{"id":98861,"date":"2026-08-05T16:39:31","date_gmt":"2026-08-05T19:39:31","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-brasil-continuara-governado-pelo-passado\/"},"modified":"2026-08-05T16:39:31","modified_gmt":"2026-08-05T19:39:31","slug":"o-brasil-continuara-governado-pelo-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-brasil-continuara-governado-pelo-passado\/","title":{"rendered":"O Brasil continuar\u00e1 governado pelo passado?"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"680\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_5161478004989955256_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_5161478004989955256_y.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_5161478004989955256_y-300x159.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_5161478004989955256_y-768x408.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Foto: Ueslei Marcelino\/Reuters<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Fundado sobre as bases do bin\u00f4mio escravismo-latif\u00fandio (o Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds das Am\u00e9ricas a abolir a escravatura e ainda hoje se recusa a promover a reforma agr\u00e1ria que as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas levaram a cabo nos dois \u00faltimos s\u00e9culos), nascemos e nos formamos determinados pela metr\u00f3pole empobrecida a cumprir o papel de fornecedores das mat\u00e9rias-primas requeridas pelo mercado europeu.<\/p>\n<p>Nascemos como economia agroexportadora, uma empresa territorial sob a intermedia\u00e7\u00e3o de Lisboa, o entreposto de tudo o que import\u00e1vamos e de tudo o que export\u00e1vamos, basicamente o a\u00e7\u00facar produzido nos engenhos do litoral nordestino, depois da extra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do pau-brasil. Nenhum projeto de sociedade, de na\u00e7\u00e3o, de pa\u00eds. O fundamental era assegurar a posse de uma imensidade de terra ainda desconhecida e visitada por piratas e aventureiros.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o Brasil Col\u00f4nia que, com as altera\u00e7\u00f5es impostas pelo processo hist\u00f3rico (com destaque para a chegada da Corte, posta a correr de Lisboa pelas tropas de Junot), se instala no Imp\u00e9rio, com duas altera\u00e7\u00f5es: uma estrutural, a substitui\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar pelo caf\u00e9; outra pol\u00edtica, quando o mando lusitano cede espa\u00e7o \u00e0 preemin\u00eancia brit\u00e2nica, que, ademais de controlar nossas finan\u00e7as mediante empr\u00e9stimos extorsivos (fartou-se a Casa Rothschild), renova o veto de Lisboa a qualquer sorte de manufatura na Col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Na sucess\u00e3o do a\u00e7\u00facar, ingressaremos na era do caf\u00e9, promotora de duas altera\u00e7\u00f5es: a primeira, o deslocamento do centro din\u00e2mico da economia do Nordeste para o Sudeste, principalmente durante o s\u00e9culo XIX, quando o cultivo se expandiu para o Rio de Janeiro, o Vale do Para\u00edba e, posteriormente, para o Oeste de S\u00e3o Paulo, tornando-se a principal atividade econ\u00f4mica do pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/15-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/15-3.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A segunda altera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a possibilidade de acumula\u00e7\u00e3o de capital. Pois ser\u00e1 essa\u00a0<em>commodity\u00a0<\/em>que, l\u00e1 adiante, na Rep\u00fablica, financiar\u00e1 o sempre adiado sonho da industrializa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>O desenvolvimento da grande lavoura \u00e9 facilitado pela disponibilidade de terras f\u00e9rteis e inexploradas no Centro-Sul. A necessidade de utiliza\u00e7\u00e3o intensiva de m\u00e3o de obra ser\u00e1 atendida pela explora\u00e7\u00e3o escravista. Este \u00e9 um lado, mas n\u00e3o o \u00fanico, porque o outro \u00e9 o aprofundamento da concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, destruindo tanto a pequena propriedade quanto mesmo a lavoura de subsist\u00eancia. \u00c9 o mando da terra.<\/p>\n<p>Com poucas altera\u00e7\u00f5es, este \u00e9 o pa\u00eds que chega \u00e0 Rep\u00fablica, ainda essencialmente rural e agroexportador, e ainda marcado pela hegemonia do caf\u00e9, que assim se conserva at\u00e9 pelo menos os anos 1930, quando, com Get\u00falio Vargas, se d\u00e1 in\u00edcio (ou se retoma), como projeto de Estado, ao tardio processo de industrializa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Na balan\u00e7a permanece o caf\u00e9, mas a ele se juntar\u00e3o soja, milho, carne, a\u00e7\u00facar e um sem-n\u00famero de min\u00e9rios, desde o ferro (que retorna como lingotes) at\u00e9 minerais cr\u00edticos ou estrat\u00e9gicos, como as chamadas terras raras, l\u00edtio, grafite, ni\u00f3bio, al\u00e9m de cobalto, n\u00edquel, cobre, mangan\u00eas etc., essenciais para diversas aplica\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, civis e militares, e para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, dramaticamente urgente.\u00a0<\/p>\n<p>Mas s\u00e3o minerais que exportamos na forma bruta (muitas vezes escavados de nossas jazidas e minas exploradas por multinacionais), sem valor agregado, enquanto o refino e a transforma\u00e7\u00e3o s\u00e3o majoritariamente levados a cabo por outros pa\u00edses \u2014 como a China \u2014, que, na sequ\u00eancia, se transformam em nossos fornecedores do produto acabado.<\/p>\n<p>\u00c9 exemplar o caso do petr\u00f3leo: somos, hoje, exportadores de petr\u00f3leo bruto e importadores de seus derivados, como gasolina e fertilizantes, a f\u00f3rmula mais eficiente de mandar para as calendas gregas os projetos estrat\u00e9gicos de seguran\u00e7a energ\u00e9tica e alimentar, ao tempo em que, desperdi\u00e7ando milh\u00f5es de d\u00f3lares, estamos h\u00e1 20 anos aguardando a montagem de Angra III, enquanto a China possui 60 usinas em funcionamento, 35 em constru\u00e7\u00e3o e programa chegar ao ano de 2030 com mais de cem.<\/p>\n<p>Continuamos governados pelo passado.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o atingiu seu pico em 1985, quando representava cerca de 36% do PIB brasileiro. A partir da\u00ed, iniciou-se um decl\u00ednio cont\u00ednuo para, no bi\u00eanio 2024-2025, chegar a apenas 10% do PIB, quando o agroneg\u00f3cio atingia o patamar de 25,13%.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>O ponto de partida da crise \u00e9 consensualmente datado no in\u00edcio dos anos 1980, que registra a recess\u00e3o de 1981-83 e a crise da d\u00edvida externa (1982). A desindustrializa\u00e7\u00e3o ainda toma pulso com a abertura comercial (1990-94) e o Plano Real (valoriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio). Desfazem-se, sob o neoliberalismo paulista, os sonhos industrialistas dos anos 1980. Era tamb\u00e9m, e ent\u00e3o de forma mais profunda, o \u201cfim da era Vargas\u201d prometido por Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria na composi\u00e7\u00e3o do PIB cai de cerca de 36%, em 1985, para aproximadamente 27% em 1990 e, no curso declinante, esbarra em 10% em 2025. S\u00e3o os dados de hoje. Na outra ponta da li\u00e7a, a participa\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio chega a 25,13% do PIB, exibindo um crescimento de 12,2%.\u00a0<\/p>\n<p>Os anos 2003-2011 s\u00e3o ainda marcados pela expans\u00e3o do agrobusiness, puxada principalmente pelas exporta\u00e7\u00f5es de soja, carnes e min\u00e9rios. O outro lado, sem necessariamente apontar uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, retrata a const\u00e2ncia da tend\u00eancia da redu\u00e7\u00e3o relativa da ind\u00fastria, o que vai agravar-se com a recess\u00e3o de 2015-2016, enquanto, de 2017 at\u00e9 aqui (dados de 2025), as estat\u00edsticas registram a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e, consequentemente, o crescimento da participa\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio na forma\u00e7\u00e3o do PIB.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio opera paralelamente ao processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o, um e outro determinando transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas, como o \u00eaxodo rural que se encontra com a crise do trabalho, na crista das transforma\u00e7\u00f5es impostas pelas inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas no processo produtivo e na vida social como um todo.<\/p>\n<p>Consabidamente, o pa\u00eds de hoje nada lembra os in\u00edcios do s\u00e9culo passado, e se apresenta como uma economia cuja caracter\u00edstica predominante \u00e9 a centralidade do setor exportador de\u00a0<em>commodities<\/em>, modificando a estrutura produtiva, com not\u00f3rias repercuss\u00f5es pol\u00edticas e sociais que podem, no m\u00e9dio prazo, alterar as bases do poder.<\/p>\n<p>Durante boa parte do s\u00e9culo XX, acreditou-se que o Brasil caminhava para se tornar uma pot\u00eancia industrial, posto que reunia todos os requisitos: popula\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rio, grandes reservas naturais, min\u00e9rios estrat\u00e9gicos, petr\u00f3leo e \u00e1gua \u00e0 farta.\u00a0<br \/>A partir do recesso da Rep\u00fablica Velha, o pa\u00eds se empenhou na gradual substitui\u00e7\u00e3o do cedi\u00e7o modelo agroexportador por um projeto de industrializa\u00e7\u00e3o que transformaria sua economia, sua sociedade e suas cidades. E alteraria a composi\u00e7\u00e3o do poder com a altern\u00e2ncia de mando. Este, por \u00f3bvio, permaneceria sob as r\u00e9deas da classe dominante, mas esta estaria agora sob o comando modernizante dos novos industriais. Entre os anos 1950 \u2014 com o governo constitucional de Vargas, mas igualmente com os frutos do seu Estado Novo, como a Companhia Sider\u00fargica Nacional \u2014 e 1980, sob a nova ditadura, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o tornou-se o principal s\u00edmbolo do desenvolvimento nacional.\u00a0<\/p>\n<p>Depois do Estado Novo e do governo democr\u00e1tico de Vargas, tiv\u00e9ramos, com os cinco anos de JK, a retomada da industrializa\u00e7\u00e3o e, a seu servi\u00e7o, maci\u00e7os investimentos em infraestrutura. Assim, nada obstante os percal\u00e7os que a mem\u00f3ria coletiva gravou, chegamos aos meados dos anos 1980 com a ind\u00fastria respondendo por aproximadamente 36% do PIB, participa\u00e7\u00e3o jamais repetida.\u00a0<\/p>\n<p>Como referido acima, quarenta anos passados, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o representa cerca de apenas 10% do PIB, enquanto o agroneg\u00f3cio responde por aproximadamente um quarto da riqueza nacional, quando considerada toda a sua cadeia produtiva.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a \u00e9 suficientemente profunda para suscitar uma pergunta que ultrapassa o interesse acad\u00eamico: estaria o Brasil retornando, em pleno s\u00e9culo XXI, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de economia agroexportadora?<\/p>\n<p>A resposta n\u00e3o \u00e9 simples. O pa\u00eds contempor\u00e2neo, por \u00f3bvio, \u00e9 muito diferente daquele da Rep\u00fablica Velha. O agroneg\u00f3cio atual re\u00fane agricultura altamente mecanizada, beneficia-se da pesquisa cient\u00edfica e da biotecnologia favorecidas pelo Estado atrav\u00e9s da Embrapa, disp\u00f5e de log\u00edstica sofisticada, agroind\u00fastria e grandes empresas exportadoras. E usufruiu de um sem-n\u00famero de benef\u00edcios e incentivos fiscais e credit\u00edcios. Trata-se, afinal, e como fruto de tudo isso, de um dos segmentos tecnologicamente mais avan\u00e7ados da economia brasileira, assinalando a ascens\u00e3o de um novo complexo exportador, baseado em\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Essa trajet\u00f3ria n\u00e3o parece ser mera coincid\u00eancia. Embora um setor n\u00e3o cres\u00e7a necessariamente \u00e0s custas do outro, ambos evolu\u00edram em dire\u00e7\u00f5es opostas durante quase quatro d\u00e9cadas. N\u00e3o se trata, este fen\u00f4meno, de uma regra: v\u00e1rios pa\u00edses, como Estados Unidos, Alemanha,\u00a0 Holanda e China demonstram a compatibilidade entre expans\u00e3o agr\u00edcola e elevada capacidade industrial.<\/p>\n<h3><strong>O que \u00e9 o \u201ccaso\u201d brasileiro?<\/strong><\/h3>\n<p>Seria incorreto atribuir a crise industrial ao \u00eaxito do agroneg\u00f3cio. Um bom caminho recomenda considerar o baixo investimento brasileiro na produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de hoje, mas faz d\u00e9cadas; a infraestrutura (seja qual for o \u00e2ngulo pelo qual A analisemos) apresenta defici\u00eancias; o sistema tribut\u00e1rio \u00e9 complexo; o custo do capital figura entre os mais elevados do mundo; o padr\u00e3o educacional \u00e9 baixo e baixos os esfor\u00e7os visando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra especializada; as pol\u00edticas industriais sofrem descontinuidade; e nossa produtividade cresceu pouco, ou muito pouco, em compara\u00e7\u00e3o com economias asi\u00e1ticas, sejam as revolu\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-tecnol\u00f3gicas da China e da Coreia do Sul, seja o fen\u00f4meno vietnamita ap\u00f3s a devastadora invas\u00e3o dos EUA. \u00c9 certo que a ind\u00fastria automobil\u00edstica se instala no Brasil a partir de 1956, com o governo Juscelino Kubitschek. Mas at\u00e9 hoje n\u00e3o temos uma s\u00f3 marca nacional, n\u00e3o produzimos um s\u00f3 motor a explos\u00e3o, esta obsolesc\u00eancia que em breve ser\u00e1 reconhecida como pe\u00e7a de museu.<\/p>\n<p>Dir-se-\u00e1, por\u00e9m, que a ind\u00fastria nacional n\u00e3o conta com inumer\u00e1veis benef\u00edcios que v\u00eam alimentando a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio. Podemos dizer ainda, e \u00e9 verdade, que padece na concorr\u00eancia internacional, \u00e0 merc\u00ea de pr\u00e1ticas protecionistas as mais vari\u00e1veis, e padece mesmo de verdadeiros embargos, como o que representa a atual pol\u00edtica dos EUA.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o tamb\u00e9m pode ser vista a partir de outra \u00f3tica, a saber: por que o Brasil n\u00e3o conseguiu \u2014 ou n\u00e3o quis \u2014 combinar uma agricultura competitiva com uma ind\u00fastria igualmente din\u00e2mica? Nossa ind\u00fastria, ao contr\u00e1rio, perdeu densidade tecnol\u00f3gica e competitividade internacional e sofre concorr\u00eancia no mercado interno.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exato que o Brasil voltou a ser uma economia agroexportadora, isto \u00e9 mais do que \u00f3bvio, mas \u00e9 precisa a afirma\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds ingressou em nova etapa de sua hist\u00f3ria econ\u00f4mica, na qual o dinamismo das\u00a0<em>commodities\u00a0<\/em>convive com uma ind\u00fastria relativamente enfraquecida. A antiga promessa de uma economia liderada pela manufatura cedeu lugar a um modelo em que a produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria voltou a ocupar posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica.\u00a0<\/p>\n<p>Resta saber \u2014 e eis o n\u00f3 g\u00f3rdio da quest\u00e3o \u2014 se essa configura\u00e7\u00e3o representa um est\u00e1gio e, por isso, fen\u00f4meno necessariamente transit\u00f3rio, ou uma mudan\u00e7a estrutural de longa dura\u00e7\u00e3o. A resposta definir\u00e1 n\u00e3o apenas o futuro da ind\u00fastria brasileira, mas, de igual modo, o pr\u00f3prio padr\u00e3o de desenvolvimento do pa\u00eds neste s\u00e9culo. Definir\u00e1 mais: que pa\u00eds queremos ser.\u00a0<\/p>\n<p>Sem ind\u00fastria, n\u00e3o conheceremos desenvolvimento econ\u00f4mico nem distribui\u00e7\u00e3o de renda, muito menos autonomia, seja econ\u00f4mica, seja pol\u00edtica, porque, sem alto desenvolvimento industrial sustent\u00e1vel, assentado em tecnologias avan\u00e7adas (fruto do avan\u00e7o da ci\u00eancia e da tecnologia, e exigentes de educa\u00e7\u00e3o), seremos incapazes de tomar a peito qualquer projeto de soberania.<\/p>\n<p>Este pode ser um tema para o debate eleitoral de outubro pr\u00f3ximo \u2014 quando, elegendo o presidente da Rep\u00fablica, estaremos dizendo que pa\u00eds queremos.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Sem a ind\u00fastria n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento nem distribui\u00e7\u00e3o de renda; prevalece defici\u00eancias tribut\u00e1rias e descontinuidade de pol\u00edticas. Tema estar\u00e1 no debate eleitoral?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/o-brasil-continuara-governado-pelo-passado\/\">O Brasil continuar\u00e1 governado pelo passado?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98862,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[30648,117,6203,2632,68194,5860,25533,6007,10309,98,72591,79197,643,600,79198,79199,64866],"tags":[],"class_list":["post-98861","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acucar","category-agronegocio","category-brasil-colonia","category-cafe","category-capacidade-industrial","category-commodities","category-concentracao-fundiaria","category-crise-brasileira","category-desenvolvimento-nacional","category-desigualdades","category-economia-agroexportadora","category-escravismo-latifundiario","category-exportacoes","category-industria","category-regiao-oeste","category-terras-ferteis","category-vale-do-paraiba"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98861\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98862"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}