
A guerra entre a Rússia e a Ucrânia pode estar chegando ao fim com uma vitória russa sobre a Europa. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, admitiu pela primeira vez, nesta quarta-feira (21), em entrevista à Fox News, dos Estados Unidos, que um acordo de paz pode ser discutido com o congelamento imediato das linhas de frente em seu país.
Em entrevista à emissora trumpista, o líder ucraniano foi perguntado se aceitaria parar a guerra onde ela está. “Sim. Se tivermos que congelar tudo agora, acho que essa é a verdadeira maneira de acabar com esta guerra”, respondeu.
A proposta indica disposição dos ucranianos para interromper os combates e, na prática, manteria sob controle do Kremlin os territórios ocupados hoje pelas forças russas.
Zelensky já tinha sido aplaudido no Congresso dos Estados Unidos por dizer que não concederia nenhum território aos russos.
Nos últimos dias, no entanto, o aparato militar ucraniano foi debilitado depois que a SpaceX, empresa de Elon Musk, restringiu o funcionamento dos terminais Starlink usados pelas Forças Armadas da Ucrânia na linha de frente.
A rede de satélites é usada para manter a comunicação entre as unidades militares e coordenar operações, inclusive com drones. Com as restrições, as ações ucranianas foram prejudicadas.
Trump também pressionou Kiev a interromper os ataques às refinarias russas, o que vinha sendo um dos grandes trunfos de Zelenski até aqui. O presidente chegou a afirmar que os ataques ucranianos às refinarias elevavam os preços do petróleo e prejudicavam o abastecimento.
Em 9 de outubro, Trump anunciou um acordo para importar diesel da Rússia e, em seguida, suspendeu temporariamente sanções contra Moscou. As medidas aliviam a pressão econômica sobre Moscou e enfraquecem a política de isolamento adotada pelos países ocidentais desde o início da guerra.
Situação política interna viabilizou vitória russa
A derrocada ucraniana acontece em meio aos receios da Casa Branca de perder a maioria parlamentar nas duas casas legislativas. O governo Trump sofre com críticas à alta dos preços e à queda do poder de compra dos norte-americanos, num cenário agravado pela pressão sobre o setor energético em consequência da guerra contra o Irã.
Para conter o risco de uma derrota nas eleições de meio de mandato, as midterms, Trump deu um cavalo de pau na atuação dos Estados Unidos na guerra, que já se estende por quatro anos.
Trump tenta manipular as expectativas do mercado ao sinalizar que a guerra pode terminar e que o fornecimento de diesel russo será retomado.
A aposta é que a perspectiva de maior oferta reduza os preços futuros do combustível — contratos que refletem quanto o mercado espera pagar por entregas adiante. Com a energia pesando no bolso dos eleitores, uma queda nos preços daria fôlego à campanha republicana antes da votação de novembro.
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