{"id":99490,"date":"2026-08-10T19:27:52","date_gmt":"2026-08-10T22:27:52","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eua-x-ira-o-agressor-enrascado\/"},"modified":"2026-08-10T19:27:52","modified_gmt":"2026-08-10T22:27:52","slug":"eua-x-ira-o-agressor-enrascado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eua-x-ira-o-agressor-enrascado\/","title":{"rendered":"EUA x Ir\u00e3: O agressor enrascado"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>Foto: EFE-EPA\/ABEDIN TAHERKENAREH<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Alastair Crooke<\/strong>, entrevistado por <strong>Chris Hedges <\/strong>| Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p>Donald Trump cancelou h\u00e1 dias um ataque militar em larga escala, que havia planejado contra o Ir\u00e3. Essa reviravolta ocorre ap\u00f3s relatos de que os EUA gastaram grandes quantidades de muni\u00e7\u00f5es cr\u00edticas desde o in\u00edcio da guerra, em 28\/2. Este esgotamento inclui m\u00edsseis Tomahawk de longo alcance, lan\u00e7ados do mar contra alvos terrestres. Dos cerca de 3 mil <u>Tomahawks<\/u> nos EUA, 1 mil j\u00e1 foram aparentemente utilizados. Cerca de 1.100 m\u00edsseis JASSM de longo alcance, lan\u00e7ados do ar, de um total de aproximadamente 4.000, tamb\u00e9m foram usados na guerra.<\/p>\n<p>Entre 40 e 70 m\u00edsseis <u>P<\/u>rSM (<em>Precise Strike Missiles)<\/em><em> <\/em>de longo alcance, lan\u00e7ados do solo, dos quais os EUA possu\u00edam apenas 90, foram disparados contra o Ir\u00e3, praticamente esgotando o invent\u00e1rio. Do m\u00edssil bal\u00edstico <u>SM-3<\/u>, lan\u00e7ado de navios e que custa US$ 28 milh\u00f5es, havia cerca de 410 unidades antes da guerra; os EUA podem ter usado at\u00e9 250 delas. O <u>SM-6<\/u>, tamb\u00e9m lan\u00e7ado de navios, \u00e9 usado para interceptar aeronaves e m\u00edsseis de cruzeiro. Entre 190 e 370 foram usados, de um estoque de 1.160. Dos cerca de 360 sistemas antim\u00edsseis bal\u00edsticos <u>THAAD<\/u>, at\u00e9 290 foram disparados contra o Ir\u00e3. E finalmente, dos estimados 2.300 m\u00edsseis <u>Patriot<\/u>, entre 1.060 e 1.430 foram utilizados.<\/p>\n<p>O esgotamento de sistemas de armas vitais n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema enfrentado pelo governo Trump. Tamb\u00e9m a Reserva Estrat\u00e9gica de Petr\u00f3leo est\u00e1 sendo consumida. Pesquisas globais do Bank of America mostram que ela est\u00e1 no n\u00edvel mais baixo desde 1983, deixando o pa\u00eds com suprimento de petr\u00f3leo bruto para apenas 43 dias. A esse esvaziamento soma-se a incapacidade dos EUA de retomar o controle do Estreito de Ormuz do Ir\u00e3. Temos uma guerra que, sob qualquer perspectiva, os EUA n\u00e3o podem mais se dar ao luxo de travar. A ag\u00eancia de not\u00edcias iraniana Fars informa que uma comiss\u00e3o parlamentar iraniana est\u00e1 analisando um projeto de lei preliminar que proibiria a passagem de navios norte-americanos, israelenses e de outros pa\u00edses considerados hostis pelo estreito.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 e Om\u00e3, que agora controlam conjuntamente Ormuz, afirmaram ter formalizado rotas de navega\u00e7\u00e3o pelo canal. A avalia\u00e7\u00e3o otimista de Trump sobre a guerra n\u00e3o \u00e9 novidade, assim como a retrata\u00e7\u00e3o das amea\u00e7as apocal\u00edpticas de aniquilar o Ir\u00e3. Por exemplo: em 7\/4, ele amea\u00e7ou que, \u201cuma civiliza\u00e7\u00e3o inteira morrer\u00e1 esta noite, para nunca mais ressuscitar\u201d, caso o Ir\u00e3 n\u00e3o abrisse imediatamente o estreito. Duas horas depois, antes do prazo imposto, recuou, anunciando um cessar-fogo de duas semanas. Esse padr\u00e3o de amea\u00e7as e recuos corroeu a credibilidade de Trump. Afastou o Ir\u00e3, j\u00e1 c\u00e9tico, de quaisquer negocia\u00e7\u00f5es. O Ir\u00e3 presume, corretamente, que n\u00e3o pode confiar em nada do que o presidente diz. E tamb\u00e9m sabe que os EUA n\u00e3o podem se dar ao luxo de prolongar o conflito sem sofrer enormes custos militares e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Para discutir o estado atual da guerra, est\u00e1 comigo <strong>Alistair Crook<\/strong>, ex-diplomata brit\u00e2nico que atuou por muitos anos no Oriente M\u00e9dio. Ele trabalhou como conselheiro de seguran\u00e7a do Enviado Especial da UE para o Oriente M\u00e9dio, al\u00e9m de co-liderar os esfor\u00e7os para estabelecer negocia\u00e7\u00f5es e tr\u00e9guas entre o Hamas, a Jihad Isl\u00e2mica e outros grupos de resist\u00eancia palestinos. Foi fundamental para o cessar-fogo de 2002 entre o Hamas e Israel. \u00c9 tamb\u00e9m autor de <em>Resist\u00eancia: A Ess\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica<\/em>, que analisa a ascens\u00e3o dos movimentos isl\u00e2micos no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>Alistair, vamos come\u00e7ar com a situa\u00e7\u00e3o atual. Como mencionei na introdu\u00e7\u00e3o, Trump amea\u00e7ou uma campanha de bombardeio <\/strong><strong>maci\u00e7a<\/strong><strong>. Mais uma vez, recuou. H\u00e1 <\/strong><strong>um <\/strong><strong>acordo entre Om\u00e3 e Ir\u00e3. Pode nos explicar o contexto?<br \/><\/strong><br \/><strong>Alastair Crooke: <\/strong>Certamente. H\u00e1 algo muito impressionante. Voc\u00ea leu a lista de m\u00edsseis e armas norte-americanas que se esgotram durante a guerra, e o que \u00e9 not\u00e1vel \u00e9 em qu\u00e3o pouco isso resultou. N\u00e3o reduziu significativamente a capacidade em m\u00edsseis do Ir\u00e3. N\u00e3o alterou a postura do pa\u00eds. Falhou completamente em mudar o rumo da guerra.<\/p>\n<p>Acredito que representa o fim de uma forma de lutar. Ao longo do per\u00edodo p\u00f3s \u2014 II Guerra Mundial, o Ocidente priorizou completamente a ideia de controle do espa\u00e7o a\u00e9reo, a capacidade de bombardear seus inimigos de modo indiscriminado, acreditando ter total liberdade para ir aonde quisesse, quando quisesse e como quisesse. Isso chegou ao fim, e a causa foram basicamente componentes eletr\u00f4nicos baratos, que permitiram aos Estados produzir m\u00edsseis. O Ir\u00e3 encontrou a resposta para isso: enterrar seus m\u00edsseis, enterrar os sistemas de produ\u00e7\u00e3o, enterrar a lideran\u00e7a. Isso foi chamado de Sistema Mosaico, e tem sido muito eficaz. Teer\u00e3 n\u00e3o t\u00eam uma for\u00e7a a\u00e9rea, mas exerce, neste momento, dom\u00ednio a\u00e9reo de m\u00edsseis sobre o Golfo, em contraste com o dom\u00ednio a\u00e9reo que os Estados Unidos n\u00e3o conseguiram alcan\u00e7ar plenamente.<\/p>\n<p>Em que ponto estamos? Nestas negocia\u00e7\u00f5es entre Ir\u00e3 e Om\u00e3. Para ser claro, s\u00e3o, no momento, apenas conversa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Os Estados Unidos n\u00e3o est\u00e3o envolvidos, embora alguns mediadores estejam em contato telef\u00f4nico constante com os omanitas. Mas, em ess\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o por parte do Ir\u00e3 de abrir o Estreito de Ormuz para todo o tr\u00e1fego a custo zero. Pode ser aberto com muita cautela, por exemplo, para navios e petroleiros chineses, mas n\u00e3o ser\u00e1 aberto como era antes.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, os iranianos v\u00e3o cobrar taxas; cogita-se 7%. Eles tamb\u00e9m v\u00e3o aplicar multas de 20% a qualquer embarca\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cumprir as regras estabelecidas pela nova administra\u00e7\u00e3o do Estreito de Ormuz. As discuss\u00f5es giram em torno de se haver\u00e1 dois corredores \u2013 um de sa\u00edda, outro de entrada \u2013 ou apenas um. No momento, existe apenas um corredor, porque os iranianos fecharam o que segue a costa de Om\u00e3, minando-o.<\/p>\n<p>Trump estar\u00e1 diante da proposta de que o Ir\u00e3 controle Ormuz, embora a passagem de entrada possa ser administrada pelos omanis, sob o controle final da Guarda Revolucion\u00e1ria Iraniana (IRGC). Todos os detalhes das embarca\u00e7\u00f5es ter\u00e3o que ser repassados a ela, antes de serem autorizadas a entrar nessa rota. Embora isso n\u00e3o fa\u00e7a parte das atribui\u00e7\u00f5es da equipe de negocia\u00e7\u00e3o, o Parlamento em Teer\u00e3 parece estar afirmando que ir\u00e1 criar uma lei para proibir, em qualquer momento futuro, a passagem de navios dos Estados Unidos ou de Israel por Ormuz.<\/p>\n<p>Segundo meu entendimento, nada disso entrar\u00e1 em vigor at\u00e9 que um acordo seja firmado, ap\u00f3s uma declara\u00e7\u00e3o de cessar-fogo, o fim do bloqueio americano e a suspens\u00e3o das san\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e derivados do Ir\u00e3. Somente ent\u00e3o essas novas regulamenta\u00e7\u00f5es entrar\u00e3o em vigor integralmente. Mas, pelo que sei, isso ainda n\u00e3o foi apresentado ao L\u00edder Supremo e aprovado pelo comit\u00ea de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Trump enfrentar\u00e1 um dilema \u00f3bvio. Ou aceita a perda, ou talvez n\u00e3o consiga faz\u00ea-lo. Scott Bessentt, seu secret\u00e1rio da Guerra disse h\u00e1 poucas horas: \u201cOrmuz \u00e9 irrelevante. Daqui a alguns anos, n\u00e3o precisaremos mais de Ormuz\u201d.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o mencionou o Mar Vermelho nem o Estreito de Estreito de Bab el-Mandeb, mas disse que os houthis podem ser irrelevantes. Ser\u00e1 o in\u00edcio de uma prepara\u00e7\u00e3o para uma sa\u00edda? \u00c9 cedo demais para dizer. Mas ser\u00e1 que Trump, depois de toda a sua carreira e da orienta\u00e7\u00e3o de Roy Cohen, que o ensinou a nunca perder, conseguir\u00e1 suportar isso? Ou tentar\u00e1 outra a\u00e7\u00e3o militar, mesmo que, como voc\u00ea apontou, n\u00e3o pare\u00e7a haver muita vantagem, pois n\u00e3o mudaria nada em termos de postura ou determina\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 em controlar o Estreito de Ormuz?<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 simplesmente n\u00e3o acredita ser poss\u00edvel chegar a um acordo completo com Trump e seu governo. O pa\u00eds desdenha do Memorando de Entendimento. Percebe que os Estados Unidos est\u00e3o apenas usando esse padr\u00e3o de amea\u00e7as e depois falando em acordo.<\/p>\n<p>Tudo gira em torno dos mercados. Tudo se resume \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo. Os iranianos est\u00e3o rindo disso agora, e divulgando documentos que mostram quantos contratos futuros foram vendidos pouco antes do \u00faltimo recuo\u2026 toda a manipula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo detalhada pelos iranianos. Para eles, o Memorando de Entendimento tornou-se muito menos importante. A principal preocupa\u00e7\u00e3o de Trump agora s\u00e3o os mercados, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, a infla\u00e7\u00e3o e, acima de tudo, o mercado de t\u00edtulos.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel, suponho, que, como no final do Imp\u00e9rio Romano, os imperadores subissem \u00e0 G\u00e1lia, as tribos repelissem <\/strong><strong>suas <\/strong><strong>legi\u00f5es, e ent\u00e3o os imperadores simplesmente realizassem uma marcha triunfal <\/strong><strong>por<\/strong><strong> Roma, mesmo tendo sido derrotados. Isso est\u00e1 muito de acordo com a vis\u00e3o de Trump. <\/strong><strong>A<\/strong><strong> derrota <\/strong><strong>n\u00e3o \u00e9 um fato <\/strong><strong>que Trump reconhecer\u00e1.<\/p>\n<p>Gostaria de falar um pouco sobre o acordo, porque o acordo original deveria ser implementado em fases. Acho que est\u00e1 bem claro que o Ir\u00e3 n\u00e3o assinar\u00e1 algo parecido novamente. Esta foi uma guerra n\u00e3o provocada. Foi uma guerra criminosa de agress\u00e3o, de acordo com o direito internacional, e foi verificada pelo chefe da ONU e outros. E o Ir\u00e3 quer repara\u00e7\u00f5es. Quer a libera\u00e7\u00e3o de seus ativos congelados, cerca de US$ 100 bilh\u00f5es. E esse \u00e9 um lado da quest\u00e3o. E, claro, tamb\u00e9m quer uma garantia de que n\u00e3o ser\u00e1 atacado novamente.<\/p>\n<p>Do outro lado, Trump est\u00e1 se preparando para as elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato. Seus \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o est\u00e3o muito baixos. E acho que est\u00e1 claro que a Casa Branca deseja desesperadamente, mesmo que seja um acordo provis\u00f3rio, algum tipo de acordo que possa ser implementado precariamente pelos pr\u00f3ximos meses, at\u00e9 novembro. E gostaria de saber se voc\u00ea pode abordar essas duas preocupa\u00e7\u00f5es conflitantes.<\/strong><\/p>\n<p>O que voc\u00ea descreveu \u00e9 quase uma fase da guerra que ficou para tr\u00e1s, no sentido de que esse Memorando de Entendimento agora \u00e9 amplamente visto como uma farsa. Foi uma farsa deliberada, pois seu prop\u00f3sito era simplesmente abrir Hormuz o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, e por isso foi assinado sem qualquer inten\u00e7\u00e3o real de lev\u00e1-lo a cabo. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma sensa\u00e7\u00e3o real de que seja a base para um acordo a ser respeitado por Trump. Na vis\u00e3o dois iranianos, foi uma farsa e, portanto, estamos em uma fase diferente.<\/p>\n<p>Essa fase consiste em aumentar a press\u00e3o sobre Trump, primeiramente nos mercados, j\u00e1 que o Mar Vermelho est\u00e1 fechado e os houthis voltaram a atacar petroleiros sauditas que tentam entrar no porto de Yambu, no Mar Vermelho, para carregar petr\u00f3leo. O tr\u00e1fego \u00e9 muito baixo. Est\u00e1 aberto para outros tipos de tr\u00e1fego, mas n\u00e3o para petroleiros sauditas. Acho que \u00e9 a primeira vez que os sauditas n\u00e3o exportaram petr\u00f3leo algum durante esse per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>E s\u00f3 para interromper, acredito que os sauditas exportavam cerca de seis milh\u00f5es de barris por dia pelo Mar Vermelho, correto?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 isso mesmo, e agora caiu para zero. Os Emirados \u00c1rabes Unidos tamb\u00e9m n\u00e3o exportaram petr\u00f3leo durante esse per\u00edodo. O principal ponto \u00e9 que o Ir\u00e3 v\u00ea isso como uma vantagem. Voc\u00ea mencionou os efeitos nos mercados de petr\u00f3leo, mas o que \u00e9 realmente importante \u00e9 o tipo de petr\u00f3leo que est\u00e1 faltando. Isso \u00e9 crucial para a estrat\u00e9gia deles, porque o que o Ir\u00e3 e o Estreito de Ormuz forneciam eram basicamente destilados m\u00e9dios de petr\u00f3leo, n\u00e3o petr\u00f3leo leve.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos t\u00eam petr\u00f3leo leve proveniente dos campos de fraturamento hidr\u00e1ulico, como o de Parmia, e a Venezuela tem o petr\u00f3leo mais pesado, quase como alcatr\u00e3o, do outro lado. Mas os destilados m\u00e9dios s\u00e3o os que fornecem diesel e querosene para aeronaves, e esses est\u00e3o em dr\u00e1stica escassez. O pre\u00e7o pedido nas refinarias para obter um barril de destilados m\u00e9dios hoje \u00e9 muito maior do que ser\u00e1 no futuro. E essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais n\u00e3o tenho certeza se veremos um grande ataque ao Ir\u00e3. As aeronaves \u2013 os F-15 e F-35 \u2013precisam de muito combust\u00edvel de avia\u00e7\u00e3o para realizar esse tipo de opera\u00e7\u00e3o e exigem reabastecimento a cada 400 quil\u00f4metros, aproximadamente.<\/p>\n<p>Nesta nova fase, o Ir\u00e3 adotou uma postura mais proativa. Eles n\u00e3o v\u00e3o apenas esperar que os Estados Unidos ataquem para ent\u00e3o considerar os alvos que atacar\u00e3o em retalia\u00e7\u00e3o. Eles mant\u00eam um n\u00edvel discreto de ataques proativos contra os Estados Unidos, contra os estados do Golfo e, no momento, contra Israel (que n\u00e3o est\u00e1 envolvido), mas mant\u00eam um n\u00edvel de for\u00e7a militar proativa. Em outras palavras, prolongam a guerra, dificultando ao m\u00e1ximo que Trump diga que venceu. Evitam que a situa\u00e7\u00e3o se transforme em uma grande guerra, mas continuando a atacar embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o crescente \u00e9 de que Trump est\u00e1 sob press\u00e3o. O Ir\u00e3 sente que tem as cartas na m\u00e3o, para usar uma express\u00e3o de Trump; que est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o melhor e que tem o controle sobre Ormuz \u2014 o que \u00e9 crucial porque pode financiar uma guerra prolongada se tiver as taxas e os custos de passagem pelo estreito. Estima-se que sejam cerca de cem bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano.<\/p>\n<p>A linha de pensamento est\u00e1 mudando um pouco, com uma tend\u00eancia a pressionar mais Trump e a n\u00e3o buscar um acordo. Eles sempre acreditaram que uma guerra com os Estados Unidos era inevit\u00e1vel, a \u00fanica sa\u00edda para o impasse em que se encontram presos h\u00e1 47 anos. Agora sentem-se preparados e em uma posi\u00e7\u00e3o muito melhor do que Trump em Washington, \u00e0 medida que as press\u00f5es sobre o mercado de petr\u00f3leo aumentam e as limita\u00e7\u00f5es militares de Washington se tornam evidentes: a incapacidade de disparar armas de longo alcance, a incapacidade de causar danos reais \u00e0s cidades com m\u00edsseis.<\/p>\n<p>O que ele atacaria em vez delas? A <u>Montanha <\/u>da Picareta? \u00c9 uma montanha de granito com instala\u00e7\u00f5es enterradas a mil metros de profundidade. As bombas ricocheteariam. Um de seus abrigos de m\u00edsseis foi atingido 45 vezes por bombardeios norte-americanos durante esse processo, e mesmo assim, a cada meia hora, m\u00edsseis continuavam sendo disparados do mesmo local. Portanto, estamos em um cen\u00e1rio diferente, em uma fase diferente para aumentar a press\u00e3o sobre os Estados Unidos. O interesse por um acordo r\u00e1pido n\u00e3o existe, e isso se reflete claramente no Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Vimos isso durante o funeral do aiatol\u00e1 Ali Khamenei, e em outras ocasi\u00f5es. O clima no Ir\u00e3 mudou bastante. Isso despertou algo muito profundo, uma esp\u00e9cie de mem\u00f3ria do pa\u00eds como grande pot\u00eancia civilizacional, que exerceu influ\u00eancia dominante na regi\u00e3o por milhares de anos, e que agora est\u00e1 sendo tratado com desrespeito e descortesia, sendo chamado de esc\u00f3ria.<br \/>Isso gerou uma mentalidade de muita revolta entre os jovens. O que vimos n\u00e3o foram pessoas nas ruas dizendo: \u201cVamos fazer um acordo\u201d. O que se v\u00ea \u00e9: \u201cqueremos vingan\u00e7a\u201d. Foi isso que houve nas enormes aglomera\u00e7\u00f5es que ocorreram nos funerais, tanto l\u00e1 quanto no Iraque.<br \/>L\u00e1, em duas ou tr\u00eas cidades, quatro a cinco milh\u00f5es de pessoas foram \u00e0s ruas para prestar suas homenagens ao falecido L\u00edder Supremo.<\/p>\n<p><strong>Gostaria de perguntar sobre os efeitos desta guerra na regi\u00e3o. Mas antes, gostaria que voc\u00ea abordasse as potenciais consequ\u00eancias de um fechamento prolongado tanto do Estreito de Bab el-Mandeb quanto do Estreito de Ormuz, n\u00e3o apenas para os mercados de petr\u00f3leo, mas tamb\u00e9m para a economia global.<\/p>\n<p><\/strong>\u00c9 dif\u00edcil dar uma resposta quantitativa direta, porque h\u00e1 muitas inc\u00f3gnitas. Em meio a tudo, os Estados Unidos est\u00e3o tentando lidar com uma grande crise no Jap\u00e3o, com a queda vertiginosa do iene japon\u00eas. Para tentar sustent\u00e1-lo, os Estados Unidos recorrem a uma vasta venda de euros.<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o \u00e9 importante porque possui 1,2 trilh\u00e3o de d\u00f3lares em t\u00edtulos do Tesouro americano, mas tamb\u00e9m por causa de sua situa\u00e7\u00e3o peculiar. Durante d\u00e9cadas, as taxas de juros estiveram t\u00e3o baixas que isso foi uma d\u00e1diva para Wall Street: era poss\u00edvel tomar empr\u00e9stimos baratos no Jap\u00e3o e emprestar caro nos EUA, obtendo lucros muito f\u00e1ceis. Mas, de repente, as taxas de juros est\u00e3o subindo. Grande parte da economia japonesa, cerca de 14%, s\u00e3o verdadeiras empresas-zumbis, que n\u00e3o geram lucros suficientes para cobrir suas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Em outras partes do mundo, poder\u00edamos dizer que est\u00e3o falidas. 14% da economia japonesa est\u00e1 tentando desesperadamente manter essa situa\u00e7\u00e3o. Os EUA est\u00e3o tentando fazendo manobras complexas, como tomar empr\u00e9stimos do tesouro japon\u00eas com pagamento futuro, liberarando agora o dinheiro para que os japoneses possam comprar mais ienes e tentar sustentar a economia. O que estou dizendo \u00e9 que o mercado de t\u00edtulos est\u00e1 em crise e, portanto, os mercados em geral tamb\u00e9m est\u00e3o. E, de certa forma, Netanyahu deixou escapar o segredo quando voltou de Washington h\u00e1 duas semanas.<\/p>\n<p>Ele disse: \u201cFoi a melhor reuni\u00e3o de todos os tempos, tudo foi maravilhoso\u201d. Netanyahu est\u00e1 em campanha eleitoral, mas acrescentou: \u201cTrump est\u00e1 tentando evitar um colapso econ\u00f4mico.\u201d Ele acertou em cheio ao dizer que o foco agora \u00e9 preservar a economia, a hegemonia do d\u00f3lar, o petrod\u00f3lar, toda essa estrutura de cr\u00e9dito e financiamento que sustenta a presen\u00e7a militar dos EUA ao redor do mundo, as guerras e armas usadas nesses combates. O Ir\u00e3 est\u00e1 amea\u00e7ando justamente esse processo. O petrod\u00f3lar \u00e9 um elemento do mundo financeirizado de Wall Street, instalado nos Estados do Golfo, bem ao lado do Ir\u00e3. \u00c9 exatamente o tipo de amea\u00e7a que Teer\u00e3 gostaria de eliminar.<\/p>\n<p>A nova economia, para os estados do Golfo, s\u00e3o os <em>datacenters. O<\/em> Ir\u00e3 sabe o porqu\u00ea: energia barata e capacidade de monitorar tudo no Oriente M\u00e9dio em nome de Israel e dos Estados Unidos. Por n\u00e3o deesajarem isso, eles destru\u00edram recentemente o grande centro de dados da Amazon.<\/p>\n<div>\n<div><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/15-7.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/15-7.png 680w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Vamos falar sobre a regi\u00e3o. Os impasses recentes abalaram os alicerces da hegemonia militar dos EUA em todo o Golfo. Os aliados n\u00e3o foram consultados sobre o in\u00edcio da guerra, mas pagaram um pre\u00e7o alt\u00edssimo, em grande parte devido aos ataques de precis\u00e3o que o Ir\u00e3 conseguiu realizar, presumivelmente com a ajuda de sat\u00e9lites e intelig\u00eancia russos e chineses. Antes de entrarmos no ar, voc\u00ea descreveu a regi\u00e3o como fr\u00e1gil. Fale um pouco sobre os efeitos nos pa\u00edses do Golfo.<\/strong><\/p>\n<p>Bem, em primeiro lugar eu diria que o principal elemento de incerteza \u00e9 a recorr\u00eancia da guerra entre os Houthis e a Ar\u00e1bia Saudita. Esta \u00e9 agora uma guerra declarada. Nos \u00faltimos dias, os Houthis dispararam m\u00edsseis contra as for\u00e7as e os mercen\u00e1rios reunidos pelo governo do sul do I\u00eamen nas prov\u00edncias de Mindanao e Hadrastat, para atac\u00e1-los. H\u00e1 imagens que mostram os mercen\u00e1rios fugindo em massa. Eles foram completamente destru\u00eddos pelos m\u00edsseis disparados pelos Houthis.<\/p>\n<p><strong>Alistair, permita-me interromper. Esses mercen\u00e1rios s\u00e3o armados e financiados pela Ar\u00e1bia Saudita, correto?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. S\u00e3o for\u00e7as que agem por procura\u00e7\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita. Acredita-se que os Houthis destru\u00edram a grande refinaria da Aramco ao lado do porto saudita de Janbu, no Mar Vermelho. N\u00e3o era uma refinaria qualquer. Estamos acostumados a ouvir falar de refinarias atingidas na R\u00fassia e em outros lugares, reparadas rapidamente. Especificamente, esta era a refinaria mais moderna do mundo, a mais completa em termos de tecnologia. Foi destru\u00edda, assim como o terminal do oleoduto que liga o leste ao oeste, no Mar Vermelho. As instala\u00e7\u00f5es da Aramco, a unidade de bombeamento no lado leste, no lado de Ormuz, tamb\u00e9m foram destru\u00eddas.<\/p>\n<p>O oleoduto que transporta o petr\u00f3leo saudita de seus principais campos at\u00e9 o Mar Vermelho foi completamente destru\u00eddo. Os sauditas disseram que os respons\u00e1veis n\u00e3o foram os Houthis, mas sim a resist\u00eancia iraquiana, o Hashad al-Sha\u2019ibi.<\/p>\n<p>O Hashad al-Sha\u2019ibi negou completamente. E \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o tenham sido, pois se trata de um per\u00edodo de celebra\u00e7\u00e3o, um per\u00edodo solene de 40 dias que marca o anivers\u00e1rio da morte do Imam Hussein na Cabala. Mas os sauditas e os Estados Unidos atacaram a resist\u00eancia iraquiana, matando muitos, incluindo alguns membros das for\u00e7as iranianas da Guarda Revolucion\u00e1ria Isl\u00e2mica (IRGC). E ent\u00e3o o Iraque come\u00e7ou uma tentativa de expurgar parte da resist\u00eancia, mas h\u00e1 sinais de que a resist\u00eancia est\u00e1 se deslocando para as fronteiras.<\/p>\n<p>O Iraque \u00e9 composto por cerca de 60% de xiitas; os outros 40% s\u00e3o divididos entre sunitas e curdos. Portanto, os sunitas representam uma propor\u00e7\u00e3o bastante pequena, e os xiitas, a maior parte. E o Hashad \u00e9 sempre mencionado na m\u00eddia ocidental como se fossem apenas representantes do Ir\u00e3. Como se pressionar o Hashad fosse pressionar o Ir\u00e3 na disputa de Ormuz. Eles n\u00e3o s\u00e3o isso. Eu os conhe\u00e7o, me encontrei com os membros do grupo. Sim, s\u00e3o xiitas e o Ir\u00e3 \u00e9 uma esp\u00e9cie de ber\u00e7o do xiismo. Mas s\u00e3o nacionalistas iraquianos convictos, que aceitavam e seguiam o L\u00edder Supremo, assassinado em 29 de fevereiro, como sua fonte de emula\u00e7\u00e3o, seu guia espiritual.<\/p>\n<p>Est\u00e3o profundamente revoltados com sua morte. Ele era o l\u00edder religioso deles tamb\u00e9m, n\u00e3o apenas do Ir\u00e3. Por isso disseram que haver\u00e1 retalia\u00e7\u00e3o. Deram ao governo iraquiano um pouco de margem de manobra, mas pelo que vejo, h\u00e1 movimentos em ambos os lados da fronteira, e talvez a situa\u00e7\u00e3o seja contida, mas o pa\u00eds \u00e9 um Estado muito fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>Membros da seguran\u00e7a iraquiana disseram que n\u00e3o foi o Hashad, a resist\u00eancia iraquiana, que atacou as instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas sauditas, e sim grupos ucranianos. N\u00e3o acho que devamos dar muita import\u00e2ncia a isso, mas acontece num momento em que um navio iraniano foi atingido por m\u00edsseis ucranianos no Mar C\u00e1spio. A tens\u00e3o entre a Ar\u00e1bia Saudita e o Iraque, assim como entre os Estados Unidos e o Iraque, est\u00e1 aumentando consideravelmente.<\/p>\n<p>O Hashad est\u00e1 se mobilizando, mas ainda n\u00e3o tomou uma decis\u00e3o. Ao mesmo tempo, no Iraque, os iranianos invadiram Erbil, a regi\u00e3o curda do pa\u00eds, o Curdist\u00e3o, e atacaram as for\u00e7as curdas, assassinando alguns de seus l\u00edderes e atacando suas linhas de suprimento, combust\u00edvel e muni\u00e7\u00e3o. H\u00e1 relatos de que os Estados Unidos estavam tentando reviver um plano j\u00e1 fracassado de invas\u00e3o curda ao Ir\u00e3, para estabelecer uma esp\u00e9cie de mini-Estado. Vimos algo semelhante na R\u00fassia, na regi\u00e3o de Kursk.<\/p>\n<p>Os iraquianos est\u00e3o tomando medidas preventivas contra isso. Tamb\u00e9m vimos um navio-tanque de g\u00e1s ser atacado por drones em um porto no Egito nos \u00faltimos dias. N\u00e3o est\u00e1 claro quem foi o respons\u00e1vel. Mas a guerra entre a Ar\u00e1bia Saudita e o I\u00eamen est\u00e1 se tornando muito mais intensa, e penso que os sauditas culparam o Hashad pelos ataques \u00e0s instala\u00e7\u00f5es da Aramco porque n\u00e3o queriam agravar a guerra com os Houthis.<\/p>\n<p>Os houthis s\u00e3o uma for\u00e7a de combate formid\u00e1vel. No passado, infligiram uma enorme derrota ao ex\u00e9rcito eg\u00edpcio, matando, creio eu, 20 mil soldados. Isso aconteceu h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o \u00e9 o presente. Mas a Ar\u00e1bia Saudita n\u00e3o est\u00e1 ansiosa para entrar nessa guerra, embora, ao mesmo tempo, esteja sem dinheiro. N\u00e3o est\u00e1 arrecadando nenhuma receita. J\u00e1 estava com dificuldades financeiras. Os estados do Golfo tamb\u00e9m est\u00e3o com falta de dinheiro. Ent\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 se tornando cada vez mais tensa.<\/p>\n<p>H\u00e1 um erro de julgamento aqui, como o erro de julgamento de ucranianos tentando atacar um navio iraniano no Mar C\u00e1spio, o que poderia facilmente mudar toda a natureza e toda a din\u00e2mica desta guerra e torn\u00e1-la mais profunda. Mas meu ponto principal \u00e9: Trump est\u00e1 falando em tentar encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para o problema do Ir\u00e3. Veja o que aconteceu: tudo se tornou uma teia de outros conflitos.<\/p>\n<p>Eu nem mencionei o L\u00edbano nesse processo. Com as amea\u00e7as, Washington tem tentado encorajar a Sharia da S\u00edria a participar do desarmamento do Hezbollah ou a atacar as aldeias xiitas que ficam na fronteira entre o L\u00edbano e a S\u00edria. E a Turquia, que tem consider\u00e1vel influ\u00eancia, digamos assim, sobre as for\u00e7as em Damasco, diz que n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da S\u00edria no L\u00edbano.<\/p>\n<p>Mas assim que isso aconteceu, tivemos mais rea\u00e7\u00f5es do Iraque, da resist\u00eancia iraquiana, que disse \u00e0 Sharia: \u201cVoc\u00eas se aproximam do L\u00edbano e n\u00f3s entramos na S\u00edria\u201d. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ficando cada vez mais complexa. Temos fantasmas \u00e0 espreita e precisamos levar isso a s\u00e9rio. A extrema-direita em Israel \u2013 eu detesto o termo extrema-direita, mas a direita messi\u00e2nica, mais precisamente os ministros Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich est\u00e3o dizendo que gostariam de ver uma grande crise na Cisjord\u00e2nia, talvez no Monte do Templo, talvez uma guerra.<\/p>\n<p>Eles querem uma crise que provoque um \u00eaxodo de palestinos da Cisjord\u00e2nia e que os ajude a vencer as elei\u00e7\u00f5es. Trata-se das elei\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de um duplo objetivo: provocar outra situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 de 1948, com os palestinos obrigados a fugir da Cisjord\u00e2nia para salvar suas vidas. Os ministros est\u00e3o se preparando e n\u00e3o fazem segredo algum. A elei\u00e7\u00e3o parlamentar ser\u00e1 existencial. Est\u00e1 prevista para outubro. N\u00e3o est\u00e1 claro o que acontecer\u00e1, nem que n\u00e3o terminar\u00e1 em viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Os dois lados est\u00e3o realmente em desacordo no momento e o futuro de Netanyahu n\u00e3o \u00e9 de nenhuma forma certo. Mas incendiar a Cisjord\u00e2nia \u00e9 um objetivo antigo. Lembro-me de Smotrich falando sobre isso alguns anos atr\u00e1s, em um discurso no Parlamento, quando disse: \u201cEste \u00e9 o nosso plano e os \u00e1rabes v\u00e3o embora\u201d. E acrescentou: \u201cMas o que realmente precisamos para implementar este plano \u00e9 uma grande crise ou uma grande guerra. Durante essa guerra, o plano finalmente entrar\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o\u201d. Essas s\u00e3o algumas das possibilidades.<\/p>\n<p>Tudo isso torna a situa\u00e7\u00e3o muito inst\u00e1vel. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o meu ponto. N\u00e3o existe um acordo simples e direto dispon\u00edvel para Washington. Tudo se transformou em uma complexa teia de guerras menores ocorrendo por toda a regi\u00e3o, todas interligadas, com objetivos bastante distintos. A guerra no L\u00edbano, o I\u00eamen, a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria, todas elas t\u00eam agendas completamente diferentes. A possibilidade de Washington chegar a uma solu\u00e7\u00e3o abrangente agora me parece pr\u00f3xima de zero.<\/p>\n<p><strong>Os eg\u00edpcios e os jordanianos deslocaram suas tropas para o norte \u2013 os eg\u00edpcios para o Sinai, os jordanianos para a fronteira com a Cisjord\u00e2nia \u2013 para evitar o tipo de limpeza \u00e9tnica que Smotrich e outros defenderam abertamente. Chamam isso de transfer\u00eancia volunt\u00e1ria ou algo assim. Se eles tentarem expulsar os palestinos da Cisjord\u00e2nia, ou se finalmente decidirem fazer isso em Gaza, onde cerca de dois milh\u00f5es de palestinos est\u00e3o amontoados em cidades f\u00e9tidas, superlotadas e tensas, como isso se desenrolar\u00e1? Quer dizer, isso n\u00e3o criar\u00e1 um confronto militar entre Israel e a Jord\u00e2nia ou o Egito?<\/strong><\/p>\n<p>Poderia eclodir de muitas maneiras diferentes. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito inflam\u00e1vel. Toda a regi\u00e3o pode ser afetada por um fato fortuito qualquer. Mais um assassinato no L\u00edbano, um massacre em algum outro lugar. Tudo pode acontecer agora. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito vol\u00e1til, em que pode uma grande crise pode ser facilmente desencadeada. Particularmente, a quest\u00e3o palestina pode ter desdobramentos capazes de levar o Ir\u00e3 de volta ao conflito direto com Israel, atacando-o diretamente nos territ\u00f3rios do norte, ou seja, os territ\u00f3rios do sul do L\u00edbano at\u00e9 a Galileia.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 poss\u00edvel. Um conflito pode ser facilmente desencadeado, e os iranianos est\u00e3o preparados para a guerra \u2014 n\u00e3o apenas contra os Estados Unidos. Acredito que eles esperam que, em algum momento, Israel tamb\u00e9m entre em conflito. Est\u00e3o preparados para isso, e eu o enfatizo porque muitas vezes as pessoas interpretam mal e dizem: \u201cVoc\u00ea sabe, Israel \u00e9 t\u00e3o forte, n\u00e3o \u00e9?\u201d. Tomemos a infraestrutura, que eles dizem querer atacar no Ir\u00e3. Os israelenses t\u00eam duas refinarias, e s\u00e3o um pa\u00eds pequeno: as usinas de energia est\u00e3o concentradas. J\u00e1 o Ir\u00e3 \u00e9 um pa\u00eds grande. Suas estruturas de poder e toda a infraestrutura est\u00e3o dispersas h\u00e1 20 anos, precisamente em antecipa\u00e7\u00e3o a uma futura guerra contra os Estados Unidos. Israel quer uma guerra com o Ir\u00e3? N\u00e3o: quer que Trump declare guerra e destrua o Ir\u00e3, destrua sua infraestrutura, para que o Estado n\u00e3o possa mais fornecer servi\u00e7os aos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>\u00c9 algo monstruoso, esperar que o Estado seja destru\u00eddo a ponto de ficar incapaz de fornecer qualquer servi\u00e7o \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o. Equivale a um ataque nuclear t\u00e1tico lento, em vez de um ataque de grande escala. Significa deixar a popula\u00e7\u00e3o sem \u00e1gua, sem eletricidade, sem combust\u00edvel. Seria imposs\u00edvel sobreviver. Se isso acontecer, os iranianos retaliar\u00e3o contra as esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua da Ar\u00e1bia Saudita e dos pa\u00edses do Golfo, que s\u00e3o muito vulner\u00e1veis nesse aspecto. O Ir\u00e3 \u00e9 menos vulner\u00e1vel no tratamento de \u00e1gua. Apenas 3% da sua \u00e1gua vem de esta\u00e7\u00f5es de tratamento.<\/p>\n<p><strong>Vale mencionar que 70% da \u00e1gua fornecida na Ar\u00e1bia Saudita prov\u00e9m das usinas de dessaliniza\u00e7\u00e3o. Talvez o percentual seja superior a 80% nos Emirados \u00c1rabes Unidos. Se o Ir\u00e3 destru\u00edsse essas usinas de dessaliniza\u00e7\u00e3o, isso criaria por certo uma crise humanit\u00e1ria em toda a regi\u00e3o. Acho que toda a \u00e1rea em torno de Riad, por exemplo, depende da dessaliniza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Certamente. Mas ser\u00e1 que isso est\u00e1 nos c\u00e1lculos em Washington? Quanto disso \u00e9 compreendido no governo dos EUA, ou \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o por Trump quando ele est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de ouvir, entender a situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o simplesmente dizer: \u201cAh, o Ir\u00e3 est\u00e1 derrotado, est\u00e1 em frangalhos, n\u00f3s vencemos a guerra\u201d?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a parte incerta. Uma decis\u00e3o equivocada pode desencadear uma crise em toda a regi\u00e3o, porque todas essas rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o interligadas e de alguma forma se conectar\u00e3o. O Hezbollah n\u00e3o ficar\u00e1 parado se os palestinos forem expulsos de Gaza ou da Cisjord\u00e2nia. O que acontece na S\u00edria? O que acontece com o Hashad? O Hashad pode entrar na S\u00edria.<\/p>\n<p>E tudo isso s\u00f3 serve para tornar a situa\u00e7\u00e3o dez vezes mais complicada, dez vezes mais dif\u00edcil de resolver. N\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica e simples.<\/p>\n<p><\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Teer\u00e3 v\u00ea-se em vantagem, e quer vit\u00f3ria hist\u00f3rica. Israel cogita a Cisjord\u00e2nia em chamas. Uma fagulha pode conflagrar o Oriente M\u00e9dio<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/eua-ira-o-agressor-enrascado\/\">EUA x Ir\u00e3: O agressor enrascado<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99491,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[400,5511,1023,8650,9,13613,5700,37603,6052,41,25,238],"tags":[],"class_list":["post-99490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-benjamin-netanyahu","category-capa","category-donald-trump","category-estreito-de-ormuz","category-eua","category-eua-x-ira","category-geopolitica-guerra","category-guarda-revolucionaria-iraniana","category-houthis","category-ira","category-israel","category-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99490\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}