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Xi e Putin reforçam parceria estratégica em videoconferência

Os presidentes da China e da Rússia realizaram nesta quarta-feira (4) uma videoconferência na qual exaltaram o nível das relações bilaterais e defenderam o aprofundamento da cooperação estratégica entre os dois países.

Em transmissão divulgada pelo Kremlin, Putin afirmou que a relação entre Moscou e Pequim funciona como “um importante fator estabilizador” em um cenário de “crescente turbulência global”. 

O presidente russo destacou que 2026 marca o 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável e afirmou que a parceria atende aos “interesses fundamentais” das duas nações.

Xi Jinping, por sua vez, declarou que as relações sino-russas avançam “na direção correta” e defendeu a elaboração de um “grande plano” para expandir ainda mais os laços bilaterais. O líder chinês reiterou a disposição de coordenar posições com Moscou em temas considerados estratégicos e reafirmou apoio à soberania e à segurança de ambos os países.

A conversa entre os presidentes ocorre em meio a uma sequência de encontros de alto nível entre autoridades chinesas e russas no início de fevereiro, reiterando o alinhamento político entre os dois países e reforçando o discurso de construção de uma “nova era” nas relações bilaterais. 

As reuniões envolveram dirigentes com peso institucional nas áreas de política externa, segurança e articulação parlamentar, em um contexto internacional marcado por disputas geopolíticas e reconfiguração de alianças.

No domingo (1º), o chanceler chinês Wang Yi reuniu-se com o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergei Shoigu, em encontro descrito por Pequim como voltado à “comunicação estratégica”. 

Segundo informações divulgadas pelo governo chinês, a visita ocorreu a pedido do presidente Vladimir Putin. No diálogo, os dois lados mencionaram o que classificaram como um “período de grande turbulência e complexidade” na ordem internacional.

Wang afirmou que China e Rússia são “parceiras estratégicas de cooperação abrangentes para uma nova era”, expressão que voltou a aparecer em declarações oficiais nos dias seguintes. 

O chanceler defendeu o fortalecimento do papel da Organização das Nações Unidas e a defesa do multilateralismo, ainda que o discurso esteja inserido em um debate mais amplo sobre transformações no sistema internacional.

Coordenação política

Na segunda-feira (2), o presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da Duma russa, Leonid Slutsky, também esteve em Pequim para reuniões com dirigentes chineses, entre eles Wang Huning, membro do Comitê Permanente do Birô Político do Partido Comunista da China e presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. 

O teor das declarações públicas manteve a ênfase na intensificação da cooperação diplomática e econômica diante do cenário global descrito como instável.

Em entrevista coletiva no ministério das Relações Exteriores, o porta-voz Lin Jian reiterou que os dois países “mantêm comunicação estreita sobre as principais questões relativas às relações bilaterais, apoiam-se mutuamente em questões que envolvem seus interesses fundamentais e salvaguardam eficazmente seus interesses respectivos e comuns”.

A convergência discursiva indica coordenação política consistente entre Pequim e Moscou, com ênfase na defesa de interesses considerados estratégicos por ambos os governos. 

A sequência de encontros, envolvendo tanto o eixo diplomático quanto o parlamentar e o de segurança, sinaliza que o relacionamento bilateral segue estruturado em múltiplas frentes institucionais.

Inserção na dinâmica internacional

A aproximação ocorre em meio a debates sobre transformações na arquitetura global de poder. A China tem ampliado sua projeção econômica e diplomática, incluindo esforços de internacionalização de sua moeda e fortalecimento de fóruns multilaterais alternativos. 

Já a Rússia busca consolidar sua posição estratégica e preservar seus interesses geopolíticos, especialmente no entorno europeu e eurasiático.

Embora as declarações oficiais enfatizem o multilateralismo, a articulação sino-russa se insere em um contexto mais amplo de reequilíbrio internacional, no qual grandes potências procuram adaptar-se às mudanças na correlação de forças globais. 

A agenda intensa registrada nos primeiros dias de fevereiro reforça a percepção de que Pequim e Moscou mantêm coordenação contínua para enfrentar pressões externas e redefinir espaços de influência na chamada “nova era” das relações internacionais.

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