{"id":99743,"date":"2026-08-12T13:01:26","date_gmt":"2026-08-12T16:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estudo-mostra-que-vereadoras-avancam-menos-na-carreira-politica\/"},"modified":"2026-08-12T13:01:26","modified_gmt":"2026-08-12T16:01:26","slug":"estudo-mostra-que-vereadoras-avancam-menos-na-carreira-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estudo-mostra-que-vereadoras-avancam-menos-na-carreira-politica\/","title":{"rendered":"Estudo mostra que vereadoras avan\u00e7am menos na carreira pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" width=\"1024\" height=\"576\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/violencia-politica-genero-1.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/violencia-politica-genero-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/violencia-politica-genero-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/violencia-politica-genero-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/violencia-politica-genero-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/violencia-politica-genero-1.jpg 1890w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>Mulheres e homens que chegam \u00e0s c\u00e2maras municipais demonstram praticamente a mesma disposi\u00e7\u00e3o para disputar cargos do Executivo, mas n\u00e3o percorrem a pol\u00edtica pelo mesmo caminho. Entre os vereadores eleitos em 2008, 17,6% das mulheres e 17,9% dos homens disputaram prefeito ou vice-prefeito nos ciclos seguintes. A diferen\u00e7a aparece depois: elas est\u00e3o mais presentes entre os que deixam de disputar elei\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o conseguem conquistar um novo mandato, enquanto os homens aparecem em maior propor\u00e7\u00e3o nas trajet\u00f3rias de continuidade e avan\u00e7o eleitoral.<\/p>\n<p>\u00c9 o que mostra o estudo <em><a href=\"https:\/\/brazilianpoliticalsciencereview.org\/article\/where-do-city-councilors-go-gender-and-political-career-trajectories-in-municipal-politics\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/brazilianpoliticalsciencereview.org\/article\/where-do-city-councilors-go-gender-and-political-career-trajectories-in-municipal-politics\/\">\u201cWhere Do City Councilors Go? Gender and Political Career Trajectories in Municipal Politics\u201d<\/a><\/em>, de Lucas Gelape, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e D\u00e9bora Thom\u00e9, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). A partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os pesquisadores acompanharam 51.478 vereadores eleitos em 2008 e reconstru\u00edram suas trajet\u00f3rias ao longo de cinco elei\u00e7\u00f5es municipais. <\/p>\n<p>A escolha de acompanhar essas carreiras por mais de um ciclo muda a pr\u00f3pria leitura sobre o que significa abandonar a pol\u00edtica. Entre os eleitos em 2008, 38% n\u00e3o disputaram uma nova elei\u00e7\u00e3o em 2012. Quando os pesquisadores acompanham essas mesmas pessoas por mais tempo, por\u00e9m, apenas 20,9% entram na categoria dos que n\u00e3o voltaram a disputar qualquer cargo. Parte daqueles que pareciam ter deixado a pol\u00edtica simplesmente retornou \u00e0 disputa em elei\u00e7\u00f5es posteriores.<\/p>\n<p>\u00c9 uma diferen\u00e7a que, para os autores, n\u00e3o pode ser ignorada quando se fala em carreira pol\u00edtica. \u201cQuando falamos em trajet\u00f3rias de carreira, \u00e9 importante considerar uma sequ\u00eancia de decis\u00f5es pol\u00edticas, em vez de focar em um \u00fanico ponto no tempo\u201d, escrevem Gelape e Thom\u00e9. <\/p>\n<p><strong>O que acontece depois do primeiro mandato<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesse percurso mais longo que a desigualdade entre homens e mulheres fica mais evidente. Entre os vereadores eleitos em 2008, 23,8% das mulheres seguiram a trajet\u00f3ria daqueles que n\u00e3o voltaram a disputar elei\u00e7\u00f5es, contra 20,5% dos homens. Tamb\u00e9m foi maior entre elas a parcela que continuou tentando uma vaga na C\u00e2mara, mas n\u00e3o conseguiu novo mandato: 27,1%, ante 23,5% entre eles.<\/p>\n<p>Nos caminhos de maior continuidade, a rela\u00e7\u00e3o se inverte. Os homens representam 38,1% dos chamados \u201cveteranos\u201d, aqueles que voltaram a disputar uma vaga na C\u00e2mara e conseguiram pelo menos uma nova vit\u00f3ria, contra 31,5% das mulheres. Entre os que disputaram prefeito ou vice-prefeito e foram eleitos, estavam 8,2% dos homens e 7,2% das mulheres.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a, portanto, n\u00e3o est\u00e1 simplesmente na decis\u00e3o de permanecer ou abandonar a pol\u00edtica. Ela aparece no que acontece depois que o primeiro mandato termina. As mulheres est\u00e3o proporcionalmente mais concentradas nas trajet\u00f3rias de sa\u00edda ou de tentativa sem nova vit\u00f3ria, enquanto os homens aparecem mais nos caminhos de reelei\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o para o Executivo.<\/p>\n<p><strong>A disputa pelo Executivo conta outra hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios n\u00fameros sobre a disputa por cargos majorit\u00e1rios afastam uma explica\u00e7\u00e3o baseada em falta de ambi\u00e7\u00e3o. Mulheres e homens que chegaram \u00e0s c\u00e2maras em 2008 buscaram prefeito ou vice-prefeito em propor\u00e7\u00f5es praticamente id\u00eanticas: 17,6% entre elas e 17,9% entre eles.<\/p>\n<p>Ou seja, elas n\u00e3o est\u00e3o ficando para tr\u00e1s porque demonstram menor disposi\u00e7\u00e3o para disputar cargos de maior poder. A diferen\u00e7a aparece no percurso que se constr\u00f3i a partir dessa disputa. Entre aqueles que tentaram chegar ao Executivo, os homens tamb\u00e9m tiveram maior propor\u00e7\u00e3o de sucesso: 8,2% foram eleitos, contra 7,2% das mulheres.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria anterior ajuda a compor esse quadro. Vereadores que j\u00e1 haviam exercido mandato antes de 2008 apresentaram maior probabilidade de seguir caminhos de continuidade na C\u00e2mara. Da mesma forma, experi\u00eancias anteriores em disputas para o Executivo aparecem associadas \u00e0s trajet\u00f3rias posteriores de tentativa e conquista desses cargos. A carreira, portanto, n\u00e3o come\u00e7a no momento em que o candidato conquista uma cadeira: parte das condi\u00e7\u00f5es para permanecer e avan\u00e7ar j\u00e1 foi constru\u00edda antes.<\/p>\n<p>Esse ponto \u00e9 importante porque impede que a diferen\u00e7a encontrada seja lida como uma simples quest\u00e3o de desempenho individual. O mandato inaugura uma nova etapa da carreira, mas n\u00e3o apaga as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas acumuladas at\u00e9 ali.<\/p>\n<p><strong>O munic\u00edpio tamb\u00e9m pesa<\/strong><\/p>\n<p>O contexto em que o mandato \u00e9 exercido interfere nos caminhos posteriores. Nos munic\u00edpios menores, \u00e9 maior a propor\u00e7\u00e3o de vereadores que deixam de disputar elei\u00e7\u00f5es. Conforme cresce o tamanho do eleitorado, aumentam as trajet\u00f3rias de continuidade na C\u00e2mara, enquanto os percursos at\u00e9 o Executivo tamb\u00e9m variam de acordo com o porte do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Isso ajuda a entender por que o mandato de vereador n\u00e3o pode ser tratado apenas como uma passagem para cargos mais altos. Para uma parcela expressiva dos pol\u00edticos, a C\u00e2mara \u00e9 o pr\u00f3prio espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o de uma carreira. Quase 40% dos eleitos em 2008 conquistaram pelo menos dois mandatos como vereadores at\u00e9 2020, enquanto quase 20% chegaram a disputar prefeito ou vice-prefeito.<\/p>\n<p>Quando esse percurso \u00e9 observado ao longo de v\u00e1rios ciclos, a diferen\u00e7a entre homens e mulheres deixa de ser apenas uma quest\u00e3o de quem foi eleito e passa a envolver quem consegue transformar o primeiro mandato em continuidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Onde entram os partidos<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que o estudo dialoga com uma discuss\u00e3o mais ampla sobre as condi\u00e7\u00f5es que sustentam uma carreira pol\u00edtica. Os autores recorrem a pesquisas anteriores que apontam a import\u00e2ncia do apoio partid\u00e1rio, das redes de suporte, dos recursos financeiros e das experi\u00eancias de viol\u00eancia pol\u00edtica para a perman\u00eancia das mulheres na disputa eleitoral. Uma pesquisa qualitativa citada no artigo, por exemplo, encontrou maior perman\u00eancia entre mulheres que contavam com apoio partid\u00e1rio e redes de suporte e n\u00e3o relatavam experi\u00eancias de viol\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios Gelape e Thom\u00e9 chamam aten\u00e7\u00e3o para o papel das estruturas partid\u00e1rias. \u201cAs escolhas de carreira no n\u00edvel local n\u00e3o s\u00e3o apenas decis\u00f5es individuais, mas tamb\u00e9m s\u00e3o condicionadas pelos partidos\u201d, afirmam os pesquisadores. <\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque a trajet\u00f3ria eleitoral n\u00e3o depende apenas da disposi\u00e7\u00e3o de um candidato para disputar uma nova elei\u00e7\u00e3o. Partidos organizam candidaturas, distribuem recursos e estruturam parte das oportunidades de competi\u00e7\u00e3o. Para as mulheres, a literatura mobilizada pelo estudo aponta que essas condi\u00e7\u00f5es podem pesar especialmente na decis\u00e3o de permanecer na disputa.<\/p>\n<p>Mas os autores n\u00e3o transformam esses fatores em uma explica\u00e7\u00e3o causal para os resultados encontrados. O estudo identifica uma associa\u00e7\u00e3o entre g\u00eanero e diferentes trajet\u00f3rias eleitorais, mas n\u00e3o demonstra que viol\u00eancia pol\u00edtica, falta de apoio partid\u00e1rio ou acesso desigual a recursos sejam, isoladamente, respons\u00e1veis por fazer mulheres abandonarem a pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Entrar \u00e9 apenas uma parte da disputa<\/strong><\/p>\n<p>A presen\u00e7a feminina nas c\u00e2maras municipais cresceu nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Entre 2000 e 2020, passou de 11,5% para 16%. O avan\u00e7o ampliou a presen\u00e7a das mulheres no Legislativo municipal, mas n\u00e3o eliminou as diferen\u00e7as que aparecem depois da conquista do mandato.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente a\u00ed que a pesquisa acrescenta uma camada importante ao debate sobre representa\u00e7\u00e3o.<strong> O problema n\u00e3o se resume a quantas mulheres conseguem chegar \u00e0s c\u00e2maras, mas tamb\u00e9m ao que acontece com suas carreiras depois que chegam.<\/strong><\/p>\n<p>Os dados n\u00e3o sustentam uma leitura de que mulheres sejam menos preparadas ou menos ambiciosas. Elas disputam cargos do Executivo em propor\u00e7\u00e3o praticamente igual \u00e0 dos homens e chegam a ocupar os mesmos espa\u00e7os institucionais. O que a pesquisa encontra \u00e9 uma distribui\u00e7\u00e3o diferente entre as trajet\u00f3rias posteriores: mulheres aparecem mais nos caminhos de sa\u00edda da disputa ou de aus\u00eancia de nova vit\u00f3ria, enquanto homens t\u00eam maior presen\u00e7a entre os que conseguem renovar o mandato ou avan\u00e7ar para o Executivo.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a, portanto, n\u00e3o est\u00e1 em uma suposta incapacidade feminina de fazer pol\u00edtica. E<strong>la aparece nas condi\u00e7\u00f5es e nos resultados da continuidade de uma carreira que j\u00e1 come\u00e7ou.<\/strong> E, como os pr\u00f3prios pesquisadores ressaltam, compreender por que essas trajet\u00f3rias se distanciam exige olhar para al\u00e9m das decis\u00f5es individuais e considerar tamb\u00e9m as estruturas pol\u00edticas em que elas s\u00e3o constru\u00eddas.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/08\/12\/estudo-mostra-que-vereadoras-avancam-menos-na-carreira-politica\/\">Estudo mostra que vereadoras avan\u00e7am menos na carreira pol\u00edtica<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-fim-de-semana-em-que-porto-alegre-voltou-a-ser-rebelde\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-30-at-70612-AM-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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