{"id":96909,"date":"2026-07-23T18:21:15","date_gmt":"2026-07-23T21:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/otan-assim-age-o-clube-dos-senhores-da-guerra\/"},"modified":"2026-07-23T18:21:15","modified_gmt":"2026-07-23T21:21:15","slug":"otan-assim-age-o-clube-dos-senhores-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/otan-assim-age-o-clube-dos-senhores-da-guerra\/","title":{"rendered":"Otan: Assim age o clube dos senhores da guerra"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"813\" height=\"624\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-23-at-18-36-30-file-20230711-29-n03r6iavif-imagem-AVIF-1000-767-pixels-Redimensionada-81.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-23-at-18-36-30-file-20230711-29-n03r6iavif-imagem-AVIF-1000-767-pixels-Redimensionada-81.png 813w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-23-at-18-36-30-file-20230711-29-n03r6i.avif-imagem-AVIF-1000-\u00d7-767-pixels-Redimensionada-81-300x230.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-23-at-18-36-30-file-20230711-29-n03r6i.avif-imagem-AVIF-1000-\u00d7-767-pixels-Redimensionada-81-768x589.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 813px) 100vw, 813px\"><figcaption> L\u00edderes mundiais participam de uma c\u00fapula da OTAN em Paris, em 1957. Foto:  Reg Birkett\/Keystone\/Getty Images <\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"365\" height=\"550\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/otan-21.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/otan-21.jpg 365w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/otan-21-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 365px) 100vw, 365px\"><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>MAIS<\/strong><br \/>Esta \u00e9 a Introdu\u00e7\u00e3o de <strong>Otan: o que voc\u00ea precisa saber sobre a principal m\u00e1quina de guerra do imperialismo<\/strong>, livro de David Swanson e Medea Benjamin, em pr\u00e9-venda no site da editora pela Autonomia Liter\u00e1ria, parceria de Outras Palavras, que junto a outras editoras independentes est\u00e1 organizando a<strong> FLIPEI,<\/strong> evento que acontecer\u00e1 de 5 a 9 de agosto em S\u00e3o Paulo! Acesse o site para acompanhar as novidades na programa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O poder de um s\u00edmbolo reside na sua inclina\u00e7\u00e3o \u00e0 universalidade. Perversos ou bons, a qualidade de um s\u00edmbolo deveria ser medida pela capacidade que tem de comunicar quase instantaneamente e com clareza, para um p\u00fablico amplo, atravessando fronteiras e culturas, os valores que busca representar. A pomba branca carregando um ramo de oliveira ser\u00e1 quase universalmente reconhecida como um s\u00edmbolo da paz; uma su\u00e1stica branca invertida sobre fundo vermelho, por sua vez, ser\u00e1 quase globalmente compreendida como signo do mais pernicioso regime do s\u00e9culo 20.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), tema deste livro, \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o mundial, com presen\u00e7a em dezenas de pa\u00edses e uma longa lista de crimes cometidos. Seus membros representam cerca de 11,3% da popula\u00e7\u00e3o mundial (960 milh\u00f5es de pessoas) e 30% do PIB global; se considerarmos os pa\u00edses parceiros da organiza\u00e7\u00e3o, ela abarca quase \u00bc (23,8%) da popula\u00e7\u00e3o mundial (1,97 bilh\u00f5es de pessoas). Ainda assim, n\u00e3o ser\u00e3o muitos aqueles que, mesmo em pa\u00edses membros da OTAN, saber\u00e3o identificar a rosa-dos-ventos branca sobre fundo azul-escuro como o s\u00edmbolo da organiza\u00e7\u00e3o. Isso porque, como Medea Benjamin e David Swanson deixam claro neste livro, a OTAN \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o opaca \u2013 ali\u00e1s, uma organiza\u00e7\u00e3o intencionalmente opaca. \u201cQuanto mais a Otan se torna a entidade que se entende estar tomando medidas globais, em vez dos militares dos Estados Unidos, mais dif\u00edcil \u00e9 se opor a essas medidas. As pessoas n\u00e3o podem se irritar e votar para que seu representante local na Otan n\u00e3o seja eleito porque isso n\u00e3o existe\u201d, escrevem. \u201cNo mundo da Otan, a Otan \u00e9 uma boa fachada para os militares dos Estados Unidos. Uma coletiva de imprensa da Otan ter\u00e1 melhor repercuss\u00e3o do que uma do Pent\u00e1gono. Mas no resto do mundo, \u00e9 melhor manter o sil\u00eancio sobre a organiza\u00e7\u00e3o durante a busca para \u2018conquistar cora\u00e7\u00f5es e mentes\u2019\u201d.<\/p>\n<p>A OTAN n\u00e3o se restringe, no entanto, a uma fachada para o belicoso imperialismo norte-americano. Criada em 1949, ap\u00f3s o desfecho da Segunda Guerra Mundial, a organiza\u00e7\u00e3o foi, acima de tudo, um mecanismo de subordina\u00e7\u00e3o militar e pol\u00edtica da Europa; no campo militar, representou o que o FMI e o Banco Mundial foram no campo econ\u00f4mico. Sob o manto da \u201cdefesa comum\u201d contra o socialismo, os Estados Unidos na pr\u00e1tica submeteram e passaram a reger a pol\u00edtica de Defesa dos outros onze membros iniciais da OTAN, dando um sentido bastante literal ao princ\u00edpio de Mao Ts\u00e9-Tung segundo o qual \u201co poder nasce da ponta do cano de um fuzil\u201d. No caso da rela\u00e7\u00e3o estabelecida pelos EUA para com os pa\u00edses europeus e o Canad\u00e1 por meio da OTAN, se poderia dizer: \u201co poder reside naquele que fabrica o fuzil\u201d, ou \u201co poder \u00e9 daquele que controla as bases militares\u201d. De fato, a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o declara em seu Conceito Estrat\u00e9gico que a integra\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a \u00e9 \u201cn\u00e3o apenas militar, mas tamb\u00e9m pol\u00edtica, econ\u00f4mica e psicol\u00f3gica\u201d \u2013 poder\u00edamos dizer que, mais do que uma alian\u00e7a militar, ela \u00e9 um instrumento de subordina\u00e7\u00e3o de espectro total. A partir do momento que os pa\u00edses europeus tornavam-se membros da OTAN, cada governo passou a haver de considerar em seus c\u00e1lculos, quando suas pol\u00edticas pudessem estar em desacordo com as norte-americanas, as centenas ou milhares de tropas da OTAN instaladas no pa\u00eds, as bases que as abrigam, ou at\u00e9 mesmo os armamentos nucleares ali estocados.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil concluir que o espa\u00e7o de manobra destes governos frente os Estados Unidos esteve consideravelmente reduzido, que sua soberania \u2013 a capacidade de <em>decidir<\/em> <em>por si e efetivar sua decis\u00e3o <\/em>\u2013 era erodida pela sua ades\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante notar que esta l\u00f3gica se aplica acima de tudo para um governo que, \u00e0 frente de um pa\u00eds-membro da organiza\u00e7\u00e3o, buscasse se retirar dela. N\u00e3o \u00e9 por acaso que nenhum pa\u00eds tenha se retirado permanentemente da OTAN, embora a Fran\u00e7a em 1966 e a Gr\u00e9cia em 1974 tenham se retirado de seu comando militar.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/14--35.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/14--35.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Os autores deste livro revelam o nascimento da OTAN ainda como uma organiza\u00e7\u00e3o fundamentalmente anticomunista, muito mais do que antisovi\u00e9tica: \u201ca verdadeira cola que uniu os pa\u00edses da alian\u00e7a foi a oposi\u00e7\u00e3o ao comunismo e ao socialismo. Isso significava n\u00e3o apenas tentar contrariar a for\u00e7a da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e as estruturas militares que ela havia constru\u00eddo na Europa Oriental, mas tamb\u00e9m se opor aos movimentos comunistas na Europa Ocidental e se opor \u00e0s lutas revolucion\u00e1rias e anticoloniais ao redor do globo. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os fundadores da Otan diriam que estavam simplesmente respondendo ao expansionismo sovi\u00e9tico e \u00e0 Guerra Fria que j\u00e1 estava em andamento. Mas a cria\u00e7\u00e3o da Otan e a exclus\u00e3o dos sovi\u00e9ticos, na verdade, intensificaram e institucionalizaram a Guerra Fria. A contraparte sovi\u00e9tica, o Pacto de Vars\u00f3via, foi criado, como uma resposta, apenas seis anos depois.\u201d Desvelam tamb\u00e9m a hipocrisia por tr\u00e1s do discurso democratista da OTAN, lembrando que o princ\u00edpio de \u201cpromover os valores compartilhados da democracia\u201d, presente no documento fundador da OTAN nunca foi mais do que letra morta: a Gr\u00e9cia permaneceu membro da OTAN mesmo sob a ditadura militar de 1967 a 1975, e a Turquia nunca foi retirada da alian\u00e7a, apesar dos golpes militares de 1960, 1971 e 1980. \u201cEm ambos os casos, o seu valor estrat\u00e9gico para a alian\u00e7a superou claramente quaisquer preocupa\u00e7\u00f5es com os \u2018princ\u00edpios de democracia\u2019 mencionados no Tratado do Atl\u00e2ntico Norte\u201d. E recordam, em tempos em que o colonialismo ressurge no debate p\u00fablico e em que as lutas anticoloniais do passado s\u00e3o revalorizadas, do papel da organiza\u00e7\u00e3o contra as lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional na \u00c1frica: em apoio \u00e0 Fran\u00e7a, teve papel destacado durante a guerra de independ\u00eancia da Arg\u00e9lia, entre 1954 e 1962, e ajudou a armar o colonialismo portugu\u00eas ao longo de 25 anos de guerra colonial em Guin\u00e9-Bissau, Angola e Mo\u00e7ambique. \u201cEm uma Confer\u00eancia Afro-Asi\u00e1tica em Bandung, em 1955, o primeiro-ministro indiano Jawaharlal Nehru chamou a Otan de \u2018o protetor mais poderoso do colonialismo\u2019 e afirmou que Marrocos, Arg\u00e9lia e Tun\u00edsia \u2018provavelmente j\u00e1 teria conquistado\u00a0 a independ\u00eancia se n\u00e3o fosse pela Otan\u2019. Em 1965, o revolucion\u00e1rio guineense Am\u00edlcar Cabral descreveu como armas de pa\u00edses da Otan \u2013 incluindo os Estados Unidos, a Alemanha, a Fran\u00e7a e a It\u00e1lia \u2013 foram usadas contra as for\u00e7as de liberta\u00e7\u00e3o em toda a \u00c1frica\u201d, escrevem os autores.<\/p>\n<p>Uma evid\u00eancia de que a OTAN, mais do que uma alian\u00e7a anticomunista, sempre foi um instrumento de subordina\u00e7\u00e3o dos seus membros a Washington \u2013 isto \u00e9, para al\u00e9m do fato da alian\u00e7a s\u00f3 haver se expandido desde a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u2013 \u00e9 o fato de suas a\u00e7\u00f5es militares s\u00f3 terem ocorrido ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS. A primeira a\u00e7\u00e3o militar da OTAN ocorreu em 1994, quando a organiza\u00e7\u00e3o imp\u00f4s uma zona de exclus\u00e3o a\u00e9rea (<em>no fly zone<\/em>) na B\u00f3snia. Embora autorizada pela ONU \u2013 o que mais degrada a ONU do que legitima a OTAN \u2013, esta a\u00e7\u00e3o foi realizada, como lembram os autores, \u201ccontra um movimento insurgente que n\u00e3o tinha atacado, ou mesmo amea\u00e7ado, qualquer um de seus membros\u201d, dando prova, portanto, de que a OTAN tampouco foi estruturada como uma alian\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o puramente defensiva. Ainda no contexto do desmembramento da Iugosl\u00e1via, a OTAN viria a atuar na S\u00e9rvia, onde lan\u00e7aria \u2013 desta vez sem aprova\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU \u2013 23 mil bombas, marcando a maior opera\u00e7\u00e3o militar em solo europeu desde a Segunda Guerra. No dia 7 de maio de 1999, durante essa campanha de bombardeios, cinco bombas guiadas por sat\u00e9lite seriam lan\u00e7adas por ca\u00e7as B-2 Spirit americanos contra a embaixada da China em Belgrado.<\/p>\n<p>Os casos mais grotescos da atua\u00e7\u00e3o da OTAN, no entanto, n\u00e3o remetem \u00e0 d\u00e9cada de 90 e aos complicados conflitos etno-nacionais que emergiram da dissolu\u00e7\u00e3o da URSS, mas sim aos anos 2000. Embora pare\u00e7a uma estrutura velha e fantasmag\u00f3rica, uma reminisc\u00eancia ainda viva por acaso, conv\u00e9m n\u00e3o deixar de notar que a OTAN \u00e9 acima de tudo uma organiza\u00e7\u00e3o do presente: suas a\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o atos relegados \u00e0 Hist\u00f3ria; impactam as rela\u00e7\u00f5es entre as na\u00e7\u00f5es e a geopol\u00edtica mundial hoje. Tr\u00eas casos, muito bem documentados neste livro, o revelam: a participa\u00e7\u00e3o fundamental da OTAN na ocupa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos contra o Afeganist\u00e3o, que se arrastou de 2001 a 2021; seu papel na interven\u00e7\u00e3o na L\u00edbia, em 2011, que levou o que at\u00e9 ent\u00e3o era o pa\u00eds mais desenvolvido da \u00c1frica a uma longa guerra civil entre diversas fac\u00e7\u00f5es, com o pa\u00eds hoje divido em dois governos em conflito; e o papel da OTAN como elemento provocador da guerra na Ucr\u00e2nia, que j\u00e1 se arrasta h\u00e1 quatro anos.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Armar-se para qu\u00ea? Depend\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o via compra de armas<\/strong><\/h3>\n<p>No cap\u00edtulo \u201cC\u00e9u e Terra\u201d do cl\u00e1ssico chin\u00eas <em>Zhuangzi<\/em><em>, <\/em>escrito entre os s\u00e9culos IV e III a.C, conta-se de Tzu-Gung, um viajante que, ao ver um velho jardineiro carregando \u00e1gua com um jarro para abastecer um enorme canal, sugere que ele construa um monjolo para facilitar seu trabalho. O anci\u00e3o responde que ouviu de seu mestre que \u201cquem quer que use m\u00e1quinas acabar\u00e1 por fazer tudo como uma m\u00e1quina. Quem trabalha com uma m\u00e1quina, ter\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o como uma m\u00e1quina [\u2026] N\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o saiba fazer essas coisas. \u00c9 que eu tenho vergonha de us\u00e1-las[1]\u201d.<\/p>\n<p>Um dos pontos altos deste livro \u00e9 a recorr\u00eancia com que os autores nos lembram da rela\u00e7\u00e3o entre o mercado de armas, a ades\u00e3o \u00e0 OTAN e, por fim, a subordina\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia dos pa\u00edses em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria armamentista da organiza\u00e7\u00e3o, particularmente \u00e0 norte-americana. Os autores revelam, por exemplo, que \u201cna\u00e7\u00f5es como a Rom\u00eania, apesar de uma crise interna absurda no financiamento de necessidades humanas, foram levadas a entender que somente fazendo gigantescas aquisi\u00e7\u00f5es de armas dos Estados Unidos poderiam se tornar membros da Otan\u201d. Na contram\u00e3o desta tend\u00eancia, empresas de armas de pa\u00edses como a Su\u00e9cia e Finl\u00e2ndia comemoraram a entrada na organiza\u00e7\u00e3o como uma grande oportunidade para aumentar o seu mercado. \u00c9 dizer: enquanto alguns pa\u00edses aderem \u00e0 OTAN como uma forma de expandir as receitas de sua ind\u00fastria b\u00e9lica, outros gastam vultosas quantias em armamento da OTAN como se comprassem um passe para entrar na organiza\u00e7\u00e3o, dando prova de que a organiza\u00e7\u00e3o atl\u00e2ntica serve tamb\u00e9m como um grande cartel dos produtores de armas.<\/p>\n<p>Mas a armadilha da depend\u00eancia\/subordina\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de armas da OTAN n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 econ\u00f4mica; \u00e9 acima de tudo estrat\u00e9gica. As armas da OTAN n\u00e3o s\u00e3o monjolos, mas assim como quem \u201cusa m\u00e1quinas acabar\u00e1 por fazer tudo como uma m\u00e1quina\u201d, os pa\u00edses que adquirem armas da OTAN acabar\u00e3o por subordinar-se \u00e0 sua dire\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. Como n\u00e3o se pode realisticamente buscar combater um inimigo que lhe arma[2], a enorme concentra\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses produtores de armas numa s\u00f3 alian\u00e7a, como a OTAN, que det\u00e9m 80% do mercado de armas global, confere \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o uma vantagem estrat\u00e9gica \u00edmpar: o fato de que qualquer ator que busque seriamente confront\u00e1-la h\u00e1 de buscar outros meios de armar-se, por fora da organiza\u00e7\u00e3o; e de que todo ator que arme-se a partir da organiza\u00e7\u00e3o ou de seus pa\u00edses membros torna-se militarmente vulner\u00e1vel \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o em si. Swanson e Benjamin detalham um dos principais meios da OTAN garantir essa vulnerabilidade para al\u00e9m de seus membros: as parcerias, que incluem 35 pa\u00edses que n\u00e3o s\u00e3o membros formais da organiza\u00e7\u00e3o. \u201cCada acordo de parceria \u00e9 espec\u00edfico para cada na\u00e7\u00e3o e pode ser modificado com frequ\u00eancia para expandi-la. Um conceito fundamental para as parcerias da Otan \u00e9 a \u2018interoperabilidade\u2019. Isso significa que os parceiros compram as mesmas armas, contam com as mesmas pessoas para fazer a manuten\u00e7\u00e3o, o reparo e a atualiza\u00e7\u00e3o dessas armas, contam com as mesmas pessoas para treinar seus soldados com essas armas e organizam as for\u00e7as armadas para que funcionem sob o mesmo comando [\u2026] A parceria com a Otan envolve o incentivo para gastar mais em militarismo, comprar mais armas e participar de mais treinamentos e estrat\u00e9gias militares. A organiza\u00e7\u00e3o treina milhares de oficiais de pa\u00edses parceiros, tanto militares quanto civis, em estrat\u00e9gia militar por meio de cerca de trinta \u2018Centros de Treinamento e Educa\u00e7\u00e3o da Parceria\u2019 nacionais e institui\u00e7\u00f5es como a Escola da Otan em Oberammergau, Alemanha, e o Col\u00e9gio de Defesa da Otan em Roma, It\u00e1lia.\u201d Assim, os pa\u00edses parceiros da OTAN, embora n\u00e3o contem com as mesmas premissas dos membros, como a defesa m\u00fatua, devem ser considerados, na pr\u00e1tica, como extens\u00f5es estrat\u00e9gicas da OTAN fora da Europa e da Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<h3><strong>A OTAN e o Brasil<\/strong><\/h3>\n<p>O \u00fanico pa\u00eds sul-americano com rela\u00e7\u00f5es formais com a OTAN \u00e9 a Col\u00f4mbia, \u201cparceira global\u201d da organiza\u00e7\u00e3o desde 2018. Embora a participa\u00e7\u00e3o do Brasil como pa\u00eds-membro na OTAN tenha sido ponderada pouco antes da cria\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, o Pa\u00eds mant\u00e9m-se formalmente alheio \u00e0 OTAN[3]. N\u00e3o se deve considerar por isso, no entanto, que o Brasil tenha algum tipo de autonomia frente \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o. De acordo com dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), 82,6% das importa\u00e7\u00f5es de armamento do Brasil no per\u00edodo de 2000-2019 foram provenientes de pa\u00edses membros da OTAN[4]. Outros 13,07% vieram de parceiros da OTAN (incluindo Israel, com 5,92% das importa\u00e7\u00f5es). Isso significa que mais de 95% das importa\u00e7\u00f5es militares brasileiras foram provenientes da esfera da OTAN. Essa depend\u00eancia vem de longa data: considerando o per\u00edodo que vai de 1949 (ano da funda\u00e7\u00e3o da OTAN) a 2019, 78,4% das importa\u00e7\u00f5es foram de pa\u00edses-membros da OTAN e 12,6% de parceiros; isto \u00e9, 91% das importa\u00e7\u00f5es brasileiras no per\u00edodo vieram da esfera da OTAN.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Prancheta--25.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Prancheta--25.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Embora n\u00e3o mantenha nenhum la\u00e7o formal com a OTAN, as implica\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas de tal n\u00edvel de depend\u00eancia s\u00e3o evidentes: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 que o Brasil n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00f5es de confrontar ou se defender de qualquer pa\u00eds-membro (ou parceiro) da OTAN; \u00e9 que qualquer envolvimento do Brasil e um confronto militar (seja ofensiva ou defensivamente) est\u00e1 subordinado aos pa\u00edses-membros e parceiros da OTAN desejarem manter seu fornecimento de armas, pe\u00e7as e t\u00e9cnicos. Toda e qualquer decis\u00e3o brasileira na esfera internacional h\u00e1 de considerar estes dados; e, tomando-os em conta, nenhuma decis\u00e3o brasileira pode ser verdadeiramente soberana.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se considerar quantos outros pa\u00edses ao redor do mundo n\u00e3o se encontram em situa\u00e7\u00e3o similar de depend\u00eancia militar-estrat\u00e9gica: o poder da OTAN vai muito al\u00e9m de suas interven\u00e7\u00f5es no mundo, os armamentos e tropas estacionados em bases no estrangeiro, suas armas at\u00f4micas estocadas; ele inclui tamb\u00e9m a capacidade de negar o acesso aos seus equipamentos militares em momentos chave, sua capacidade de deixar parceiros e subordinados desarmados de acordo com sua vis\u00e3o estrat\u00e9gica,\u00a0que nada mais \u00e9 do que a vis\u00e3o estrat\u00e9gica dos Estados Unidos.<\/p>\n<h3><strong>Pacifismo: uma alternativa ao reino de terror da OTAN?<\/strong><\/h3>\n<p>Os autores deste livro s\u00e3o veteranos e respeitados militantes pacifistas. Diretor Executivo do World Beyond War, organiza\u00e7\u00e3o pacifista com presen\u00e7a em ao menos 20 pa\u00edses, David Swanson foi indicado v\u00e1rias vezes para o Nobel da Paz. Recebeu o US Peace Prize em 2018, concedido pela US Peace Memorial Foundation, e o Real Nobel Peace Prize em 2024, concedido pela organiza\u00e7\u00e3o norueguesa Lay Down Your Arms, pelas d\u00e9cadas de trabalho como escritor, jornalista e ativista pacifista.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 Medea Benjamin \u00e9 co-fundadora do Code Pink: Women for Peace, organiza\u00e7\u00e3o feminista anti-guerra criada no contexto da prepara\u00e7\u00e3o da guerra norte-americana contra o Iraque. Suas militantes com frequ\u00eancia organizam ocupa\u00e7\u00f5es e protestos em institui\u00e7\u00f5es e confrontam burocratas do Estado norte-americano, e com frequ\u00eancia \u2013 como \u00e9 o caso de Medea \u2013 s\u00e3o detidas ou presas. Medea teve envolvimento lend\u00e1ria Students for a Democratic Society (SDS) durante a juventude, uma organiza\u00e7\u00e3o estudantil nacional fundamental na oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra do Vietn\u00e3 dentro dos EUA, uma das pioneiras da chamada \u201cpol\u00edtica pr\u00e9-figurativa\u201d[5] e na tentativa de organizar uma \u201cnova esquerda\u201d. Tamb\u00e9m trabalhou durante 10 anos na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica pela FAO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura), OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), SIDA (Ag\u00eancia Sueca de Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Internacional) e pela ONG Food First. Pela Code Pink, Medea organizou diversos protestos contra as guerras no Iraque e Afeganist\u00e3o, contra as interven\u00e7\u00f5es na L\u00edbia e na Venezuela, contra o expansionismo sionista e o genoc\u00eddio palestino. Em 2024, embarcou no veleiro \u201cConscience\u201d, parte da Flotilha da Paz por Gaza, bombardeado no dia 2 de maio de 2025 por um drone israelense nas proximidades de Malta enquanto navegava rumo a Gaza. Foi candidata ao Senado pelo Partido Verde em 2000 e recebeu o Pr\u00eamio da Paz Martin Luther King Jr. em 2010.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a\u00a0 luta pacifista de ambos os autores nas entranhas do imp\u00e9rio \u00e9 progressiva, que efetivamente colabora com a luta antiimperialista dos povos em todo o mundo. Medea e Swanson s\u00e3o inimigos da OTAN e do estado norte-americano; amigos, portanto, dos oprimidos das bordas do globo. Mas isso n\u00e3o significa que as solu\u00e7\u00f5es que prop\u00f5em neste livro sejam corretas, nem que suas posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas devam ser adotadas dentro \u2013 e especialmente fora \u2013 dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Nos cap\u00edtulos \u201cE que tal a neutralidade?\u201d, \u201cE se a gente simplesmente abolisse a guerra?\u201d, \u201cUma resist\u00eancia desarmada pode fazer alguma diferen\u00e7a?\u201d, os autores parecem menosprezar o poder da organiza\u00e7\u00e3o que nos cap\u00edtulos anteriores t\u00e3o detalhadamente descrevem. Fazem a defesa de que os pa\u00edses mantenham-se neutros n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 OTAN, mas em rela\u00e7\u00e3o a \u201ctodas as guerras\u201d, <em>que seriam, para eles, necessariamente injustas<\/em>. Aqui, h\u00e1 uma incompreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza da guerra. \u00c9 certo que as guerras t\u00eam sempre um custo humano alt\u00edssimo, mas caracteriz\u00e1s-la acima de tudo por isso \u2013 seus <em>efeitos<\/em> \u2013 \u00e9 um erro e um desvio: um erro porque ignora que a guerra trata sempre da soberania; \u00e9 fundamentalmente uma forma de obrigar o inimigo a fazer o que se quer, por um lado, ou de lutar para se fazer o que se pretende, por outro. A guerra \u00e9 uma forma de viol\u00eancia, \u00e9 certo, mas a ela precede uma viol\u00eancia anterior: a ambi\u00e7\u00e3o de dominar o inimigo, de submet\u00ea-lo. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel sustentar posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria e afirmar que \u201cn\u00e3o h\u00e1 guerras justas\u201d, como fazem os autores, se ignorarmos a perspectiva do agredido ou a igualarmos \u00e0 do agressor por ambos coincidirem nos meios (a guerra), ignorando que ao agredido a guerra \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o cuja alternativa \u00e9 a submiss\u00e3o por outros meios, enquanto que para o agressor ela \u00e9 uma escolha ou, no m\u00ednimo, o \u201c\u00faltimo meio\u201d encontrado para alcan\u00e7ar um objetivo que este tra\u00e7ou unilateralmente. A justeza de uma guerra, assim, se define antes de tudo pelos objetivos que um pa\u00eds, governo ou povo t\u00eam, <em>pelo que lutam<\/em>, n\u00e3o pelo fato de lutarem: a luta \u00e9 antes de tudo uma forma de afirmar ou negar a soberania, ou seja, de efetivar ou negar a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a guerra, primeiro, se define pelo confronto de soberanias, pela incapacidade de duas decis\u00f5es contradit\u00f3rias conviverem, a justeza do uso da for\u00e7a \u00e9 caracterizada pelos seus objetivos finais: se se trata de oprimir ou de resistir \u00e0 opress\u00e3o, se se trata de libertar ou de submeter. Toda guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional ou anticolonial, por exemplo, mesmo que seus m\u00e9todos possam ser cruentos, \u00e9 em si justa, porque trata do elemento mais b\u00e1sico da soberania de uma comunidade pol\u00edtica oprimida: o seu direito de exist\u00eancia como povo ou na\u00e7\u00e3o contra o desejo de terceiros de que tal comunidade pol\u00edtica s\u00f3 possa existir <em>sem direito a decis\u00e3o alguma<\/em>. A viol\u00eancia da guerra de liberta\u00e7\u00e3o ou anticolonial n\u00e3o pode ser considerada maior do que a viol\u00eancia que \u00e9 a submiss\u00e3o ou a imposi\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o colonial, ainda que esta \u00faltima se mantenha de forma relativamente \u201cpac\u00edfica\u201d, sem sangue.<\/p>\n<p>Por outro lado, a posi\u00e7\u00e3o dos autores representa um desvio porque, de fundo, sup\u00f5e a premissa filos\u00f3fica, muito embrenhada no pacifismo, de que n\u00e3o h\u00e1 nada pelo qu\u00ea valha a pena matar e morrer, de que os custos da guerra nunca valem seus objetivos, como argumentam ao dizer que uma guerra que \u201cfizesse mais bem do que mal [\u2026] nunca faria bem suficiente para compensar o fato de ter mantido a institui\u00e7\u00e3o da guerra [\u2026]\u201d; uma concep\u00e7\u00e3o que, embora pare\u00e7a humanit\u00e1ria e \u00e9tica, \u00e9 profundamente niilista.[6]<\/p>\n<p>Essa pol\u00eamica pode parecer secund\u00e1ria, mas \u00e9 especialmente relevante no momento em que este livro chega ao Brasil, numa conjuntura internacional em que os Estados Unidos expandem suas agress\u00f5es militares na Am\u00e9rica Latina e ao redor do mundo, e em que Israel prossegue com o genoc\u00eddio palestino. As premissas de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 guerras justas\u201d e de que n\u00e3o h\u00e1 nada pelo qu\u00ea valha a pena matar e morrer se sustentam neste cen\u00e1rio de agress\u00f5es? Se sustentam a partir do olhar do palestino de Gaza, alvo de limpeza \u00e9tnica? Sobre esse \u00faltimo tema, os autores argumentam, por exemplo: \u201ca \u00c1frica do Sul e a Nicar\u00e1gua tomaram medidas em 2024 para defender o estado de direito na Palestina por meio da Corte Internacional de Justi\u00e7a (CIJ). Eles tomaram medidas que pa\u00edses neutros tamb\u00e9m poderiam ter tomado. Eles n\u00e3o enviaram armas para os palestinos. Eles <em>n\u00e3o apoiaram um ciclo vicioso de loucura de guerra<\/em>. Eles propuseram que o governo israelense fosse impedido de cometer genoc\u00eddio, responsabilizando-o perante a lei internacional. Somente um governo com algum grau de neutralidade poderia ter feito isso.\u201d Talvez seja verdade que somente pa\u00edses neutros poderiam ingressar com tal a\u00e7\u00e3o na CIJ, mas, ao fim, qual foi a efetividade desta a\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao genoc\u00eddio israelense? Ele prossegue; no momento em que este pref\u00e1cio \u00e9 escrito mais de 70 mil palestinos j\u00e1 foram mortos. Falar em um \u201cciclo vicioso de loucura de guerra\u201d neste caso \u00e9 borrar as fronteiras entre agressores e agredidos, \u00e9 confundir o colonizador com o colonizado: a diferen\u00e7a entre um palestino e um israelense, de um colonizado e um colonizador, \u00e9 antes de tudo o fato de que a exist\u00eancia do colonizador como tal \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o entre muitas, um capricho seu, enquanto ao colonizado as liberdades mais b\u00e1sicas \u00e0 vida humana s\u00f3 podem ser alcan\u00e7adas caso ele se liberte de sua situa\u00e7\u00e3o colonial, derrotando o Estado que o oprime. O israelense, em sua situa\u00e7\u00e3o, pode optar por muito, inclusive por n\u00e3o viver como colonizador, por se retirar das terras que foram tomadas de outro povo. O palestino de Gaza, em sua situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode optar por outra coisa sen\u00e3o a guerra: ele n\u00e3o pode fugir de seu enfrentamento di\u00e1rio com a morte, ainda que nunca toque uma arma ou pedra em toda a sua vida. Sua condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de violentado; sua \u00fanica esperan\u00e7a \u00e9 a viol\u00eancia, a guerra.\u00a0 Da\u00ed que, se \u00c1frica do Sul e Nicar\u00e1gua tivessem condi\u00e7\u00f5es de enviar armas a Gaza, isso n\u00e3o seria colaborar com o \u201cciclo vicioso de loucura de guerra\u201d: seria, no contexto colonial, uma medida humanit\u00e1ria, \u00e9tica e justa.<\/p>\n<p>Da mesma forma, pa\u00edses que buscam resistir a agress\u00f5es imperialistas n\u00e3o o fazem por um capricho; a alternativa seria abrir m\u00e3o de sua decis\u00e3o soberana, ou seja, aceitar existir <em>somente<\/em> na condi\u00e7\u00e3o de submissos. \u00c9 preciso repetir: \u00e9 fundamental distinguir entre aquele que se prepara para a guerra para defender sua soberania e aquele que se prepara para a guerra para submeter outros aos seus desejos e interesses. Enquanto houver esses segundos, \u201cabolir a guerra\u201d e desarmar-se ser\u00e1 imposs\u00edvel. Num mundo em que a na\u00e7\u00e3o suprema em gastos militares, os Estados Unidos, cujo or\u00e7amento militar nacional \u00e9 superior aos 12 pa\u00edses seguintes \u2013 dos quais 10 s\u00e3o aliados \u2013, \u00e9 ainda l\u00edder de uma organiza\u00e7\u00e3o como a OTAN, n\u00e3o h\u00e1 qualquer neutralidade poss\u00edvel. Num mundo em que a viol\u00eancia impera ao ponto de um genoc\u00eddio ocorrer sem que qualquer organiza\u00e7\u00e3o ou lei internacional fa\u00e7a-o parar, desarmar-se \u00e9 s\u00f3 um convite \u00e0 domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica pelos mais fortes. Na\u00e7\u00f5es elogiadas neste livro por terem abolido suas For\u00e7as Armadas, como a Costa Rica, parecem prov\u00e1-lo na medida em que s\u00e3o absolutamente dependentes dos Estados Unidos ou de organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es a ele submetidas. Tal depend\u00eancia, vale ressaltar, \u00e9 em si violenta, na medida em que \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>***\u00a0<\/p>\n<p>A despeito da perspectiva pacifista sustentada pelos autores, este livro segue sendo fundamental. N\u00e3o s\u00f3 pelo didatismo com o qual Medea Benjamin e David Swanson desvelam os meandros da OTAN \u2013 o livro faz muito jus ao t\u00edtulo, sendo organizado como um grande manual sobre a organiza\u00e7\u00e3o \u2013, mas particularmente pelo esfor\u00e7o que p\u00f5em em revelar <em>o que verdadeiramente \u00e9 a OTAN <\/em>para al\u00e9m de sua estrutura e valores formais, destruindo cada uma das mitifica\u00e7\u00f5es que rondam a organiza\u00e7\u00e3o e revelando, em profundidade, as farsas sustentadas pela organiza\u00e7\u00e3o, seja em seus pr\u00f3prios regulamentos, seja em sua hist\u00f3ria, seja em seus objetivos declarados: \u00e9 um livro vital para que mais brasileiros reconhe\u00e7am o s\u00edmbolo da OTAN pelo que ele \u00e9; o emblema da organiza\u00e7\u00e3o terrorista mais poderosa e bem-armada do mundo. Que um dia nossos filhos e netos possam olhar a tal s\u00edmbolo de maneira similar \u00e0 qual olhamos a su\u00e1stica: um s\u00edmbolo de um mal supremo, mas de um mal passado.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] \u00a0MCLUHAN, Marshall. <strong>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o como extens\u00f5es do homem<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1969. pg. 83.<\/p>\n<p>[2]\u00a0 \u00c9 ainda um princ\u00edpio b\u00e1sico o de que, quanto mais complexos s\u00e3o os armamentos e sistemas comprados, maior \u00e9 a depend\u00eancia estrat\u00e9gica do pa\u00eds que os adquire, na medida em que a falha em obter um s\u00f3 componente de um sistema pode deixar todo o sistema inoperante.<\/p>\n<p>[3]\u00a0 Em 2019, os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump oficializaram a designa\u00e7\u00e3o do Brasil como um \u201caliado preferencial extra-Otan\u201d, mas este \u00e9 um mecanismo dos Estados Unidos para facilitar coopera\u00e7\u00e3o militar com pa\u00edses que n\u00e3o fazem parte da OTAN, e n\u00e3o deve ser confundido com uma parceria com a OTAN em si.<\/p>\n<p>[4]\u00a0 Se considerarmos pa\u00edses que eram parceiros e se tornaram membros recentemente, como Su\u00e9cia, as importa\u00e7\u00f5es de membros saltariam para 88,9%.<\/p>\n<p>[5]\u00a0 De acordo com Vincent Bevins em \u201cA d\u00e9cada da revolu\u00e7\u00e3o perdida\u201d (Boitempo, 2025), \u201ca abordagem da SDS \u2013 talvez o elemento verdadeiramente \u2018novo\u2019 da Nova Esquerda \u2013 ditava que eles deveriam adotar agora formas organizacionais que gostariam de ver no mundo que queriam criar. O nome dado a isso foi \u2018pol\u00edtica prefigurativa\u2019: o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo agora vai prefigurar ou mostrar um vislumbre do mundo em que deseja viver amanh\u00e3\u201d. Um dos pilares fundamentais de tal posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que meios e fins h\u00e3o de coincidir, inclusive na forma.\u00a0<\/p>\n<p>[6]\u00a0 Valer\u00e1 perguntar, frente a qualquer um que busque sustentar tal posi\u00e7\u00e3o: \u201ce voc\u00ea por acaso j\u00e1 amou algo ou algu\u00e9m?\u201d. Qualquer um que seja sincero ao responder \u201csim\u201d n\u00e3o poder\u00e1, ao mesmo tempo, conviver com a premissa filos\u00f3fica \u2013 t\u00e3o repetida e arraigada no Ocidente quanto \u00e9 ignorada \u2013 de que \u201ca vida humana est\u00e1 acima de tudo\u201d; um princ\u00edpio que pode ter valor quando tomado abstratamente, mas que nunca passa no teste da concretude: quando uma vida humana confronta-se com outra em quest\u00f5es de justi\u00e7a ou vida ou morte, \u00e9 evidente que todos nos posicionamos. Quando uma das vidas nos \u00e9 objeto de especial apre\u00e7o, n\u00e3o \u00e9 raro que nos disponhamos aos atos mais violentos para impedir a viol\u00eancia ou respond\u00ea-la, ou aos atos mais solid\u00e1rios, como desejar tomar o lugar do atacado ou morto. A n\u00edvel individual, estes casos demonstram que h\u00e1 motivos, ainda que busquemos negar, pelos quais vale morrer e matar \u2013 a guerra em certo sentido n\u00e3o \u00e9 muito mais do que a transfer\u00eancia deste fato do reino individual para o reino social, coletivo e organizado.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Otan: Assim age o clube dos senhores da guerra appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/concurso-do-ibama-tera-460-vagas-com-salarios-de-r-99-mil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Concurso do Ibama ter\u00e1 460 vagas com sal\u00e1rios de R...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/favela-do-moinho-divulgadas-primeiras-453-familias-beneficiadas-com-novas-moradias\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Favela do Moinho: divulgadas primeiras 453 fam\u00edlia...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/precarizacao-e-pejotizacao-impedem-trabalhadores-de-se-sindicalizarem\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/arton26735-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Precariza\u00e7\u00e3o e pejotiza\u00e7\u00e3o impedem trabalhadores d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/beneficios-do-inss-terao-aumento-de-39-a-partir-de-fevereiro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Meu-INSS-plataforma-reune-servicos-da-previdencia-na-palma-da-sua-mao-aprenda-a-usar-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Benef\u00edcios do INSS ter\u00e3o aumento de 3,9% a partir ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo livro desvela os meandros da alian\u00e7a militar do Ocidente. Sua estrutura opaca que blinda o intervencionismo dos EUA. Como tornou-se megacartel da ind\u00fastria b\u00e9lica. A nova fase de brutalidade, a partir dos anos 2000. E os planos no Sul global<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/otan-como-opera-o-clube-dos-senhores-da-guerra\/\">Otan: Assim age o clube dos senhores da guerra<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":96910,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[35954,41156,2058,76751,76752,5511,79,629,394,76753,6120,1312,5700,1402,1115,51057,4118,25,76754,76755,1474,76756,2148,5628,627,76757,5387],"tags":[],"class_list":["post-96909","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alianca-militar","category-alianca-politica","category-antiimperialismo","category-armamentos-nucleares","category-belicoso-imperialismo","category-capa","category-colonialismo","category-destruicao","category-estados-unidos","category-expansionismo-sovietico","category-genocidio-palestino","category-geopolitica","category-geopolitica-guerra","category-guerras","category-imperialismo","category-industria-armamentista","category-industria-belica","category-israel","category-luta-pacifista","category-mercado-de-armas","category-militarismo","category-organizacao-atlantica","category-otan","category-segunda-guerra-mundial","category-socialismo","category-subordinacao-militar","category-uniao-sovietica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96909"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96909\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96910"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}