{"id":97817,"date":"2026-07-29T17:15:12","date_gmt":"2026-07-29T20:15:12","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/beto-guedes-e-a-partilha-do-sensivel\/"},"modified":"2026-07-29T17:15:12","modified_gmt":"2026-07-29T20:15:12","slug":"beto-guedes-e-a-partilha-do-sensivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/beto-guedes-e-a-partilha-do-sensivel\/","title":{"rendered":"Beto Guedes e a partilha do sens\u00edvel"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"491\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5141385254626069677_x.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5141385254626069677_x.jpg 720w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/photo_5141385254626069677_x-300x205.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>L\u00f4 Borges e Beto Guedes. Foto: Paula Castelo Branco<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em><br \/>Pois n\u00e3o \u00e9 \u00e0 persuas\u00e3o, mas ao \u00eaxtase que a natureza sublime conduz os ouvintes. <\/em><br \/>\u2013 Longino<\/p>\n<p>Aproveitando a publica\u00e7\u00e3o, aqui em <em>Outras Palavras<\/em>, do ensaio de Michel Goulart da Silva sobre a letra de \u201cAmor de \u00cdndio\u201d, este artigo olha para outro momento da carreira de Beto Guedes, o seu primeiro disco solo, <em>A P\u00e1gina do Rel\u00e2mpago El\u00e9trico<\/em> (1977). A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 menos interpretar o disco como obra acabada do que perguntar que forma de experi\u00eancia ele faz emergir, e quais condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e materiais a tornaram poss\u00edvel. Parto de impress\u00f5es dispersas de ouvintes, cr\u00edticas jornal\u00edsticas da \u00e9poca e coment\u00e1rios sobre o disco, especialmente os que se det\u00eam sobre a voz de Beto Guedes e sobre os efeitos que ela, junto com as can\u00e7\u00f5es, continua produzindo.<\/p>\n<p>Mesmo que muitos dos movimentos que marcaram os anos 1960 atravessassem, na d\u00e9cada seguinte, processos de enfraquecimento e reorienta\u00e7\u00e3o, suas consequ\u00eancias continuavam a circular em setores da sociedade brasileira, em um pa\u00eds cuja industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o, iniciadas d\u00e9cadas antes, ainda ampliavam o tecido material e institucional da vida coletiva. Da contracultura \u00e0 teologia da liberta\u00e7\u00e3o, da psicodelia ao novo sindicalismo, dos movimentos estudantis a uma nascente consci\u00eancia ecol\u00f3gica, permanecia latente nos anos 70 um horizonte de experi\u00eancias voltadas ao alargamento da consci\u00eancia e a formas de participa\u00e7\u00e3o menos centradas no indiv\u00edduo. Nas d\u00e9cadas seguintes, a derrota ou a domestica\u00e7\u00e3o dessas correntes coincidiu com a consolida\u00e7\u00e3o de um novo senso de realidade, segundo o diagn\u00f3stico de Mark Fisher: enfraquecimento dos horizontes coletivos, maior introje\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica da concorr\u00eancia, redu\u00e7\u00e3o das expectativas de transforma\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, resigna\u00e7\u00e3o diante de uma ordem de coisas t\u00e3o artificial quanto dada como natural.<sup>i<\/sup><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Prancheta--33.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Prancheta--33.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O document\u00e1rio <em>Nada Ser\u00e1 Como Antes<\/em>, de Ana Rieper, sugere bem a influ\u00eancia daquele cen\u00e1rio sobre os membros do Clube da Esquina, do qual <em>A P\u00e1gina do Rel\u00e2mpago El\u00e9trico <\/em>foi uma ramifica\u00e7\u00e3o nem sempre lembrada. Uma \u201creligiosidade mineira\u201d, nas palavras de Wagner Tiso, marcava aqueles m\u00fasicos.<sup>ii<\/sup> Ainda hoje, o disco pode nos transportar para um passado hist\u00f3rico e sua atmosfera, e para algo de sublime: uma experi\u00eancia que \u201cultrapassa os limites da linguagem\u201d, algo \u201c\u00e9pico\u201d e at\u00e9 \u201cdivino\u201d, com \u201cvocais totalmente estranhos, agudos e femininos\u201d que podem lembrar cantos m\u00edsticos medievais.<sup>iii<\/sup><\/p>\n<p>Refer\u00eancias \u00e0quelas realidades alternativas aparecem nas letras de Ronaldo Duarte. \u201cLumiar\u201d remete ao distrito fluminense frequentado por <em>hippies<\/em>. Cr\u00edticos da \u00e9poca apontaram significados para os timbres: o <em>moog<\/em> como sinal de um cosmopolitismo promissor; o bandolim como mais id\u00edlico, etc. Mas al\u00e9m do que letras e timbres significam, podemos lembrar que as can\u00e7\u00f5es participam de um outro regime de linguagem, no qual uma obra \u00e9 marcada n\u00e3o somente pelo que representa, mas por dar espa\u00e7o a for\u00e7as que atravessam a linguagem e os sujeitos. Esse regime pode ser chamado de express\u00e3o. Irredut\u00edvel a um tipo de exterioriza\u00e7\u00e3o da psicologia individual ou descri\u00e7\u00e3o de objetos, a express\u00e3o est\u00e9tica \u00e9, nas palavras de Vladimir Safatle, \u201ca manifesta\u00e7\u00e3o da inquietude da linguagem em rela\u00e7\u00e3o ao sentido e \u00e0 refer\u00eancia\u201d. Uma inquietude, continua, \u201cvinda da promessa de transforma\u00e7\u00e3o estrutural dos modos de rela\u00e7\u00e3o a si e ao mundo que as obras de arte acabar\u00e3o por portar\u201d.<sup>iv<\/sup><\/p>\n<p>Em <em>A P\u00e1gina do Rel\u00e2mpago El\u00e9trico<\/em>, essa inquietude parece tornar-se mat\u00e9ria da escuta, atravessando a voz de Beto Guedes, a din\u00e2mica da banda e procedimentos de grava\u00e7\u00e3o, comprometidos menos com a afirma\u00e7\u00e3o de identidades ou inten\u00e7\u00f5es plenamente definidas do que com a manuten\u00e7\u00e3o de um campo expressivo em permanente circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Voz \u201cesgani\u00e7ada\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Uma resenha acusou o \u00e1lbum de \u201cfraco\u201d e o canto de Beto Guedes de percorrer, justamente, \u201ccaminhos indefinidos\u201d<sup>v<\/sup>, em tom negativo. Mas essa fragilidade, a \u201cindefini\u00e7\u00e3o\u201d acusada pelo texto, talvez seja um dos seus tra\u00e7os mais fascinantes. A voz parece oscilar entre diferentes tipos de emiss\u00e3o. Com voz naturalmente fina, Beto \u00e0s vezes parece trocar para o falsete sem necessidade, sendo um pouco dif\u00edcil perceber em qual modo ele canta a cada momento. Quando usa o falsete, sua emiss\u00e3o mant\u00e9m uma boa quantidade de resson\u00e2ncia, sem que o timbre soe excessivamente a\u00e9reo, mas mantendo brilho e rasgo. A voz oscila entre diferentes modos do agudo, realmente pouco definida.<\/p>\n<p>Essa conduta n\u00e3o reflete um experimentalismo, digamos, muito frontal. Parece resultar, na verdade, de uma postura desgarrada de um horizonte muito estreito de otimiza\u00e7\u00e3o de si. A posi\u00e7\u00e3o diante do microfone \u00e9 algo desconvencida: o cantor se move, gerando oscila\u00e7\u00f5es de volume no interior das frases e at\u00e9 de cada palavra e s\u00edlaba cantada. H\u00e1 certa rima entre essa disposi\u00e7\u00e3o da voz e o da guitarra ao longo do disco, que em alguns momentos parece ligada diretamente \u00e0 mesa, produzindo uma presen\u00e7a quase superlativa, ao mesmo tempo intensa e inst\u00e1vel. O bandolim com efeito de <em>flanger<\/em> \u2014 como no final de \u201cTanto\u201d \u2014 produz impress\u00e3o semelhante. E isso que poderia soar como descuido participa, na verdade, de uma constru\u00e7\u00e3o bastante densa, marcada por uma sensibilidade progressiva e barroca.<\/p>\n<p>Hoje, numa \u00e9poca marcada pela tend\u00eancia a se confundir expressividade com desempenho vocal, a voz de Beto Guedes pode soar anacr\u00f4nica. Sua for\u00e7a n\u00e3o vem da consist\u00eancia, mas de estranhas oscila\u00e7\u00f5es. O que ouvimos n\u00e3o \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de uma certeza de inten\u00e7\u00e3o nem qualquer tipo de gin\u00e1stica vocal, mas uma voz algo esfarrapada, que pode perder contornos para ganhar resson\u00e2ncia. \u201cMas nos vocais ele \u00e9 ainda muito mais do que isso\u201d, escreveu outro jornalista: \u201c\u00e9 cativante. A voz esgani\u00e7ada que Beto mostrou em \u2018F\u00e9 cega, faca amolada\u2019 vestiu-se de baile e deslumbra-se em varia\u00e7\u00f5es\u201d.<sup>vi<\/sup><\/p>\n<p>Em \u201cLumiar\u201d, ainda surge um artif\u00edcio adicional da mixagem, que sincroniza duas tomadas diferentes da voz. Com o canto ligeiramente solto por sobre a m\u00e9trica, as duas grava\u00e7\u00f5es n\u00e3o coincidem perfeitamente, fazendo surgir microvaria\u00e7\u00f5es de tempo e afina\u00e7\u00e3o que criam ligeiras sombras sonoras. Enquanto a duplica\u00e7\u00e3o vocal costuma produzir efeito de pot\u00eancia e defini\u00e7\u00e3o, aqui ela gera algo pr\u00f3ximo de um pequeno cambalear, um refor\u00e7o de fraqueza atrav\u00e9s do qual voz de Beto se incorpora ao n\u00e3o coincidir inteiramente consigo mesma.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1-29.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1-29.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Em \u201cChap\u00e9u de Sol\u201d, os elementos que poderiam concentrar a aten\u00e7\u00e3o sobre o cantor \u2014 a guitarra e a voz \u2014 saem de cena, e a bateria se coloca de partida numa virada constante, intensa e bloqueando o espa\u00e7o de um desenvolvimento tradicional, ao mesmo tempo precisa e sem arroubos na repeti\u00e7\u00e3o exata de seus ciclos. As densas camadas instrumentais soam como manifesta\u00e7\u00f5es de uma mesma intelig\u00eancia: n\u00e3o representa\u00e7\u00f5es de ideias ou afetos definidos, mas movimentos de uma imagina\u00e7\u00e3o circulante que encontra nos instrumentos uma forma de exist\u00eancia. O que sociedades antigas chamaram de <em>virtus<\/em> talvez ofere\u00e7a uma imagem para essa circula\u00e7\u00e3o: uma pot\u00eancia que n\u00e3o pertence inteiramente a nenhum corpo ou fonte individual, mas se atualiza ao passar de uma mat\u00e9ria a outra, do gesto ao instrumento, do instrumento aos arranjos, at\u00e9 encontrar em corpos alheios uma esp\u00e9cie de vida comum. A m\u00fasica parece, ent\u00e3o, menos expressar a interioridade de um indiv\u00edduo ou a identidade de um grupo do que permitir a atualiza\u00e7\u00e3o de uma pot\u00eancia entre diferentes paragens.<\/p>\n<p>As m\u00fasicas seriam ensaiadas por meses em s\u00edtios e est\u00fadios, com Beto, Fl\u00e1vio Venturini, Vermelho, Hely Rodrigues e Z\u00e9 Eduardo formando o n\u00facleo de uma banda que depois faria shows, um segundo disco (<em>Amor de \u00cdndio<\/em>) e se ramificaria no grupo 14 Bis.<sup>vii<\/sup> O conjunto soa menos como uma banda de acompanhamento de Beto Guedes ou projeto circunstancial do que uma banda em sentido forte, da qual se ventila um clima e uma verdade de solidariedade sem complac\u00eancia ou polidez entre as partes. Uma consequ\u00eancia poss\u00edvel, certamente comum, dessa escuta \u00e9 nos colocar em contato com um passado, de algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, no qual a vida parecia preservar uma porosidade maior ao tempo.<\/p>\n<h3><strong>Entre dois e mais mundos<\/strong><\/h3>\n<p>O estilo do canto de Beto Guedes e a din\u00e2mica da banda s\u00e3o tomados, aqui, como \u00edndices que permitem, mais do que reivindicar um repert\u00f3rio fonogr\u00e1fico, questionar as condi\u00e7\u00f5es de acesso ao art\u00edstico em um momento hist\u00f3rico marcado por crises m\u00faltiplas e pela submiss\u00e3o da vida \u00e0 racionalidade concorrencial. Se a partilha do sens\u00edvel se transformou com a reorganiza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e as mudan\u00e7as econ\u00f4micas no Brasil das \u00faltimas d\u00e9cadas, ampliando o campo das representa\u00e7\u00f5es, isso n\u00e3o significa que as condi\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia da express\u00e3o tenham se tornado necessariamente mais favor\u00e1veis ou mais disseminadas.<\/p>\n<p>Nas escolas, a m\u00fasica aparece cada vez mais esporadicamente, dilu\u00edda em aulas de artes ou dependente da disponibilidade de professores em um contexto de desvaloriza\u00e7\u00e3o extrema da carreira docente. No seu lugar, expandem-se os <em>rankings<\/em>, curr\u00edculos padronizados e mecanismos cada vez mais precoces de adapta\u00e7\u00e3o ao mercado. Os est\u00fadios, com manuten\u00e7\u00e3o cara, pouca articula\u00e7\u00e3o com inst\u00e2ncias p\u00fablicas e \u00e0 merc\u00ea da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, deixam de funcionar como espa\u00e7os de pesquisa e passam a operar sob press\u00f5es crescentes de lucro.<sup>viii<\/sup> Enquanto a express\u00e3o sup\u00f5e abertura ao indeterminado e uma rela\u00e7\u00e3o menos instrumental com o tempo e a subjetividade, ganham for\u00e7a formas organizadas pela redu\u00e7\u00e3o dessa disponibilidade \u00e0quilo que pode ser previsto e otimizado. Entre aquele \u00e1lbum e o presente, essa passagem ajuda a pensar, em termos pr\u00f3ximos ao diagn\u00f3stico de Mark Fisher sobre o capitalismo tardio, na transforma\u00e7\u00e3o de uma cultura aberta \u00e0 express\u00e3o em uma cultura da autogest\u00e3o est\u00e9tica.<\/p>\n<p>Durante algumas d\u00e9cadas, gravadoras como a EMI-Odeon mantiveram cat\u00e1logos nos quais artistas de grande circula\u00e7\u00e3o conviviam com projetos mais experimentais ou menos imediatamente rent\u00e1veis. O sucesso de alguns nomes ajudava a sustentar a exist\u00eancia de outros, permitindo que m\u00fasicos como Beto Guedes \u2014 um dos protegidos de Milton Nascimento \u2014 encontrassem tempo e ferramentas para criar. A crise desse modelo, a partir dos anos 1980 e 1990, eliminou boa parte dessas media\u00e7\u00f5es. E se a digitaliza\u00e7\u00e3o da cultura fonogr\u00e1fica, em um primeiro momento, parecia democratizar e autonomizar experi\u00eancias semelhantes, sua organiza\u00e7\u00e3o pelas plataformas conduz a uma nova concentra\u00e7\u00e3o do poder de circula\u00e7\u00e3o: n\u00e3o mais apenas nas gravadoras, mas tamb\u00e9m nas infraestruturas dos aplicativos e plataformas. A m\u00fasica no telefone celular passaria a absorver media\u00e7\u00f5es antes distribu\u00eddas \u2014 gravadoras, r\u00e1dios, lojas, cr\u00edtica \u2014, numa concentra\u00e7\u00e3o dos meios que coincide, ainda, com a difus\u00e3o de uma sociabilidade na qual a circula\u00e7\u00e3o das formas se implica \u00e0 autoapresenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e \u00e0 competi\u00e7\u00e3o por aten\u00e7\u00e3o. Tal concentra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de alterar profundamente as condi\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia da express\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 exemplos, no entanto, de economias e institui\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es. Na Su\u00e9cia, desde meados do s\u00e9culo XX, associa\u00e7\u00f5es populares de estudo (<em>Studief\u00f6rbund<\/em>) recebem subs\u00eddios p\u00fablicos para organizar pequenos c\u00edrculos livres em torno de interesses comuns.<sup>ix<\/sup> Na m\u00fasica, essa rede se articula aos <em>replokaler<\/em>, salas de ensaio mantidas por munic\u00edpios e organiza\u00e7\u00f5es culturais. Um sistema de bem-estar mais robusto reduz ainda os riscos econ\u00f4micos associados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica, permitindo que a pr\u00e1tica se consolide antes de se converter \u2014 ou n\u00e3o \u2014 em profiss\u00e3o. Gustav Estjes, do <em>Dungen<\/em>, grupo que vem atualizando a tradi\u00e7\u00e3o psicod\u00e9lica desde os anos 2000, recorda ter passado um ano em uma escola popular de Estocolmo, onde gravou parte das faixas de seu primeiro disco e descobriu, em meio ao aprendizado do <em>Pro Tools<\/em> e de uma mesa <em>Mackie<\/em> rec\u00e9m-instalada, que ainda preferia o som \u201csujo\u201d dos gravadores de quatro canais e das antigas m\u00e1quinas de fita.<\/p>\n<p>Essas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o existiam para os m\u00fasicos d\u2019<em>A P\u00e1gina<\/em>, como antes os do Clube da Esquina, mas eles cresceram em um tipo de ambiente que hoje tamb\u00e9m se tornou mais raro. Beto Guedes, Milton Nascimento e a \u201cdezena de agregados\u201d em torno do piano da fam\u00edlia de L\u00f4 Borges formam-se em uma classe m\u00e9dia urbana que, em geral, contava com maior acesso ao tempo livre e a formas mais densas de conviv\u00eancia. No caso de Beto, ca\u00e7ula de oito irm\u00e3os, o pai era marceneiro, pintor e m\u00fasico ligado ao universo do choro. Foi em um passeio num patinete fabricado por Godofredo Guedes que Beto conheceu L\u00f4, aos 12 anos, em uma rua de Belo Horizonte. Havia naqueles meios uma menor compress\u00e3o da vida comum por imperativos de rentabilidade e sobreviv\u00eancia, enquanto formas mais sistem\u00e1ticas de precariza\u00e7\u00e3o s\u00f3 adiante se difundiriam nesse mestrato social.<\/p>\n<p>Uma das m\u00fasicas mais belas do disco \u00e9 \u201cNascente\u201d, de Flavio Venturini e Murilo Antunes, com baixo e arranjo de cordas de Toninho Horta e que, para muitos, tem no <em>P\u00e1gina<\/em> sua melhor vers\u00e3o. A grande maioria dos coment\u00e1rios \u00e0 m\u00fasica no Youtube testemunha sua capacidade da produzir \u00eaxtase e nostalgia: <em><\/p>\n<p>\u201cquando eu chegava do servi\u00e7o colocava o disco na vitrola, fechava os olhos e o mundo parava, eu entrava dentro da m\u00fasica\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>Essa m\u00fasica tem uma aura sobrenatural, incr\u00edvel!\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>Minas \u00e9 o ber\u00e7o da boa m\u00fasica que transpira por suas montanhas\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>Que \u00e9poca boa\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>hiper sensacional\u2026\u2026..\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>Felicidades musicais! Evaporaram com o tempo!\u201d<\/em><\/p>\n<p>Algu\u00e9m comenta que Beto canta \u201ccom muita emo\u00e7\u00e3o\u201d. Mas qual emo\u00e7\u00e3o, exatamente? O canto parece n\u00e3o interpretar um sentimento espec\u00edfico, nem conduzir o ouvinte a uma resposta afetiva definida. O que encontramos parece menos uma emo\u00e7\u00e3o do que uma <em>disposi\u00e7\u00e3o<\/em>: um campo afetivo aberto, no qual diferentes tonalidades coexistem sem se estabilizar em uma inten\u00e7\u00e3o precisa. \u201cA disposi\u00e7\u00e3o (<em>Stimmung<\/em>)\u201d, escreve Byung-Chul Han, \u201cn\u00e3o \u00e9 nem intencional nem performativa. \u00c9 algo <em>em que algu\u00e9m se encontra<\/em>. Representa um <em>estado de esp\u00edrito<\/em>. Por isso, \u00e9 est\u00e1tica e constelativa, enquanto a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 din\u00e2mica e performativa\u201d.<sup>x<\/sup><\/p>\n<p>\u00c9 como disposi\u00e7\u00e3o que a voz e a can\u00e7\u00e3o parecem exceder n\u00e3o apenas a lembran\u00e7a de uma \u00e9poca espec\u00edfica, mas tamb\u00e9m a express\u00e3o de um sentimento ou emo\u00e7\u00e3o determinados. Os que lamentam, na se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios, a falta de uma \u00e9poca ou de lugares que ficaram no passado, talvez nos digam menos sobre os objetos espec\u00edficos dessa nostalgia do que sobre a dificuldade de nomear mudan\u00e7as mais subterr\u00e2neas na experi\u00eancia cotidiana brasileira. Pois os afetos que atravessam a escuta do disco podem remeter e se misturar, de fato, \u00e0 percep\u00e7\u00e3o difusa de que a rela\u00e7\u00e3o com o tempo e com aquilo que chamamos de interioridade se transformou nas \u00faltimas d\u00e9cadas, n\u00e3o raro sob a forma de perda.<\/p>\n<p>Se h\u00e1, por um lado, certo elitismo entre parte dessas audi\u00eancias e, por outro, formas de apropria\u00e7\u00e3o do legado do Clube que podem, mesmo em contextos da m\u00fasica progressista, refor\u00e7ar mecanismos de distin\u00e7\u00e3o ou desidratar a pot\u00eancia hist\u00f3rica daquela experi\u00eancia, isso n\u00e3o dispensa o esfor\u00e7o por um diagn\u00f3stico das condi\u00e7\u00f5es que efetivamente produzem mal-estar e a sensa\u00e7\u00e3o de perda intergeracional. N\u00e3o se trata de tomar o mundo das <em>majors<\/em> ou a social-democracia sueca como modelos em si, mas de reconhecer o que essas forma\u00e7\u00f5es puderam produzir de exuberante quando articuladas a l\u00f3gicas de solidariedade, estabilidade e experimenta\u00e7\u00e3o. Cabe reconhecer, por outro lado, aquilo que mais amplamente comprime o espa\u00e7o da vida est\u00e9tica no cotidiano: sobrecarga, desvaloriza\u00e7\u00e3o e instabilidade das profiss\u00f5es; organiza\u00e7\u00e3o urbana e social em torno da abstra\u00e7\u00e3o dos meios e dos v\u00ednculos.<\/p>\n<p>Em <em>A P\u00e1gina do Rel\u00e2mpago El\u00e9trico<\/em> est\u00e1 viva a hip\u00f3tese de que a m\u00fasica pode, al\u00e9m de representar ideias, permitir alargamentos da consci\u00eancia e o contato com algo maior \u2014 ou infinitamente menor \u2014 do que o indiv\u00edduo e o seu corpo. A primeira faixa, em registro teol\u00f3gico, surreal e vision\u00e1rio, citando <em>Os Sert\u00f5es<\/em> e um \u201cviver o outro lado da vida\u201d, contamina as demais m\u00fasicas, a capa e o pr\u00f3prio nome do \u00e1lbum, que originalmente se referia a uma p\u00e1gina de revista sobre avia\u00e7\u00e3o. Junto com a nostalgia, o disco permite perguntar o que \u00e9 necess\u00e1rio para que experi\u00eancias semelhantes possam emergir. Se elas n\u00e3o se reduzem a um g\u00eanero musical ou a forma\u00e7\u00f5es grupais ou individuais, e se de fato n\u00e3o deixaram de nascer nas margens da ind\u00fastria cultural, sua multiplica\u00e7\u00e3o depende do acesso efetivo ao tempo livre e \u00e0s suas diferentes dura\u00e7\u00f5es, aos meios de cria\u00e7\u00e3o das formas sens\u00edveis e da exist\u00eancia de media\u00e7\u00f5es sociais capazes de abrigar pr\u00e1ticas desobrigadas dos imperativos de desempenho, autoafirma\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o funcional \u00e0s linguagens existentes.<\/p>\n<p>Aqueles sensos de realidade alternativos dos anos 1970 deram lugar aos atuais gurus, influenciadores e gestores da prosperidade individual. Mas as media\u00e7\u00f5es capazes de abrir a experi\u00eancia a outras formas de vida continuam nascendo e circulando, inclusive nos cat\u00e1logos, arquivos e redes que atravessam o presente. Momentos desse disco ainda podem fabricar uma extens\u00e3o quase palp\u00e1vel dos nossos mundos atuais e uma suspens\u00e3o \u2013 t\u00e3o moment\u00e2nea quanto transformadora \u2013 do nosso senso de autossufici\u00eancia. \u00c9 nesse lugar de um Brasil ainda sem nome que seguem brilhando os farrapos da voz daquele Beto Guedes.<\/p>\n<hr>\n<p>i FISHER, Mark. <em>Fantasmas da minha vida: escritos sobre depress\u00e3o, assombrologia e futuros perdidos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Rodrigo Gonsalves e Jorge Adeodato. S\u00e3o Paulo: Autonomia Liter\u00e1ria, 2014.<\/p>\n<p>ii RIEPER, Ana<em>. Nada Ser\u00e1 Como Antes<\/em>. Brasil, 2024. Document\u00e1rio.<\/p>\n<p>iii MAGALH\u00c3ES, Juliana. Beto Guedes: A P\u00e1gina do Rel\u00e2mpago El\u00e9trico. <em>Um Cat\u00e1logo Convida<\/em>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/umcatalogo.substack.com\/p\/beto-guedes-a-pagina-do-relampago. Acesso em: 6 jun. 2026.<\/p>\n<p>iv SAFATLE, Vladimir. \u201cA mais violenta das artes: express\u00e3o n\u00e3o-intencional e emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a partir do romantismo musical\u201d. <em>Artefilosofia<\/em>, Ouro Preto, n. 24, jul. 2018, p. 46.<\/p>\n<p>v \u201cA voz percorre caminhos indefinidos, que podem at\u00e9 ser enquadrados numa tentativa de criar um falsete, \u00e0 moda Ney Matogrosso\u201d. <em>O seu programa de hoje<\/em>. <em>Correio de Not\u00edcias<\/em>. Curitiba, 15 jul. 1977, p. 13. Dispon\u00edvel em: https:\/\/memoria.bn.gov.br\/DocReader\/docreader.aspx?bib=325538_00&amp;pasta=ano%20197&amp;pesq=p%C3%A1gina%20do%20rel%C3%A2mpago%20el%C3%A9trico&amp;pagfis=632. Acesso em: 6 jun. 2026.<\/p>\n<p>vi XAVIER, Luiz Augusto. \u201cUm novo caminho\u201d. <em>Som Popular<\/em>. <em>Di\u00e1rio do Paran\u00e1<\/em>. Curitiba, 8 jul. 1977, p. 10. Dispon\u00edvel em: https:\/\/memoria.bn.gov.br\/DocReader\/docreader.aspx?bib=761672&amp;pasta=ano%20197&amp;pesq=p%C3%A1gina%20do%20rel%C3%A2mpago%20el%C3%A9trico&amp;pagfis=122377. Acesso em: 6 jun. 2026.<\/p>\n<p>vii Tamb\u00e9m participa Robertinho Silva, revezando bateria e percuss\u00e3o com Hely Rodrigues, dentre outros m\u00fasicos. O n\u00facleo da banda estava formado desde 1973, pelo menos, quando tocavam em ocasi\u00f5es pontuais e ensaiavam a faixa \u201cBelo Horror\u201d, lan\u00e7ada em um \u201csplit\u201d de artistas (Beto, Vermelho, Toninho Horta e Dori Caymmi) em 1974. Um breve relato sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o do <em>P\u00e1gina<\/em> se encontra em um coment\u00e1rio do pr\u00f3prio Vermelho ao v\u00eddeo \u201cBeto Guedes \u2013 70 anos \u2013 Minha Opini\u00e3o Sobre\u2026\u201d, do canal de Regis Tadeu. Dispon\u00edvel em: https:\/\/youtube.com\/watch?v=lp7PSEbh0RU. Acesso em: 17 jun. 2026.<\/p>\n<p>viii BONI, Filipe. <em>Por que fazer m\u00fasica virou privil\u00e9gio de rico<\/em>. YouTube, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8rABH3wv4qI. Acesso em: 5 jun. 2026.<\/p>\n<p>ix Segundo a ag\u00eancia oficial de estat\u00edsticas da Su\u00e9cia (SCB), cerca de 608 mil pessoas participaram de atividades organizadas pelos <em>Studief\u00f6rbund<\/em> em 2025. A m\u00fasica figura entre as \u00e1reas de atividade mais importantes dessas associa\u00e7\u00f5es. SCB \u2013 <em>Deltagare i studief\u00f6rbund 2025<\/em>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scb.se\/hitta-statistik\/statistik-efter-amne\/utbildning-samt-forskning-inom-hogskolan\/folkbildning\/studieforbundsstatistik\/pong\/statistiknyhet\/deltagare-i-studieforbund-2025\/. Acesso em: 20 jun. 2026. Ver tamb\u00e9m BONI, Filipe. <em>Como a Su\u00e9cia Virou uma F\u00e1brica Global de M\u00fasica com ABBA, In Flames, Avicii e Swedish House Mafia<\/em>. YouTube, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/youtu.be\/uMpxNRevKmg?si=9rOTU4zcS-lX8v1u. Acesso em: 20 jun. 2026.<\/p>\n<p>x HAN, Byung-Chul<em>. Psicopol\u00edtica \u2013 O neoliberalismo e as novas t\u00e9cnicas de poder<\/em>. Belo Horizonte: Editora \u00c2yin\u00e9, 2018.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Beto Guedes e a partilha do sens\u00edvel appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2025\/09\/justica-nega-habeas-corpus-a-empresarios-acusados-de-fraudar-certames-publicos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Justi\u00e7a nega habeas corpus a empres\u00e1rios acusados ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/visibilidade-trans-bancarios-lutam-por-diversidade-e-inclusao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/raissa-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Visibilidade trans: banc\u00e1rios lutam por diversidad...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/choquei-dono-e-preso-por-suspeita-de-lavagem-de-dinheiro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prisao_Choquei-1-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Choquei: dono \u00e9 preso por suspeita de lavagem de d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/tracking-atlas-lula-abre-7-pontos-sobre-flavio-no-2o-turno-apos-audio\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/lula_e_flavio-1024x614-1-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Tracking Atlas: Lula abre 7 pontos sobre Fl\u00e1vio no...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ado em 1977, disco <i>A P\u00e1gina do Rel\u00e2mpago El\u00e9trico<\/i> \u00e9 mais atual que nunca. Nele, m\u00fasico mineiro evoca o sonho de alargar a consci\u00eancia coletiva. Frente \u00e0 vida t\u00e3o \u00e1spera e \u00e0 l\u00f3gica das plataformas digitais, sua est\u00e9tica convida \u00e0 frui\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e seu corpo. Nostalgia?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/poeticas\/beto-guedes-e-a-partilha-do-sensivel\/\">Beto Guedes e a partilha do sens\u00edvel<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":97818,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[77918,77919,14698,77920,77921,36775,18063,35593,77922,77923,77924,6135,11812,77925,5499,77926,77927,50339],"tags":[],"class_list":["post-97817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-a-pagina-do-relampago-eletrico","category-banda","category-beto-guedes","category-camadas-instrumentais","category-campo-expressivo","category-contracultura","category-disco","category-estetica","category-expressao-estetica","category-expressividade","category-horizontes-coletivos","category-industria-cultural","category-libertacao","category-novo-sindicalismo","category-poeticas","category-psicodelia","category-repertorio-fonografico","category-sociedade-brasileira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}