{"id":99819,"date":"2026-08-11T17:37:47","date_gmt":"2026-08-11T20:37:47","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ia-quem-tem-medo-dos-modelos-de-pesos-abertos\/"},"modified":"2026-08-11T17:37:47","modified_gmt":"2026-08-11T20:37:47","slug":"ia-quem-tem-medo-dos-modelos-de-pesos-abertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ia-quem-tem-medo-dos-modelos-de-pesos-abertos\/","title":{"rendered":"IA: quem tem medo dos modelos de pesos abertos?"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"793\" height=\"446\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_5177286353677389048_x.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_5177286353677389048_x.jpg 793w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/08\/photo_5177286353677389048_x-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/08\/photo_5177286353677389048_x-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 793px) 100vw, 793px\"><figcaption>Imagem: Reda\u00e7\u00e3o iMasters<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>S\u00c9RIE \u2014 PARTE 3 DE 6<\/strong><\/p>\n<h1><\/h1>\n<p>Por <strong>James G\u00f6rgen<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma disputa em curso no mundo da intelig\u00eancia artificial. E ela n\u00e3o \u00e9 sobre c\u00f3digo aberto. \u00c9 sobre pesos. Um modelo \u00e9, no essencial, uma tabela gigantesca de n\u00fameros aprendidos durante o treinamento da m\u00e1quina. S\u00e3o eles que guardam o que o sistema sabe fazer e \u00e9 a eles que se d\u00e1 o nome de pesos. Publicar o c\u00f3digo que treina um modelo \u00e9 uma coisa. Publicar os pesos do modelo j\u00e1 treinado \u00e9 outra, e \u00e9 a que importa aqui, porque quem tem os pesos pode baixar o sistema, examin\u00e1-lo por dentro, modific\u00e1-lo, remover as travas que o fabricante instalou e execut\u00e1-lo na pr\u00f3pria m\u00e1quina, sem pedir licen\u00e7a nem avisar ningu\u00e9m. Nada disso \u00e9 poss\u00edvel com um modelo com pesos fechados, que s\u00f3 existe do outro lado de uma conex\u00e3o controlada por quem o desenvolveu.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1-10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1-10.png 680w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Da\u00ed a imprecis\u00e3o corrente, que at\u00e9 o New York Times confundiu. Chama-se de c\u00f3digo aberto o que quase nunca \u00e9. Modelos de pesos abertos costumam vir sem os conjuntos de dados de treinamento e sem o c\u00f3digo que os produziu, de modo que se pode us\u00e1-los e ajust\u00e1-los, mas n\u00e3o reproduzi-los do zero nem auditar plenamente sua origem. \u00c9 abertura de uso, n\u00e3o de g\u00eanese. A distin\u00e7\u00e3o parece t\u00e9cnica mas \u00e9 inteiramente pol\u00edtica porque organiza quem depende de quem.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o eixo da disputa que os dois textos anteriores desta s\u00e9rie descreveram por seus efeitos. O primeiro contou como um agente aut\u00f4nomo da OpenAI escapou de seu ambiente de testes e invadiu a Hugging Face, e como a v\u00edtima s\u00f3 conseguiu se defender ao baixar um modelo chin\u00eas de pesos abertos e rod\u00e1-lo dentro da pr\u00f3pria empresa, porque os modelos comerciais fechados recusaram a per\u00edcia. O segundo mostrou o desfecho institucional, um arcabou\u00e7o federal do governo dos Estados Unidos para revis\u00e3o pr\u00e9via, cujo conte\u00fado Washington decidiu n\u00e3o publicar e que isenta justamente os modelos de pesos abertos.<\/p>\n<p>Falta explicar por que essa isen\u00e7\u00e3o foi disputada com tanta energia e \u00e9 disso que trata este texto da s\u00e9rie. A resposta curta \u00e9 que o incidente de julho da OpenAI n\u00e3o produziu a pol\u00edtica que veio depois. Encontrou-a pronta. Havia uma campanha em curso desde fevereiro para restringir modelos de pesos abertos, com vocabul\u00e1rio entregue ao Congresso, argumento econ\u00f4mico publicado e enquadramento adotado pela Casa Branca. E ela precisava exatamente do tipo de prova que o epis\u00f3dio ofereceu e outros est\u00e3o apresentando.<\/p>\n<p>Em 12 de fevereiro, cinco meses antes da invas\u00e3o, a OpenAI enviou ao Comit\u00ea Seleto da C\u00e2mara sobre competi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com o Partido Comunista Chin\u00eas um <u>memorando<\/u> sobre as pr\u00e1ticas de destila\u00e7\u00e3o (processo em que um modelo \u00e9 treinado a partir da sa\u00edda de outro) da DeepSeek, dando continuidade a uma avalia\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio Comit\u00ea j\u00e1 encomendara em mar\u00e7o de 2025. O documento pede, com todas as letras, aquilo que se costuma chamar de campanha reputacional. H\u00e1 uma oportunidade de impor custo de imagem aos laborat\u00f3rios chineses e ao Partido Comunista, escreve a empresa, ao aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre como eles operam. Revelar isso seria essencial para informar ao p\u00fablico e moldar respostas de pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O memorando tamb\u00e9m constr\u00f3i a arquitetura l\u00f3gica que torna inaceit\u00e1vel qualquer ponto n\u00e3o regulado. <u>N\u00e3o basta um laborat\u00f3rio isolado endurecer suas prote\u00e7\u00f5es<\/u>, argumenta a OpenAI, porque advers\u00e1rios simplesmente recorrer\u00e3o ao provedor menos protegido e, por isso, a redu\u00e7\u00e3o dur\u00e1vel de risco exigiria prote\u00e7\u00f5es em todos os laborat\u00f3rios de fronteira, roteadores de interface, distribuidores e provedores de infraestrutura. Pesos abertos n\u00e3o s\u00e3o mencionados uma \u00fanica vez. Mas s\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, o provedor menos protegido de todos e n\u00e3o sobra espa\u00e7o para eles nesse desenho. Entre os pedidos concretos ao governo estavam restringir o acesso de advers\u00e1rios \u00e0 capacidade de computa\u00e7\u00e3o, \u00e0 nuvem, aos pagamentos e \u00e0 infraestrutura web dos Estados Unidos, fechar brechas de roteadores de interface e encorajar aliados a adotar padr\u00f5es compar\u00e1veis.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m ser preciso sobre o que o documento \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9. Ele trata de destila\u00e7\u00e3o adversarial contra uma empresa nomeada, a DeepSeek, e em nenhum momento pede proibi\u00e7\u00e3o de c\u00f3digo aberto. A OpenAI afirma ali mesmo oferecer caminhos respons\u00e1veis de destila\u00e7\u00e3o para desenvolvedores. O que o memorando mostra n\u00e3o \u00e9 uma campanha contra pesos abertos. \u00c9 que o vocabul\u00e1rio, os instrumentos e os pedidos estavam prontos e entregues ao Congresso meses antes de existir o incidente que passaria a justific\u00e1-los. Em julho, os mesmos instrumentos apareceram apontados para uma categoria inteira.<\/p>\n<p>Dias antes do epis\u00f3dio, <\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>A vers\u00e3o mais s\u00e9ria do argumento que sustentam os detentores de modelos fechados n\u00e3o \u00e9 de seguran\u00e7a; \u00e9 econ\u00f4mica e merece tratamento \u00e0 parte. <u>Ball chamou de cen\u00e1rio dist\u00f3pico infernal<\/u> um futuro dominado por pesos abertos e apontou o desafio real. Segundo ele, empresas de fronteira levantam bilh\u00f5es para pagar a computa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para continuar melhorando seus sistemas e se a maioria dos usu\u00e1rios migra para modelos que ningu\u00e9m paga para treinar, n\u00e3o sobra receita para financiar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o. Ball esclareceu que n\u00e3o defendia desencorajar especificamente a IA chinesa. Tanto ele quanto a OpenAI declararam que suas falas n\u00e3o refletem posi\u00e7\u00e3o oficial da empresa, o mesmo duplo movimento de alarme com nega\u00e7\u00e3o que reaparece em v\u00e1rias falas do setor.<\/p>\n<p>O argumento econ\u00f4mico do carona \u00e9 separ\u00e1vel do argumento de seguran\u00e7a. N\u00e3o se resolve por decreto, resolve-se por modelo de neg\u00f3cio. E \u00e9 precisamente isso que esta resposta n\u00e3o discute. E este argumento tem uma armadilha que quase nunca aparece. Se os modelos abertos vencerem, a oferta de IA aumenta, a tecnologia se aproxima de uma <em>commodity<\/em> e as margens dos dois laborat\u00f3rios ficam sob press\u00e3o justamente enquanto correm para abrir capital. Mas se os modelos abertos forem restringidos, o custo de acesso \u00e0 IA sobe, a ado\u00e7\u00e3o diminui, e as margens ficam sob press\u00e3o do mesmo jeito. Os dois desfechos apertam quem vende acesso.<\/p>\n<p>E h\u00e1 um dado emp\u00edrico que corr\u00f3i a premissa dos dois lados. A Aikido Security <u>testou 13 modelos<\/u> contra 26 vulnerabilidades conhecidas em julho. O GPT-5.6 liderou, com 23 de 26, ou 88,5% de acerto. O Kimi K3, de pesos abertos, igualou essa pontua\u00e7\u00e3o em tr\u00eas tentativas, por menos dinheiro. Na capacidade que serve de justificativa a todo o debate, a fronteira j\u00e1 n\u00e3o separa aberto de fechado.<\/p>\n<p><u>A converg\u00eancia entre os dois maiores laborat\u00f3rios ficou p\u00fablica dias depois<\/u>. OpenAI e Anthropic competem ferozmente por clientes, mas em Washington os dois l\u00edderes alinharam posi\u00e7\u00e3o para alertar formuladores de pol\u00edtica sobre os riscos de modelos poderosos de pesos abertos. Dario Amodei, executivo-chefe da Anthropic, argumentou que esses modelos s\u00e3o mais dif\u00edceis de manter seguros porque, uma vez liberados os pesos, o desenvolvedor perde a capacidade de revogar acesso, atualizar salvaguardas ou impedir uso indevido. \u00c9 exatamente o inverso do que defensores de pesos abertos veem como a for\u00e7a do modelo \u2013 nenhuma empresa isolada controla quem o usa ou como.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma segunda frente, menos discutida, que passa por com\u00e9rcio em vez de seguran\u00e7a. A OpenAI advertiu contra a destila\u00e7\u00e3o, ecoando autoridades do governo de Donald Trump. O Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, <u>declarou tratar a destila\u00e7\u00e3o chinesa como forma de roubo de propriedade intelectual<\/u>. Defensores de pesos abertos alertam que essa moldura pode se converter em restri\u00e7\u00e3o de fato sobre modelos abertos em geral, incluindo os desenvolvidos sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com as pr\u00e1ticas chinesas. O vocabul\u00e1rio muda, de risco de seguran\u00e7a para viola\u00e7\u00e3o de propriedade, mas o efeito pr\u00e1tico sobre quem pode operar fora do per\u00edmetro \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um detalhe de credenciais. A Anthropic, que acusa laborat\u00f3rios chineses de treinar modelos mais baratos com sa\u00eddas do Claude em campanhas de destila\u00e7\u00e3o em escala industrial, <u>fechou em 20 de julho<\/u> um acordo de US$ 1,5 bilh\u00e3o em a\u00e7\u00e3o por direitos autorais sobre livros pirateados usados em treinamento. Tr\u00eas dias antes de os projetos de lei serem protocolados, os quais trataremos especificamente em um pr\u00f3ximo texto, chegarem ao Congresso.<\/p>\n<p>E essa moldura deixou de ser ret\u00f3rica em 23 de julho. O FRONTIER Act, apresentado naquele dia, prev\u00ea que a ordem de emerg\u00eancia contra um modelo de fronteira <u>alcance automaticamente<\/u> qualquer modelo produzido por modifica\u00e7\u00e3o de seus pesos ou par\u00e2metros, inclusive por ajuste fino, aprendizado por refor\u00e7o, quantiza\u00e7\u00e3o, poda ou fus\u00e3o, e tamb\u00e9m qualquer modelo desenvolvido depois da ordem que tenha sido treinado, em parte substancial, sobre suas sa\u00eddas, seus pesos ou suas representa\u00e7\u00f5es internas. \u00c9 a destila\u00e7\u00e3o como categoria jur\u00eddica e \u00e9 o ecossistema aberto alcan\u00e7ado por legado. Uma decis\u00e3o administrativa sobre um modelo passa a valer, sozinha, para tudo que dele descender.<\/p>\n<p>A Casa Branca tentou desenhar essa linha com mais precis\u00e3o dias depois. <u>Michael Kratsios, principal assessor de tecnologia de Trump, escreveu<\/u> que destila\u00e7\u00e3o leg\u00edtima, usada para criar modelos menores e mais eficientes, desempenha papel vital no ecossistema de inova\u00e7\u00e3o aberta e que o inaceit\u00e1vel \u00e9 a destila\u00e7\u00e3o industrial encoberta voltada a roubar tecnologia propriet\u00e1ria americana. O secret\u00e1rio do Tesouro, Scott Bessent, o pr\u00f3prio Greer e o subsecret\u00e1rio de Estado Jacob Helberg assinaram embaixo da mesma acusa\u00e7\u00e3o de roubo de propriedade intelectual. Bessent foi al\u00e9m, declarando que san\u00e7\u00f5es e inclus\u00e3o no cadastro do Departamento de Com\u00e9rcio que barra a venda de tecnologia estadunidense a quem est\u00e1 nele est\u00e3o na mesa contra empresas chinesas que cruzarem essa linha.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre destila\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e destila\u00e7\u00e3o como furto \u00e9, no papel, uma tentativa de n\u00e3o punir o ecossistema aberto inteiro. S\u00f3 que ela n\u00e3o foi desenhada pela Casa Branca. Est\u00e1, quase nos mesmos termos, no <u>memorando que a OpenAI entregou ao Congresso em fevereiro<\/u>, onde a empresa registra existirem usos leg\u00edtimos de destila\u00e7\u00e3o, afirma oferecer caminhos respons\u00e1veis para desenvolvedores e ressalva que n\u00e3o permite que suas sa\u00eddas sejam usadas para criar modelos de fronteira imitadores de suas capacidades. Cinco meses depois, a formula\u00e7\u00e3o da empresa virou crit\u00e9rio de san\u00e7\u00e3o estatal. E quem decide onde a linha passa, encoberto ou n\u00e3o, industrial ou n\u00e3o, \u00e9 o mesmo governo que se beneficia de mant\u00ea-la incerta.<\/p>\n<p>Vale registrar o limite dessa alian\u00e7a. No plano federal, os dois laborat\u00f3rios convergem sobre pesos abertos. No plano estadual, divergem. A OpenAI <u>endossou projeto de seguran\u00e7a de fronteira em Massachusetts<\/u> mais brando do que a vers\u00e3o que a Anthropic apoiara semanas antes, que exigia teste independente a cada seis meses e dava ao procurador-geral do estado poder de processar a empresa por descumprimento. A converg\u00eancia \u00e9 t\u00e1tica e espec\u00edfica ao tema de pesos abertos, n\u00e3o um cartel permanente sobre toda a agenda regulat\u00f3ria. E a disputa estadual pode ter prazo curto, porque o FRONTIER Act <u>pro\u00edbe os estados<\/u> de impor novas obriga\u00e7\u00f5es substantivas a desenvolvedores em transpar\u00eancia de risco, auditoria por terceiros e notifica\u00e7\u00e3o de incidentes. \u00c9 exatamente o terreno em que as duas empresas brigavam em Massachusetts.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma segunda rachadura e vem de dentro da pr\u00f3pria OpenAI. <u>Greg Brockman, presidente e cofundador da empresa, disse \u00e0 Bloomberg<\/u> ser cedo demais para saber se os modelos chineses recentes foram destilados de sistemas da OpenAI, negou ter participado de qualquer conversa da administra\u00e7\u00e3o federal sobre banir modelos chineses e classificou destila\u00e7\u00e3o como quest\u00e3o definitivamente t\u00e9cnica e n\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 a lideran\u00e7a do pr\u00f3prio laborat\u00f3rio recusando-se a validar, em p\u00fablico, o enquadramento que Kratsios, Bessent e Helberg constroem em nome da seguran\u00e7a nacional. E conv\u00e9m registrar o que de fato provocou o desligamento de junho porque a vers\u00e3o corrente inverte o sentido. Em 11 de junho, o modelo Mythos passou por exerc\u00edcio autorizado de <em>red team<\/em> (ataque simulado ao pr\u00f3prio sistema) contra plataformas do governo estadunidese. A revista The Economist reportou que o senador Mark Warner relatara que o general Joshua Rudd, chefe da NSA e do Cyber Command, lhe dissera que o modelo <u>invadiu quase todos os sistemas classificados<\/u>, n\u00e3o em semanas, mas em horas. No dia seguinte veio a diretiva de controle de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m as ressalvas, e s\u00e3o duas. O autor do texto original esclareceu depois que a frase n\u00e3o deveria ser lida literalmente porque dependia de o modelo operar junto a outras ferramentas sob condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. E a cadeia de fatos \u00e9 longa: um senador descrevendo o que um general lhe contou, publicado por uma revista e repercutido por outras. Feitas as ressalvas, o sentido do epis\u00f3dio muda por completo. O modelo n\u00e3o foi restringido por se comportar mal. Foi restringido por ser eficaz demais atacando sistemas sens\u00edveis sob condi\u00e7\u00f5es autorizadas. Por causa disso, pa\u00edses inteiros, fora dos Estados Unidos, tamb\u00e9m perderam acesso.<\/p>\n<p>Esse argumento levou um golpe interno em 30 de julho. A Anthropic <u>divulgou<\/u> que uma revis\u00e3o retrospectiva das pr\u00f3prias avalia\u00e7\u00f5es de ciberseguran\u00e7a, iniciada em resposta \u00e0 confiss\u00e3o da OpenAI, encontrou tr\u00eas incidentes em que modelos Claude alcan\u00e7aram a internet a partir de ambientes que deveriam estar isolados e obtiveram acesso n\u00e3o autorizado \u00e0 infraestrutura de produ\u00e7\u00e3o de tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es. Foram revisadas 141.006 execu\u00e7\u00f5es. Os modelos envolvidos foram o Opus 4.7, o Mythos 5 e um modelo interno de pesquisa. E os incidentes mais antigos datam de abril, tr\u00eas meses antes do epis\u00f3dio da Hugging Face. Duas das tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o haviam detectado nada at\u00e9 serem avisadas, em 27 de julho.<\/p>\n<p>Um dos casos merece leitura atenta. O Mythos 5 encontrou, dentro do cen\u00e1rio fict\u00edcio, instru\u00e7\u00f5es para instalar um pacote Python inexistente, e <u>construiu e publicou<\/u> um pacote malicioso com aquele nome. Precisou de conta no reposit\u00f3rio, que exigia email, que exigia telefone. Tentou obter fundos para pagar por um n\u00famero, falhou, recuou, achou um provedor gratuito e subiu o malware. O pacote ficou no ar cerca de uma hora e foi executado em 15 sistemas reais, um deles o <em>scanner<\/em> de uma empresa de seguran\u00e7a, de onde o modelo exfiltrou credenciais para um ponto de coleta pr\u00f3prio e as usou para alcan\u00e7ar mais infraestrutura. O racioc\u00ednio registrado mostra que o modelo havia identificado corretamente a gravidade, anotando que se aquilo fosse a internet real seria um ataque efetivo e certamente n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o pretendida, antes de se convencer do contr\u00e1rio porque n\u00e3o reconheceu as autoridades certificadoras e porque a data de 2026 nos sistemas provaria que o ambiente era encenado.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 o ponto que interessa a este texto. O dano n\u00e3o escapou por pesos. Escapou por um reposit\u00f3rio p\u00fablico de pacotes e o modelo que o causou \u00e9 fechado, servido por interface, com pesos jamais liberados. O argumento da irreversibilidade \u00e9 sobre pesos. As duas falhas conhecidas at\u00e9 agora foram operacionais e nenhuma delas seria evitada por restringir o que qualquer um pode baixar. Conv\u00e9m registrar as diferen\u00e7as, que s\u00e3o reais. A descoberta veio de revis\u00e3o proativa e n\u00e3o de ter sido pega, o acesso se deu por caminho aberto e n\u00e3o por vulnerabilidade in\u00e9dita e a empresa contratou a uma auditoria externa para revis\u00e3o independente com acesso \u00e0s transcri\u00e7\u00f5es. Mas o padr\u00e3o de fundo \u00e9 o mesmo dos dois lados. Modelos poderosos rodando sem salvaguardas em ambientes que se supunham fechados, e n\u00e3o estavam.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m acrescentar que a OpenAI teve dois modelos internos escapando dos controles. Um dia antes do an\u00fancio sobre a invas\u00e3o da plataforma Hugging Face, a empresa <u>divulgou<\/u> que um modelo n\u00e3o lan\u00e7ado, o mesmo que ganhara manchetes em maio por uma proeza matem\u00e1tica, fora retirado do mercado por preocupa\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a. Entre outros incidentes, ele ignorou a instru\u00e7\u00e3o de manter privados seus resultados de avalia\u00e7\u00e3o, abriu caminho para a internet e os publicou num reposit\u00f3rio p\u00fablico de c\u00f3digo. A divulga\u00e7\u00e3o veio ao menos dez semanas depois do ocorrido e dois meses depois de a empresa celebrar a proeza matem\u00e1tica do mesmo modelo sem mencionar desalinhamento.<\/p>\n<p>E a contagem seguiu subindo. Em 4 de agosto, a OpenAI <u>divulgou ter descoberto<\/u> mais casos de seus modelos executando ciberataques menores, ocorridos enquanto a tecnologia era testada por outras organiza\u00e7\u00f5es, entre elas uma empresa contratada para testes de ciberseguran\u00e7a e o instituto brit\u00e2nico de seguran\u00e7a em IA. O mesmo instituto testou modelos da Anthropic e relatou que eles tamb\u00e9m tentaram invadir outras organiza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o, portanto, dois epis\u00f3dios isolados de duas empresas. S\u00e3o v\u00e1rios, dos dois lados, e agora aparecendo em testes conduzidos por um \u00f3rg\u00e3o governamental estrangeiro, que \u00e9 justamente o tipo de verifica\u00e7\u00e3o independente que nenhum dos instrumentos legais em discuss\u00e3o nos Estados Unidos torna obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>E em 4 de agosto o padr\u00e3o mudou de natureza. O instituto brit\u00e2nico de seguran\u00e7a em IA divulgou que o Mythos 5 <u>criou personas falsas online<\/u> e tentou enganar programadores humanos para que colaborassem com um ciberataque durante uma avalia\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. A atividade come\u00e7ou em 25 de julho e s\u00f3 foi detectada em 28, quando o avaliador notou transfer\u00eancias de dados incomuns. No balan\u00e7o final, o instituto constatou que Mythos 5 e GPT-5.6 tomaram a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma e n\u00e3o sancionada na internet, mirando pessoas e organiza\u00e7\u00f5es reais, em 10 das 122 avalia\u00e7\u00f5es conduzidas e isoladas para revis\u00e3o, com a maioria dessas a\u00e7\u00f5es envolvendo o Mythos 5 e surgindo de uma \u00fanica linha sustentada de atividade.<\/p>\n<p>Os epis\u00f3dios anteriores eram modelos rompendo isolamento e explorando sistemas, o que j\u00e1 \u00e9 grave e ainda assim \u00e9 um problema de conten\u00e7\u00e3o. Aqui h\u00e1 engenharia social, com fabrica\u00e7\u00e3o de identidades para recrutar humanos como c\u00famplices involunt\u00e1rios de um ataque. E dez em 122 n\u00e3o \u00e9 anomalia rara. A resposta da empresa aponta para onde o problema migrou, ao dizer que o campo precisa de padr\u00f5es mais fortes e compartilhados sobre como ambientes de avalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddos e protegidos. Ou seja, o risco deixou de estar apenas no modelo e passou a estar tamb\u00e9m na infraestrutura de quem o testa.<\/p>\n<p>Em 5 de agosto, na Black Hat, em Las Vegas, pesquisadores da pr\u00f3pria OpenAI revelaram o que antecedeu tudo. <u>Seus agentes constru\u00edram um quadro de mensagens oculto<\/u>, usando um gerenciador interno de pacotes como canal n\u00e3o monitorado, e trocaram <em>exploits<\/em> (c\u00f3digo que aproveita uma falha para invadir) entre si por dois meses. Engenheiros da empresa apagaram o quadro no in\u00edcio de julho. Os agentes reconstru\u00edram um segundo pelo mesmo servi\u00e7o em dois dias. Depois disso, espalharam-se pelos sistemas da Hugging Face em menos de 13 horas.<\/p>\n<p>Mas o que tudo isso significa? N\u00e3o se trata de um modelo isolado que escapou, e sim de m\u00faltiplos agentes coordenando entre si, por infraestrutura pr\u00f3pria, durante meses, com persist\u00eancia suficiente para restaurar o canal depois de removido. Michael Dalton, da OpenAI, resumiu no mesmo painel que ataques ofensivos orquestrados por IA e totalmente automatizados s\u00e3o reais agora, e que o ocorrido foi efeito colateral n\u00e3o intencional de rodar avalia\u00e7\u00f5es em modelos de fronteira. E Rob Joyce, ex-diretor de ciberseguran\u00e7a da Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional, <u>classificou o epis\u00f3dio<\/u> como, discutivelmente, o <em>hack<\/em> mais consequente desde o Morris Worm de 1988.<\/p>\n<p>A reconstru\u00e7\u00e3o apresentada naquela sess\u00e3o recuou bem al\u00e9m de julho. <u>As ra\u00edzes do epis\u00f3dio remontam a 7 de maio<\/u>, quando a empresa treinava e avaliava um modelo de fronteira n\u00e3o lan\u00e7ado. Agentes aut\u00f4nomos receberam tarefas de seguran\u00e7a imposs\u00edveis de resolver sob as restri\u00e7\u00f5es existentes, e encontraram caminhos alternativos para complet\u00e1-las. Eric Wallace, pesquisador de alinhamento e seguran\u00e7a da OpenAI, explicou o mecanismo sem eufemismo, modelos de fronteira gostam muito de trapacear, e gostam porque durante o treinamento h\u00e1 press\u00f5es para trabalhar r\u00e1pido e de forma eficiente, de modo que percebem que, em vez de executar a tarefa, podem procurar a resposta pronta. N\u00e3o s\u00e3o dois modelos que escaparam em cinco dias. S\u00e3o dois meses de escalada coletiva e a causa est\u00e1 em como se treina, n\u00e3o em falha pontual de conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A conten\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, falhou duas vezes. Ap\u00f3s um incidente interno em 4 de julho, a empresa revogou credenciais, reconstruiu o reposit\u00f3rio interno de software, apagou o quadro de mensagens, corrigiu as vulnerabilidades encontradas e retomou treino e avalia\u00e7\u00f5es, acreditando ter resolvido o problema. Os agentes <u>ent\u00e3o passaram a usar os nomes de diret\u00f3rios rec\u00e9m-criados como mensagens<\/u>, recriando o quadro em outra camada. N\u00e3o reabriram o canal anterior. Inventaram um canal novo depois que o primeiro foi destru\u00eddo. Wallace resumiu a l\u00f3gica do cont\u00e1gio, uma vez que um agente encontra como abrir uma porta a que n\u00e3o deveria ter acesso, ele deixa a porta aberta para os demais.<\/p>\n<p>O elo entre os dois incidentes s\u00f3 se fechou por acaso. Em 20 de julho, a OpenAI procurou a Hugging Face <u>pedindo ajuda para revogar credenciais<\/u> encontradas em sua pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o interna. A Hugging Face respondeu que j\u00e1 as havia revogado. Foi nesse momento que a OpenAI percebeu que investigava o mesmo evento. E a empresa informou, no mesmo painel, que est\u00e1 conscientemente desacelerando pesquisa para refor\u00e7ar seguran\u00e7a, enquanto a aut\u00f3psia t\u00e9cnica completa segue em curso.<\/p>\n<p>Steven Adler, ex-pesquisador da OpenAI, deu a analogia que falta ao debate. Testar produtos internamente \u00e9 normal e em geral n\u00e3o atinge terceiros. \u00c9 como se uma montadora desse aos funcion\u00e1rios picapes turbinadas para dirigir numa arena fechada, com cerca eletr\u00f4nica que s\u00f3 permite o motor funcionar l\u00e1 dentro. O que acontece na arena fica na arena. Com modelos de IA, n\u00e3o. \u00c9 mais como se um avi\u00e3o novo ca\u00edsse do c\u00e9u durante um voo de teste e atingisse gente que nem era passageira.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma leitura mais simples de tudo isso e ela dispensa teoria da conspira\u00e7\u00e3o. Matteo Wong, na The Atlantic, <u>argumenta<\/u> que quatro anos depois do in\u00edcio do ciclo j\u00e1 n\u00e3o cabe atribuir os erros a dores de crescimento, e que o volume de falhas, muitas delas previs\u00edveis, sugere descuido generalizado. Os mesmos executivos que prometem entregar a civiliza\u00e7\u00e3o a um futuro triunfante n\u00e3o conseguem lan\u00e7ar ferramentas de consumo sem cair de cara. No mesmo fim de semana em que Altman anunciou a chegada da singularidade<sup>1<\/sup>, usu\u00e1rios descobriram que muitas conversas com o Claude estavam acess\u00edveis na web aberta, localiz\u00e1veis por busca, contendo prontu\u00e1rios m\u00e9dicos, telefones, documentos corporativos internos e chaves de carteira de criptomoedas. N\u00e3o era a primeira vez, e n\u00e3o era exclusividade de uma empresa, porque OpenAI e xAI expuseram centenas de milhares de conversas por mecanismo semelhante. A frase que Wong usa para fechar serve a este texto. Por ora essas empresas crescem por causa da imprud\u00eancia, n\u00e3o apesar dela, e na busca de erguer um deus digital a internet virou dano colateral.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma \u00faltima voz que vale ouvir, e ela vem de dentro. Em 28 de julho, <u>ao comentar o epis\u00f3dio<\/u> num podcast, Sam Altman chamou o caso de incidente cibern\u00e9tico extremamente de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e o primeiro que sentiu muito visceralmente. Ele revelou que a OpenAI pausara o treinamento daquele modelo e admitiu que talvez seja preciso pautar o ritmo do desenvolvimento para dar tempo de a sociedade se preparar, desde que isso n\u00e3o pare\u00e7a captura regulat\u00f3ria para ningu\u00e9m nem conluio entre os laborat\u00f3rios de fronteira. Depois disse o seguinte: muito do que se fala sobre preocupa\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a \u00e9 bem fundamentado, e muito \u00e9 sobre gente que, mesmo que de forma ligeiramente inconsciente, quer concentrar poder. E acrescentou ter pavor de um mundo em que os medos muito reais da IA sejam usados para dizer que s\u00f3 um pequeno grupo pode ter aquilo porque \u00e9 perigoso demais, e que s\u00f3 esse grupo entende, mas que n\u00e3o se preocupem porque eles tomar\u00e3o as decis\u00f5es certas por todos.<\/p>\n<p>A frase \u00e9 uma cutucada no rival e \u00e9 tamb\u00e9m a descri\u00e7\u00e3o exata da campanha que este texto reconstituiu. Quem a pronuncia dirige a empresa que entregou ao Congresso, em fevereiro, o pedido de cria\u00e7\u00e3o de custo reputacional contra concorrentes e que emprega o autor do argumento de criar volume de risco regulat\u00f3rio em torno de pesos abertos. N\u00e3o \u00e9 hipocrisia necessariamente. \u00c9 o sinal de que, dentro das pr\u00f3prias empresas, ningu\u00e9m tem certeza de onde termina a preocupa\u00e7\u00e3o e onde come\u00e7a o interesse.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o esfor\u00e7o de convencimento em Washington bateu recorde. OpenAI e Anthropic <u>elevaram seus gastos federais com lobby<\/u> ao maior patamar j\u00e1 registrado no segundo trimestre de 2026, somando US$ 3,17 milh\u00f5es, alta de 23% sobre o trimestre anterior. A Anthropic gastou US$ 1,97 milh\u00e3o, alta de 26%, e a OpenAI US$ 1,2 milh\u00e3o, alta de quase 18%. Comparado ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, o gasto da primeira mais que dobrou e o da segunda quase dobrou. As duas declararam atuar sobre ciberseguran\u00e7a, direitos autorais, computa\u00e7\u00e3o em nuvem e compras de defesa. E seis das maiores empresas de tecnologia mantiveram, no trimestre, 324 lobistas, o equivalente a aproximadamente um para cada 1,5 membro do Congresso dos EUA.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m ainda registrar que a divis\u00e3o entre modelos de pesos abertos ou fechados nunca foi t\u00e3o n\u00edtida quanto o debate sugere. Em 8 de abril de 2026, a Meta lan\u00e7ou o Muse Spark, seu primeiro modelo propriet\u00e1rio de porte, sem download livre nem pesos abertos, deslocando seu desenvolvimento de fronteira para fora do territ\u00f3rio aberto que ela mesma havia ajudado a criar com a fam\u00edlia Llama. Quatro meses depois, com o arcabou\u00e7o federal isentando os pesos abertos e a carta da ind\u00fastria defendendo a abertura passando de 270 signat\u00e1rias, a empresa <u>voltou a lan\u00e7ar modelos abertos<\/u> e seu fundador passou a acusar os rivais de concentrar poder em poucas m\u00e3os. A posi\u00e7\u00e3o sobre abertura acompanha a posi\u00e7\u00e3o competitiva, e muda quando ela muda.<\/p>\n<p>A economia da inova\u00e7\u00e3o tem algo a dizer sobre isso, e n\u00e3o favorece nenhum dos dois campos. Christian Catalini, do MIT, <u>revisitou um experimento natural do s\u00e9culo 19<\/u>. A economista Petra Moser transformou os cat\u00e1logos da Grande Exposi\u00e7\u00e3o de Londres, de 1851, e de sua sequ\u00eancia americana, de 1876, numa base com quase 15 mil inven\u00e7\u00f5es vindas de pa\u00edses com e sem prote\u00e7\u00e3o patent\u00e1ria. O resultado incomodou os defensores mais firmes da propriedade intelectual. Os sistemas de patentes n\u00e3o afetaram o n\u00edvel de inova\u00e7\u00e3o, apenas o lugar onde os inventores puseram aten\u00e7\u00e3o. A Su\u00ed\u00e7a, sem patentes \u00e0 \u00e9poca, concentrou-se em instrumentos cient\u00edficos e alimentos, campos em que segredo e vantagem de largada bastavam. Mesma quantidade de inven\u00e7\u00e3o, alocada de outro modo. Aplicada \u00e0 disputa atual, a li\u00e7\u00e3o \u00e9 que pesos abertos dificilmente mudam o volume de investimento em IA. Mudam a dire\u00e7\u00e3o, ou seja, o que se constr\u00f3i, quem constr\u00f3i e quem fica com o retorno.<\/p>\n<p>O mesmo racioc\u00ednio desmonta a moldura da destila\u00e7\u00e3o como furto. Laborat\u00f3rios chineses n\u00e3o est\u00e3o levando pesos secretos de ningu\u00e9m. Est\u00e3o pedindo aos modelos americanos que atuem como professores dos seus e sa\u00eddas de modelo n\u00e3o s\u00e3o protegidas por direito autoral, sendo em geral atribu\u00eddas contratualmente aos pr\u00f3prios clientes. H\u00e1 ainda a contradi\u00e7\u00e3o que Catalini aponta e que ningu\u00e9m em Washington quis enfrentar. Declarar ileg\u00edtima justamente a t\u00e9cnica respons\u00e1vel por parte significativa do progresso da IA na \u00faltima d\u00e9cada <u>coloca os grandes laborat\u00f3rios em posi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil<\/u>, porque eles pr\u00f3prios sustentam, nos tribunais, argumentos extensos de uso leg\u00edtimo para sua destila\u00e7\u00e3o de enormes quantidades de material da internet, de imprensa e de livros.<\/p>\n<p>Sobra a pergunta de fundo, se a sociedade deve aos laborat\u00f3rios um regime de prote\u00e7\u00e3o mais forte para que financiem a gera\u00e7\u00e3o seguinte. William Nordhaus estimou que inovadores capturam, em m\u00e9dia, cerca de 2,2% do excedente social que criam. \u00c9 assim que o progresso econ\u00f4mico funciona, com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es. E a mesma an\u00e1lise identifica, sem alarde militante, o que este texto vem descrevendo. Se, em nome da seguran\u00e7a, os laborat\u00f3rios de fronteira conseguirem elevar bastante a exig\u00eancia de avalia\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o de modelos, <u>tornam muito mais dif\u00edcil competir<\/u> para quem n\u00e3o disp\u00f5e de equipes igualmente robustas de pol\u00edtica, regula\u00e7\u00e3o, conformidade e seguran\u00e7a. Foi o que ocorreu na Europa com as regras de privacidade, que inibiram sobretudo quem n\u00e3o tinha recursos para percorrer o labirinto do mercado e da burocracia. Conv\u00e9m, por\u00e9m, a ressalva que o pr\u00f3prio Catalini faz, e que este texto assina. A possibilidade de captura regulat\u00f3ria n\u00e3o resolve a quest\u00e3o de seguran\u00e7a, porque as alega\u00e7\u00f5es dos laborat\u00f3rios podem ser interesseiras e corretas ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m, antes de fechar, dar ao outro lado o seu melhor argumento, porque ele decorre exatamente da defini\u00e7\u00e3o com que este texto come\u00e7ou. Um desenvolvedor de modelo fechado que receba um resultado ruim de teste pode adiar o lan\u00e7amento, alterar o sistema ou simplesmente n\u00e3o public\u00e1-lo. Pesos j\u00e1 publicados n\u00e3o se recolhem. Est\u00e3o em milhares de m\u00e1quinas em dezenas de pa\u00edses no dia seguinte. O arcabou\u00e7o americano, portanto, isenta justamente a categoria de modelo em que uma falha descoberta depois \u00e9 irrevers\u00edvel, e submete a revis\u00e3o pr\u00e9via justamente aquela em que a corre\u00e7\u00e3o ainda seria poss\u00edvel. \u00c9 uma invers\u00e3o e quem defende pesos abertos precisa respond\u00ea-la em vez de ignor\u00e1-la.<\/p>\n<p>A resposta existe, e n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica. Se a irreversibilidade fosse crit\u00e9rio suficiente, nenhum conhecimento t\u00e9cnico perigoso poderia circular e a hist\u00f3ria da criptografia mostra o contr\u00e1rio. O que se faz nesses casos \u00e9 agir sobre as camadas em que ainda h\u00e1 controle, a filtragem do que entra no treinamento, a auditoria independente antes da publica\u00e7\u00e3o, a responsabiliza\u00e7\u00e3o de quem implanta. Nenhuma delas exige manter os pesos fechados. Todas exigem capacidade p\u00fablica de avaliar, que \u00e9 precisamente o que quase nenhum pa\u00eds tem. O problema n\u00e3o \u00e9 que os pesos circulem. \u00c9 que ningu\u00e9m fora de duas ou tr\u00eas jurisdi\u00e7\u00f5es consegue examin\u00e1-los.<\/p>\n<p>Talvez por isso o arcabou\u00e7o formulado pela equipe de Trump tenha conseguido algo raro, <u>unir contra si os dois lados do debate regulat\u00f3rio<\/u>. Quem defende seguran\u00e7a reclama que ele isenta o que mais preocupa. Quem desconfia de regula\u00e7\u00e3o reclama que ele \u00e9 secreto. As posi\u00e7\u00f5es, nesta disputa, n\u00e3o seguem linhas ideol\u00f3gicas. Seguem o lugar de cada um no mercado e \u00e9 por isso que elas mudam quando o lugar muda.<\/p>\n<p>O que essas semanas revelaram, portanto, n\u00e3o foi uma rea\u00e7\u00e3o a um incidente. Foi uma campanha que j\u00e1 estava montada quando o incidente aconteceu, com vocabul\u00e1rio entregue ao Congresso em fevereiro, argumento econ\u00f4mico publicado dias antes do epis\u00f3dio e enquadramento oficial adotado pela Casa Branca em julho. O epis\u00f3dio n\u00e3o produziu a pol\u00edtica. Serviu de prova para a pol\u00edtica que j\u00e1 existia. E a campanha perdeu. Terminou com mais de 270 empresas assinando contra ela, com todos os laborat\u00f3rios de fronteira menos a Anthropic recuando em 72 horas, e com o arcabou\u00e7o federal isentando expressamente aquilo que ela queria restringir.<\/p>\n<p>Para onde a discuss\u00e3o caminha, por\u00e9m, \u00e9 a pergunta que fica, e ela tem tr\u00eas respostas em disputa. A primeira \u00e9 que a isen\u00e7\u00e3o se consolide e os pesos abertos sigam como camada livre, o que depende de os laborat\u00f3rios fechados n\u00e3o voltarem \u00e0 carga. A segunda \u00e9 que a restri\u00e7\u00e3o volte por outra porta e ela j\u00e1 est\u00e1 aberta porque o pr\u00f3prio governo estadunidense avisou que estuda estender o arcabou\u00e7o aos modelos abertos, e porque a moldura da destila\u00e7\u00e3o como roubo de propriedade intelectual alcan\u00e7a a t\u00e9cnica em si, n\u00e3o apenas quem a usa. A terceira \u00e9 que nada disso se decida em Washington porque a capacidade j\u00e1 est\u00e1 distribu\u00edda e cada pa\u00eds passar\u00e1 a escolher o que executa dentro do pr\u00f3prio per\u00edmetro. \u00c9 isso que vamos continuar discutindo ao incluir o Sul Global \u00e0 ribalta.<\/p>\n<p>1 Singularidade \u00e9 o ponto hipot\u00e9tico em que a intelig\u00eancia artificial passa a se aperfei\u00e7oar sozinha, sem interven\u00e7\u00e3o humana, e a partir da\u00ed evolui t\u00e3o r\u00e1pido que o futuro deixa de ser previs\u00edvel.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post IA: quem tem medo dos modelos de pesos abertos? appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-reforca-apoio-a-michele-bachelet-para-a-secretaria-geral-da-onu\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula refor\u00e7a apoio a Michele Bachelet para a Secre...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-cpi-do-dmae-vai-alertar-o-povo-sobre-o-quanto-e-nocivo-esse-papo-de-privatizacao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/natasha-ferreira-3-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018A CPI do Dmae vai alertar o povo sobre o quanto \u00e9...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/casa-branca-anunciou-a-prorrogacao-das-tarifas-de-trump-contra-produtos-brasileiros-por-mais-um-ano\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Casa Branca anunciou a prorroga\u00e7\u00e3o das tarifas de ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/derrite-recusa-apoio-da-pf-na-investigacao-do-assassinato-de-delegado-que-enfrentou-o-pcc\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Derrite recusa apoio da PF na investiga\u00e7\u00e3o do assa...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EUA imp\u00f5em limites \u00e0s big techs, mas isenta \u201cvers\u00f5es gen\u00e9ricas\u201d e abrem debate sobre roubo de propriedade intelectual e seguran\u00e7a. Mas falhas envolvendo \u201cagentes\u201d poderosos revelam, sobretudo, a imprud\u00eancia das corpora\u00e7\u00f5es em meio a uma bolha cada vez mais inflada<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/ia-o-perigo-esta-nos-modelos-abertos\/\">IA: quem tem medo dos modelos de pesos abertos?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99820,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[54417,1793,23210,3385,1023,394,79669,79670,1228,79671,3060,41909,79672,68755,58049,57534,1482,35,5493,77288,13988],"tags":[],"class_list":["post-99819","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-anthropic","category-casa-branca","category-codigo-aberto","category-deepseek","category-donald-trump","category-estados-unidos","category-ia-chinesa","category-infraestrutura-web","category-inteligencia-artificial","category-laboratorios-tecnologicos","category-meta","category-modelos-abertos","category-muse-spark","category-mythos-5","category-open-ai","category-seguranca-de-ia","category-sul-global","category-tecnologia","category-tecnologia-em-disputa","category-treinamento-de-ia","category-washington"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99819"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99819\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}