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Xi Jinping propõe plano de paz e testa bloqueio dos EUA em Ormuz

Em um movimento diplomático sem precedentes, o presidente Xi Jinping apresentou nesta terça-feira (14), uma proposta de quatro pontos para a paz e estabilidade no Oriente Médio. O anúncio, feito durante reunião em Pequim com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, marca a primeira iniciativa direta e pessoal do líder chinês para mediar o conflito regional, historicamente dominado pela influência dos Estados Unidos e de Israel. 

A proposta surge em um momento de extrema tensão, coincidindo com o bloqueio militar total imposto pelo governo de Donald Trump no Estreito de Ormuz. Em um desafio prático às sanções de Washington, o petroleiro chinês Rich Starry atravessou o estreito no mesmo dia do anúncio, tornando-se a primeira embarcação a romper o cerco americano sob a justificativa de proteger o fluxo comercial e o direito internacional.

Pontos do plano de paz

O plano de Pequim fundamenta-se na adesão à coexistência pacífica por meio de uma arquitetura de segurança comum e sustentável, no respeito absoluto à soberania nacional e integridade territorial, na defesa do direito internacional para evitar o que Xi chamou de “lei da selva” e na coordenação estreita entre desenvolvimento econômico e segurança regional. Ao vincular a paz à crise em Ormuz, a China posiciona-se como uma mediadora que busca o consenso global, contrastando sua postura diplomática com a política de sanções e bloqueios. Fontes oficiais destacam que, embora a China tenha apresentado propostas conjuntas anteriormente, como o plano de cinco pontos com o Paquistão em março, esta é a primeira vez que Xi assume pessoalmente o protagonismo de uma solução estrutural para a região, consolidando o papel de Pequim como garantidora da estabilidade.

Reação positiva da maioria das nações da Europa e do Oriente Média

A comunidade internacional reagiu com um misto de pragmatismo e abertura. O Irã classificou a China e a Rússia como “verdadeiros amigos” e garantidores confiáveis, enquanto líderes europeus demonstraram receptividade. O premiê espanhol, Pedro Sánchez, em visita a Pequim, classificou a China como um “mediador indispensável” para travar a escalada bélica. No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer adotou uma postura de “realismo estratégico”; apesar da pressão de Washington, Starmer defendeu que o engajamento com a China é de interesse nacional britânico para evitar o colapso econômico e proteger rotas marítimas, chegando a recusar a participação inicial em ataques contra o Irã. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, reiterou que o bloco vê a China como um parceiro essencial para o diálogo, priorizando a segurança energética em detrimento do confronto direto. O Brasil também reforçou sua postura diplomática através do chanceler Mauro Vieira, que condenou ataques de ambos os lados e defendeu o cessar-fogo imediato, destacando os riscos inflacionários da crise.

Após testar com sucesso a passagem pelo estreito, o petroleiro Rich Starry, operado pela Shanghai Xuanrun Shipping com destino à China, iniciou manobras de retorno ao Oriente Médio, em meio ao bloqueio, por motivos que ainda não foram confirmados, informou a agência Reuters.

Ao garantir o apoio de potências do Sul Global e a condescendência de aliados europeus dos EUA, Xi Jinping não apenas propõe um acordo de paz, mas estabelece as bases de uma nova ordem de governança no Golfo, onde a segurança é tratada como um bem comum e o desenvolvimento econômico serve como o principal pilar contra a guerra.

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