{"id":98024,"date":"2026-07-31T10:25:19","date_gmt":"2026-07-31T13:25:19","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/massacre-de-eldorado-do-carajas-as-perguntas-que-ficaram-na-curva-do-s\/"},"modified":"2026-07-31T10:25:19","modified_gmt":"2026-07-31T13:25:19","slug":"massacre-de-eldorado-do-carajas-as-perguntas-que-ficaram-na-curva-do-s","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/massacre-de-eldorado-do-carajas-as-perguntas-que-ficaram-na-curva-do-s\/","title":{"rendered":"Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s: as perguntas que ficaram na Curva do S"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8-768x511.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-8.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>O Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, em 1996, deixou 21 sem-terra mortos, em opera\u00e7\u00e3o policial no Sudeste do Par\u00e1. Foto: Joao Roberto Ripper<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por\u00a0Daniel Camargos\u00a0<br \/>Do Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/p>\n<p>Pouco mais de duas semanas ap\u00f3s o\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/tags\/massacre-de-eldorado-do-carajas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s (PA)<\/a>, em 17 de abril de 1996, um gerente de fazenda desembarcou em Bras\u00edlia sob prote\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal. Dizia carregar uma informa\u00e7\u00e3o que, se confirmada, mudaria o rumo da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O gerente era Ricardo Marcondes de Oliveira, ent\u00e3o com 30 anos. Em depoimentos \u00e0 PF, ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e \u00e0 Justi\u00e7a, afirmou que fazendeiros da regi\u00e3o teriam se organizado para arrecadar dinheiro destinado a financiar a opera\u00e7\u00e3o policial que h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas terminou com 19 trabalhadores sem terra mortos na Curva do S, na rodovia PA-150, no sudeste do\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/tags\/para\/\">Par\u00e1<\/a>. Outros dois morreram depois, em decorr\u00eancia dos ferimentos.\u00a0<\/p>\n<p>O plano, segundo o relato, teria surgido poucos dias antes do massacre. O valor giraria em torno de R$ 85 mil, cerca de R$ 500 mil em valores atualizados. O dinheiro seria repassado ao comando do 4\u00ba Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar, respons\u00e1vel pela a\u00e7\u00e3o. Nos depoimentos, afirmou que \u201cdez integrantes do MST deveriam morrer\u201d. O depoimento chegou a ser anexado aos autos do processo judicial, mas foi posteriormente descartado.<\/p>\n<p>A den\u00fancia sobre a \u201cvaquinha\u201d organizada por fazendeiros do Sudeste do Par\u00e1 para custear a opera\u00e7\u00e3o que resultou no Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s \u00e9 uma das in\u00fameras pontas soltas sobre o epis\u00f3dio que, 30 anos depois, ainda geram mais perguntas do que respostas.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>\u00a0ouviu personagens diretamente ligados \u00e0 chacina e analisou milhares de folhas dos autos judiciais sobre o caso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do poss\u00edvel rateio feito por produtores rurais, continuam na sombra o telefonema de um suposto funcion\u00e1rio da ent\u00e3o estatal Vale para a empresa de \u00f4nibus Transbrasiliana, usada no transporte de parte da tropa policial, al\u00e9m de relatos sobre articula\u00e7\u00f5es e press\u00f5es de fazendeiros antes da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na disserta\u00e7\u00e3o que defendeu em 2016 na Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Par\u00e1), o advogado Jos\u00e9 Batista, da CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra), situa o massacre dentro de uma mudan\u00e7a nos conflitos por terra no Par\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>As ocupa\u00e7\u00f5es deixaram de envolver apenas pequenos posseiros e sindicatos de trabalhadores rurais e passaram a mobilizar grandes acampamentos organizados em \u00e1reas pressionadas pela expans\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/tags\/mineracao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">minera\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0e pela valoriza\u00e7\u00e3o das terras ao redor de\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/tags\/carajas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caraj\u00e1s<\/a>, principal prov\u00edncia mineral do planeta.\u00a0<\/p>\n<p>Em uma regi\u00e3o ainda marcada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/tags\/guerrilha-do-araguaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Guerrilha do Araguaia<\/a>\u00a0e pela\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2025\/08\/vitimas-araguaia-camponeses-mortos-ditadura-reparacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">repress\u00e3o militar no campo<\/a>, ocupa\u00e7\u00f5es de terra passaram a ser tratadas por autoridades como amea\u00e7a pol\u00edtica. O historiador Airton dos Reis Pereira, professor da Universidade do Estado do Par\u00e1 e autor de\u00a0<em>Do posseiro ao sem-terra<\/em>\u00a0(Editora UFPE, 2015), escreveu que, naquele contexto, \u201cdefender as grandes propriedades era proteger o interesse nacional\u201d.<\/p>\n<h2>Fazendeiros do Sudeste do Par\u00e1 montaram um cons\u00f3rcio para bancar a opera\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Semanas antes do massacre, Ricardo Marcondes Oliveira havia assumido a administra\u00e7\u00e3o da Fazenda S\u00e3o Carlos, em Xinguara (PA), \u00e1rea marcada por conflitos por terra e atua\u00e7\u00e3o de pistoleiros. Foi nesse ambiente que o gerente disse ter ouvido falar pela primeira vez na \u201cvaquinha\u201d para a opera\u00e7\u00e3o policial que terminou no massacre.<\/p>\n<p>Ainda segundo o relato, ele teria sido procurado, dias antes do massacre, pelo propriet\u00e1rio da Fazenda Macaxeira, o principal alvo das reivindica\u00e7\u00f5es dos sem terra naquele abril de 1996.\u00a0<\/p>\n<p>As fam\u00edlias acampadas reivindicavam a desapropria\u00e7\u00e3o da \u00e1rea havia meses e marchavam em dire\u00e7\u00e3o a Bel\u00e9m para pressionar o governo estadual e o Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria), \u00f3rg\u00e3o federal respons\u00e1vel pelo assentamento de fam\u00edlias sem-terra.<\/p>\n<p>De acordo com o depoimento, fazendeiros da regi\u00e3o estariam arrecadando dinheiro para financiar uma opera\u00e7\u00e3o policial que desmontaria o bloqueio do MST na PA-150. O gerente afirmou que se recusou a participar.\u00a0<\/p>\n<p>A den\u00fancia teve repercuss\u00e3o imediata. Em 4 de maio de 1996, a\u00a0<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>\u00a0noticiou que a Pol\u00edcia Federal j\u00e1 reunia os nomes de cerca de 20 fazendeiros suspeitos de participar da arrecada\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>O ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Nelson Jobim, avaliou que o depoimento ampliava o leque dos investigados. E o relato levou o ministro extraordin\u00e1rio de Pol\u00edtica Fundi\u00e1ria, Raul Jungmann, a suspender a compra da Fazenda Macaxeira pelo Incra, ent\u00e3o em negocia\u00e7\u00e3o com o propriet\u00e1rio.<\/p>\n<p>O coronel M\u00e1rio Colares Pantoja e o major Jos\u00e9 Maria Pereira Oliveira foram condenados por homic\u00eddio pela condu\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o policial. Os dois comandavam as tropas que avan\u00e7aram sobre os trabalhadores na rodovia PA-150. Nenhum dos outros 153 policiais que participaram da a\u00e7\u00e3o foi sentenciado. A den\u00fancia sobre quem mais poderia ter estado envolvido nunca foi comprovada nos autos.\u00a0<\/p>\n<p>Ap\u00f3s recusar a proposta da \u201cvaquinha\u201d, o gerente Oliveira relatou amea\u00e7as feitas por um homem armado. Dias depois, j\u00e1 em Marab\u00e1, disse ter visto o mesmo homem ao lado de outro indiv\u00edduo, tido como um pistoleiro ligado a fazendeiros da regi\u00e3o que, no dia do massacre, estaria vestido com farda da Pol\u00edcia Militar.\u00a0<\/p>\n<p>A vers\u00e3o entrou nos autos do processo judicial. O gerente foi ouvido em Bras\u00edlia, Bel\u00e9m e no sudeste do Par\u00e1. Em acarea\u00e7\u00e3o formal, o propriet\u00e1rio da Fazenda Macaxeira, que teria sugerido a a\u00e7\u00e3o conjunta para desobstruir a rodovia, negou integralmente as acusa\u00e7\u00f5es e afirmou nunca ter proposto arrecada\u00e7\u00e3o de dinheiro. Oliveira manteve sua vers\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Para a\u00a0<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, em novembro de 1996, o dono da fazenda afirmou que foi v\u00edtima de um\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1996\/11\/12\/brasil\/34.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cmassacre moral\u201d<\/a>. Procurado pela\u00a0<strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, n\u00e3o retornou os pedidos de posicionamento.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, logo se voltou contra o pr\u00f3prio denunciante. A Pol\u00edcia Civil apontou contradi\u00e7\u00f5es nos relatos de Oliveira. Inclusive sobre o tempo em que de fato trabalhara na regi\u00e3o. Tamb\u00e9m reuniu informa\u00e7\u00f5es sobre sua trajet\u00f3ria: respondia, em Goi\u00e1s, a processos por estelionato e por sequestro e c\u00e1rcere privado.\u00a0<\/p>\n<p>Um gerente do Banco Ita\u00fa em Marab\u00e1 afirmou que Oliveira teria emitido cheques sem fundo e aplicado golpes em Reden\u00e7\u00e3o. Antes que a apura\u00e7\u00e3o avan\u00e7asse, ele fugiu do programa de prote\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, em junho de 1996, quando o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a j\u00e1 admitia a possibilidade de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>A den\u00fancia foi noticiada na \u00e9poca, incluindo uma investiga\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Correio Braziliense<\/em>, o primeiro ve\u00edculo a entrevistar o denunciante, e continuou sendo mencionada em trabalhos posteriores, entre eles a disserta\u00e7\u00e3o do advogado da CPT Jos\u00e9 Batista e o livro-reportagem\u00a0<em>O Massacre \u2014 Eldorado do Caraj\u00e1s: Uma hist\u00f3ria de impunidade<\/em>\u00a0(Editora Record, 2019), de Eric Nepomuceno.<\/p>\n<p>Sem provas materiais que confirmassem a den\u00fancia, a Pol\u00edcia Civil indiciou Oliveira por falso testemunho. O Minist\u00e9rio P\u00fablico pediu novas dilig\u00eancias. Trinta anos depois, a apura\u00e7\u00e3o sobre a chamada \u201cvaquinha\u201d segue sem desfecho conclusivo. Nem a acusa\u00e7\u00e3o foi provada, nem os cerca de 20 nomes dos fazendeiros reunidos pela Pol\u00edcia Federal levaram a um \u00fanico indiciamento.<\/p>\n<p>Procurado repetidas vezes por meio de contatos de uma empresa vinculada a ele, Oliveira n\u00e3o respondeu aos pedidos de entrevista at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Cruzes em homenagem aos mortos no Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s no assentamento 17 de Abril, em Eldorado do Caraj\u00e1s, no Par\u00e1. Foto: Fernando Martinho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Quem bancou a log\u00edstica da opera\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Na manh\u00e3 de 17 de abril de 1996, parte da tropa da Pol\u00edcia Militar que seguiria de Marab\u00e1 at\u00e9 a Curva do S embarcou em \u00f4nibus da Transbrasiliana, empresa que operava o transporte rodovi\u00e1rio na regi\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>O uso de \u00f4nibus civis para deslocamento de policiais n\u00e3o era incomum na \u00e9poca. O que chamou aten\u00e7\u00e3o dos investigadores, ainda nos dias seguintes ao massacre, foi um epis\u00f3dio ocorrido na v\u00e9spera da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em oitiva prestada em 23 de abril de 1996, o gerente da Transbrasiliana, Gumercindo Jos\u00e9 Marra de Castro, afirmou que teria recebido, no dia anterior ao massacre, um telefonema de um homem que se identificou como funcion\u00e1rio da ent\u00e3o estatal Companhia Vale do Rio Doce. Segundo o funcion\u00e1rio da transportadora, o interlocutor, citado apenas como \u201cJames\u201d, teria solicitado dois \u00f4nibus para o 4\u00ba Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar, em Marab\u00e1.<\/p>\n<p>De acordo com o depoimento, os ve\u00edculos chegaram a ser mobilizados, mas retornaram \u00e0 garagem da empresa, sem uso. No dia seguinte, j\u00e1 com a opera\u00e7\u00e3o em curso, a Pol\u00edcia Militar requisitou formalmente dois \u00f4nibus da mesma empresa. Esses ve\u00edculos foram utilizados para transportar a tropa at\u00e9 a Curva do S. O pagamento, segundo documentos do processo, foi feito pela corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>James, o suposto funcion\u00e1rio da Companhia Vale do Rio Doce, nunca foi identificado. Nos autos, n\u00e3o h\u00e1 registro de dilig\u00eancias capazes de esclarecer quem telefonou para a empresa de \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Procurado pela\u00a0<strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>\u00a0em Marab\u00e1, o gerente da Transbrasiliana afirmou que j\u00e1 havia dito, \u00e0 \u00e9poca, tudo o que sabia sobre o epis\u00f3dio em seu depoimento oficial. Em mensagem enviada \u00e0 reportagem, disse n\u00e3o se recordar de outros detalhes por problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A d\u00favida sobre a origem do transporte aparece tamb\u00e9m nos depoimentos do tenente-coronel Manoel Mendes de Melo, ent\u00e3o subcomandante do 4\u00ba Batalh\u00e3o da PM em Marab\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>Em interrogat\u00f3rio realizado pela Pol\u00edcia Civil poucos dias ap\u00f3s o massacre, ele afirmou que os \u00f4nibus utilizados na opera\u00e7\u00e3o haviam sido \u201ccedidos pela Companhia Vale do Rio Doce\u201d. Dias depois, ao depor novamente no Inqu\u00e9rito Policial Militar, voltou a mencionar o uso dos ve\u00edculos, sem especificar quem teria custeado o transporte.\u00a0<\/p>\n<p>No mesmo processo, mais de um ano depois, j\u00e1 na fase judicial, Melo apresentou outra vers\u00e3o. Disse n\u00e3o saber quem havia disponibilizado os \u00f4nibus e afirmou que, segundo informa\u00e7\u00e3o posterior do coronel M\u00e1rio Colares Pantoja, o pagamento teria sido feito pela pr\u00f3pria Pol\u00edcia Militar. Ao justificar a mudan\u00e7a, declarou que associou inicialmente o transporte \u00e0 Vale porque, segundo ele, era comum que a empresa disponibilizasse ve\u00edculos para deslocamento de tropas na regi\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Questionado em ju\u00edzo, Castro tamb\u00e9m mencionou essa pr\u00e1tica. Afirmou que a estatal costumava requisitar ve\u00edculos da Transbrasiliana para uso de policiais e citou como exemplo a opera\u00e7\u00e3o conhecida como Serra Leste, na qual mais de 60 \u00f4nibus teriam sido colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar.\u00a0<\/p>\n<p>O telefonema de James, as vers\u00f5es contradit\u00f3rias do subcomandante da PM e a pr\u00e1tica descrita pelo gerente da Transbrasiliana continuam sem explica\u00e7\u00e3o definitiva nos autos.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>A Vale afirmou \u00e0 reportagem que \u201cn\u00e3o teve qualquer rela\u00e7\u00e3o com o chamado \u2018Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s\u2019\u201d. A empresa foi citada no inqu\u00e9rito, mas n\u00e3o chegou a ser indiciada. Procurada novamente com perguntas espec\u00edficas sobre o telefonema de James, a origem dos \u00f4nibus, os conv\u00eanios com a Pol\u00edcia Militar e os conflitos anteriores com o MST, optou por n\u00e3o responder.<\/p>\n<h2>Serra Pelada depois do ouro<\/h2>\n<p>A Serra Leste fica ao lado de Serra Pelada, a m\u00edtica jazida de ouro explorada por garimpeiros durante a ditadura militar, a cerca de 50 quil\u00f4metros da Curva do S. Em 1996, a regi\u00e3o vivia um novo ciclo de conflitos, anos depois do fechamento oficial do garimpo, em 1992. Garimpeiros seguiam reivindicando direito sobre \u00e1reas exploradas, enquanto a Companhia Vale do Rio Doce avan\u00e7ava com projetos de explora\u00e7\u00e3o mineral na regi\u00e3o vizinha.<\/p>\n<p>Dias antes do anivers\u00e1rio de 30 anos do massacre, a reportagem esteve em Serra Pelada. Na entrada da vila, uma antiga casa exibe a inscri\u00e7\u00e3o Boate Azul na fachada desbotada. Ao lado da cooperativa dos garimpeiros, homens idosos passam a tarde de domingo relembrando hist\u00f3rias do auge da corrida do ouro.\u00a0<\/p>\n<p>A antiga cava da mina virou um lago onde pessoas fazem churrasco e alugam jet skis. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/eventossolos.org.br\/cbcs2015\/arearestrita\/arquivos\/1974.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a>\u00a0da Universidade Federal Rural da Amaz\u00f4nia identificou contamina\u00e7\u00e3o por chumbo acima dos limites recomendados em amostras de \u00e1gua e solo coletadas na regi\u00e3o.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Vista do lago que soterrou a antiga mina de ouro de Serra Pelada, localizada no munic\u00edpio de Curion\u00f3polis. Foto: Fernando Martinho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1983, o rep\u00f3rter Ricardo Kotscho encontrou em Serra Pelada uma cratera aberta por milhares de homens trabalhando manualmente dentro da lama. Da borda do garimpo, via filas de carregadores subindo encostas escorregadias com sacos de cascalho nas costas. Os diaristas, conhecidos como \u201cformigas\u201d, carregavam cerca de 30 quilos por vez entre o fundo da cava e os dep\u00f3sitos de rejeito, subindo por uma escada imensa apelidada de \u201cAdeus, mam\u00e3e\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>A reportagem\u00a0<a href=\"https:\/\/documentacao.socioambiental.org\/noticias\/anexo_noticia\/54248_20210527_112316.PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicada<\/a>\u00a0na\u00a0<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>\u00a0depois se tornou o livro\u00a0<em>Serra Pelada \u2013 Uma ferida aberta na selva<\/em>\u00a0(Editora Brasiliense, 1984). Havia donos de barranco, intermedi\u00e1rios, comerciantes, policiais, agentes federais e milhares de homens submetidos a trabalho bra\u00e7al extremo. O garimpeiro n\u00e3o negociava diretamente o ouro que encontrava e dependia financeiramente dos donos das catas, num sistema que Kotscho comparou aos antigos seringais amaz\u00f4nicos.\u00a0<\/p>\n<p>No texto, Kotscho tamb\u00e9m registrou a disputa pol\u00edtica em torno da cava. De um lado, estava a Docegeo, subsidi\u00e1ria da Companhia Vale do Rio Doce, que detinha direitos sobre a jazida. De outro, o governo federal, que via o garimpo como forma de absorver parte da tens\u00e3o social no sul do Par\u00e1, em uma \u00e1rea marcada por conflitos fundi\u00e1rios, migra\u00e7\u00e3o desordenada e presen\u00e7a militar ap\u00f3s a Guerrilha do Araguaia.\u00a0<\/p>\n<p>Quando o Estado interveio diretamente no garimpo, a Pol\u00edcia Federal cercou a \u00e1rea, \u00f3rg\u00e3os federais passaram a operar dentro da cava e o major Sebasti\u00e3o Curi\u00f3 assumiu o controle pol\u00edtico do lugar. \u201cNada se resolvia sem sua palavra\u201d, escreveu Kotscho.<\/p>\n<p>Antes de assumir o controle de Serra Pelada, Curi\u00f3 atuou na repress\u00e3o \u00e0 Guerrilha do Araguaia como agente do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito. A opera\u00e7\u00e3o militar terminou com desaparecimentos, execu\u00e7\u00f5es e oculta\u00e7\u00e3o de corpos de guerrilheiros e camponeses no sul do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Treze anos depois, quando trabalhadores sem terra bloquearam a PA-150 na Curva do S, Serra Pelada j\u00e1 n\u00e3o produzia a promessa de enriquecimento r\u00e1pido, mas continuava concentrando homens sem trabalho fixo. Ao lado do antigo garimpo, a Vale avan\u00e7ava sobre projetos de explora\u00e7\u00e3o em Serra Leste.\u00a0<\/p>\n<p>Luiz Lima de Oliveira, ex-garimpeiro de Serra Pelada e atual dirigente do MST na regi\u00e3o, lembra que o fechamento do garimpo empurrou parte dos trabalhadores para a luta por terra. \u201cQuando o garimpo acabou, ficou uma multid\u00e3o de gente sem rumo. N\u00f3s t\u00ednhamos passado a vida ali dentro, sem estudo, sem outra profiss\u00e3o\u201d, afirma. Ele entrou no MST em 1995, quando muitos trabalhadores passaram a disputar terras nas mesmas \u00e1reas pressionadas pela expans\u00e3o mineral.<\/p>\n<p>\u201cA terra virou o grande ativo econ\u00f4mico da regi\u00e3o\u201d, afirma o dirigente estadual do MST, Pablo Neri. Filho de militantes do movimento que participaram da marcha de 1996, Pablo Neri cresceu em Palmares 2, assentamento na regi\u00e3o de Caraj\u00e1s. \u201cQuem luta por terra aqui acaba entrando em conflito com a minera\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<figure><figcaption><em>\u201cQuando o garimpo acabou, ficou uma multid\u00e3o de gente sem rumo\u201d, afirma Luiz de Lima Oliveira, ex-garimpeiro de Serra Pelada e atual dirigente do MST. Foto: Fernando Martinho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Quando estatal, Vale mantinha conv\u00eanio com Pol\u00edcia Militar, diz entidade de defesa dos direitos humanos<\/h2>\n<p>Na leitura de Batista, da CPT, a disputa por terra na regi\u00e3o de Caraj\u00e1s n\u00e3o se explicava apenas pela concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. A implanta\u00e7\u00e3o dos projetos minerais da Vale elevou o valor das terras no entorno das minas e atraiu fazendeiros e investidores interessados na especula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1996, garimpeiros impediram a entrada de funcion\u00e1rios da empresa em uma \u00e1rea onde a mineradora afirmava ter identificado uma nova jazida de ouro. Eles alegavam direito hist\u00f3rico sobre o territ\u00f3rio. A companhia sustentava que a \u00e1rea ficava fora dos limites do antigo garimpo.\u00a0<\/p>\n<p>Uma semana depois do massacre, cerca de mil garimpeiros ocuparam a \u00e1rea de pesquisa mineral da empresa, paralisaram sondas e bloquearam a opera\u00e7\u00e3o. O conflito se intensificou nos meses seguintes. Em outubro, uma a\u00e7\u00e3o conjunta da Pol\u00edcia Federal e do Ex\u00e9rcito desmobilizou os bloqueios e abriu caminho para a retomada das atividades da empresa.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edcia sempre agia como se fossem funcion\u00e1rios da empresa, para defender os interesses da mineradora de forma intransigente\u201d, afirma Batista, em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>. Segundo ele, as a\u00e7\u00f5es do MST passaram a ser tratadas prioritariamente como caso de pol\u00edcia, e n\u00e3o como express\u00e3o de um conflito agr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Documentos do pr\u00f3prio inqu\u00e9rito descrevem epis\u00f3dios similares. Em junho de 1994, cerca de 2 mil fam\u00edlias do MST ocuparam parte da \u00e1rea de concess\u00e3o da Vale na Serra dos Caraj\u00e1s, em Parauapebas, para pressionar pela destina\u00e7\u00e3o de terras para assentamentos. Tr\u00eas dias depois, mais de 50 policiais, com apoio da seguran\u00e7a patrimonial da empresa, realizaram a desocupa\u00e7\u00e3o. Cerca de 1,2 mil fam\u00edlias seguiram para Marab\u00e1 e acamparam diante do Incra.<\/p>\n<p>Meses depois, novas mobiliza\u00e7\u00f5es voltaram a ser reprimidas. Em novembro de 1994, cerca de mil fam\u00edlias se mobilizaram nas proximidades do complexo de Caraj\u00e1s, e aproximadamente 600 passaram a noite no local. Segundo documentos do inqu\u00e9rito, nas primeiras horas do dia seguinte, policiais cercaram a \u00e1rea e impediram a entrada e a sa\u00edda de pessoas, inclusive de \u00e1gua e alimentos. O documento registra agress\u00f5es contra trabalhadores rurais, al\u00e9m de parlamentares e jornalistas presentes, e epis\u00f3dios de deten\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia sob cust\u00f3dia.<\/p>\n<p>Em representa\u00e7\u00e3o \u00e0 Justi\u00e7a pela SDDH (Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos), a atua\u00e7\u00e3o conjunta entre aparato policial e interesses econ\u00f4micos \u00e9 descrita como parte da repress\u00e3o \u00e0s ocupa\u00e7\u00f5es de terra no sul e sudeste do Par\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>O documento afirma que a Companhia Vale do Rio Doce mantinha conv\u00eanio com a Pol\u00edcia Militar do Par\u00e1 e chegou a financiar parte dos custos do destacamento policial sediado em Parauapebas. Segundo a SDDH, entre 1995 e 1996, a empresa destinou cerca de US$ 641 mil (o equivalente hoje a cerca de US$ 1,35 milh\u00e3o, corrigidos pela infla\u00e7\u00e3o norte-americana) \u00e0 ent\u00e3o 1\u00aa Companhia Independente de Policiamento de Meio Ambiente, unidade que atuava na regi\u00e3o de Caraj\u00e1s.\u00a0<\/p>\n<p>Os documentos, contudo, n\u00e3o apontam participa\u00e7\u00e3o direta da Vale na opera\u00e7\u00e3o policial de 17 de abril de 1996. O que mostram \u00e9 que a empresa apareceu repetidamente nos autos quando a investiga\u00e7\u00e3o tratou da log\u00edstica da PM e dos conflitos fundi\u00e1rios na regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Pecuaristas cobraram a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica do governo do Par\u00e1 contra o MST<\/h2>\n<p>Nos dias que antecederam o massacre, a rodovia PA-150 estava bloqueada por trabalhadores do MST havia quase duas semanas. O ponto de interdi\u00e7\u00e3o ficava na Curva do S, entre Marab\u00e1 e Eldorado do Caraj\u00e1s, em um trecho estrat\u00e9gico para o escoamento de produ\u00e7\u00e3o e o deslocamento de pessoas no sudeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Produtores rurais, comerciantes e empres\u00e1rios pressionavam o governo do estado por uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Em pesquisa baseada em documentos do per\u00edodo, o advogado da CPT Jos\u00e9 Batista descreve reuni\u00f5es entre fazendeiros nos dias anteriores \u00e0 opera\u00e7\u00e3o e discuss\u00f5es sobre estrat\u00e9gias para enfrentar o movimento.\u00a0<\/p>\n<p>Em 14 de mar\u00e7o de 1996, em Marab\u00e1, cerca de cinquenta fazendeiros reunidos num encontro da FAEPA (Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado do Par\u00e1) assinaram um documento que ficou conhecido como Carta de Marab\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>O texto fazia cr\u00edticas severas ao tratamento dado pelo governo estadual aos trabalhadores acampados e cobrava uma interven\u00e7\u00e3o para retirar o MST das terras ocupadas. No mesmo dia, o presidente da FAEPA, Carlos Xavier, anunciou em entrevista que dezenas de representantes dos fazendeiros se deslocariam a Bel\u00e9m para cobrar uma atitude en\u00e9rgica das autoridades.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o com o ent\u00e3o governador Almir Gabriel (PSDB) aconteceu entre 28 e 29 de mar\u00e7o. Segundo Batista, os pecuaristas amea\u00e7aram pegar em armas caso o Estado n\u00e3o contivesse as a\u00e7\u00f5es do MST. Ap\u00f3s o massacre, a imprensa divulgou o conte\u00fado de uma fita gravada nos bastidores desse encontro.\u00a0<\/p>\n<p>Nas imagens, Carlos Xavier entrega ao secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica do estado um documento com uma lista de lideran\u00e7as do MST. Na mesma fita, o presidente do Sindicato Rural de Marab\u00e1, Geraldo Capota, aparece afirmando que os fazendeiros mantinham pessoas infiltradas no acampamento.<\/p>\n<p>Segundo Batista, ap\u00f3s a visita dos fazendeiros a Bel\u00e9m, o governo do estado cortou os canais de negocia\u00e7\u00e3o com o MST e passou a tratar a PM como \u00fanico interlocutor com o movimento.<\/p>\n<p>Dentro da PM, um ambiente de repress\u00e3o planejada tamb\u00e9m tomava forma. Em mar\u00e7o de 1996, o servi\u00e7o reservado da corpora\u00e7\u00e3o produziu um relat\u00f3rio interno descrevendo a situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o como de \u201cimin\u00eancia de guerra civil\u201d e concluindo que o enfrentamento com o MST deveria seguir \u201ct\u00e1ticas militares\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>O documento avaliava que \u201cprocedimentos policiais de rotina n\u00e3o mais seriam suficientes em eventuais enfrentamentos\u201d com os trabalhadores. O conte\u00fado do relat\u00f3rio foi revelado pelo jornal\u00a0<em>Zero Hora<\/em>\u00a0em 25 de abril de 1996, dias ap\u00f3s o massacre.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Advogado da CPT, Jos\u00e9 Batista Gon\u00e7alves estudou o Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s em sua disserta\u00e7\u00e3o e analisou a rela\u00e7\u00e3o entre a Vale, o MST e as for\u00e7as de seguran\u00e7a na regi\u00e3o. Foto: Fernando Martinho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Outro relat\u00f3rio do mesmo servi\u00e7o reservado, revelado pelo\u00a0<em>Jornal do Brasil<\/em>\u00a0em 20 de abril de 1996, apontava tr\u00eas trabalhadores sem terra como respons\u00e1veis pela morte de um capit\u00e3o da PM ocorrida meses antes, em novembro de 1995. Os nomes dos tr\u00eas (Oziel Alves Pereira, Raimundo Lopes Pereira e Manuel Gomes de Souza) aparecem entre os 19 mortos na Curva do S.<\/p>\n<p>Dias depois do massacre, outro epis\u00f3dio veio a p\u00fablico. Ap\u00f3s press\u00e3o da imprensa, o coronel Jo\u00e3o Paulo Vieira admitiu que duas pessoas levadas da Curva do S para o quartel em Marab\u00e1 eram policiais militares infiltrados no grupo dos sem-terra pelo servi\u00e7o de intelig\u00eancia da PM.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto isso, as negocia\u00e7\u00f5es para uma solu\u00e7\u00e3o sem confronto seguiam sem resultado. No dia 16 de abril, v\u00e9spera do massacre, representantes do MST mantiveram conversas com autoridades locais para discutir a possibilidade de deslocamento dos trabalhadores at\u00e9 Marab\u00e1. A proposta, segundo relatos de sobreviventes, inclu\u00eda o fornecimento de \u00f4nibus e alimenta\u00e7\u00e3o para permitir a viagem e a abertura de uma mesa de negocia\u00e7\u00e3o com o governo do estado.<\/p>\n<p>Segundo Batista, quando o bloqueio da PA-150 foi mantido, a interlocu\u00e7\u00e3o com o movimento foi interrompida. A ordem passou a ser a desobstru\u00e7\u00e3o da rodovia \u201ca qualquer custo\u201d, express\u00e3o atribu\u00edda ao depoimento do coronel Pantoja na a\u00e7\u00e3o penal.\u00a0<\/p>\n<p>Os autos registram que, antes mesmo de partir para a Curva do S, Pantoja decidiu que n\u00e3o seria empregado nenhum meio pac\u00edfico de dissuas\u00e3o. Sua instru\u00e7\u00e3o ao Major Oliveira foi que, ao ouvir os primeiros tiros \u201cdo lado de Marab\u00e1\u201d, ele saberia que a opera\u00e7\u00e3o havia come\u00e7ado e poderia avan\u00e7ar com sua tropa. Os tiros eram o sinal combinado.<\/p>\n<p>Na tropa que partiu de Parauapebas, segundo depoimento nos autos, o arsenal foi distribu\u00eddo aos policiais sem o registro de cautela, o documento que permite correlacionar cada proj\u00e9til \u00e0 arma e ao agente que a portava. Segundo um dos depoentes policiais, a justificativa foi \u201ca situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia\u201d. Por essa raz\u00e3o, a investiga\u00e7\u00e3o sobre o massacre ficou impossibilitada de identificar individualmente quem atirou em quem.\u00a0<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar do Par\u00e1 foi procurada para comentar a log\u00edstica da opera\u00e7\u00e3o, as vers\u00f5es sobre os \u00f4nibus, a presen\u00e7a de policiais infiltrados e o planejamento da a\u00e7\u00e3o. A corpora\u00e7\u00e3o n\u00e3o respondeu at\u00e9 o fechamento desta reportagem.<\/p>\n<h2>O que uma Comiss\u00e3o da Verdade poderia esclarecer<\/h2>\n<p>Trinta anos depois, parte dos documentos segue produzindo perguntas. Para o advogado Diego Diehl, professor da Universidade de Bras\u00edlia e pesquisador sobre mem\u00f3ria dos massacres no campo, o massacre n\u00e3o pode ser analisado apenas como resultado de uma decis\u00e3o operacional da Pol\u00edcia Militar.<\/p>\n<p>\u201cHavia um ambiente de press\u00e3o muito forte na regi\u00e3o\u201d, diz. Segundo ele, o bloqueio da rodovia atingia interesses econ\u00f4micos relevantes, e a resposta do Estado ocorreu nesse contexto. Para Diehl, o caso foi capaz de estabelecer responsabilidades individuais, mas n\u00e3o avan\u00e7ou na reconstru\u00e7\u00e3o completa do epis\u00f3dio.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO caso do Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s precisa de uma comiss\u00e3o da verdade\u201d, afirma. A proposta, segundo ele, seria revisar documentos j\u00e1 produzidos, ouvir novamente testemunhas e reunir informa\u00e7\u00f5es que ficaram dispersas ao longo das investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As disputas sobre o que aconteceu na Curva do S continuaram anos depois dentro do pr\u00f3prio processo. Em 2001, \u00e0s v\u00e9speras do julgamento dos comandantes da opera\u00e7\u00e3o policial, a ju\u00edza Eva do Amaral Coelho rejeitou a inclus\u00e3o de uma per\u00edcia produzida na Unicamp pelo especialista Ricardo Molina.\u00a0<\/p>\n<p>O laudo analisava imagens gravadas no dia do massacre e apontava que os primeiros disparos haviam partido da Pol\u00edcia Militar. Para o promotor Marco Aur\u00e9lio do Nascimento, respons\u00e1vel pela acusa\u00e7\u00e3o, aquela era \u201ca prova que faltava para acabar com todas as d\u00favidas\u201d, conforme\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/brasil\/fc0706200128.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">declarou<\/a>\u00a0\u00e0 Folha de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o, a ju\u00edza classificou o parecer como \u201cimprest\u00e1vel e esp\u00fario\u201d e afirmou que o documento havia sido produzido sem conhecimento da defesa e anexado fora do prazo processual. O documento ficou fora daquele julgamento, em meio \u00e0 disputa entre acusa\u00e7\u00e3o e defesa sobre a reconstru\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica do massacre.<\/p>\n<h2>\u2018O massacre n\u00e3o terminou\u2019, diz dirigente do MST<\/h2>\n<p>A Curva do S continua sendo um lugar de passagem. O trecho da PA-150 fica a cerca de 100 quil\u00f4metros de Marab\u00e1, j\u00e1 pr\u00f3ximo de Eldorado do Caraj\u00e1s. Caminh\u00f5es cruzam a estrada esburacada o tempo todo. Ao lado da rodovia, um grande posto de combust\u00edvel funciona dia e noite. No meio da tarde, o restaurante fica quente, tomado por moscas e m\u00fasica alta.<\/p>\n<p>Poucos dias antes da data de 30 anos do massacre, jovens do MST montavam um acampamento ao lado da estrada. Alguns pintavam um muro para marcar a data. Outros organizavam atividades culturais enquanto aguardavam uma marcha que seguia de Curion\u00f3polis at\u00e9 a Curva do S. Uma pequena constru\u00e7\u00e3o pintada de vermelho abriga o memorial. Nas paredes, fotografias de Sebasti\u00e3o Salgado dividem espa\u00e7o com bandeiras e homenagens aos trabalhadores mortos.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de 17 de abril de 1996, a pol\u00edcia chegou pelos dois lados da estrada. Primeiro, bombas de g\u00e1s e balas de borracha. Depois, disparos com muni\u00e7\u00e3o real. \u201cA\u00ed apareceu sangue\u201d, diz Haroldo de Jesus Oliveira, que tinha 17 anos e estava na Curva do S. Muitos trabalhadores tentaram se proteger na mata quando come\u00e7aram os tiros.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Raimundo dos Santos Gouveia, um dos sobreviventes do Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s, em frente \u00e0 cooperativa do Assentamento 17 de Abril, no Par\u00e1. Foto: Fernando Martinho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Raimundo dos Santos Gouveia tamb\u00e9m correu. Ao lembrar da fuga, descreve a tentativa de proteger a fam\u00edlia. \u201cAgarrei um dos meus filhos, minha mulher, o outro, e n\u00f3s ca\u00edmos pro mato\u201d, diz. De dentro da vegeta\u00e7\u00e3o, ouviu os gritos. \u201cO povo gritava \u2018n\u00e3o me mata, n\u00e3o me mata\u2019, e eles atirando.\u201d<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Carlos Moreira tinha 18 anos quando foi atingido no olho direito na Curva do S. \u201cO policial apontou na minha cara. Na testa. Pra matar\u201d, lembra. A bala entrou pelo olho e ele caiu. Nunca foi retirada. Hoje, aos 48 anos, passa a maior parte do tempo sentado do lado de fora de casa, com os p\u00e9s para cima, esperando o cair da noite para deitar. A dor atravessa a cabe\u00e7a e, de vez em quando, escorre em pus pela nuca e pelo ouvido.<\/p>\n<p>Tr\u00eas vezes por semana, sai para fazer hemodi\u00e1lise. N\u00e3o consegue trabalhar. A renda da indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 consumida por empr\u00e9stimos para despesas m\u00e9dicas. Mesmo assim, n\u00e3o guarda m\u00e1goa de quem atirou: \u201cSe eu encontrasse o policial, eu chamava ele pra comer uma galinha caipira mais eu. Porque pelo menos ele me deixou vivo\u201d. A hist\u00f3ria de Z\u00e9 Carlos\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2026\/04\/massacre-eldorado-do-carajas-sobrevivente-tem-bala-no-olho-ha-30-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">foi contada<\/a>\u00a0pela\u00a0<strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>\u00a0em reportagem publicada no dia do anivers\u00e1rio do massacre.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Jos\u00e9 Carlos Moreira foi baleado no olho durante a opera\u00e7\u00e3o policial em Eldorado do Caraj\u00e1s. Tr\u00eas d\u00e9cadas depois, o proj\u00e9til continua alojado em sua cabe\u00e7a. Foto: Fernando Martinho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>No assentamento 17 de Abril, criado na antiga \u00e1rea da Fazenda Macaxeira, a mem\u00f3ria do massacre aparece na paisagem \u2014 nas pinturas nas paredes e no nome das ruas, que homenageiam as v\u00edtimas. A entrada fica na estrada entre Eldorado do Caraj\u00e1s e Curion\u00f3polis. Saindo do asfalto, uma estrutura de leil\u00e3o de gado domina a beira da estrada. Mais adiante, h\u00e1 um clube de tiro.<\/p>\n<p>Depois da entrada, a antiga \u00e1rea da Fazenda Macaxeira se transforma aos poucos em lotes rurais. A estrada atravessa pequenas propriedades at\u00e9 chegar \u00e0 vila central do assentamento, onde vivem fam\u00edlias assentadas ap\u00f3s anos de acampamento e disputa judicial. Casas de alvenaria substitu\u00edram os barracos de lona.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 pra\u00e7a, quadra esportiva, \u00e1rvores j\u00e1 crescidas. O maior orgulho da comunidade \u00e9 a Escola Oziel Alves Pereira \u2014 que leva o nome de uma das principais lideran\u00e7as jovens do MST mortas no massacre. Segundo testemunhas e investiga\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, Oziel foi morto ap\u00f3s j\u00e1 estar rendido e sob controle policial.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Vista a\u00e9rea da vila no Assentamento 17 de Abril, em Eldorado do Caraj\u00e1s, no Sudeste do Par\u00e1. Foto: Fernando Martinho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Parte dos sobreviventes da Curva do S vive hoje ali. Gouveia mora no assentamento desde sua cria\u00e7\u00e3o. Em 1996, integrava a coordena\u00e7\u00e3o do movimento e participou das negocia\u00e7\u00f5es com a Pol\u00edcia Militar na v\u00e9spera da opera\u00e7\u00e3o. Lembra daquela conversa como um momento em que ainda havia expectativa de evitar o confronto.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA gente achou que ia ter um encaminhamento\u201d, diz. A proposta era que os trabalhadores deixassem a rodovia e seguissem at\u00e9 Marab\u00e1 para negociar com o governo do estado. Haveria transporte e alimenta\u00e7\u00e3o. No dia seguinte, nada disso aconteceu. \u201cA gente estava esperando os \u00f4nibus\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Pablo Neri cresceu ouvindo essa hist\u00f3ria. O pai dele participou da marcha interrompida na Curva do S e passou a receber amea\u00e7as depois da chacina. \u201cA gente cresceu entendendo que essa viol\u00eancia nunca tinha acabado\u201d, disse. Hoje, aos 31 anos, integra a coordena\u00e7\u00e3o estadual do MST e se apresenta como pr\u00e9-candidato a deputado estadual pelo PT.<\/p>\n<p>\u201cO massacre n\u00e3o terminou. Ele come\u00e7ou no dia 17 de abril e vem matando gente at\u00e9 hoje\u201d, disse M\u00e1rcio Lima, um dos coordenadores do bloqueio na Curva do S. Segundo ele, dezenas de sobreviventes seguem sem acompanhamento m\u00e9dico adequado. No assentamento, a hist\u00f3ria segue sendo contada por quem estava l\u00e1. Nos autos, parte das perguntas continuam sem resposta.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>Carlos Juliano Barros<\/strong><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/apoie\/\"><\/a><\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/07\/31\/massacre-de-eldorado-do-carajas-as-perguntas-que-ficaram-na-curva-do-s\/\">Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s: as perguntas que ficaram na Curva do S<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/comer-e-um-ato-politico-defendem-sociologos-especialistas-em-redes-de-ativismo-alimentar\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018Comer \u00e9 um ato pol\u00edtico\u2019, defendem soci\u00f3logos esp...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mitsp-leva-teatro-brasileiro-ao-festival-de-avignon-e-celebra-200-anos-de-relacoes-brasil-franca\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">MITsp leva teatro brasileiro ao Festival de Avigno...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/stm-vai-analisar-perda-de-patente-de-bolsonaro-e-demais-militares-golpistas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">STM vai analisar perda de patente de Bolsonaro e d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/justica-da-romenia-cancela-resultado-do-1o-turno-das-eleicoes-presidenciais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Justi\u00e7a da Rom\u00eania cancela resultado do 1\u00ba turno d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, em 1996, deixou 21 sem-terra mortos, em opera\u00e7\u00e3o policial no Sudeste do Par\u00e1. Foto: Joao Roberto Ripper Por\u00a0Daniel Camargos\u00a0Do Rep\u00f3rter Brasil Pouco mais de duas semanas ap\u00f3s o\u00a0massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s (PA), em 17 de abril de 1996, um gerente de fazenda desembarcou em Bras\u00edlia sob prote\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98025,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[37468,5064,5160,191],"tags":[],"class_list":["post-98024","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-30-anos-eldorado-do-carajas","category-massacre-de-eldorado","category-massacre-de-eldorado-dos-carajas","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98024"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98024\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}