{"id":98951,"date":"2026-08-06T13:30:00","date_gmt":"2026-08-06T16:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nos-rios-da-amazonia-peixes-ja-respiram-e-ingerem-plastico\/"},"modified":"2026-08-06T13:30:00","modified_gmt":"2026-08-06T16:30:00","slug":"nos-rios-da-amazonia-peixes-ja-respiram-e-ingerem-plastico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nos-rios-da-amazonia-peixes-ja-respiram-e-ingerem-plastico\/","title":{"rendered":"Nos rios da Amaz\u00f4nia, peixes j\u00e1 respiram e ingerem pl\u00e1stico"},"content":{"rendered":"<p>Nas \u00e1guas amaz\u00f4nicas, o pirarucu (Arapaima gigas) \u00e9 um peixe que consegue viver entre dois mundos. Na escassez de oxig\u00eanio, como \u00e9 t\u00edpico de lagos de v\u00e1rzea, o gigante sobe \u00e0 superf\u00edcie para respirar o ar. Ao longo de uma linhagem com pelo menos 100 milh\u00f5es de anos, o pirarucu desenvolveu uma bexiga natat\u00f3ria modificada, capaz de funcionar como um pulm\u00e3o primitivo. Essa adapta\u00e7\u00e3o rara permitiu a ele a vantagem de poder ocupar ambientes que s\u00e3o severos para outros peixes. Hoje, por\u00e9m, a mesma adapta\u00e7\u00e3o que permite sua sobreviv\u00eancia o torna vulner\u00e1vel a uma outra amea\u00e7a: a polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>\u201cO ambiente amaz\u00f4nico j\u00e1 \u00e9 altamente desafiador\u201d, afirma Adalberto Val, bi\u00f3logo e coordenador do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia Adapta\u00e7\u00f5es da Biota Aqu\u00e1tica da Amaz\u00f4nia (INCT-Adapta). \u201cAqui temos temperaturas altas, baixos n\u00edveis de oxig\u00eanio na \u00e1gua\u2026 Os organismos j\u00e1 respondem a esses desafios da forma que eles aprenderam durante o processo evolutivo. Ent\u00e3o, come\u00e7amos a acrescentar desafios novos, como \u00e9 o pl\u00e1stico.\u201d<\/p>\n<h2><strong>Quando respirar vira um risco<\/strong><\/h2>\n<p>Os pirarucus s\u00e3o incapazes de sobreviver mais de dez minutos sem subir \u00e0 superf\u00edcie para respirar. Para isso, usam o \u00f3rg\u00e3o de respira\u00e7\u00e3o a\u00e9rea ligado \u00e0 sua bexiga natat\u00f3ria modificada. Essa necessidade os coloca em contato direto com micropl\u00e1sticos que flutuam na \u00e1gua. Com base nos conhecimentos j\u00e1 estabelecidos sobre a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Se micropl\u00e1sticos invadirem o \u00f3rg\u00e3o de respira\u00e7\u00e3o a\u00e9rea do pirarucu, um dos primeiros riscos \u00e9 o de dano mec\u00e2nico. As part\u00edculas podem obstruir fisicamente a glote do animal, dificultando a passagem do ar. Al\u00e9m disso, a glote possui c\u00e9lulas que funcionam como detectores dos n\u00edveis de oxig\u00eanio e g\u00e1s carb\u00f4nico. Com a presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos, o funcionamento dessas c\u00e9lulas pode ser afetado, alterando o pr\u00f3prio controle da respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Val explica que os micropl\u00e1sticos tamb\u00e9m podem \u201csequestrar\u201d elementos fundamentais para a manuten\u00e7\u00e3o da fisiologia do animal. S\u00f3dio, pot\u00e1ssio e c\u00e1lcio, por exemplo, podem se prender \u00e0s part\u00edculas pl\u00e1sticas, ficando indispon\u00edveis para o funcionamento normal do organismo.<\/p>\n<p>\u201cPor outro lado, esse micropl\u00e1stico \u00e9 um elemento estranho dentro do corpo. O organismo tenta atac\u00e1-lo, tentando destru\u00ed-lo, o que causa processos inflamat\u00f3rios\u201d, acrescenta Val. \u201cIsso se torna um ciclo vicioso, em que a energia do animal \u00e9 direcionada para lidar com esses micropl\u00e1sticos, desencadeando v\u00e1rios outros processos que adoecem o animal.\u201d<\/p>\n<p>No caso do pirarucu, a absor\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1sticos para outros tecidos internos do peixe \u00e9 mais prov\u00e1vel justamente pela entrada de part\u00edculas via respira\u00e7\u00e3o a\u00e9rea. Uma vez nos tecidos, a contamina\u00e7\u00e3o deixaria de ser apenas uma amea\u00e7a ao animal: ela tamb\u00e9m levanta perguntas sobre a contamina\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos pela popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nida, que depende dos peixes como fonte de alimento.<\/p>\n<h2><strong>Pulso das \u00e1guas pode mudar as din\u00e2micas de contamina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Embora os trabalhos cient\u00edficos sejam recentes, a presen\u00e7a de contamina\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos nas \u00e1guas da Amaz\u00f4nia j\u00e1 est\u00e1 comprovada. Estudos encontraram essas part\u00edculas desde os grandes rios aos igarap\u00e9s, passando por lagos, at\u00e9 chegar aos manguezais da Foz do Amazonas. Nos rios de maior volume, como Amazonas e Negro, a imensa quantidade de \u00e1gua ajuda a diluir parte da contamina\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o impede que os pl\u00e1sticos sejam transportados, acumulados no fundo ou depositados em \u00e1reas de menor circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema se torna mais cr\u00edtico dentro das cidades, onde igarap\u00e9s e lagos urbanizados recebem esgoto sem tratamento e lixo descartado de forma irregular. Em Manaus, pesquisas j\u00e1 registraram concentra\u00e7\u00f5es elevadas de micropl\u00e1sticos em igarap\u00e9s urbanos, de at\u00e9 74.550 micropl\u00e1sticos por metro c\u00fabico (MPs\/m\u00b3). Outro exemplo \u00e9 o Lago Puraquequara, onde foram encontradas essas part\u00edculas no intestino de metade dos jaraquis analisados em um estudo. Os jaraquis s\u00e3o os peixes mais consumidos no estado do Amazonas.<\/p>\n<p>Adalberto Val destaca que, no mundo, os estudos sobre micropl\u00e1sticos s\u00e3o abundantes, mas se concentram, sobretudo, na polui\u00e7\u00e3o dos oceanos e das \u00e1reas litor\u00e2neas, com maior aten\u00e7\u00e3o aos animais marinhos. J\u00e1 na Amaz\u00f4nia o conhecimento avan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o de entender como esse tipo de polui\u00e7\u00e3o interage com as caracter\u00edsticas \u00fanicas da maior bacia hidrogr\u00e1fica do planeta.<\/p>\n<p>\u201cA Amaz\u00f4nia j\u00e1 avan\u00e7ou bastante em medir a presen\u00e7a dos micropl\u00e1sticos, mas a gente precisa avan\u00e7ar muito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 din\u00e2mica deles nos ambientes e na movimenta\u00e7\u00e3o por diferentes tipos de paisagem\u201d, explica Val.<\/p>\n<p>Uma dessas particularidades \u00e9 o pulso de inunda\u00e7\u00e3o, o regime natural de cheias e secas dos rios amaz\u00f4nicos. Durante as cheias, a \u00e1gua conecta os ambientes, como \u00e1reas de v\u00e1rzea e florestas inundadas, ampliando a capacidade de dispers\u00e3o dos poluentes. Nas secas, com menor volume de \u00e1gua dispon\u00edvel, part\u00edculas podem se concentrar em po\u00e7as, canais, sedimentos e ambientes isolados, aumentando a exposi\u00e7\u00e3o dos organismos aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Soma-se a isso a diversidade dos pr\u00f3prios tipos de \u00e1gua da Amaz\u00f4nia. \u00c1guas pretas, mais \u00e1cidas, como as do Rio Negro, e \u00e1guas brancas, barrentas e ricas em sedimentos, como as do Rio Amazonas, podem interagir de maneiras distintas com os micropl\u00e1sticos: em certos ambientes, favorecendo sua fragmenta\u00e7\u00e3o; em outros, facilitando sua deposi\u00e7\u00e3o no fundo dos rios e lagos.<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m faz diferen\u00e7a. Plantas aqu\u00e1ticas, conhecidas como macr\u00f3fitas, podem funcionar como barreiras f\u00edsicas, retendo part\u00edculas pl\u00e1sticas e reduzindo seu transporte pela correnteza. Ao mesmo tempo, essa reten\u00e7\u00e3o pode tornar os micropl\u00e1sticos mais dispon\u00edveis para organismos que vivem, se alimentam ou circulam nesses bancos de vegeta\u00e7\u00e3o, de peixes a peixes-bois.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a74b9b75f5e1\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a74b9b75f5e1\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Separa\u00e7\u00e3o do peixe para com\u00e9rcio no lago do Puraquequara, Manaus (AM)<\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>Nos igarap\u00e9s, risco maior em peixes pequenos<\/strong><\/h2>\n<p>O pirarucu, um dos maiores peixes de \u00e1gua doce do mundo, habita rios largos e grandes lagos. Mas a Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m \u00e9 habitada por peixes pequenos, espalhados por uma rede de corpos d\u2019\u00e1gua estreitos que cortam toda a regi\u00e3o, os igarap\u00e9s. Em monitoramento realizado pelo pesquisador Andreu Rico, as concentra\u00e7\u00f5es de micropl\u00e1sticos na calha de grandes rios, como Amazonas, Negro, Tapaj\u00f3s e Tocantins, ainda foram consideradas baixas para representar risco de intoxica\u00e7\u00e3o. Nos igarap\u00e9s de Manaus e Bel\u00e9m, por\u00e9m, ao menos 20% dos pontos monitorados apresentaram concentra\u00e7\u00f5es acima dos limites seguros para os animais.<\/p>\n<p>Ec\u00f3loga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Danielle Regine Ribeiro-Brasil decidiu olhar justamente para esses ecossistemas ainda pouco investigados pela literatura cient\u00edfica. \u201cEm um grande rio, os micropl\u00e1sticos se dispersam no grande volume de \u00e1gua e podem representar menor risco. Mas, em igarap\u00e9s, sobretudo os que recebem esgoto e lixo das cidades, uma concentra\u00e7\u00e3o menor pode ter grande impacto\u201d, explica a professora.<\/p>\n<p>Danielle realizou coletas de peixes nas bacias dos rios Guam\u00e1 e Acar\u00e1-Capim, no Par\u00e1, em territ\u00f3rios impactados pelo desmatamento, pela pecu\u00e1ria e pela expans\u00e3o urbana. Micropl\u00e1sticos foram detectados nas br\u00e2nquias e no trato digestivo de todos os peixes analisados, exceto um. Ao todo, foram registradas 383 part\u00edculas pl\u00e1sticas nas amostras.<\/p>\n<p>\u201cOs dados surpreendem, porque antes se imaginava que apenas peixes que se alimentam de sedimentos ou de plantas seriam os mais contaminados. Mas a detec\u00e7\u00e3o \u00e9 geral, incluindo predadores\u201d, destaca a pesquisadora. Para ela, esse \u00e9 um ind\u00edcio de que a polui\u00e7\u00e3o j\u00e1 pode estar profundamente integrada \u00e0s cadeias alimentares locais.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, foram encontradas 5,6 part\u00edculas por indiv\u00edduo. \u201cParece pouco\u201d, pondera Danielle. \u201cMas estamos falando de animais pequenos, que vivem em canais estreitos. Portanto, mesmo uma quantidade menor pode gerar danos f\u00edsicos ao animal.\u201d A ingest\u00e3o dessas part\u00edculas min\u00fasculas pode causar bloqueios no trato gastrointestinal e les\u00f5es internas. Elas tamb\u00e9m aderem facilmente \u00e0s br\u00e2nquias, o que pode interferir na respira\u00e7\u00e3o e no sistema imunol\u00f3gico dos peixes.<\/p>\n<p>Mais uma vez, a diversidade de esp\u00e9cies faz com que as respostas variem. Enquanto o lambari (Hemigrammus unilineatus), que chega a cerca de 5 cent\u00edmetros, apresentou menor contamina\u00e7\u00e3o, esp\u00e9cies como o jacund\u00e1 (Crenicichla regani), de aproximadamente 7 cent\u00edmetros, mostraram maior ac\u00famulo nas br\u00e2nquias.<\/p>\n<h2><strong>No fundo do rio, o tamoat\u00e1 encontra o pl\u00e1stico<\/strong><\/h2>\n<p>Engenheiro de pesca e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), Renan Amanaj\u00e1s resume a dimens\u00e3o do conhecimento que ainda precisa ser constru\u00eddo: \u201cNa Amaz\u00f4nia, h\u00e1 um universo de mais de 3 mil esp\u00e9cies de peixes. Para boa parte delas, os impactos dos micropl\u00e1sticos s\u00e3o similares, mas \u00e9 preciso investigar se h\u00e1 padr\u00f5es novos a depender das peculiaridades de uma esp\u00e9cie para outra.\u201d<\/p>\n<p>O caso do pirarucu \u00e9 emblem\u00e1tico nesse sentido. Embora processos como inflama\u00e7\u00e3o e estresse fisiol\u00f3gico se assemelhem ao que ocorre em outros peixes, o comportamento de subir \u00e0 superf\u00edcie para respirar ar cria riscos particulares, dif\u00edceis de comparar com aqueles j\u00e1 descritos para esp\u00e9cies de outras regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>Amanaj\u00e1s estuda os impactos dos micropl\u00e1sticos em outro peixe amaz\u00f4nico de caracter\u00edsticas singulares: o tamoat\u00e1 (Hoplosternum littorale). Abundante no fundo de lagos e \u00e1reas de v\u00e1rzea, ele se alimenta de detritos depositados nos sedimentos, h\u00e1bito que o torna vulner\u00e1vel \u00e0 ingest\u00e3o de part\u00edculas acumuladas no leito. Para se ter uma no\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, a concentra\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1sticos nos sedimentos do rio Negro foi estimada em cerca de 13 milh\u00f5es de part\u00edculas por metro c\u00fabico.<\/p>\n<p>\u201cOs dados que conseguimos at\u00e9 o momento demonstram que uma concentra\u00e7\u00e3o de 0,0005% de micropl\u00e1sticos na ra\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 capaz de reduzir o bem-estar desse animal, aumentando os n\u00edveis de estresse e provocando perda de peso\u201d, explica Renan. Segundo ele, a resposta inflamat\u00f3ria do organismo compromete outras fun\u00e7\u00f5es essenciais do animal.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a74b9b75fd3a\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a74b9b75fd3a\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Venda de pescado na Feira do Baga\u00e7o em Parintins (AM)<\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>Do peixe ao humano, risco de contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 plaus\u00edvel<\/strong><\/h2>\n<p>A partir dos organismos dos peixes, a contamina\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos tamb\u00e9m alcan\u00e7a a hist\u00f3rica rela\u00e7\u00e3o entre popula\u00e7\u00f5es humanas e a fauna aqu\u00e1tica amaz\u00f4nica. O problema se apresenta em ao menos tr\u00eas grandes frentes. A primeira \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o. Associada a outras amea\u00e7as, como agrot\u00f3xicos, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, desmatamento e represamento de rios, essa polui\u00e7\u00e3o acrescenta uma nova press\u00e3o sobre a biodiversidade aqu\u00e1tica da Amaz\u00f4nia. Ainda h\u00e1 lacunas sobre a extens\u00e3o desses efeitos, mas os estudos j\u00e1 indicam que os micropl\u00e1sticos podem alterar processos fundamentais da biologia dos animais.<\/p>\n<p>A segunda frente \u00e9 alimentar. O consumo de peixe na Amaz\u00f4nia \u00e9 basilar; ou, como define Renan, \u201c\u00e9 a maior express\u00e3o da cultura das pessoas que vivem aqui\u201d. No Amazonas, por exemplo, fam\u00edlias chegam a comer cerca de 14 quilos por pessoa ao ano, contra 2,8 quilos na m\u00e9dia nacional. Em comunidades ribeirinhas, onde a pesca de subsist\u00eancia tem peso maior, esse consumo pode ser muito mais alto. Nesse contexto, a contamina\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos preocupa tamb\u00e9m pelos efeitos que podem comprometer o crescimento, peso e qualidade dos peixes no futuro.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 \u00e9 seguro afirmar que os micropl\u00e1sticos alteram a capacidade dos peixes de ganhar peso, porque parte da energia que seria usada para crescer passa a ser direcionada para combater esse processo inflamat\u00f3rio\u201d, acentua Renan. \u201cMas ainda n\u00e3o temos dados suficientes que mostrem essa din\u00e2mica de contamina\u00e7\u00e3o nos peixes da Amaz\u00f4nia, seja no cultivo em fazendas, seja na pesca.\u201d<\/p>\n<p>Embora ainda faltem estudos espec\u00edficos sobre os efeitos dos micropl\u00e1sticos na reprodu\u00e7\u00e3o de peixes amaz\u00f4nicos, a literatura internacional j\u00e1 indica que essas part\u00edculas podem afetar \u00f3rg\u00e3os reprodutivos e comprometer o desenvolvimento de embri\u00f5es e descendentes. Na Amaz\u00f4nia, onde estudos j\u00e1 comprovam a presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos no trato digestivo de dezenas de esp\u00e9cies de peixes, a pergunta passa a ser como essa exposi\u00e7\u00e3o pode impactar as popula\u00e7\u00f5es locais e, em consequ\u00eancia, a pr\u00f3pria pesca.<\/p>\n<p>A terceira frente \u00e9 a da sa\u00fade. Afinal, uma das vias de exposi\u00e7\u00e3o humana aos micropl\u00e1sticos \u00e9 a dieta. Foram encontrados micropl\u00e1stiocos em peixes do Mar do Sul da China e do Estreito de Malaca em tecidos comest\u00edveis de esp\u00e9cies comerciais, com m\u00e9dia de 8,95 part\u00edculas por indiv\u00edduo, e estima-se a ingest\u00e3o di\u00e1ria de at\u00e9 1,6 part\u00edcula por pessoa por meio do consumo desses peixes.<\/p>\n<p>Embora ainda n\u00e3o haja estudos semelhantes para peixes amaz\u00f4nicos, pesquisadores consideram plaus\u00edvel que essa rota de exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exista na regi\u00e3o. \u201cSabemos que a sa\u00fade ambiental e a sa\u00fade humana est\u00e3o conectadas. A qualidade do nosso ambiente interfere na qualidade da nossa vida\u201d, defende Adalberto Val.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/jabbour-defende-socialismo-e-planejamento-estatal-para-o-desenvolvimento-urbano\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/elias-palestra-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Jabbour defende socialismo e planejamento estatal ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/torto-arado-musical-em-cartaz-no-rio-narra-historia-de-resistencia-ao-racismo-e-ao-trabalho-analogo-a-escravidao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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