{"id":9909,"date":"2025-01-06T20:30:05","date_gmt":"2025-01-06T23:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/consideracoes-sobre-o-auto-da-compadecida-os-filmes-a-peca-e-a-obra\/"},"modified":"2025-01-06T20:30:05","modified_gmt":"2025-01-06T23:30:05","slug":"consideracoes-sobre-o-auto-da-compadecida-os-filmes-a-peca-e-a-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/consideracoes-sobre-o-auto-da-compadecida-os-filmes-a-peca-e-a-obra\/","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es sobre &#8216;O Auto da Compadecida&#8217;: os filmes, a pe\u00e7a e a obra"},"content":{"rendered":"<p><em>Mandou chamar o vig\u00e1rio:\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Pronto! &#8211; o vig\u00e1rio chegou.\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; \u00c0s ordens, Sua Excel\u00eancia!\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Bispo lhe perguntou:\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Ent\u00e3o, que cachorro foi\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que o reverendo enterrou?\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Foi um cachorro importante, animal de intelig\u00eancia:\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>ele, antes de morrer,\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>deixou a Vossa Excel\u00eancia\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Dois contos de r\u00e9is em ouro.\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Se eu errei, tenha paci\u00eancia\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; N\u00e3o errou n\u00e3o, meu vig\u00e1rio,\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>voc\u00ea \u00e9 um bom pastor.\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Desculpe eu incomod\u00e1-lo,\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>a culpa \u00e9 do portador!\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Um cachorro como esse,\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>se v\u00ea que \u00e9 merecedor!\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0O enterro do cachorro\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Fragmento de <em>O dinheiro,\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00a0de Leandro Gomes de Barros (1865 &#8211; 1918).\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei, s\u00f3 sei que foi assim\u201d. Foi assim que cresci, foi assim que me formei, foi assim que vivi. Nasci no sert\u00e3o do Cariri, no Cear\u00e1, mas fui criado em S\u00e3o Paulo, ouvindo minha av\u00f3 e meu pai contarem os causos tradicionais e quase sempre c\u00f4micos que ouviram ou viveram por l\u00e1. A vastid\u00e3o seca e austera dessa regi\u00e3o, seus contornos agrestes e seu povo resiliente sempre moldaram minha percep\u00e7\u00e3o de mundo. Ao ler o<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/12\/25\/auto-da-compadecida-2-conheca-cabaceiras-a-roliude-nordestina-onde-o-primeiro-filme-foi-gravado\"> Auto da Compadecida (1955)<\/a>, de Ariano Suassuna, fui inevitavelmente transportado para um espa\u00e7o muito pr\u00f3ximo ao meu, ainda que ficcional: Tapero\u00e1, na Para\u00edba. Ali, os cen\u00e1rios e os personagens pareciam falar diretamente \u00e0s minhas mem\u00f3rias, \u00e0s viv\u00eancias de quem conhece as nuances do sert\u00e3o nordestino, seus dilemas e suas belezas.\u00a0<\/p>\n<p>O termo \u201cauto\u201d, que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 pe\u00e7a, remete a uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria medieval que encontrou sua express\u00e3o mais marcante em Portugal, com autores como Gil Vicente. Os autos, de car\u00e1ter religioso ou moralizante, eram encena\u00e7\u00f5es teatrais que buscavam entreter e instruir, combinando elementos c\u00f4micos e dram\u00e1ticos. Em Suassuna, essa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 revitalizada e adaptada \u00e0 realidade nordestina, compondo um texto que \u00e9 simultaneamente local e universal, popular e erudito, c\u00f4mico e tr\u00e1gico.\u00a0<\/p>\n<p>Logo de in\u00edcio, o Auto da Compadecida se apresenta como uma obra que transcende f\u00e1cil categoriza\u00e7\u00e3o. A narrativa, centrada nas figuras de Jo\u00e3o Grilo e Chic\u00f3, \u00e9 um caleidosc\u00f3pio de refer\u00eancias culturais, hist\u00f3ricas e religiosas. Jo\u00e3o Grilo, o anti-her\u00f3i arquet\u00edpico, \u00e9 a personifica\u00e7\u00e3o da ast\u00facia sertaneja, enquanto Chic\u00f3, seu companheiro de aventuras, encarna o imagin\u00e1rio fabuloso e a oralidade t\u00e3o pr\u00f3pria ao povo nordestino. Ambos, atrav\u00e9s de suas artimanhas e desventuras, questionam institui\u00e7\u00f5es e hierarquias sociais, expondo as contradi\u00e7\u00f5es de uma sociedade profundamente marcada pela desigualdade e pela hipocrisia.\u00a0<\/p>\n<p>O auto foi escrito com base em romances e hist\u00f3rias populares do Nordeste, como exemplificado pela ep\u00edgrafe deste texto, que reflete a rica tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e cultural da regi\u00e3o, principalmente da literatura de cordel, uma express\u00e3o aut\u00eantica e profundamente enraizada na cultura nordestina. O cordel, com suas rimas e narrativas envolventes, sempre foi uma forma de resist\u00eancia e preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e das cren\u00e7as populares do povo nordestino. Ela surge das vozes an\u00f4nimas, das experi\u00eancias cotidianas e das mitologias locais, muitas vezes abordando temas como o folclore, as lendas, os desafios da vida no sert\u00e3o e as figuras her\u00f3icas que se tornam parte do imagin\u00e1rio coletivo.\u00a0<\/p>\n<p>A trama, ambientada em Tapero\u00e1, entrela\u00e7a o cotidiano do sert\u00e3o com temas universais como a justi\u00e7a, a f\u00e9 e a moralidade. No cerne da narrativa est\u00e1 o julgamento final, no qual figuras como o Diabo, Manuel (Jesus Cristo) e Nossa Senhora da Compadecida desempenham pap\u00e9is cruciais. Esse julgamento \u00e9 uma s\u00edntese brilhante do sincretismo religioso brasileiro, mesclando elementos do catolicismo tradicional com a religiosidade popular. Nossa Senhora, por exemplo, \u00e9 retratada como a intercessora m\u00e1xima, dotada de uma empatia profunda pelo sofrimento humano, enquanto o Diabo encarna n\u00e3o apenas o mal metaf\u00edsico, mas tamb\u00e9m as injusti\u00e7as concretas do mundo terreno.\u00a0<\/p>\n<p>Um dos aspectos mais not\u00e1veis da pe\u00e7a \u00e9 seu uso magistral da linguagem. Suassuna consegue recriar a oralidade nordestina com uma precis\u00e3o e um lirismo que tornam o texto profundamente aut\u00eantico. As express\u00f5es idiom\u00e1ticas, os ditos populares e o humor peculiar do sert\u00e3o s\u00e3o explorados de maneira a dar \u00e0 obra uma musicalidade pr\u00f3pria, que \u00e9 ao mesmo tempo c\u00f4mica e po\u00e9tica. Esse uso da linguagem \u00e9 tamb\u00e9m um ato de resist\u00eancia cultural, uma afirma\u00e7\u00e3o da riqueza e da singularidade da tradi\u00e7\u00e3o nordestina em um contexto hist\u00f3rico marcado pela marginaliza\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o no imagin\u00e1rio nacional.\u00a0<\/p>\n<p>Outro elemento essencial \u00e9 o humor, que permeia toda a narrativa e serve como um meio de subvers\u00e3o e cr\u00edtica. O riso em Suassuna n\u00e3o \u00e9 apenas um fim em si mesmo; \u00e9 uma ferramenta poderosa para desvelar as estruturas de poder e questionar as normas sociais. As cenas envolvendo figuras como o padeiro, a mulher ad\u00faltera e o padre ganancioso s\u00e3o exemplos claros de como o humor pode ser utilizado para expor a hipocrisia e a corrup\u00e7\u00e3o, sem perder de vista a complexidade e a humanidade dos personagens.\u00a0<\/p>\n<p>No entanto, o Auto da Compadecida \u00e9 muito mais do que uma s\u00e1tira social. \u00c9 tamb\u00e9m uma obra profundamente espiritual, que aborda quest\u00f5es existenciais de maneira acess\u00edvel e tocante. A justaposi\u00e7\u00e3o entre o c\u00f4mico e o tr\u00e1gico reflete a pr\u00f3pria experi\u00eancia humana, especialmente no contexto do sert\u00e3o, onde a luta pela sobreviv\u00eancia \u00e9 acompanhada por uma rica vida espiritual e cultural. Essa dualidade \u00e9 exemplificada na figura de Jo\u00e3o Grilo, que, apesar de todas as suas falhas e artimanhas, revela uma profunda compreens\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana e um desejo genu\u00edno de justi\u00e7a e reden\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Finalmente, n\u00e3o se pode falar de o Auto da Compadecida sem destacar seu impacto cultural. Desde sua estreia em 1955, a obra tem sido adaptada e reinterpretada em diversos formatos, incluindo cinema e televis\u00e3o, sempre com grande sucesso. Essa capacidade de ressoar com p\u00fablicos t\u00e3o diversos \u00e9 um testemunho de sua for\u00e7a art\u00edstica e de sua relev\u00e2ncia atemporal.\u00a0<\/p>\n<p>Assim, ao revisitar o auto, n\u00e3o apenas reconheci os tra\u00e7os do sert\u00e3o de Tapero\u00e1, mas tamb\u00e9m enxerguei, refletidos na obra de Suassuna, os dilemas, as esperan\u00e7as e a grandeza de um povo que, como Jo\u00e3o Grilo, encontra na ast\u00facia e na f\u00e9 as ferramentas para enfrentar as adversidades da vida. \u00c9 uma obra que, mais do que nunca, fala \u00e0 alma do Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>Entre o Sagrado e o Profano: O Auto da Compadecida no cinema\u00a0<\/p>\n<p>Quando O Auto da Compadecida foi lan\u00e7ado em 2000, ele n\u00e3o apenas adaptou a obra-prima teatral de Ariano Suassuna; o filme redefiniu os limites do cinema brasileiro ao mesclar a com\u00e9dia popular com um profundo subtexto cultural e espiritual. Sob a dire\u00e7\u00e3o de Guel Arraes, a narrativa costurou o rico universo da literatura de cordel com um vigor cinematogr\u00e1fico raro, valorizando a oralidade nordestina, a esperteza dos personagens e o sincretismo religioso que define boa parte do Brasil profundo. Agora, quase um quarto de s\u00e9culo depois, a chegada de O Auto da Compadecida 2 apresenta novos desafios e celebra antigas conquistas, refletindo n\u00e3o apenas mudan\u00e7as nos personagens, mas tamb\u00e9m no pr\u00f3prio cinema nacional.\u00a0<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o de 2000 transformou um material originalmente teatral e radiof\u00f4nico em um dos mais marcantes sucessos do audiovisual brasileiro. O que foi crucial nesse processo n\u00e3o foi apenas a fidelidade \u00e0 linguagem e ao humor de Suassuna, mas tamb\u00e9m a habilidade de transportar sua ess\u00eancia para um formato mais din\u00e2mico e visualmente rico. A c\u00e2mera de Guel Arraes explorou o sert\u00e3o n\u00e3o como um espa\u00e7o meramente \u00e1rido e desolado, mas como um palco vibrante de emo\u00e7\u00f5es humanas e conflitos universais. A plasticidade dos cen\u00e1rios e a leveza da montagem ampliaram o alcance da obra, permitindo que Jo\u00e3o Grilo e Chic\u00f3 transcendessem suas origens regionais para se tornarem arqu\u00e9tipos da malandragem, da coragem e da sobreviv\u00eancia em um mundo de desigualdades.\u00a0<\/p>\n<p>O primeiro filme equilibrou o sagrado e o profano com uma eleg\u00e2ncia incomum. A presen\u00e7a de Fernanda Montenegro como a Compadecida n\u00e3o apenas ancorava o filme no imagin\u00e1rio cat\u00f3lico, mas conferia gravidade e beleza ao julgamento final, em contraste com as perip\u00e9cias hil\u00e1rias de Jo\u00e3o Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chic\u00f3 (Selton Mello). O resultado foi uma obra que conseguia ser simultaneamente cr\u00edtica e devocional, regional e universal, c\u00f4mica e comovente.\u00a0<\/p>\n<p>Por outro lado, O Auto da Compadecida 2 surge em um momento em que o cinema brasileiro enfrenta tanto desafios or\u00e7ament\u00e1rios quanto press\u00f5es por inova\u00e7\u00e3o narrativa. A sequ\u00eancia, dirigida novamente por Guel Arraes e co-assinada por Fl\u00e1via Lacerda, preserva a ess\u00eancia humor\u00edstica e o carisma dos protagonistas, mas se revela menos ousada em suas ambi\u00e7\u00f5es. Se o primeiro filme foi uma celebra\u00e7\u00e3o da criatividade e do virtuosismo narrativo, o longa de 2024 prefere revisitar f\u00f3rmulas consagradas, \u00e0s vezes sem o frescor necess\u00e1rio para reinvent\u00e1-las.\u00a0<\/p>\n<p>A escolha de explorar os mesmos arqu\u00e9tipos em uma nova disputa \u2013 agora eleitoral \u2013 funciona como uma alegoria contempor\u00e2nea, mas carece da profundidade que tornou o original atemporal. Ao colocar Jo\u00e3o Grilo no centro de uma disputa entre poderosos locais, o filme aborda quest\u00f5es relevantes sobre manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ambi\u00e7\u00e3o, mas muitas dessas reflex\u00f5es acabam dilu\u00eddas em uma trama que prioriza o humor f\u00e1cil em detrimento da cr\u00edtica social mais contundente.\u00a0<\/p>\n<p>Mesmo assim, h\u00e1 m\u00e9ritos que n\u00e3o podem ser ignorados. A utiliza\u00e7\u00e3o de anima\u00e7\u00f5es para ilustrar os \u201ccausos\u201d de Chic\u00f3 \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o que respeita o esp\u00edrito narrativo original ao mesmo tempo em que explora novas linguagens visuais. Al\u00e9m disso, a introdu\u00e7\u00e3o de novos personagens, como Ant\u00f4nio do Amor (Luiz Miranda) e a nova Compadecida (Ta\u00eds Ara\u00fajo), traz vitalidade ao elenco e prova que h\u00e1 espa\u00e7o para reinven\u00e7\u00f5es dentro desse universo.\u00a0<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de Fernanda Montenegro por Ta\u00eds Ara\u00fajo no papel da Compadecida sintetiza o maior desafio da sequ\u00eancia: como se apropriar de um legado ic\u00f4nico sem descaracteriz\u00e1-lo? Ara\u00fajo entrega uma interpreta\u00e7\u00e3o que equilibra suavidade e carisma, mas inevitavelmente carrega o peso de suceder uma das maiores atrizes da hist\u00f3ria do cinema. Sua performance, entretanto, sinaliza uma tentativa de moderniza\u00e7\u00e3o do filme, aproximando a Compadecida de uma figura mais acess\u00edvel e menos hier\u00e1tica.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 Nachtergaele e Selton Mello permanecem como o cora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. A qu\u00edmica da dupla \u00e9 t\u00e3o marcante que ofusca eventuais problemas narrativos. Jo\u00e3o Grilo ainda \u00e9 o malandro irresist\u00edvel, enquanto Chic\u00f3 continua o contador de hist\u00f3rias cheio de medos e contradi\u00e7\u00f5es. Contudo, \u00e9 not\u00e1vel que o roteiro de 2024, em sua tentativa de reproduzir os acertos de 2000, acabe restringindo a evolu\u00e7\u00e3o dos personagens. A sensa\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, especialmente para quem tem o primeiro filme vivo na mem\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<p>Talvez o maior m\u00e9rito da nova adapta\u00e7\u00e3o resida em sua capacidade de reaproximar o p\u00fablico do universo de Suassuna, mesmo que o fa\u00e7a de maneira menos inspirada do que poderia. O filme \u00e9 um convite \u00e0 nostalgia, mas n\u00e3o se arrisca o suficiente para ampliar as fronteiras narrativas do original. Em um momento em que o cinema nacional luta por espa\u00e7o em meio a produ\u00e7\u00f5es estrangeiras de alto or\u00e7amento, a falta de ousadia da sequ\u00eancia \u00e9 compreens\u00edvel, mas n\u00e3o deixa de ser frustrante.\u00a0<\/p>\n<p>Por outro lado, a obra reafirma o poder duradouro dos personagens de Suassuna e o impacto cultural de suas hist\u00f3rias. Mesmo quando n\u00e3o \u00e9 plenamente inventivo, O Auto da Compadecida 2 prova que o Brasil ainda sabe rir de si mesmo \u2013 e, \u00e0s vezes, essa capacidade \u00e9 tudo o que precisamos para seguir em frente.\u00a0<\/p>\n<p><em>* Bruno Fabricio Alcebino da Silva \u00e9 bacharel em Ci\u00eancias e Humanidades e graduando em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Federal do ABC.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\n<em>**Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o e n\u00e3o necessariamente representa a linha editorial do <strong>Brasil do Fato<\/strong>.<\/em><\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/caiu-para-208-a-taxa-de-analfabetismo-dos-residentes-de-terras-indigenas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Caiu para 20,8% a taxa de analfabetismo dos reside...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/byd-e-processada-por-trabalho-escravo-e-trafico-de-pessoas-em-acao-de-r-257-milhoes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">BYD \u00e9 processada por trabalho escravo e tr\u00e1fico de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/todo-o-estado-de-sao-paulo-tera-sexta-feira-de-muito-calor\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Todo o estado de S\u00e3o Paulo ter\u00e1 sexta-feira de mui...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/um-dia-apos-ser-nomeado-presidente-interino-do-peru-e-intimado-por-apropriacao-indebita\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/hbf0nw_waaal2o6-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Um dia ap\u00f3s ser nomeado, presidente interino do Pe...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mandou chamar o vig\u00e1rio:\u00a0\u00a0 &#8211; Pronto! 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