos 1960 at\u00e9 os anos 2000, existia uma certa utopia latino-americana, um sentimento de querer fazer essa integra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Mercedes Sosa veio muitas vezes para o Brasil, sempre com esse olhar muito pol\u00edtico para a Am\u00e9rica Latina. Tivemos o F\u00f3rum Social Mundial em Porto Alegre, em 2001. O festival El Mapa de Todos. O Fernando Rosa, do portal <em><u>Senhor F<\/u><\/em>, foi um grande batalhador dessa causa. Mas muita gente est\u00e1 desacreditada dessa proposta.<\/p>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1019\" height=\"1500\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-11-scaled.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-11-1019x1500.png 1019w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-11-204x300.png 204w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-11-768x1131.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-11-1043x1536.png 1043w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-11-1391x2048.png 1391w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-credito-Emilio-Pacheco-11-scaled.png 1739w\" sizes=\"auto, (max-width: 1019px) 100vw, 1019px\"><figcaption>Charly em show em Porto Alegre (RS), em registro in\u00e9dito. 1997. Foto: Emilio Pacheco<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Uma das personagens principais do livro \u2013 na verdade, o gatilho para que ele fosse feito \u2013 \u00e9 a Ivone de Virgiliis, uma mulher que foi fundamental para a introdu\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos argentinos no Brasil. Ela foi empres\u00e1ria do Charly e do Fito P\u00e1ez [outro astro do rock argentino] em nosso pa\u00eds, e tentou disseminar essa m\u00fasica por aqui. Nossa \u00faltima conversa foi logo depois do Super Bowl desse ano, que teve a apresenta\u00e7\u00e3o do Bad Bunny, e ela estava extremamente emocionada: \u201cFinalmente est\u00e1 acontecendo aquilo que est\u00e1vamos tentando fazer nos anos 1980\u201d.<\/p>\n<p>Outro fen\u00f4meno \u00e9 o Milo J [jovem m\u00fasico argentino], que vai tocar no Rock in Rio e fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o solo em S\u00e3o Paulo. Ainda assim, \u00e9 um artista que no resto do continente faz show em est\u00e1dio, e aqui n\u00e3o teria p\u00fablico para isso.<\/p>\n<p>De toda forma, parece que a coisa est\u00e1 andando, mas n\u00e3o sei se \u00e9 algo que vai perdurar.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m de jornalista que investigou uma pauta, voc\u00ea \u00e9 f\u00e3 do Charly Garc\u00eda, certamente. Conte um pouco do que voc\u00ea sentiu nesse processo de escrever o livro-reportagem, que acaba sendo tamb\u00e9m uma homenagem ao Charly e seu papel na cultura brasileira.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma super homenagem, na verdade. Mas \u00e9 tamb\u00e9m uma an\u00e1lise de fatos. N\u00e3o entrevistei e n\u00e3o quis entrevistar o Charly para o livro, porque estava buscando reportar fatos e acontecimentos, investigar o porqu\u00ea de certas coisas. Mesmo assim, foi muito emocionante quando, ap\u00f3s lan\u00e7ar a campanha de pr\u00e9-venda, recebi uma mensagem do assistente pessoal de Charly, dizendo que ele soube do livro e tinha adorado a ideia. Claro que eu disse que n\u00e3o precisava comprar, que eu fazia quest\u00e3o de enviar um.<\/p>\n<p>Minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica de Charly, como a de muitas pessoas, teve como porta de entrada o <em>MTV Unplugged<\/em> (1995). \u00c9 um \u00e1lbum mais pop, tem uma sonoridade mais palat\u00e1vel. Depois, fui atr\u00e1s de ouvir tudo \u2013 tudo mesmo. Por isso, uma das coisas mais emocionantes foi receber a aprova\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Charly.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea pode antecipar do livro para os poss\u00edveis leitores?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um livro que p\u00f5e em foco duas mulheres important\u00edssimas.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a Ivone de Virgiliis, que al\u00e9m de empresariar o Charly e o Fito, foi empres\u00e1ria da Blitz, do Legi\u00e3o Urbana e do Kid Abelha. S\u00f3 a vida dela tamb\u00e9m j\u00e1 daria um livro. Ela \u00e9 uma pessoa do <em>showbiz<\/em> que \u00e9 mencionada algo por cima nos livros argentinos sobre Charly, mas que teve um papel de mediadora e articuladora muito importante para esses m\u00fasicos.<\/p>\n<p>A outra protagonista \u00e9 a Zoca Pederneiras, uma bailarina brasileira que fez parte do grupo Grupo Corpo e foi casada com Charly durante muitos anos. N\u00e3o existe nenhuma entrevista com ela no Brasil. Por decis\u00e3o pr\u00f3pria, ela resolveu sair do meio do <em>showbiz<\/em> e ir para a Europa. Mora l\u00e1 at\u00e9 hoje. Ela \u00e9 muito assediada pelos jornalistas da Argentina, mas s\u00f3 vi dar entrevista para a biografia escrita por Sergio Marchi. Na minha vis\u00e3o, eles sempre querem saber muito sobre os detalhes \u00edntimos. Quando conversamos, deixei bem claro que minha inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era falar sobre coisas pessoais, mas sobre o papel dela como mediadora cultural.<\/p>\n<p>Ela mudou a hist\u00f3ria da m\u00fasica argentina. Apresentou o Clube da Esquina para esses m\u00fasicos todos, trouxe Charly e David Leb\u00f3n para o Brasil, incentivou os dois a montarem o Seru Gir\u00e1n. Ela que acionou a Ivone para fazer o show do morro da Urca. \u00c9 importante dar cr\u00e9dito a quem merece, e ela merece muito.<\/p>\n<p>Outra coisa interessante foi entrevistar o guitarrista argentino Torcuato Mariano. Ele me falou que sempre teve Charly e Spinetta como grandes refer\u00eancias, e \u00e9 um cara que tocou com todo mundo no Brasil. Hoje ele toca com o Djavan, mas j\u00e1 tocou com Gal Costa, Gilberto Gil, Cazuza, Caetano Veloso, Marina Lima. Indiretamente, ele colocou um pouco de rock argentino na m\u00fasica brasileira sem as pessoas saberem.<\/p>\n<p>Ao todo, mapeei 39 apresenta\u00e7\u00f5es de Charly no Brasil, tanto shows solo quanto participa\u00e7\u00f5es em datas dos Paralamas e dos Cascavelletes. Pelo menos tr\u00eas n\u00e3o foram anunciados oficialmente \u2013 foram shows surpresa em bares. Descobrir a grava\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo do show do Rio do Janeiro, feita pelo George Israel tamb\u00e9m foi algo muito emocionante. N\u00f3s assistimos juntos, digitalizamos e j\u00e1 falei para a equipe do Charly que o v\u00eddeo \u00e9 deles.<\/p>\n<p>O livro traz muita coisa in\u00e9dita.<\/p>\n<p><strong>E o pessoal vai ter que ler para saber de tudo!<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente! O Brasil desconhece sua pr\u00f3pria import\u00e2ncia nessa hist\u00f3ria, mas o livro vai ajudar a reivindicar que o Charly tamb\u00e9m \u00e9 um pouco nosso. A motiva\u00e7\u00e3o principal para escrev\u00ea-lo foi ler as obras que j\u00e1 existem sobre o Charly e perceber que tudo o que se falava sobre suas passagens pelo nosso pa\u00eds era superficial.<\/p>\n<p>\u00c9 importante dizer que o livro vai sair pela Satolep Press, uma editora do Sul, mas que ele \u00e9 uma obra independente. A <u>campanha<\/u> est\u00e1 no ar e \u00e9 flex\u00edvel. Se n\u00e3o atingir a meta, vamos publicar mesmo assim. Como expliquei nas <em>newsletters <\/em>exclusivas para quem j\u00e1 comprou, os recursos extra v\u00e3o ajudar a licenciar algumas fotos hist\u00f3ricas que exigem alguma grana a mais. A previs\u00e3o de entrega \u00e9 novembro.<\/p>\n<p><strong>Toda vez que conversei com algu\u00e9m sobre Charly, isso aconteceu em uma situa\u00e7\u00e3o inesperada. Em uma ocasi\u00e3o, sentei em um avi\u00e3o ao lado de uma mulher com uma camisa do disco <\/strong><em><strong>La Grasa de Las Capitales <\/strong><\/em><strong>(1979). Outra vez, no anivers\u00e1rio de uma conhecida, ela me apresentou um rapaz que tinha uma banda chamada Perro Andaluz, nomeada em homenagem \u00e0 can\u00e7\u00e3o do Seru Gir\u00e1n, que fazia <\/strong><em><strong>covers<\/strong><\/em><strong> de rock argentino. Traz a sensa\u00e7\u00e3o de fazer parte de uma seita secreta.<\/strong><\/p>\n<p>O assunto do livro, em si, \u00e9 uma coisa nichada. Por isso mesmo, a ideia foi fazer um texto que fosse mais aberto, trazendo muito contexto, muita explica\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma obra pensada para pessoas que realmente n\u00e3o s\u00e3o conhecedoras do Charly e querem saber mais sobre o personagem. Sob qualquer \u00f3tica, ele \u00e9 um cara muito interessante.<\/p>\n<p>Como falei em outra entrevista, eu n\u00e3o queria fazer uma biografia. At\u00e9 porque, se a pessoa tem interesse em saber mais sobre a vida do Charly em um sentido geral, tem Wikip\u00e9dia, Spotify, YouTube, um material gigantesco e f\u00e1cil de acessar. Conhecer a fundo essas hist\u00f3rias, saber a import\u00e2ncia de algumas pessoas, o porqu\u00ea de algumas coisas, isso \u00e9 que seria um diferencial. No livro, por exemplo, falo muito dos shows mais pol\u00eamicos, como o de Gramado (RS), em que ele jogou um sof\u00e1 no Lago Negro, ou o do Bar Opini\u00e3o em Porto Alegre, que foi bastante ca\u00f3tico. Tudo isso tem uma explica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 nas wikip\u00e9dias da vida, mas que todos poder\u00e3o ler nesse livro-reportagem.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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F\u00e3 de Milton, amigo de Gil e dos Paralamas, teve sua obra transformada pela m\u00fasica brasileira \u2013 mas \u00e9 um desconhecido do grande p\u00fablico nacional. Novo livro-reportagem recupera suas liga\u00e7\u00f5es com o Brasil<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/poeticas\/charly-garcia-rebelde-latino-americano\/\">Charly Garc\u00eda: rebelde latino-americano<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96895,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[76737,76738,61906,76739,5702,52990,76740,76741,4463,57627,76742,5499,76743,61915,76744,76745],"tags":[],"class_list":["post-96894","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-14-bis","category-cancion-para-mi-muerte","category-charly-garcia","category-demoliendo-hoteles","category-ditadura-argentina","category-flavio-venturini","category-grupo-corpo","category-ivone-de-virgiliis","category-milton-nascimento","category-paralamas-do-sucesso","category-pequenas-anecdotas-sobre-las-instituciones","category-poeticas","category-rasguna-las-piedras","category-rock-argentino","category-zoca","category-zoca-pederneiras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96894\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}