{"id":98659,"date":"2026-08-04T13:09:48","date_gmt":"2026-08-04T16:09:48","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-tras-da-panaceia-das-cidades-inteligentes\/"},"modified":"2026-08-04T13:09:48","modified_gmt":"2026-08-04T16:09:48","slug":"por-tras-da-panaceia-das-cidades-inteligentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-tras-da-panaceia-das-cidades-inteligentes\/","title":{"rendered":"Por tr\u00e1s da panaceia das cidades inteligentes"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"900\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/dest-1200x900-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/dest-1200x900-1.jpg 1200w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dest-1200x900-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dest-1200x900-1-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption>Foto: blog.plaenge<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto faz parte da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Cardernos Metr\u00f3pole, produzido pelo Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles, parceiro editorial do Outras Cidades.<\/p>\n<p>As grandes cidades brasileiras s\u00e3o marcadas por elevados \u00edndices de viol\u00eancia, problemas de mobilidade urbana, inseguran\u00e7a p\u00fablica, polui\u00e7\u00e3o, problemas habitacionais e desemprego, o que se traduz em altos \u00edndices de segrega\u00e7\u00e3o socioespacial e exclus\u00e3o urbana (Gordilho Souza, 2018). O primeiro trimestre de 2023 apresentou uma taxa de 8,8% de desemprego no Brasil (IBGE, 2023a). Na cidade do Rio de Janeiro, quase 20% da popula\u00e7\u00e3o vive em habita\u00e7\u00f5es subnormais (Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, 2023), e as mil\u00edcias j\u00e1 controlam 57,5% da superf\u00edcie territorial da cidade, enquanto fac\u00e7\u00f5es ligadas ao tr\u00e1fico, como Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos, controlam 34,2% dos bairros da cidade (Gini, 2022). Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul\/RS, apesar de apresentar \u00edndice de Desenvolvimento Humano (IDH) acima da m\u00e9dia nacional, \u00e9 a cidade com maior desigualdade entre negros e brancos do Brasil. Enquanto o IDHM (\u00edndice de Desenvolvimento Humano Municipal) da popula\u00e7\u00e3o negra, na capital ga\u00facha, \u00e9 de 0,705, o da popula\u00e7\u00e3o branca \u00e9 de 0,833, representando uma diferen\u00e7a de 18,2%. A diferen\u00e7a m\u00e9dia nacional \u00e9 de 14,43% (PNUD, Ipea e FJP, 2017).<\/p>\n<p>Decorrente tamb\u00e9m dos problemas urbanos e ambientais, t\u00eam sido cada vez mais frequentes as epidemias (dengue, chikungunya, zika, etc.), as quais afetam principalmente a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. O Brasil lidera o <em>ranking<\/em> de casos de dengue, com 2,3 milh\u00f5es de ocorr\u00eancias da doen\u00e7a, totalizando 769 mortes em 2023 (Na\u00e7\u00f5es Unidas, 2023). A covid-19 evidenciou o impacto da desigualdade e das condi\u00e7\u00f5es de urbaniza\u00e7\u00e3o sobre a sa\u00fade das camadas sociais menos favorecidas.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/14-1-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/14-1-2.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Nesse sentido, considerando o impacto dos problemas da urbaniza\u00e7\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida na sociedade, a cidade ganha mais relev\u00e2ncia como campo de pesquisa e de aten\u00e7\u00e3o de organismos internacionais como as Na\u00e7\u00f5es Unidas. No entanto, n\u00e3o \u00e9 pertinente pensar a desigualdade nas cidades como desvinculada do contexto de depend\u00eancia. Assim, Morozov e Bria (2018, p. 14) destacam que:<\/p>\n<blockquote>\n<p>[\u2026] a despeito da incessante celebra\u00e7\u00e3o das cidades como os atores mais importantes no nosso sistema global, com prefeitos como celebridades emergindo como regrando o mundo, a realidade apresenta-se bastante diferente. Contemporaneamente cidades n\u00e3o s\u00e3o entidades isoladas e muito do que ocorre nelas \u00e9 ainda muito determinado pelas transforma\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel nacional e global.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Este artigo reconhece a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia e a trajet\u00f3ria do desenvolvimento do capitalismo na Am\u00e9rica Latina como fatores relevantes para compreender a din\u00e2mica das cidades e seus problemas. Assume tamb\u00e9m como pressuposto, a partir de Harvey (2006), a necessidade de aten\u00e7\u00e3o para o risco da reifica\u00e7\u00e3o das cidades e do discurso dominante que toma o processo urbano como independente do desenvolvimento pol\u00edtico e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Portanto, propomos uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre os limites da ideia dominante de cidade inteligente (<em>smart city<\/em>) para o nosso contexto, principalmente quando se opta pela importa\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es de cidades de pa\u00edses desenvolvidos para a realidade das cidades de pa\u00edses em desenvolvimento. Al\u00e9m disso, como destacam Iraz\u00e1bal e Jir\u00f3n (2021), iniciativas de projetos de cidade inteligente na Am\u00e9rica Latina t\u00eam se caracterizado por abordagens <em>top-down<\/em> em \u00e1reas de interesse das elites, beneficiando-as fundamentalmente com emprego de recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>As iniciativas vinculadas \u00e0s ideias de cidade inteligente no Brasil tendem a se alinhar com uma concep\u00e7\u00e3o de cidade neoliberal, uma cidade mercadoria, congruente com a concep\u00e7\u00e3o de empreendedorismo urbano (Harvey, 2006; Hollands, 2015; Reia e Cruz, 2023). Al\u00e9m disso, os debates sobre cidades inteligentes, muitos deles promovidos por empresas privadas que vendem produtos\/servi\u00e7os para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, apoiados\/financiados por administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, tendem a focar a discuss\u00e3o sobre solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas descolada dos reais problemas que afetam as camadas sociais que mais sofrem com os problemas urbanos. Wiig (2016) revela uma ret\u00f3rica em torno da ideia de cidade inteligente, em que os trabalhos de transforma\u00e7\u00e3o digital operam muito mais para vender uma cidade na economia global do que para endere\u00e7ar solu\u00e7\u00f5es para os problemas de desigualdade urbana. O autor mostra, tamb\u00e9m, que influenciados por empresas como a IBM, gestores t\u00eam incorporado pol\u00edticas techno-ut\u00f3picas de cidade inteligente que desconsideram o car\u00e1ter espacial e a geografia material dos problemas urbanos, necess\u00e1rios para superar o legado do decl\u00ednio das cidades.<\/p>\n<p>Essas agendas t\u00eam sido marcadas, tamb\u00e9m, por rela\u00e7\u00f5es de poder fortemente assim\u00e9tricas entre atores estatais e n\u00e3o estatais, bem como por fortes conflitos de interesses, principalmente no que concerne \u00e0s a\u00e7\u00f5es das Big Techs nos pa\u00edses em desenvolvimento (Avila, 2020; Reia e Cruz, 2023). Nessa linha, Vanolo (2014) chama aten\u00e7\u00e3o para o emprego de <em>smart city<\/em> como estrat\u00e9gia disciplinar, imprimindo uma nova ordem moral sobre a cidade, definindo par\u00e2metros t\u00e9cnicos de ordem para fazer a distin\u00e7\u00e3o entre a cidade boa e a cidade m\u00e1.<\/p>\n<p>Mora, Bolici e Deakin (2017), ao se referirem a cidades como sistemas complexos e altamente organizados, destacam a necessidade de gerenciar o dif\u00edcil cen\u00e1rio enfrentado pelas cidades a partir da conex\u00e3o de muitas disciplinas acad\u00eamicas, trazendo-as para um campo \u00fanico dos estudos urban\u00edsticos. Mais recentemente, o debate sobre cidades tem adentrado o campo dos estudos organizacionais e da Administra\u00e7\u00e3o, em particular, com aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s quest\u00f5es ambientais. Pesquisadores das \u00e1reas gerenciais da Administra\u00e7\u00e3o t\u00eam negligenciado a dimens\u00e3o pol\u00edtica que perpassa esse debate, normalizando a ideia de cidade como mercadoria (Dameri e Rosenthal-Sabroux, 2014; Riva e Pilotti, 2023). No campo dos estudos organizacionais, em uma dimens\u00e3o mais cr\u00edtica, diferentes vertentes se apresentam, tais como a vis\u00e3o human\u00edstica e a materialista hist\u00f3rica (Joss, Cook e Dayot, 2017; Saraiva, 2019). Esses estudos mostram os efeitos das transforma\u00e7\u00f5es das cidades sobre diferentes segmentos sociais para atender ao mercado ou para se adequar cada vez mais ao processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista. Tais abordagens n\u00e3o s\u00e3o novas, devendo-se fazer refer\u00eancia aos trabalhos de autores como Lefebvre (2008), Harvey (2006) e Brenner e Theodore (2002).<\/p>\n<p>O contexto emp\u00edrico desta pesquisa \u00e9 a cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, a qual tem crescentemente incorporado o discurso da inova\u00e7\u00e3o, bem como aderido e desenvolvido ideias de cidade inteligente (<em>smart city<\/em>). O foco do estudo \u00e9 o programa Pacto Alegre e as iniciativas de atividades vinculadas \u00e0s ideias de cidade inteligente.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/circuito3anos-banner_outraspalavras.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/circuito3anos-banner_outraspalavras.jpg 729w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/circuito3anos-banner_outraspalavras-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px\" width=\"729\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Os projetos e propostas sobre cidade inteligente em Porto Alegre t\u00eam como elemento de articula\u00e7\u00e3o as propostas de inova\u00e7\u00e3o para a cidade, alinhadas no \u00e2mbito do programa Pacto Alegre, constru\u00eddo a partir da Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, a inova\u00e7\u00e3o se constituiu no elo para alavancar as discuss\u00f5es sobre cidade inteligente, marcadas, por um lado, por um forte alinhamento com o setor empresarial e, por outro, por um engajamento seletivo da sociedade civil, excluindo os movimentos sociais e a participa\u00e7\u00e3o social mais ampliada.<\/p>\n<h3><strong>Cidades e cidades \u201cinteligentes\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Dameri (2017) apresenta cidades inteligentes como um fen\u00f4meno recente que vem rapidamente se espalhando por todos os continentes. No entanto, ela destaca que a ideia tem ra\u00edzes em um artigo escrito em 1993, o qual descreve os investimentos em telecomunica\u00e7\u00f5es em Singapura e a contribui\u00e7\u00e3o do papel da informa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o no crescimento do PIB, definindo esta cidade como uma \u201ccidade Inteligente\u201d. J\u00e1, Mora, Bolici e Deakin (2017) argumentam que a <em>smart city<\/em> se estabelece como objeto cient\u00edfico em 1992, no livro de Gibson, Kozmetky e Smilor (1992), <em>The technopolis phenomenon smart cities, fast systems, global networks<\/em>.<\/p>\n<p>Assumindo a ideia de Pollitt e Hupe (2011) sobre conceitos m\u00e1gicos e fazendo refer\u00eancia ao conceito apresentado por Dameri (2017), cidades inteligentes t\u00eam sido um conceito tomado acriticamente como uma vibrante e inovativa estrat\u00e9gia de urbaniza\u00e7\u00e3o, concebida como um instrumento efetivo, capaz de fazer frente aos problemas decorrentes da crescente urbaniza\u00e7\u00e3o em grandes e m\u00e9dias cidades ao redor do mundo, ou seja, uma nova panaceia urbana, nos termos empregados por Hollands (2015). Como destaca Vanolo (2014), cidades inteligentes t\u00eam sido tomadas correntemente como um conceito gen\u00e9rico e otimista para a cidade do futuro.<\/p>\n<p>Para Dameri (2017), a ideia de cidade inteligente consistiria em uma estrat\u00e9gia para abranger modernos fatores urbanos de produ\u00e7\u00e3o em um arcabou\u00e7o comum, com destaque para as Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TICs). Segundo a autora, a ideia \u00e9 abra\u00e7ada por governos locais, empresas, organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos e cidad\u00e3os, destacando como objetivos criar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e salvaguardar o meio ambiente. Mas a autora chama aten\u00e7\u00e3o para o fato que, embora esse conceito pare\u00e7a bem conhecido e aplicado por acad\u00eamicos e n\u00e3o acad\u00eamicos, seus conte\u00fados e suas fronteiras ainda est\u00e3o confusos.<\/p>\n<p>Considerando a diversidade e falta de acordo conceitual, Dameri (2017) escreve que a implementa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica de cidade inteligente mostra, tamb\u00e9m, uma grande heterogeneidade, incluindo todos os aspectos da vida urbana, tais como turismo, com\u00e9rcio, ind\u00fastria, agricultura, log\u00edstica, pesquisa e educa\u00e7\u00e3o. Uma forte infraestrutura de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, segundo a autora, deveria apoiar a gest\u00e3o do conhecimento no contexto urbano e a sustentabilidade das cidades, afetando positivamente \u00e1gua, energia e mobilidade.<\/p>\n<p>Talvez, pela posi\u00e7\u00e3o da autora ou pela predomin\u00e2ncia de iniciativas de cidades inteligentes em pa\u00edses desenvolvidos, Dameri (2017) defende que a implementa\u00e7\u00e3o tem se originado como um fen\u00f4meno <em>bottom-up<\/em>, em que v\u00e1rios atores independentes iniciam atividades inteligentes, usando alguma infraestrutura p\u00fablica ou solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Aqui entram em a\u00e7\u00e3o vendedores de solu\u00e7\u00f5es e governantes oferecendo plataformas digitais. No entanto, Mendes (2020) destaca que experi\u00eancias mais bem-sucedidas de <em>smart cities<\/em> com foco na popula\u00e7\u00e3o t\u00eam ocorrido em cidades dos pa\u00edses mais desenvolvidos, onde n\u00edveis menores de desigualdade socioecon\u00f4mica permitem mais inclus\u00e3o digital, viabilizando, assim, maior participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Angelidou (2017) analisou 15 cidades ao redor do mundo e destacou o papel intenso do uso das TICs para melhorar a funcionalidade dos sistemas urbanos e avan\u00e7ar na transfer\u00eancia de conhecimento e redes de inova\u00e7\u00e3o. No entanto, mostrou que a maioria das estrat\u00e9gias de <em>smart city<\/em> falha na capacidade ou inten\u00e7\u00e3o de incorporar abordagens <em>bottom-up<\/em>; \u00e9 pobremente adaptada para acomodar as necessidades locais e desconsidera aspectos de privacidade e seguran\u00e7a das informa\u00e7\u00f5es. Tais interven\u00e7\u00f5es t\u00eam funcionado mais como um \u201cplacebo urbano\u201d, gerando uma fic\u00e7\u00e3o sobre a efetividade das interven\u00e7\u00f5es para melhorar a imagem da cidade no mundo global, no entanto, sendo pouco efetivas em endere\u00e7ar os reais problemas da cidade (Jir\u00f3n et al., 2021).<\/p>\n<p>Considerando a import\u00e2ncia de analisar o discurso e a pr\u00e1tica dos atores que defendem a ideia de <em>smart city,<\/em> s\u00e3o relevantes os achados de Angelidou (2017). De acordo com a autora, embora os artigos do <em>mainstream<\/em> destaquem o alcance da participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e inova\u00e7\u00e3o c\u00edvica e que <em>stakeholders<\/em> sejam gradualmente considerados mais como agentes de mudan\u00e7a, antes do que meros colaboradores, isso n\u00e3o parece estar sendo implementado, e o empoderamento dos cidad\u00e3os e seu bem-estar t\u00eam tido um papel secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>As no\u00e7\u00f5es de cidades inteligentes de Dameri (2017), embora chamem a aten\u00e7\u00e3o para a diversidade conceitual e os desacordos sobre o conceito, pecam por n\u00e3o trazerem a dimens\u00e3o pol\u00edtica. J\u00e1 Morozov e Bria (2018) apresentam um contraponto pol\u00edtico ao debate sobre cidades inteligentes. Eles explicam que cidade inteligente segue a celebra\u00e7\u00e3o da cidade criativa descrita por Richard Florida, tornando-se uma marca, indicando uso inteligente de recursos, atraindo dinheiro, poder corporativo e ind\u00fastrias privadas. Quest\u00f5es como participa\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e justi\u00e7a social tendem a ser colocadas de lado ou utilizadas apenas como pe\u00e7a de <em>marketing<\/em>. Essa vis\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica, e n\u00e3o puramente t\u00e9cnica, destaca a necessidade de entender cidade inteligente no contexto do neoliberalismo, e que se cria uma no\u00e7\u00e3o de necessidade de as cidades serem competitivas em uma era de austeridade pol\u00edtica, entregando, assim, a gest\u00e3o da infraestrutura p\u00fablica e dos servi\u00e7os para empresas privadas.<\/p>\n<p>Morozov e Bria (2018) explicam que <em>smart city<\/em> se tornou proeminente entre os conceitos de \u201c<em>smart<\/em>\u201d, tendo conquistado a imagina\u00e7\u00e3o do p\u00fablico nas \u00faltimas d\u00e9cadas, apresentando impactos pol\u00edticos significativos ao informar e moldar o trabalho de planejadores urbanos, arquitetos, operadores de infraestrutura urbana, al\u00e9m do pr\u00f3prio trabalho de prefeitos e de ind\u00fastrias inteiras de servi\u00e7os. Assim como os autores citados, Grossi e Pianezzi (2017) criticam a promo\u00e7\u00e3o das <em>smart cities<\/em>, definindo-as como express\u00e3o da ideologia neoliberal. Para os autores, essa utopia geradora de um imagin\u00e1rio coletivo, na verdade, busca promover os interesses das elites empresariais e desviar a aten\u00e7\u00e3o dos problemas urgentes das cidades. Destacam ainda que, citando Brenner e Theodore (2002), ao analisar <em>smart city<\/em> como express\u00e3o de um processo de reestrutura\u00e7\u00e3o neoliberal voltado para o mercado dos espa\u00e7os urbanos, a utopia de <em>smart cities<\/em> promove:<\/p>\n<blockquote>\n<p>A difus\u00e3o de novos modelos de governan\u00e7a baseados na privatiza\u00e7\u00e3o e em parcerias p\u00fablico-privado, a exposi\u00e7\u00e3o de municipalidades a competi\u00e7\u00e3o global e a mobiliza\u00e7\u00e3o de um <em>ethos<\/em> empresarial e discursos est\u00e3o entre os principais tra\u00e7os desse processo de neoliberaliza\u00e7\u00e3o. (Ibid., p. 353)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Greenfield (2013) destaca que a proximidade dos arqu\u00e9tipos de cidade inteligente com as concep\u00e7\u00f5es neoliberais leva os gestores a produzirem pol\u00edticas p\u00fablicas com aus\u00eancia de uma concep\u00e7\u00e3o robusta de esfera p\u00fablica, potencializando as oportunidades para empresas como IBM, Cisco e Siemens, em detrimento do interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Morozov e Bria (2018) d\u00e3o voz aos cr\u00edticos que t\u00eam atacado a vis\u00e3o ut\u00f3pica por tr\u00e1s da cidade inteligente, mostrando as suas abstra\u00e7\u00f5es irrealistas, falta de conex\u00e3o com problemas do mundo real, de pessoas reais, que questionam a tecnologia empregada para domina\u00e7\u00e3o da nossa exist\u00eancia urbana e uma quase pornogr\u00e1fica obsess\u00e3o com subservi\u00eancia e controle e a inabilidade de pensar maneiras de colocar cidad\u00e3os \u2013 antes de corpora\u00e7\u00f5es ou planejadores urbanos \u2013 no centro do processo de desenvolvimento. Apesar da import\u00e2ncia dessas cr\u00edticas, os autores salientam que elas falham ao n\u00e3o vincular a din\u00e2mica da cidade e seus problemas ao processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Morozov e Bria (2018) explicam que pesquisadores que recorreram \u00e0 genealogia do termo apontaram que suas origens (bem como sua recep\u00e7\u00e3o global fenomenal) se vinculam \u00e0 reorienta\u00e7\u00e3o de grandes firmas, como IBM, em rela\u00e7\u00e3o aos seus modelos tradicionais de neg\u00f3cio de <em>hardware<\/em> e <em>software<\/em> para vender servi\u00e7os incluindo consultoria. O setor p\u00fablico passa a ser visto como um grande mercado. Avila (2020) mostra como pa\u00edses dominantes, dentro de um sistema global, aproveitam-se de pa\u00edses pobres e em desenvolvimento atrav\u00e9s da digitaliza\u00e7\u00e3o como uma nova forma de colonialismo.<\/p>\n<p>Para finalizar, pode-se dizer que a ideia dominante de <em>smart city<\/em>, tanto na literatura quanto nas experi\u00eancias emp\u00edricas ao redor do mundo, guarda significativas semelhan\u00e7as com o que Harvey (2006) chamou de empreendedorismo urbano. Assim, o autor destaca tr\u00eas quest\u00f5es importantes sobre o novo empreendedorismo urbano: a) a no\u00e7\u00e3o de parceria p\u00fablico-privada, em que empres\u00e1rios tradicionais locais se integram com o poder governamental local, buscando e atraindo fontes externas de financiamento, investimentos diretos e novos empregos; b) a atividade p\u00fablico-privada \u00e9 empreendedora, uma vez que na execu\u00e7\u00e3o e no projeto carrega o risco associado ao desenvolvimento especulativo; no entanto, em geral o poder p\u00fablico fica com o risco, e o setor privado com os benef\u00edcios; c) em geral, o empreendedorismo enfoca muito mais a economia pol\u00edtica do que o territ\u00f3rio, ou seja, h\u00e1 menos preocupa\u00e7\u00e3o com quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e moradia e mais com a cria\u00e7\u00e3o de parques industriais e revitaliza\u00e7\u00f5es para atrair turistas ou viabilizar condi\u00e7\u00f5es mais atrativas para o consumo.<\/p>\n<p>Harvey (2006) destaca algumas op\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas relativas ao empreendedorismo urbano, as quais s\u00e3o centrais para entender as r\u00e1pidas mudan\u00e7as no desenvolvimento desigual dos sistemas urbanos do mundo capitalista avan\u00e7ado. Cabe destacar que tais mudan\u00e7as agora se fazem presentes, ainda que com certas especificidades, no mundo em desenvolvimento. A primeira op\u00e7\u00e3o consiste na competi\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da divis\u00e3o internacional do trabalho, que implica na cria\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de vantagens espec\u00edficas para a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os. Enquanto algumas vantagens derivam da localiza\u00e7\u00e3o ou da base de recursos, outras s\u00e3o criadas atrav\u00e9s de investimentos p\u00fablicos e privados para fortalecerem a base econ\u00f4mica de regi\u00f5es metropolitanas. Dificilmente tal processo ocorre sem fortes subs\u00eddios p\u00fablicos \u00e0s iniciativas privadas, assumindo o risco do investimento para garantir a seguran\u00e7a do capital privado. A segunda op\u00e7\u00e3o envolve estrat\u00e9gias para aumentar a participa\u00e7\u00e3o na divis\u00e3o espacial do consumo, mesmo diante de condi\u00e7\u00f5es de recess\u00e3o para segmentos amplos da popula\u00e7\u00e3o local. Assim, isso envolve projetos de valoriza\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es urbanas degradadas, constru\u00e7\u00f5es de <em>shoppings<\/em>, est\u00e1dios, centros de conven\u00e7\u00e3o e marinas, entre outras interven\u00e7\u00f5es urbanas para acomodar empreendimentos privados em estruturas p\u00fablicas. Em terceiro lugar, Harvey (2006, p. 177) acrescenta que:<\/p>\n<blockquote>\n<p>[\u2026] o empreendedorismo foi muito influenciado pela luta feroz com respeito \u00e0 obten\u00e7\u00e3o das atividades de controle e comando referentes \u00e0s altas finan\u00e7as, ao governo, \u00e0 coleta de informa\u00e7\u00f5es e ao seu processamento (incluindo a m\u00eddia).<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3><strong>Procedimentos metodol\u00f3gicos<\/strong><\/h3>\n<p>Partindo dos trabalhos de Joss, Cook e Dayot (2017) e Joss et al. (2019), buscamos analisar o corpo dos textos produzidos pelos atores envolvidos na coordena\u00e7\u00e3o do programa Pacto Alegre, objetivando triangular com entrevistas, artigos de jornal, entre outros materiais. Desse modo, buscamos investigar quais s\u00e3o as dimens\u00f5es chaves do discurso dos que propagam as ideias do Pacto Alegre, como elas est\u00e3o inter-relacionadas e quais os momentos cr\u00edticos ou pontos de ruptura. A an\u00e1lise textual busca tamb\u00e9m elucidar a concep\u00e7\u00e3o de cidadania que est\u00e1 por tr\u00e1s do projeto e das ideias de cidade inteligente, se contempla uma perspectiva ampliada ou a resume ao conceito de cliente (consumidor individual de servi\u00e7os que expressa apenas um comportamento autointeressado).<\/p>\n<p>Para realizar esse debate, tamb\u00e9m centramos a discuss\u00e3o sobre documentos, projetos e artigos relacionados com o Pacto Alegre, procurando explorar e explicitar a concep\u00e7\u00e3o de cidade que perpassa a agenda dos principais f\u00f3runs, <em>workshops<\/em> e documentos publicamente apresentados pelos atores principais. O estudo baseou-se em dados prim\u00e1rios e secund\u00e1rios e, a partir das categorias articuladas na revis\u00e3o da literatura, procedeu-se uma abordagem interpretativa e cr\u00edtica dos documentos acessados, tais como o <em>Mapeamento dos Ecossistemas de Inova\u00e7\u00e3o<\/em> (Zen et al., 2019), textos publicados na <em>homepage<\/em> do Pacto Alegre e entrevistas com seus integrantes, com acesso p\u00fablico no YouTube. Foram realizadas entrevistas com servidores p\u00fablicos que ocuparam cargos de confian\u00e7a na Prefeitura de Porto Alegre, com um representante do Pacto Alegre, que tamb\u00e9m est\u00e1 \u00e0 frente de uma secretaria da prefeitura de Porto Alegre e com legisladores municipais que participaram dos debates sobre transforma\u00e7\u00f5es da cidade e fundos de recursos para projetos ligados \u00e0 inova\u00e7\u00e3o na cidade. Conversas informais tamb\u00e9m foram realizadas com pesquisadores especialistas no campo urban\u00edstico que t\u00eam acompanhado as disputas de projetos de cidade em Porto Alegre. A partir de uma an\u00e1lise qualitativa, procurou-se evidenciar as contradi\u00e7\u00f5es entre o que foi expresso nos documentos e o que de fato vem sendo desenvolvido, bem como as incongru\u00eancias entre o discurso presente nos documentos de programas como o Pacto Alegre e a Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o e as a\u00e7\u00f5es no campo pol\u00edtico desenvolvidas pela prefeitura.<\/p>\n<h3><strong>Porto Alegre \u2013 contradi\u00e7\u00f5es do \u201cSul desenvolvido\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Porto Alegre possu\u00eda uma popula\u00e7\u00e3o estimada de 1.332.570 habitantes em 2022 (IBGE, 2023b). Apesar de ser uma das capitais brasileiras com menores n\u00edveis de desigualdade social, apresenta parcela da popula\u00e7\u00e3o sem abastecimento de \u00e1gua (0,65%\/9.161 pessoas), sem esgoto sanit\u00e1rio adequado (6,1%\/85.970 pessoas), com domic\u00edlios privados com falta de acesso \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica (6,2%\/87.380 pessoas), falta de pavimenta\u00e7\u00e3o (12,1%\/170.531 pessoas), falta de cal\u00e7ada (23%\/324.151 pessoas). Al\u00e9m desses problemas, s\u00e3o significativos os n\u00fameros trazidos pelo Observat\u00f3rio da Cidade de Porto Alegre (ObservaPOA) relativos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre residindo em \u00e1reas de risco, com presen\u00e7a espraiada de aglomerados subnormais, crescimento do n\u00famero de moradores de rua, queda na oferta e qualidade do transporte p\u00fablico e aumento da viol\u00eancia urbana. Diante do quadro apresentado, soma-se a not\u00edcia de uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de R$32 milh\u00f5es da verba p\u00fablica para assist\u00eancia social desde 2016, sendo que s\u00f3 em 2019 a queda foi de R$15,7 milh\u00f5es (Bueller, 2020). Sem d\u00favida, diante dos problemas colocados, faz-se necess\u00e1rio pensar os caminhos do debate sobre as iniciativas para tornar Porto Alegre uma cidade inteligente e refer\u00eancia em inova\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, pergunta-se: inteligente para quem? Inteligente a que custo?<\/p>\n<h3><strong>Do Programa Tecn\u00f3poles ao Pacto Alegre<\/strong><\/h3>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Para Inova\u00e7\u00e3o e do Pacto Alegre est\u00e1 inserida em um contexto mais amplo, iniciado na d\u00e9cada de 1990, a partir de pol\u00edticas p\u00fablicas desencadeadas pela prefeitura municipal de Porto Alegre e pelo governo do estado do RS. Entre essas iniciativas est\u00e3o os \u201cPolos de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica\u201d, programa criado pela Secretaria de Ci\u00eancia e Tecnologia do RS cuja principal finalidade era tornar os setores produtivos do estado competitivos, assim como promover uma diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o a partir do apoio ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras que fossem aplic\u00e1veis a diversos setores. Tamb\u00e9m \u00e9 refer\u00eancia para os atuais programas o PAT, criado na d\u00e9cada de 1990 e inspirado nas tecn\u00f3poles francesas.<\/p>\n<p>Posto em pr\u00e1tica em 1989 (Jung, ten Caten e Ribeiro, 2007), o programa se desenvolveu e, ao alcan\u00e7ar sua terceira fase, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000, polos cient\u00edficos foram surgindo em Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana. Iniciando com o Polo de Inform\u00e1tica de S\u00e3o Leopoldo, em 2002, essa regi\u00e3o passou a ser centro para o desenvolvimento de atividades relacionadas ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico. No ano seguinte, em 2003, nasceu o Tecnopuc (Parque Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul\/PUCRS) em Porto Alegre, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e de outros \u00f3rg\u00e3os como:<\/p>\n<blockquote>\n<p>o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), entre outros federais e regionais, como Sebrae, Secretaria da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul (SCTI) \u2013 hoje Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Ci\u00eancia e Tecnologia \u2013 e prefeitura de Porto Alegre. (Audy; Knebel, 2015, p. 89)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em 2009, o Parque Tecnol\u00f3gico de S\u00e3o Leopoldo (Tecnosinos) foi constru\u00eddo em parceria com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) na regi\u00e3o metropolitana. O estabelecimento de polos tecnol\u00f3gicos, que mais tarde passaram a ser reconhecidos nacionalmente, foi estopim, ainda, para o nascimento do Zenit (Parque Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul\/UFRGS), em Porto Alegre, do Parque Tecnol\u00f3gico da Universidade Feevale, em Campo Bom, e de diversas incubadoras e espa\u00e7os de <em>coworking<\/em>.<\/p>\n<p>Ao longo desse per\u00edodo, as incubadoras e os espa\u00e7os de <em>coworking<\/em> proliferaram na capital, tanto na UFRGS (Centro de Empreendimentos em Inform\u00e1tica, Hestia, Incubadora Empresarial do Centro de Biotecnologia) quanto em outras universidades (Raiar na PUCRS, Base na Escola Superior de Propaganda e Marketing, etc.) como nas iniciativas do governo municipal (Incubadora Empresarial Tecnol\u00f3gica e POA.HUB) e nos empreendimentos privados (N\u00f3s, Flowork, UFO, \u00c1rea 51, etc.) (Pacto Alegre, 2019).<\/p>\n<p>As iniciativas pioneiras em termos de inova\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, com governos de orienta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-popular, apresentavam uma preocupa\u00e7\u00e3o de articula\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es de empres\u00e1rios, universidades, sindicatos de trabalhadores e sociedade civil organizada, incluindo Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais (ONGs) e movimentos sociais de distintas naturezas. Tamb\u00e9m se colocava como central que o desenvolvimento da inova\u00e7\u00e3o, sob coordena\u00e7\u00e3o e controle do estado, deveria estar a servi\u00e7o do desenvolvimento econ\u00f4mico e social, de forma que pudesse melhorar a qualidade do emprego na regi\u00e3o e impactar na produ\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es que tornassem a cidade de Porto Alegre e o estado do Rio Grande do Sul menos desiguais e mais sustent\u00e1veis. Atrelado ao or\u00e7amento participativo, modelo que se tornou refer\u00eancia internacional, a dimens\u00e3o cidad\u00e3 se sobressaltava sobre a econ\u00f4mica (Governo do RS, 2016). Esse cen\u00e1rio vai mudar com a entrada de governos com orienta\u00e7\u00e3o neoliberal, favor\u00e1veis a uma perspectiva mais alinhada ao empreendedorismo urbano, com solu\u00e7\u00f5es pautadas pelas privatiza\u00e7\u00f5es, parcerias p\u00fablico-privadas e foco na atra\u00e7\u00e3o de investimentos externos via subs\u00eddios diretos e indiretos.<\/p>\n<p>Apesar da evidente presen\u00e7a do estado, tanto de articula\u00e7\u00e3o ou orquestra\u00e7\u00e3o das iniciativas como de financiamento dos projetos, textos recentes do projeto Pacto Alegre e da Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o d\u00e3o mais destaque para a influ\u00eancia de empreendimentos privados na forma de se pensar a cidade (Pacto Alegre, 2019). Nesse momento de exalta\u00e7\u00e3o da iniciativa privada, surge o Cite, um movimento liderado por empres\u00e1rios ocorrido na cidade de Porto Alegre, durante o in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010. O projeto pretendia transformar Porto Alegre em uma cidade atraente para investimento de capital internacional na \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica (ibid.). Percebe-se, nesse momento, como o movimento iniciado por empres\u00e1rios atraiu n\u00e3o apenas outros empres\u00e1rios e pessoas da elite econ\u00f4mica da capital, mas tamb\u00e9m pessoas ligadas \u00e0 academia (Renner, 2013).<\/p>\n<p>Durante seus primeiros anos, o Cite mostrou-se capaz de obter ader\u00eancia de pessoas \u00e0 sua causa, mas perdeu for\u00e7a. O que restou foi a liga\u00e7\u00e3o entre os atores envolvidos, que mais tarde trabalhariam em projetos semelhantes com financiamento p\u00fablico. Apesar dessa iniciativa de empres\u00e1rios, muito do que se desenvolveu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010 se d\u00e1 gra\u00e7as ao programa p\u00fablico Gabinete de Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia Inovapoa\/GP. Criado a partir da Lei n. 10.705\/2009 e sancionado pelo Decreto n. 16.369\/2009 (Porto Alegre, 2019a, 2019b), o Inovapoa\/GP \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o subordinado ao Gabinete do Prefeito e respons\u00e1vel pela articula\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no fomento \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O texto do artigo 2\u00ba da Lei n. 10.705 mostra como, desde sua concep\u00e7\u00e3o, o \u00f3rg\u00e3o passaria a priorizar atividades de cunho privado para o desenvolvimento de inova\u00e7\u00e3o na cidade. Quase metade das finalidades b\u00e1sicas do Inovapoa\/GP passam por promover est\u00edmulo e um ambiente acolhedor para que empresas passassem a se instalar em Porto Alegre e promover seus processos pr\u00f3prios de desenvolvimento tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A maioria das a\u00e7\u00f5es do Inovapoa\/GP, durante seus anos iniciais (Dias, 2015), foram participa\u00e7\u00f5es, apoios e realiza\u00e7\u00e3o de eventos e palestras, com poucas entregas efetivas de produtos, conv\u00eanios, elabora\u00e7\u00e3o de projetos (sejam sociais ou leis). A publica\u00e7\u00e3o de documentos dessa \u00e9poca tamb\u00e9m \u00e9 ponto a ser analisado. De acordo com Dias (2015), nos anos de 2013 e 2014, apenas dois documentos foram publicados. O artigo intitulado \u201cPortal E-Guia ICT Porto Alegre\u201d e o Guia Porto Alegre de neg\u00f3cios e oportunidades.<\/p>\n<p>O Inovapoa\/GP foi um marco na cria\u00e7\u00e3o de um pensamento voltado para o desenvolvimento tecnol\u00f3gico de vi\u00e9s neoliberal, chamando empresas privadas para o protagonismo das a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 inova\u00e7\u00e3o na capital ga\u00facha. Outras institui\u00e7\u00f5es, como UFRGS, PUCRS e Unisinos, tamb\u00e9m come\u00e7aram a criar n\u00facleos de desenvolvimento de inova\u00e7\u00e3o, vendo com bons olhos o momento. Ap\u00f3s quase uma d\u00e9cada de constru\u00e7\u00e3o desse cen\u00e1rio, a uni\u00e3o de grupos com ideais semelhantes, formados durante esse per\u00edodo, resultou nos primeiros trabalhos que culminariam no Pacto Alegre, sendo o advento da Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o o principal deles.<\/p>\n<p>A Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o foi a uni\u00e3o das tr\u00eas maiores universidades de Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana (UFRGS, PUCRS e Unisinos) dispostas a desenvolver a cidade como um polo de talentos no Brasil. A alian\u00e7a tem o prop\u00f3sito de \u201c[\u2026] colaborar para converter conhecimento em desenvolvimento\u201d e como vis\u00e3o do futuro \u201c[\u2026] em 2025, ser reconhecida internacionalmente como um modelo de refer\u00eancia de colabora\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o em alto impacto\u201d (Alian\u00e7a [\u2026], 2018).<\/p>\n<p>Em 4\/7\/2018, ocorreu o que seria o in\u00edcio das tratativas que resultariam no Pacto Alegre. Em um evento realizado pelas universidades parceiras da Alian\u00e7a, foram trabalhadas vis\u00f5es de futuro para a capital. Com a participa\u00e7\u00e3o de Josep Piqu\u00e9, \u201cum dos idealizadores do Projeto Barcelona @22, que transformou a cidade em refer\u00eancia em <em>smart cities<\/em> no mundo\u201d (ibid.), iniciou-se uma maratona de <em>workshops<\/em> e encontros para realizar um diagn\u00f3stico da cidade de Porto Alegre.<\/p>\n<p>Em 21\/11\/2018, ocorre a cerim\u00f4nia que inicia formalmente o Pacto Alegre com a assinatura oficial do Pacto pela Inova\u00e7\u00e3o da capital ga\u00facha. No evento, \u00e9 apresentado o <em>Mapeamento do ecossistema de inova\u00e7\u00e3o de Porto Alegre<\/em> (Zen et al., 2019), um relat\u00f3rio estruturado em cinco dimens\u00f5es (Talentos e Conhecimento, Financeira, Estrutural, Institucional-Legal e Intera\u00e7\u00e3o e Qualidade de Vida) a fim de analisar o ecossistema de inova\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>O <em>Mapeamento do ecossistema de inova\u00e7\u00e3o de Porto Alegre<\/em>, central para defini\u00e7\u00e3o das diretrizes de desenvolvimento do Pacto Alegre, foi realizado ao longo de 2018, com base em dados estat\u00edsticos e de <em>workshops<\/em> tem\u00e1ticos com 135 participantes vinculados ao governo, universidades, empresas e sociedade civil. Em torno de 40% dos participantes eram representantes do executivo municipal ou do legislativo; 22% dos participantes eram vinculados a Institui\u00e7\u00f5es de Ensino, a maioria de institui\u00e7\u00f5es privadas; 17% dos participantes eram representantes de empresas privadas e 8% de organiza\u00e7\u00f5es sociais como Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); restando ainda representantes de associa\u00e7\u00f5es empresariais (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio Grande do Sul e Federa\u00e7\u00e3o das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul), representantes de parques tecnol\u00f3gicos e associa\u00e7\u00f5es de classe. Observa-se a aus\u00eancia de representa\u00e7\u00f5es de trabalhadores, de associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias ou de bairro e movimentos sociais. Considerando a natureza do debate, tamb\u00e9m merece destaque a incipiente ou quase nula participa\u00e7\u00e3o de entidades ambientalistas, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo do RS (IAB-RS) e de entidades ligadas \u00e0s \u00e1reas cultural e patrim\u00f4nio hist\u00f3rico. Em entrevista veiculada no YouTube, o coordenador do Pacto Alegre, diante de um questionamento e a constata\u00e7\u00e3o de outra integrante do Pacto, reconhece a falta de diversidade (referindo-se apenas a n\u00e3o presen\u00e7a de pessoas negras nas reuni\u00f5es e eventos do Pacto). Ele acrescenta que \u201c<em>essa pe\u00e7a precisa ser trabalhada<\/em>\u201d (Cabanellos Advocacia, 2022). Esse representante do Pacto Alegre, em entrevista, explica que a n\u00e3o presen\u00e7a de movimentos sociais e grupos que demandam o direito \u00e0 cidade nas atividades do programa \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o consciente, pois acredita que essa exclus\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para se alcan\u00e7ar o consenso ou para evitar a polariza\u00e7\u00e3o de temas. Sobre a falta de diversidade, explica como natural, pois a estrutura da sociedade se apresenta dessa forma.<\/p>\n<p>Nesse mapeamento do ecossistema de inova\u00e7\u00e3o, para cada <em>workshop<\/em> tem\u00e1tico foram realizadas recomenda\u00e7\u00f5es (Zen et al., 2019). Vamos destacar aquelas alinhadas com a concep\u00e7\u00e3o de empreendedorismo urbano e que pautam a concep\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o e <em>smart city<\/em> para as cidades na perspectiva neoliberal, bem como a\u00e7\u00f5es em contradi\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas adotadas pelo governo municipal, as quais ser\u00e3o apresentadas mais adiante.<\/p>\n<p>A partir da cria\u00e7\u00e3o do Pacto Alegre, as atividades da Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o passaram a ocorrer dentro desse projeto maior. Em 26\/3\/2019, \u00e9 constitu\u00edda a mesa do Pacto Alegre (Pacto Alegre, 2019), momento que consolida a participa\u00e7\u00e3o ativa de atores do setor privado na tomada de decis\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>O Pacto Alegre, formado a partir de uma iniciativa da prefeitura de Porto Alegre e de n\u00facleos de universidades e empresas, propunha-se a vencer seis macrodesafios: Talentos, Transforma\u00e7\u00f5es urbanas, ambientes de neg\u00f3cios, imagem da cidade, qualidade de vida e moderniza\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. \u00c9 dentro desses macrodesafios que se disp\u00f5em os projetos da primeira fase do Pacto (Valduga, 2019). No <em>Imagem da Cidade<\/em>, tem-se o POA 2020, Rotas de POA e Marca de POA (<em>Place Branding<\/em>); no Moderniza\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, temos o Cidad\u00e3o \u00danico, Start.Gov e Cidade Transparente; no Educa\u00e7\u00e3o e Talentos, temos o Professor Inovador e Olimp\u00edadas da Inova\u00e7\u00e3o POA; no macrodesafio Transforma\u00e7\u00e3o Urbana, temos o Hands On 4D, Interven\u00e7\u00f5es Culturais Pintando POA e Cultura Cidad\u00e3 I Love POA; no macrodesafio Ambiente de Neg\u00f3cios, destacam-se a Blitz da Inova\u00e7\u00e3o, o Licenciamento Expresso POA, o Conecta POA Trinova e o Crowdfunding POA; no \u00faltimo macrodesafio, Qualidade de Vida, s\u00e3o apresentados quatro projetos, o Mexe com POA (do centro \u00e0 periferia), o WOnd3r \u00c1gua Maravilhosa, o Smart City Todas Gera\u00e7\u00f5es e o Engaja POA (Open City). Al\u00e9m destes, ainda existem cinco propostas colocadas pela coordena\u00e7\u00e3o executiva do Pacto Alegre para melhorar a atua\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o p\u00fablica: a elabora\u00e7\u00e3o de Projetos Estrat\u00e9gicos, Projeto Caldeira, Projeto Educa\u00e7\u00e3o Transformadora, Plano Diretor, Projeto Sa\u00fade Digital e do MBA em Inova\u00e7\u00e3o. No momento da escrita deste artigo, o Pacto inicia o processo de entrada em seu 4\u00ba ciclo, totalizando 39 projetos. Desses 39 projetos, 9 foram entregues, 1 foi abandonado, 11 est\u00e3o aguardando, 12 est\u00e3o em desenvolvimento e 6 novos projetos estrat\u00e9gicos foram apresentados (Pacto Alegre, 2020).<\/p>\n<p>Em relat\u00f3rio apresentado na 3\u00aa Reuni\u00e3o da Mesa do Pacto Alegre (2019), \u00e9 poss\u00edvel verificar os est\u00e1gios de desenvolvimento de cada um dos projetos do Pacto, com informa\u00e7\u00f5es sobre os avan\u00e7os j\u00e1 realizados, riscos para o futuro, a\u00e7\u00f5es a serem realizadas em 2020 e sugest\u00f5es de encaminhamentos feitos pela Mesa. Nele pode-se verificar as prioridades do Pacto a partir da an\u00e1lise de alguns dados, como veremos a seguir.<\/p>\n<p>Os projetos que est\u00e3o em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado de desenvolvimento, durante o primeiro ciclo do Pacto, s\u00e3o os relacionados ao macrodesafio de Imagem da Cidade. De acordo com o parecer da coordena\u00e7\u00e3o do Pacto, todos eles contam com \u201cperspectiva muito positiva\u201d e espera-se apenas que assim se mantenham na segunda agenda de projetos. O projeto Rotas de POA, at\u00e9 o momento da reuni\u00e3o da mesa, j\u00e1 contava com projeto piloto, eventos realizados, parcerias estruturadas e estudos sendo desenvolvidos sobre uma poss\u00edvel rota gastron\u00f4mica e o uso dos caminhos rurais como outra \u201crota\u201d. Por sua vez, o projeto Marca de POA j\u00e1 contava com 11 propostas de marcas para POA e defini\u00e7\u00e3o de tr\u00eas marcas para a escuta p\u00fablica. \u00c9 poss\u00edvel interpretar o foco em um primeiro momento nos projetos relacionados \u00e0 Imagem da Cidade como uma tentativa de os realizadores do Pacto Alegre atra\u00edrem capital privado \u2013 principalmente externo \u2013 para investimento na cidade. Ao inv\u00e9s do fortalecimento da imagem de Porto Alegre como refer\u00eancia de democracia, com inova\u00e7\u00f5es como o Or\u00e7amento Participativo e a realiza\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Social Mundial, busca-se o alinhamento com uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal contr\u00e1ria \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de cidade que produziu melhor qualidade de vida aos cidad\u00e3os em per\u00edodos passados.<\/p>\n<p>J\u00e1 os projetos relacionados aos macrodesafios da Moderniza\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, do Ambiente de Neg\u00f3cios e da Transforma\u00e7\u00e3o Urbana est\u00e3o em est\u00e1gio pr\u00f3ximo de desenvolvimento. Quanto \u00e0 Moderniza\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, destaca-se o Start.GOV, projeto que resultou na forma\u00e7\u00e3o de 40 servidores p\u00fablicos em inova\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s do curso, objetivou-se desenvolver diferentes habilidades e compet\u00eancias, abordando temas como cultura <em>startup,<\/em> m\u00e9todos \u00e1geis, <em>blockchain<\/em> e intelig\u00eancia artificial, al\u00e9m de um bloco intitulado \u201cm\u00e3o na massa\u201d, com vistas \u00e0 idea\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o de prot\u00f3tipos inovadores (Porto Alegre, 2019).<\/p>\n<p>Nesse momento, por\u00e9m, uma caracter\u00edstica frequente nos relat\u00f3rios e demais documentos do Pacto consiste na falta de detalhes sobre as opera\u00e7\u00f5es. A apresenta\u00e7\u00e3o em nenhum momento detalha como ocorreu essa forma\u00e7\u00e3o, ou onde. Tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o apresentadas informa\u00e7\u00f5es consistentes sobre as outras \u201cEntregas\/Avan\u00e7os Principais\u201d realizados, de forma que informa\u00e7\u00f5es apresentadas em t\u00f3picos se mostram incompletas. O projeto Cidad\u00e3o \u00danico conta apenas com a estrutura\u00e7\u00e3o do projeto, mas precisa de implementa\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o de agentes \u201cpara tirar do papel\u201d. Por fim, o Cidade Transparente apesar de ter entregado um decreto de dados abertos, ainda n\u00e3o implantou solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os projetos do macrodesafio Ambiente de Neg\u00f3cios, por sua vez, t\u00eam uma situa\u00e7\u00e3o muito similar: est\u00e3o com suas estruturas de atua\u00e7\u00e3o, parcerias, definidas, etc. \u2013 mas ainda \u00e0 espera de implementa\u00e7\u00e3o. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o projeto Licenciamento Expresso, que, apesar de n\u00e3o ser, de acordo com o relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o, o que est\u00e1 em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado de desenvolvimento, \u00e9 o \u00fanico que come\u00e7ou o que seria seu objetivo, a partir de: reestrutura\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de licenciamento; ades\u00e3o de licenciamento digital para atividades de baixo impacto; integra\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o de setores da prefeitura municipal de Porto Alegre. N\u00e3o por acaso, tal a\u00e7\u00e3o produz mais fluidez para as a\u00e7\u00f5es do capital, minimizando os \u201cempecilhos\u201d ambientais ou de seguran\u00e7a. Tais propostas de flexibiliza\u00e7\u00e3o v\u00e3o ao encontro das expectativas do setor empresarial, mas t\u00eam preocupado os movimentos sociais e ambientais no que concerne aos efeitos sociais e ambientais.<\/p>\n<p>Em Transforma\u00e7\u00e3o Urbana, os projetos Pintando POA e Cultura Cidad\u00e3 aparecem em situa\u00e7\u00f5es semelhantes, em que a ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 apontada como um dos <em>roadblocks<\/em> para o desenvolvimento pr\u00e1tico. Hands On 4D \u00e9 assinalado em est\u00e1gio avan\u00e7ado de desenvolvimento no primeiro ciclo do Pacto Alegre, apontando, como entregas, melhorias na regi\u00e3o piloto, projetos de ruas completas e <em>living spaces<\/em>. Novamente, n\u00e3o h\u00e1 detalhes do que seriam as melhorias, ou a delimita\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o piloto, mostrando-se um documento incompleto.<\/p>\n<p>Por fim, nota-se que dois macrodesafios do Pacto Alegre t\u00eam seus projetos em segundo plano: \u201cEduca\u00e7\u00e3o e Talentos\u201d e \u201cQualidade de Vida\u201d. Desde o in\u00edcio do Pacto Alegre, Educa\u00e7\u00e3o e Talentos \u00e9 o macrodesafio com menor n\u00famero de propostas a serem realizadas, contando apenas com dois projetos.<\/p>\n<p>O macrodesafio da \u201cQualidade de Vida\u201d \u00e9 o mais atrasado em est\u00e1gio de desenvolvimento e o \u00fanico que conta com um projeto cujo encaminhamento apontado \u00e9 \u201cSuspender. Avaliar possibilidade de relan\u00e7amento no 3\u00ba Ciclo se houver engajamento\u201d, o \u201cMexe com POA\u201d. O projeto Wond3r, assim como EngajaPOA, se encontrava em est\u00e1gio intermedi\u00e1rio de desenvolvimento at\u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o do documento da mesa, e em suas sugest\u00f5es de encaminhamento h\u00e1 \u201cEstudar amplia\u00e7\u00e3o de foco e aglutina\u00e7\u00e3o em NOVO PROJETO QUALIDADE AMBIENTAL POA\u201d. O \u00faltimo dos projetos, o \u201cSmart City \u2013 Todas Gera\u00e7\u00f5es\u201d, \u00e9 apontado como em est\u00e1gio prec\u00e1rio de desenvolvimento, sendo a \u00fanica entrega, al\u00e9m da defini\u00e7\u00e3o do foco inicial de atua\u00e7\u00e3o, a \u201cparceria SQED e POA na Rua\u201d.<\/p>\n<p>Em se tratando dos projetos estrat\u00e9gicos do Pacto, em geral, as perspectivas s\u00e3o apresentadas no documento como muito positivas pelos seus integrantes. O projeto de Forma\u00e7\u00e3o de Agentes de Inova\u00e7\u00e3o foi o mais r\u00e1pido de todos os projetos apresentados pelo Pacto Alegre a atingir seu objetivo, iniciando turmas do MBA em Ecossistemas de Inova\u00e7\u00e3o j\u00e1 no dia 11\/7\/2019 (Weber, 2018). No lado oposto, est\u00e1 o projeto Educa\u00e7\u00e3o Transformadora, do qual sequer um <em>roadmap<\/em> foi tra\u00e7ado e divulgado, fazendo com que seja um dos projetos apontados como pouco desenvolvidos. Tanto \u201cInstituto Caldeira\u201d quanto \u201cSa\u00fade Digital\u201d s\u00e3o projetos apontados com perspectivas muito positivas. Por \u00faltimo, o projeto de \u201cDiretrizes Urbanas Inovadoras\u201d \u00e9 um dos que contam com maior n\u00famero de entregas realizadas e um dos principais para o desenvolvimento de um ambiente acolhedor aos outros projetos do Pacto Alegre, pois atua na esfera da altera\u00e7\u00e3o legislativa e estudos arquitet\u00f4nicos, entre outros aspectos.<\/p>\n<h3><strong>Smart City \u2013 \u201cTodas\u201d as gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>Esse projeto tem como proposi\u00e7\u00e3o de valor: \u201cEstimular desenvolvimento de uma SMART POA com aten\u00e7\u00e3o especial a crian\u00e7as e idosos.\u201d Os objetivos consistem em: a) tornar Porto Alegre refer\u00eancia na aten\u00e7\u00e3o e relacionamento com crian\u00e7as e idosos; b) estimular a sinergia entre as pol\u00edticas p\u00fablicas desenvolvidas para crian\u00e7as e idosos; c) fomento de pr\u00e1ticas de <em>user experience<\/em> (experi\u00eancia de uso) para revitalizar ou instalar novos equipamentos p\u00fablicos com acessibilidade e car\u00e1ter l\u00fadico (Pacto Alegre, 2023). Cabe destacar, no entanto, que a discuss\u00e3o sobre <em>smart city<\/em> n\u00e3o se resume \u00e0s proposi\u00e7\u00f5es do Pacto Alegre, mas perpassa a\u00e7\u00f5es e discursos de autoridades da prefeitura em diferentes \u00e1reas, ainda que n\u00e3o haja um plano concreto para isso.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2022, o \u201cfutur\u00f3logo\u201d e diretor do <em>Copenhagen Institute for Futures Studies Latin America<\/em>, convidado para palestrar no Instituto Caldeira (vinculado ao Pacto Alegre), falou sobre megatend\u00eancias e seus impactos para a moradia do amanh\u00e3 e sentenciou que Porto Alegre deveria se apressar para virar uma <em>smart city<\/em>. Em sintonia com o discurso liberal, defendeu o uso do planejamento estrat\u00e9gico para pensar as cidades e um forte alinhamento ou unifica\u00e7\u00e3o entre setor p\u00fablico e setor privado (Weber, 2022).<\/p>\n<p>Em 2021, a prefeitura de Porto Alegre, atrav\u00e9s do seu Gabinete de Inova\u00e7\u00e3o, apoiou a realiza\u00e7\u00e3o do Encontro Regional Porto Alegre, uma iniciativa do Necta no \u00e2mbito do <em>Connected smart cities &amp; mobility<\/em>. O objetivo do evento foi debater sobre as iniciativas tecnol\u00f3gicas na capital ga\u00facha. Na reportagem sobre o evento, \u00e9 destacado que, em 2019, Porto Alegre foi reconhecida com o pr\u00eamio Inovacidade, concedido pelo Instituto <em>Smart city business America<\/em>, em fun\u00e7\u00e3o do projeto de cercamento eletr\u00f4nico da cidade. No <em>ranking Connected Smart Cities<\/em>, Porto Alegre est\u00e1 entre as dez cidades mais inteligentes do Brasil, no 3\u00ba lugar na Regi\u00e3o Sul e 4\u00ba lugar em Empreendedorismo.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2022, a prefeitura aderiu oficialmente ao programa <em>Mastercard City Possible<\/em>, apresentado na sua <em>homepage<\/em> como um novo modelo para inova\u00e7\u00e3o urbana, no qual uma rede global de cidades, empresas, acad\u00eamicos e comunidades trabalham juntos para tornar as cidades do mundo mais inclusivas e sustent\u00e1veis (Prefeitura de Porto Alegre, 2022). Para o secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o e Patrim\u00f4nio da prefeitura, que representou a prefeitura no evento realizado em 2021, em Barcelona, essa participa\u00e7\u00e3o \u00e9 positiva:<\/p>\n<blockquote>\n<p>O grande legado \u00e9 Porto Alegre passar a integrar a rede <em>City Possible<\/em>. Firmaremos um memorando de entendimento tecnol\u00f3gico com a Mastercard, em n\u00edvel mundial, sem custo algum ao Munic\u00edpio, para buscarmos solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis e inclusivas. Os cases de sucesso, com a aplica\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es inovadoras j\u00e1 testadas e aprovadas em uma cidade, podem ser implementadas em qualquer outra integrante da rede global. (Ibid.)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>De acordo com a reportagem sobre a ades\u00e3o, destaca-se que, entre os benef\u00edcios, o programa City Possible \u201cdestina-se\u201d a permitir que o munic\u00edpio atinja os seguintes objetivos: reconhecimento como uma cidade inteligente e laborat\u00f3rio para inova\u00e7\u00e3o, posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a em inova\u00e7\u00e3o digital inclusiva e capacidade de coletivamente criar e desenvolver solu\u00e7\u00f5es com impacto local (ibid.).<\/p>\n<p>Alavancada pela ideia de inova\u00e7\u00e3o, a qual perpassa o projeto Pacto Alegre e a Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o, a prefeitura desenvolveu atividades em estruturas j\u00e1 existentes para tornar a cidade mais \u201cinteligente\u201d. Em 2023, a Procempa, empresa de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o da Prefeitura de Porto Alegre, criou o <em>Smart Lab<\/em> para desenvolver e aprimorar solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas j\u00e1 desenvolvidas pela equipe da Procempa, operando tamb\u00e9m como um integrador de solu\u00e7\u00f5es inovadoras do mercado. (Prefeitura de Porto Alegre, 2023). No que concerne aos objetivos, um deles foca em contribuir com o \u201ccliente\u201d e o cidad\u00e3o, atuando como um <em>hub<\/em> de solu\u00e7\u00f5es inovadoras, tanto incrementais quanto disruptivas.<\/p>\n<p>As iniciativas de <em>smart city<\/em>, em Porto Alegre, explicitam o que Joss et al. (2019) destacam como car\u00e1ter discursivo do fen\u00f4meno, o qual passa a moldar conceitos e programas. Esse discurso tamb\u00e9m \u00e9 um meio chave pelo qual ideias e pr\u00e1ticas s\u00e3o tomadas emprestadas, transmitidas e reproduzidas em diferentes espa\u00e7os geogr\u00e1ficos, culturais e institucionais. Esse novo regime discursivo, observado nas a\u00e7\u00f5es disseminadas pelo Pacto Alegre, alinham-se a uma pol\u00edtica urbana neoliberal, pautada na corporatiza\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o da cidade e na gera\u00e7\u00e3o de novas formas de governan\u00e7a tecnocr\u00e1tica. Tais pr\u00e1ticas representam uma ruptura com as pr\u00e1ticas democr\u00e1tico-popular na administra\u00e7\u00e3o de Porto Alegre, que tem como uma de suas refer\u00eancias o or\u00e7amento participativo, o programa Escola Cidad\u00e3, dentre outros. Al\u00e9m disso, a concep\u00e7\u00e3o de <em>smart city<\/em> e inova\u00e7\u00e3o do programa Pacto Alegre \u00e9 predominantemente moldada pela l\u00f3gica do setor privado e serve como uma plataforma para renova\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da cidade.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0s iniciativas por a\u00e7\u00f5es de inova\u00e7\u00e3o e de cidade inteligente, em que parece ocorrer uma sintonia entre as duas \u00faltimas administra\u00e7\u00f5es municipais com segmentos das tr\u00eas universidades, podemos citar algumas a\u00e7\u00f5es da prefeitura de Porto Alegre que mostram as contradi\u00e7\u00f5es com as quest\u00f5es de qualidade de vida e meio ambiente, transpar\u00eancia p\u00fablica, mobilidade urbana e as propostas do programa referido. Chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre esses aspectos \u00e9 fundamental, pois indica contradi\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo com as propostas do <em>mainstream<\/em> em termos de Cidades Inteligentes. Dentre essas medidas est\u00e3o:<\/p>\n<p>a) cria\u00e7\u00e3o de um fundo de inova\u00e7\u00e3o sem uma discuss\u00e3o ampla sobre a origem dos recursos e sem um debate sobre os seus crit\u00e9rios de aplica\u00e7\u00e3o, principalmente em um momento de alega\u00e7\u00e3o de falta de recursos para enfrentar as despesas de custeio ou para investimento, com parcelamento de sal\u00e1rios dos servidores p\u00fablicos municipais, al\u00e9m de cortes nas verbas para os programas sociais;<\/p>\n<p>b) aprova\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara de vereadores, pela base de apoio do prefeito, de um Projeto de Lei que autoriza a concess\u00e3o \u00e0 iniciativa privada para a administra\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de pra\u00e7as e parques por 35 anos. Tal concess\u00e3o autoriza o uso e explora\u00e7\u00e3o do mobili\u00e1rio e equipamentos dessas pra\u00e7as e parques, incluindo a transforma\u00e7\u00e3o de parte desses espa\u00e7os em estacionamentos pagos (reduzindo a permeabilidade do solo). Permitir\u00e1, tamb\u00e9m, o cercamento e cobran\u00e7a de ingresso, deixando a crit\u00e9rio do setor privado a permiss\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o de atividades diversas, o que tender\u00e1 a atingir principalmente aquelas de car\u00e1ter popular com menor retorno para as empresas respons\u00e1veis pelas pra\u00e7as e parques. Interven\u00e7\u00f5es em andamento pelas empresas privadas que j\u00e1 assumiram parques da cidade indicam pr\u00e1ticas de remo\u00e7\u00e3o da flora nativa, com forte impacto no meio ambiente, sendo que uma das obras no maior parque da cidade de Porto Alegre foi suspensa pela justi\u00e7a (Sul21, 2023);<\/p>\n<p>c) oferta do gerenciamento e opera\u00e7\u00e3o de pronto atendimentos (constru\u00eddos e equipados com recursos p\u00fablicos) para a iniciativa privada;<\/p>\n<p>d) privatiza\u00e7\u00e3o da Cia. Carris Porto Alegrense, uma empresa p\u00fablica de transporte coletivo com trajet\u00f3ria reconhecida pela qualidade do servi\u00e7o prestado que, em fun\u00e7\u00e3o do sucateamento e m\u00e1 gest\u00e3o, passou a apresentar problemas de caixa. A empresa vencedora do leil\u00e3o assumir\u00e1 todos os bens e a\u00e7\u00f5es da Carris e o direito de operar por 20 anos suas 20 linhas, o que representa 22% do sistema de transporte coletivo de Porto Alegre. Cabe destacar que a empresa p\u00fablica sempre apresentou qualidade superior de transporte p\u00fablico coletivo em rela\u00e7\u00e3o ao oferecido pelas empresas privadas;<\/p>\n<p>e) estudo para privatiza\u00e7\u00e3o ou concess\u00e3o do Mercado P\u00fablico Municipal. Al\u00e9m das atividades comerciais, incluindo pequenos comerciantes de frutas, legumes, produtos artesanais, entre outros, o Mercado P\u00fablico Municipal consiste em espa\u00e7o de import\u00e2ncia cultural \u00edmpar, apresentando valor simb\u00f3lico incalcul\u00e1vel para a comunidade afrodescendente. \u00c9 um lugar de encontros, de viv\u00eancias plurais e de preserva\u00e7\u00e3o da identidade cultural da cidade. Al\u00e9m disso, consiste em espa\u00e7o de pequenos com\u00e9rcios locais, com produtos t\u00edpicos regionais que tamb\u00e9m fazem parte do patrim\u00f4nio imaterial.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es indicadas acima se contrap\u00f5em \u00e0 ideia de melhorar a mobilidade urbana, j\u00e1 que implica no sucateamento do transporte coletivo p\u00fablico; na perda de qualidade de vida, uma vez que as interven\u00e7\u00f5es nos parques reduzem o acesso da popula\u00e7\u00e3o a esses espa\u00e7os e produzem impacto negativo no meio ambiente, com a destrui\u00e7\u00e3o da flora e fauna nativas; na retirada de recursos dos programas sociais, com implica\u00e7\u00f5es sobre o atendimento das popula\u00e7\u00f5es carentes; nas interven\u00e7\u00f5es urbanas que t\u00eam propiciado a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e a consequente gentrifica\u00e7\u00e3o de bairros pr\u00f3ximos ao centro que abrigam segmentos sociais mais carentes; na promulga\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de uso de tecnologias avan\u00e7adas na educa\u00e7\u00e3o, desacompanhadas de valoriza\u00e7\u00e3o dos professores e investimento em estruturas b\u00e1sicas das escolas p\u00fablicas municipais. Em relat\u00f3rio produzido pelo Tribunal de Contas do Estado, referente ao per\u00edodo de 2017-2022, evidenciou-se problemas na oferta de vagas, no tocante \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e sal\u00e1rio de professores, merenda escolar, rela\u00e7\u00e3o professor\/aluno e disponibilidade de equipamentos pedag\u00f3gicos, tanto na rede pr\u00f3pria quanto na rede conveniada. Em agosto de 2023 a presidente da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da Assembleia Legislativa do RS chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de 21 mil crian\u00e7as estarem fora da escola em Porto Alegre (PTAssembleia Legislativa do RS, 2023).<\/p>\n<p>Considerando essa trajet\u00f3ria, pode-se destacar um conjunto de falas de representantes do legislativo e de uma representante de um dos programas pioneiros de inova\u00e7\u00e3o na cidade. Sobre o car\u00e1ter seletivo do Pacto Alegre na rela\u00e7\u00e3o com o Legislativo, de acordo com um membro da bancada de apoio ao atual governo, somente vereadores da base do governo foram convidados a participar das discuss\u00f5es do Pacto:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>\u00c9, n\u00e3o existe muito uma rela\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara com os projetos. Existe uma rela\u00e7\u00e3o de alguns partidos da C\u00e2mara com esses projetos. Porque n\u00e3o s\u00e3o todos os partidos que \u201ct\u00e3o\u201d representados no Pacto Alegre. Inicialmente foram convidados apenas alguns partidos para participarem. S\u00e3o partidos que t\u00eam, por exemplo, o partido do governo. Base. Alguns partidos da base do governo<\/em>. (E1)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O workshop de mapeamento dos ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de apresentar uma composi\u00e7\u00e3o sem representa\u00e7\u00e3o da bancada de oposi\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara Municipal de vereadores, de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, urbanistas e ambientalistas tamb\u00e9m peca pela precariedade na forma como s\u00e3o discutidas e deliberadas as prioridades a serem levadas adiante no programa:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>S\u00e3o workshops em que tudo \u00e9 muito r\u00e1pido, entendeu? Num encontro tu cria grupos aleatoriamente, esses grupos cada vez \u00e9 um assunto, eles prop\u00f5em coisas, a\u00ed eles descrevem as coisas e apresentam, ai tu vota as mais importantes e a\u00ed as mais votadas v\u00e3o ser os projetos\u2026. eu acho\u2026\u2026 t\u00e1, foram montando um conjunto de projetos a partir disso que eu acho que tem um valor, mas\u2026 eu acho fr\u00e1gil. Muitos s\u00e3o muito fr\u00e1geis, ent\u00e3o alguns andaram mais, mas a maioria n\u00e3o andou.<\/em> (E2)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Se at\u00e9 mesmo a literatura <em>mainstream<\/em> de cidades inteligentes chama aten\u00e7\u00e3o para os aspectos sociais, tanto em dados documentais como em entrevistas, a realidade exibida no caso do projeto mais recente para Porto Alegre, revela outra coisa:<\/p>\n<blockquote>\n<p>O que que acontece? Quando a gente lista os projetos aparecem muitos projetos de cunho social, de vis\u00e3o e tal, mas na hora da realiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 recurso pra eles. (E2)<\/p>\n<p>[\u2026] <em>n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para esse debate. Esse debate \u00e9 um debate que\u2026 n\u00e3o existe. Eu participo com alguma frequ\u00eancia, eu n\u00e3o vou sempre\u2026 \u2013 at\u00e9 porque eu tenho curiosidade tamb\u00e9m como pesquisadora. Agora, por exemplo, a revis\u00e3o do plano diretor, que \u00e9 uma quest\u00e3o super cr\u00edtica. E a prefeitura contratou a ONU-Habitat,\u2026 \u00e9 uma consultoria pra ajudar, e acabam contratando\u2026 pagam pra ONU pra contratar gente daqui pra fazer o trabalho. Mas.. a concep\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o assim \u00f3h\u2026 tem o quarto distrito que passa a ser um espa\u00e7o para especular.<\/em> (E2)<\/p>\n<p><em>Ou seja, tu tem toda uma hist\u00f3ria de tradi\u00e7\u00e3o daquele territ\u00f3rio<\/em> [o 4\u00ba Distrito \u00e9 uma antiga zona industrial habitada por uma popula\u00e7\u00e3o de baixa renda], <em>e simplesmente vai pegar as pessoas, vai mandar embora e transformar aquilo no que<\/em>? (E2)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A entrevistada revela tamb\u00e9m outro problema quando se trata de uma discuss\u00e3o sobre cidade: a quase aus\u00eancia de pessoal de Urbanismo. O que pode levar o debate mais ao encontro do empresariado, dos setores imobili\u00e1rios e da constru\u00e7\u00e3o civil do que tornar o territ\u00f3rio acess\u00edvel a todos os segmentos sociais: \u201c<em>Ela<\/em> [\u00e1rea de Urbanismo da prefeitura] <em>quase n\u00e3o existe mais. N\u00e3o tem mais intelig\u00eancia nessa \u00e1rea assim<\/em>\u201d (E2).<\/p>\n<p>Um dos legisladores (ex-vereador de oposi\u00e7\u00e3o) destaca a capacidade de tornar a cidade mais inclusiva e moderna ao chamar a aten\u00e7\u00e3o para o capital tecnol\u00f3gico e o capital humano. No momento em que o prefeito pensa em limitar a a\u00e7\u00e3o da empresa, o entrevistado comenta:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>A Procempa tem quil\u00f4metros e quil\u00f4metros de fibra \u00f3ptica na cidade. As pessoas n\u00e3o t\u00eam uma ideia do quanto \u00e9. Mas isso \u00e9 um capital, porque o seguinte; a fibra \u00f3ptica da Procempa, ela t\u00e1 espalhada nos quatro cantos da cidade, porque ela atinge a escolinha l\u00e1 do Timba\u00fava, o posto de sa\u00fade da Timba\u00fava na zona norte, mas tamb\u00e9m t\u00e1 l\u00e1 na Restinga, no extremo sul, no Lami no posto de sa\u00fade. Ent\u00e3o, em todos os postos de sa\u00fade, em todas as escolas, tem a fibra \u00f3ptica da Procempa. Ent\u00e3o ela pode ali, inclusive colocar um wi-fi que se expanda at\u00e9 pra comunidade<\/em>. (E3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Outros aspectos destacados pelos entrevistados que mostram contradi\u00e7\u00f5es da atual pol\u00edtica de desenvolvimento da cidade incluem: foco central na produtividade e na atra\u00e7\u00e3o de capital, colocando a qualidade de vida e a sustentabilidade em segundo plano; concentra\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es no governo, em segmentos empresarias, com baixa participa\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e de trabalhadores; olhar o plano diretor sob o prisma especulativo, desconsiderando as comunidades locais, as quest\u00f5es ambientais, o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural; valoriza\u00e7\u00e3o das grandes empresas de capital, inclusive de fora da cidade e do estado, em detrimento de empreendedores locais; o favorecimento ou abertura ao protagonismo do setor privado para decidir sobre os caminhos da cidade.<\/p>\n<p>Os dados da pesquisa revelam que as a\u00e7\u00f5es acumuladas pelo Pacto Alegre explicitam a ades\u00e3o \u00e0 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de cidade, em que o compromisso \u00e9 transformar a cidade em mercadoria. O car\u00e1ter superficial e perif\u00e9rico no trato das quest\u00f5es centrais da cidade, tais como viol\u00eancia, desemprego, habita\u00e7\u00e3o, pobreza e desigualdade, meio ambiente, revelam a fragilidade e descompromisso do programa com o conjunto da popula\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>A abordagem de <em>smart city<\/em> propagada no Brasil al\u00e9m de negligenciar a dimens\u00e3o humana e focar apenas nas apostas em aparatos tecnol\u00f3gicos, como se fossem isentos de interesses e neutros em rela\u00e7\u00e3o ao seus usos (como no caso das tecnologias de reconhecimento facial), \u00e9 superficial nas proposi\u00e7\u00f5es de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise das \u201cexperi\u00eancias\u201d de cidade inteligente em Porto Alegre evidenciam que, assim como inova\u00e7\u00e3o, <em>smart city<\/em> funciona como um conceito m\u00e1gico (Pollitt e Hupe, 2011) fortemente disseminado por mercadores de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e assimilados acriticamente por p\u00fablicos diversos. Rompendo com a hist\u00f3ria de Porto Alegre, reconhecida pelo or\u00e7amento participativo e pelo F\u00f3rum Social Mundial, as discuss\u00f5es do Pacto Alegre e os debates sobre <em>smart city<\/em> evitam a participa\u00e7\u00e3o popular, priorizando as elites empresariais e os segmentos alinhados ao neoliberalismo.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e novas possibilidades urbanas<\/strong><\/h3>\n<p>Ao longo do texto, evidenciamos movimentos de atores sociais individuais e coletivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de cidade inteligente e o debate sobre inova\u00e7\u00e3o, que, em geral, tende a ser reduzido a inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas ou \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es baseadas em Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Intelig\u00eancia Artificial, em uma l\u00f3gica de mercado. Como pressuposto assumimos a ideia de cidade como um espa\u00e7o de disputa cada vez mais complexo que demanda um olhar interdisciplinar, mas que, sobretudo, est\u00e1 condicionado por aspectos macro. Assim, observamos nos dados, seja por op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou por compreens\u00e3o limitada do fen\u00f4meno por parte dos atores envolvidos mais diretamente nos programas (Pacto Alegre e Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o), certa reifica\u00e7\u00e3o no conceito de cidade e um discurso que toma o processo urbano como independente do desenvolvimento pol\u00edtico e econ\u00f4mico (Harvey, 2006; Mozorov e Bria, 2018).<\/p>\n<p>Considerando as categorias sobre cidade e sobre inova\u00e7\u00e3o destacadas por Harvey (2006), Morozov e Bria (2018), Angelidou (2017), Grossi e Pianezzi (2017) e Dagnino (2016), podemos concluir que Porto Alegre, a partir dos programas citados e das a\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos dois governos municipais, apresenta alinhamento com um Marco Anal\u00edtico Conceitual de fei\u00e7\u00f5es neoliberais, traduzindo-se em Instrumentos Metodol\u00f3gicos Operacionais como privatiza\u00e7\u00f5es e concess\u00f5es das atividades de natureza p\u00fablica ao setor privado; prioriza\u00e7\u00e3o da agenda para reprodu\u00e7\u00e3o do capital local e atra\u00e7\u00e3o de capital externo; transforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano para privilegiar o consumo e a exclus\u00e3o dos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o das representa\u00e7\u00f5es de trabalhadores ou de movimentos sociais, privilegiando a participa\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios e representantes de associa\u00e7\u00f5es empresariais.<\/p>\n<p>Nos documentos relativos aos macrodesafios, evidenciou-se refer\u00eancia a temas de interesse amplo da popula\u00e7\u00e3o, como qualidade de vida e conhecimento. Esses temas, mesmo com proposi\u00e7\u00f5es que davam destaque ao protagonismo da iniciativa privada como capaz de produzir solu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o obtiveram avan\u00e7os na concep\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios idealizadores. Os projetos que mais avan\u00e7aram foram aqueles que apresentavam maior capacidade de atra\u00e7\u00e3o de investimentos externos ou de gera\u00e7\u00e3o de receitas para o setor privado, ou que tornariam a cidade mais atrativa como campo de consumo.<\/p>\n<p>Os debates, traduzidos em sugest\u00f5es a partir dos <em>workshops<\/em> realizados sobre os Macrodesafios para Porto Alegre com participantes que apresentavam alinhamento ideol\u00f3gico aparente, escondem os conflitos de interesse que permeiam a agenda p\u00fablica no munic\u00edpio. Assim, sugest\u00f5es como melhorar o transporte p\u00fablico n\u00e3o passam pelo debate sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a prolifera\u00e7\u00e3o do transporte por aplicativo e a deteriora\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico coletivo. Ao mesmo tempo que no Macrodesafio qualidade de vida traz-se a import\u00e2ncia da cultura, a administra\u00e7\u00e3o municipal, atrav\u00e9s de medidas direcionadas \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o do Mercado P\u00fablico Municipal, negligencia o valor simb\u00f3lico desse espa\u00e7o para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda (como consumidores ou pelo trabalho em pequenos com\u00e9rcios) e para a comunidade afrodescendente. Nessa linha, tamb\u00e9m destacam-se a\u00e7\u00f5es de privatiza\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os culturais e a aus\u00eancia de editais para estimular o desenvolvimento de projetos culturais para a cidade, bem como a aus\u00eancia de di\u00e1logo com os setores da cultura da cidade.<\/p>\n<p>Para finalizar, observou-se o escamoteio, atrav\u00e9s dos projetos de cidade e de a\u00e7\u00f5es de inova\u00e7\u00e3o, do car\u00e1ter altamente ideol\u00f3gico dos debates sobre cidade e inova\u00e7\u00e3o em Porto Alegre e no Pacto Alegre em especial. Isso refor\u00e7a a tese de que tais discuss\u00f5es precisam ser feitas a partir da explicita\u00e7\u00e3o dos macrofundamentos te\u00f3ricos, dos pressupostos epistemol\u00f3gicos que norteiam o discurso cient\u00edfico que d\u00e1 suporte \u00e0s a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas do cotidiano da gest\u00e3o municipal. Tomando como refer\u00eancia Iraz\u00e1bal e Jir\u00f3n (2021), uma perspectiva de cidade comprometida com os seus reais problemas deve, necessariamente, n\u00e3o apenas levar em considera\u00e7\u00e3o m\u00faltiplos conhecimentos locais e situados que s\u00e3o indispens\u00e1veis para construir um projeto em termos de efici\u00eancia, economia e sustentabilidade, mas tamb\u00e9m como parte de uma postura de interven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e contextualizada.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<ul>\n<li>ALIAN\u00c7A para Inova\u00e7\u00e3o de Porto Alegre (2018). PUCRS, Porto Alegre, 10 abr. Not\u00edcias. Dispon\u00edvel em: https:\/\/alianca.pucrs.br\/noticias\/alianca-para-inovacao-de-porto-alegre\/ Acesso em: 5 out 2020.<br \/>\u00bb https:\/\/alianca.pucrs.br\/noticias\/alianca-para-inovacao-de-porto-alegre\/<\/li>\n<li>ANGELIDOU, M. (2017). 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Dispon\u00edvel em: https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/36780-com-taxa-de-8-8-desemprego-cresce-no-primeiro-trimestre-de-2023#:~:text=PNAD%20Cont%C3%ADnua-,Com%20taxa%20de%208%2C8%25%2C%20desemprego%20cresce,no%20primeiro%20trimestre%20de%202023&amp;text=A%20taxa%20de%20desocupa%C3%A7%C3%A3o%20encerrou,2015%20(8%2C0%25) Acesso em: 25 jul 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/36780-com-taxa-de-8-8-desemprego-cresce-no-primeiro-trimestre-de-2023#:~:text=PNAD%20Cont%C3%ADnua-,Com%20taxa%20de%208%2C8%25%2C%20desemprego%20cresce,no%20primeiro%20trimestre%20de%202023&amp;text=A%20taxa%20de%20desocupa%C3%A7%C3%A3o%20encerrou,2015%20(8%2C0%25)<\/li>\n<li>IBGE (2023b). <em>Cidades e estados<\/em> Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ibge.gov.br\/cidades-e-estados\/rs\/porto-alegre.html Acesso em: 30 dez 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/www.ibge.gov.br\/cidades-e-estados\/rs\/porto-alegre.html<\/li>\n<li>IRAZ\u00c1BAL, C.; JIR\u00d3N, P. (2021). Latin American smart cities: Between worlding infatuation and crawling provincialising. Urban Studies, v. 58, n. 3, pp. 507-534.<\/li>\n<li>JIR\u00d3N, P.; IMILAN, W. A.; LANGE, C.; MANSILLA, P. (2021). Placebo urban interventions: observing Smart City narratives in Santiago de Chile. Urban Studies, v. 58, n. 3, pp. 601-620.<\/li>\n<li>JOSS, S.; COOK, M.; DAYOT, Y. (2017). Smart Cities: toward a new citizenship regime? A discourse analysis of the British Smart City Standart. <em>Journal of Urban Technology<\/em>, v. 24, n. 4, pp. 29-49.<\/li>\n<li>JOSS, S.; SENGERS, F.; SCHRAVEN, D.; CAPROTTI, F.; DAYOT, Y. (2019). The Smart City as global discourse: storylines and critical junctures across 27 cities. Journal of Urban Technology, v. 26, n. 1, pp. 3-34.<\/li>\n<li>JUNG, C. F.; TEN CATEN, C. S.; RIBEIRO, J. L. D. (2007). Inova\u00e7\u00e3o em produtos e processos a partir da parceria entre o setor p\u00fablico e o privado: o programa de polos tecnol\u00f3gicos do RS. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEST\u00c3O DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO, 6, Belo Horizonte.<\/li>\n<li>LEFEBVRE, H. (2008). <em>O direito \u00e0 cidade<\/em> S\u00e3o Paulo, Centauro.<\/li>\n<li>MENDES, T. C. M. (2020). Smart Cities: iniciativas em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 vis\u00e3o neoliberal. Texto para discuss\u00e3o 013, Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles.<\/li>\n<li>MORA, L.; BOLICI, R.; DEAKIN, M. (2017). The first two decades of smart city research: a bibliometric analysis. <em>Journal of Urban Technology<\/em>, v. 24, n. 1, pp.3-27.<\/li>\n<li>MOROZOV, E.; BRIA, F. (2018). <em>Rethinking the Smart City<\/em> Nova York, Rosa de Luxemburg Stiftung.<\/li>\n<li>NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS (2023). OMS: Brasil \u00e9 o pa\u00eds mais afetado em novo surto de dengue nas Am\u00e9ricas. Dispon\u00edvel em: https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2023\/07\/1817882 Acesso em: 3 ago 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2023\/07\/1817882<\/li>\n<li>PACTO ALEGRE (2019). Pacto Alegre. Como chegamos at\u00e9 aqui? Dispon\u00edvel em: https:\/\/pactoalegre.poa.br\/como-chegamos-ate-aqui Acesso em: 28 fev 2020.<br \/>\u00bb https:\/\/pactoalegre.poa.br\/como-chegamos-ate-aqui<\/li>\n<li>PACTO ALEGRE (2020). Pacto Alegre. Projetos. Dispon\u00edvel em: https:\/\/pactoalegre.poa.br\/projetos?page=0 Acesso em: 28 fev 2020.<br \/>\u00bb https:\/\/pactoalegre.poa.br\/projetos?page=0<\/li>\n<li>PNUD; IPEA; FJP (2017). <em>Desenvolvimento Humano para al\u00e9m das m\u00e9dias<\/em> Bras\u00edlia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/sc.movimentoods.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Relat%C3%B3rio-Desenvolvimento-Humano-para-Al%C3%A9m-das-M%C3%A9dias-.pdf Acesso em: 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/sc.movimentoods.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Relat%C3%B3rio-Desenvolvimento-Humano-para-Al%C3%A9m-das-M%C3%A9dias-.pdf<\/li>\n<li>PREFEITURA DE PORTO ALEGRE (2022). Porto Alegre adere ao programa Mastercard City Possble. Dispon\u00edvel em: https:\/\/prefeitura.poa.br\/gp\/noticias\/porto-alegre-adere-ao-programa-mastercard-city-possible Acesso em: 14 nov 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/prefeitura.poa.br\/gp\/noticias\/porto-alegre-adere-ao-programa-mastercard-city-possible<\/li>\n<li>PREFEITURA DE PORTO ALEGRE (2023). Procempa fortalece ecossistema de inova\u00e7\u00e3o de Porto Alegre com entrega de laborat\u00f3rio. Dispon\u00edvel em: https:\/\/prefeitura.poa.br\/gp\/noticias\/procempa-fortalece-ecossistema-de-inovacao-de-porto-alegre-com-entrega-de-laboratorio Acesso em: 7 nov 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/prefeitura.poa.br\/gp\/noticias\/procempa-fortalece-ecossistema-de-inovacao-de-porto-alegre-com-entrega-de-laboratorio<\/li>\n<li>PT ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RS (2023). Sofia alerta: \u00e9 grave a situa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o infantil em Porto Alegre. Dispon\u00edvel em https:\/\/ptassembleiars.org.br\/2023\/08\/25\/sofia-alerta-e-grave-a-situacao-da-educacao-infantil-em-porto-alegre\/ Acesso em: 29 ago 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/ptassembleiars.org.br\/2023\/08\/25\/sofia-alerta-e-grave-a-situacao-da-educacao-infantil-em-porto-alegre\/<\/li>\n<li>POLLITT, C.; HUPE, P. (2011). Talking about government. <em>Public Management Review<\/em>, v. 13, n. 5, pp. 641-658.<\/li>\n<li>PORTO ALEGRE (2019a). Decreto n. 16.369, de 21 de julho. Di\u00e1rio Oficial Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Porto Alegre, 23 jul. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www2.portoalegre.rs.gov.br\/cgi-bin\/nph-brs?s1=000030568.DOCN.&amp;l=20&amp;u=\/netahtml\/sirel\/simples.html&amp;p=1&amp;r=1&amp;f=G&amp;d=atos&amp;SECT1=TEXT Acesso em: 4 mar 2020.<br \/>\u00bb http:\/\/www2.portoalegre.rs.gov.br\/cgi-bin\/nph-brs?s1=000030568.DOCN.&amp;l=20&amp;u=\/netahtml\/sirel\/simples.html&amp;p=1&amp;r=1&amp;f=G&amp;d=atos&amp;SECT1=TEXT<\/li>\n<li>PORTO ALEGRE (2019b). Lei n. 10.705, de 30 de junho. Di\u00e1rio Oficial Prefeitura de Porto Alegre. Porto Alegre, 1\u00ba jul. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www2.portoalegre.rs.gov.br\/cgi-bin\/nph-brs?s1=000030499.DOCN.&amp;l=20&amp;u=%2Fnetahtml%2Fsirel%2Fsimples.html&amp;p=1&amp;r=1&amp;f=G&amp;d=atos&amp;SECT1=TEXT Acesso em: 4 mar 2020.<br \/>\u00bb http:\/\/www2.portoalegre.rs.gov.br\/cgi-bin\/nph-brs?s1=000030499.DOCN.&amp;l=20&amp;u=%2Fnetahtml%2Fsirel%2Fsimples.html&amp;p=1&amp;r=1&amp;f=G&amp;d=atos&amp;SECT1=TEXT<\/li>\n<li>REIA, J.; CRUZ, L. (2023) Cidades inteligentes no Brasil: conex\u00f5es entre poder corporativo, direitos e engajamento c\u00edvico. Cadernos Metr\u00f3pole. S\u00e3o Paulo, v. 25, n. 57, pp. 467-490.<\/li>\n<li>RENNER, M. (2013). CITE quer agitar Porto Alegre. Baguete. Porto Alegre, 13 maio. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.baguete.com.br\/noticias\/13\/05\/2013\/cite-quer-agitar-porto-alegre Acesso em: 27 fev 2020.<br \/>\u00bb https:\/\/www.baguete.com.br\/noticias\/13\/05\/2013\/cite-quer-agitar-porto-alegre<\/li>\n<li>RIVA, A.; PILOTTI, L. (2023). How to implement a smart and sustainable city strategy? <em>Business and management sciences international quarterly review<\/em>, v. 14, n. 1, pp. 101-122.<\/li>\n<li>SARAIVA, A. S. S. (2019). \u201cOs estudos organizacionais e as cidades\u201d. In: SARAIVA, A. S. S.; ENOQUE, A. G. (org.) Cidades e Estudos Organizacionais: um debate necess\u00e1rio. Ituiutaba, Borlavento.<\/li>\n<li>SUL21 (2023). Nota sobre a suspens\u00e3o das obras do Parque Harmonia (por Movimento Salve o Harmonia). Porto Alegre. Dispon\u00edvel em https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2023\/08\/nota-sobre-a-suspensao-das-obras-no-parque-harmonia-por-movimento-salve-o-harmonia\/ Acesso em: 12 nov 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2023\/08\/nota-sobre-a-suspensao-das-obras-no-parque-harmonia-por-movimento-salve-o-harmonia\/<\/li>\n<li>VALDUGA, G. (2019). Pacto Alegre define projetos para inova\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o p\u00fablica. Unisinos, S\u00e3o Leopoldo, 31 maio. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.unisinos.br\/noticias\/universidade\/pacto-alegre-define-projetos-para-inovacao-da-gestao-publica Acesso em: 20 ago 2019.<br \/>\u00bb http:\/\/www.unisinos.br\/noticias\/universidade\/pacto-alegre-define-projetos-para-inovacao-da-gestao-publica<\/li>\n<li>VANOLO, A. (2014). Smartmentality: the smart city as disciplinary strategy. Urban Studies, v. 51, n. 5, pp. 883-898. Dispon\u00edvel em: https:\/\/doi.org\/10.1177\/0042098013494427<br \/>\u00bb https:\/\/doi.org\/10.1177\/0042098013494427<\/li>\n<li>WEBER, J. R. (2018). Reitores da UFRGS, PUCRS e Unisinos firmam Alian\u00e7a para Inova\u00e7\u00e3o de Porto Alegre; saiba o que \u00e9. Ga\u00fachaZH, Porto Alegre, 9 abr. Dispon\u00edvel em: https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2018\/04\/reitores-da-ufrgs-pucrs-e-unisinos-firmam-alianca-para-inovacao-de-porto-alegre-saiba-o-que-e-cjfsvm4ye00xp01tgtfck2zfo.html Acesso em: 6 mar 2020.<br \/>\u00bb https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2018\/04\/reitores-da-ufrgs-pucrs-e-unisinos-firmam-alianca-para-inovacao-de-porto-alegre-saiba-o-que-e-cjfsvm4ye00xp01tgtfck2zfo.html<\/li>\n<li>WEBER, J. R. (2022). Porto Alegre \u201cdeve se apressar\u201d para virar smart city, diz futur\u00f3logo que far\u00e1 palestra no Instituto Caldeira nesta ter\u00e7a. Porto Alegre, 29 de mar\u00e7o. Dispon\u00edvel em: https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2022\/03\/porto-alegre-deve-se-apressar-para-virar-smart-city-diz-futurologo-que-fara-palestra-no-instituto-caldeira-nesta-terca-cl1babujv00ar0165evahin4m.html Acesso em: 28 jun 2023.<br \/>\u00bb https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2022\/03\/porto-alegre-deve-se-apressar-para-virar-smart-city-diz-futurologo-que-fara-palestra-no-instituto-caldeira-nesta-terca-cl1babujv00ar0165evahin4m.html<\/li>\n<li>WIIG, A. (2016). The empty rhetoric of the smart city: from digital inclusion to economic promotion in Philadelphia. Urban Geography, v. 37, n. 4, pp. 535-553. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1080\/02723638.2015.1065686<br \/>\u00bb https:\/\/doi.org\/10.1080\/02723638.2015.1065686<\/li>\n<li>ZEN, A. C.; SANTOS, D.A.G. dos; FACCIN; K.; GON\u00c7ALVES, L. K. (2019). Mapeamento do ecossistema de inova\u00e7\u00e3o: percep\u00e7\u00f5es e desafios. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/332100782_MAPEAMENTO_DO_ECOSSISTEMA_DE_INOVACAO_percepcoes_e_desafios Acesso em: 20 ago 2019.<br \/>\u00bb https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/332100782_MAPEAMENTO_DO_ECOSSISTEMA_DE_INOVACAO_percepcoes_e_desafios<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Declara\u00e7\u00e3o de disponibilidade de dados: Todo o conjunto de dados de apoio aos resultados deste estudo foi publicado no pr\u00f3prio artigo.<\/li>\n<\/ul>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Por tr\u00e1s da panaceia das cidades inteligentes appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2025\/09\/cantora-e-compositora-angela-ro-ro-morre-aos-75-anos-no-rio\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1657619&amp;o=node') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Cantora e compositora Angela Ro Ro morre aos 75 an...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/acordo-entre-eua-israel-e-libano-preve-cessar-fogo-e-retirada-gradual-de-tropas-israelenses\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Acordo entre EUA, Israel e L\u00edbano prev\u00ea cessar-fog...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-diz-que-lider-supremo-do-ira-foi-morto-por-ataques-dos-eua-e-israel-teera-nao-confirma\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Trump diz que l\u00edder supremo do Ir\u00e3 foi morto por a...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-que-e-noticia-no-jornal-tvt-news-primeira-edicao-21-04-2026\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/jornal_tvt_news-11-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">O que \u00e9 not\u00edcia no Jornal TVT News Primeira Edi\u00e7\u00e3o...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise do programa de inova\u00e7\u00e3o urbana de Porto Alegre. Participa\u00e7\u00e3o popular \u00e9 \u00ednfima. Solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas desprezam problemas estruturais da cidade. Avan\u00e7am apenas projetos que d\u00e3o lucros r\u00e1pidos ao setor privado. E, junto a eles, v\u00eam as privatiza\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outras-cidades\/porto-alegre-por-tras-da-panaceia-das-cidades-inteligentes\/\">Por tr\u00e1s da panaceia das cidades inteligentes<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98660,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[79045,4173,347,978,79046,35304,651,4466,79047,79048,98,9050,65118,79049,2185,35113,79050,662,30105,79051,38,501,35590,75572,9517,2387,77],"tags":[],"class_list":["post-98659","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acumulacao-capitalista","category-administracao-publica","category-america-latina","category-capitalismo","category-cidade-inteligente","category-cidades-brasileiras","category-desemprego","category-desenvolvimento-economico","category-desenvolvimento-politico","category-desigualdade-socioeconomica","category-desigualdades","category-elite-economica","category-epidemias","category-estudos-organizacionais","category-inclusao-digital","category-liberalismo","category-macrodesafios","category-mobilidade-urbana","category-outras-cidades","category-pacto-alegre","category-porto-alegre","category-privatizacao","category-segregacao-socioespacial","category-smart-city","category-transformacao-digital","category-urbanizacao","category-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98659\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}