Edwaldo Arantes: a palavra, a memória e a justa homenagem de uma cidade agradecida
Fotos: JAC Júnior
Em 31 de dezembro de 1999, nas comemorações dos 125 anos da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, o então vereador José Alfredo Carvalho prestou homenagem ao escritor e poeta Edwaldo Eugênio Arantes, reconhecendo uma trajetória dedicada à cultura, à literatura e à preservação da memória ribeirão-pretana. Em 1º de junho de 2026, os dois se reencontraram para relembrar aquele gesto histórico de reconhecimento
Há homenagens que se encerram no momento em que são entregues. Outras, porém, atravessam o tempo. Permanecem vivas no metal da medalha, no papel do diploma, na memória de quem as recebeu e, sobretudo, no significado público que carregam.
A homenagem prestada ao escritor e poeta Edwaldo Eugênio Arantes, em 31 de dezembro de 1999, durante as comemorações dos 125 anos da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, pertence a essa segunda categoria: a das homenagens que não envelhecem, porque nascem de um reconhecimento verdadeiro.
Naquele fim de século, quando Ribeirão Preto celebrava a história de sua
Casa de Leis, o então vereador José Alfredo Carvalho fez questão de
olhar para além dos muros da política institucional. Em meio às solenidades que
marcavam os 125 anos do Legislativo ribeirão-pretano, José Alfredo voltou seus
olhos para aqueles que, muitas vezes longe dos holofotes, ajudam a construir a
alma de uma cidade: seus artistas, escritores, poetas, educadores,
pesquisadores, memorialistas e trabalhadores da cultura.
Foi nesse contexto que Edwaldo Arantes recebeu a Medalha 125
Anos e o respectivo diploma de reconhecimento. A honraria fazia jus ao
mérito de um homem cuja vida se confunde com a palavra escrita, com a
sensibilidade poética e com a dedicação à memória cultural de Ribeirão Preto.
Mais do que um gesto protocolar, aquela homenagem foi um ato de justiça.
Foi a afirmação de que uma cidade não se constrói apenas com obras,
leis, prédios e avenidas. Uma cidade também se constrói com poesia. Com
memória. Com livros. Com gente capaz de registrar o tempo, interpretar a vida e
transformar experiência humana em palavra permanente.
Edwaldo Arantes pertence a essa linhagem rara de homens que compreendem
a literatura como missão. Para ele, escrever nunca foi apenas organizar frases.
Foi testemunhar a vida. Foi preservar lembranças. Foi dar forma às emoções, às
dores, às esperanças e aos personagens de uma Ribeirão Preto que, sem
escritores como ele, poderia se perder no esquecimento.
A medalha entregue em 1999 simbolizava justamente isso: o reconhecimento
público a uma trajetória marcada pela contribuição cultural, pela defesa da
palavra e pelo compromisso com a história.

Passados mais de 26 anos, em 1º de junho de 2026, José Alfredo
Carvalho e Edwaldo Arantes voltaram a se encontrar para relembrar aquele
momento. Nas fotografias registradas nesse reencontro, a cena fala por si. Não
há ali apenas dois homens diante de uma câmera. Há duas histórias que se cruzam
novamente. De um lado, o ex-vereador que, no exercício do mandato popular,
soube reconhecer o valor da cultura. Do outro, o escritor e poeta homenageado,
segurando com dignidade o diploma e a medalha que materializam o respeito de
uma cidade por sua obra e por sua caminhada.
As imagens carregam uma beleza discreta e profunda. A moldura dourada do
diploma, a medalha cuidadosamente preservada, o gesto das mãos segurando a
lembrança, os olhares marcados pelo tempo: tudo revela que aquela homenagem
continuou viva.
E talvez seja esse o maior valor de um reconhecimento público
verdadeiro. Ele não se perde quando termina a cerimônia. Ele acompanha o
homenageado. Ele se transforma em memória familiar, em registro histórico, em
prova de gratidão coletiva.
Ao relembrar a homenagem de 1999, José Alfredo Carvalho também resgata
um capítulo importante de sua própria atuação parlamentar. Em tempos em que
muitos mandatos se limitam à disputa imediata, aquele gesto demonstrava uma
compreensão mais ampla da política: a política como instrumento de valorização
humana.
Homenagear Edwaldo Arantes era dizer que a cultura importa. Era afirmar
que os escritores e poetas de uma cidade merecem lugar de honra. Era reconhecer
que a literatura é também serviço público, porque ajuda um povo a compreender
quem é, de onde veio e para onde pode caminhar.
Edwaldo, com sua trajetória, representa essa força silenciosa da cultura.
O escritor raramente faz barulho. Seu trabalho é outro. Ele observa, escuta,
registra, interpreta. Enquanto muitos passam apressados pelos acontecimentos, o
escritor recolhe fragmentos da realidade e os devolve ao mundo em forma de
memória, reflexão e beleza.
O poeta, por sua vez, enxerga aquilo que a pressa cotidiana costuma
esconder. Onde muitos veem apenas ruas, casas, praças e rostos, o poeta percebe
símbolos, afetos, dramas, saudades e esperanças. Por isso, homenagear um poeta
é homenagear também a capacidade humana de sentir.
A cidade de Ribeirão Preto tem uma história rica, intensa, marcada por
trabalho, desenvolvimento, lutas sociais, vida política, cultura popular e
personagens inesquecíveis. Mas nenhuma cidade preserva sua grandeza se não valoriza
aqueles que narram sua história. Edwaldo Arantes é parte desse patrimônio
humano. Sua presença no universo literário e cultural ribeirão-pretano merece
ser lembrada com respeito, carinho e gratidão.
A homenagem de 31 de dezembro de 1999 ocorreu em uma data simbólica. Era
o encerramento de um ano, de uma década, de um século e de um milênio. A Câmara
Municipal de Ribeirão Preto celebrava seus 125 anos, olhando para o passado e
projetando o futuro. Naquele instante de transição histórica, reconhecer o
mérito de Edwaldo Arantes foi também afirmar que o futuro de uma cidade precisa
carregar consigo a memória de seus construtores culturais.
Nenhum povo avança verdadeiramente quando despreza sua cultura. Nenhuma
cidade se torna grande apenas pelo crescimento econômico. O que dá alma a um
município são as histórias que ele preserva, as vozes que ele respeita, os
talentos que ele reconhece e as memórias que ele decide guardar.
Por isso, a medalha e o diploma entregues a Edwaldo Arantes não foram
simples objetos comemorativos. Foram símbolos. Símbolos de uma Ribeirão Preto
que sabe agradecer. Símbolos de uma Câmara Municipal que, naquele momento,
compreendeu a importância de celebrar não apenas a instituição, mas também as
pessoas que dão sentido à vida pública da cidade.
O reencontro de 2026 reacende essa memória com uma emoção especial. O
tempo passou. As circunstâncias mudaram. A cidade se transformou. Mas o valor
daquele gesto permaneceu intacto. Quando José Alfredo e Edwaldo posam novamente
ao lado da medalha e do diploma, o que se vê é mais do que uma recordação
pessoal. É a reafirmação de um reconhecimento histórico.
Há algo profundamente humano nessas imagens. Elas mostram que a
gratidão, quando é sincera, resiste ao tempo. Mostram que a política pode, sim,
ser lugar de afeto, memória e justiça. Mostram que a cultura, quando
reconhecida, cria pontes entre gerações.
Edwaldo Arantes recebeu, naquele 31 de dezembro de 1999, uma homenagem
merecida. Mas, olhando hoje, talvez possamos dizer que a cidade também foi
homenageada naquele gesto. Porque quando Ribeirão Preto reconhece um escritor,
ela reconhece a si mesma. Quando valoriza um poeta, valoriza sua própria alma.
Quando preserva a memória de seus homens de cultura, demonstra maturidade
histórica e sensibilidade pública.
A trajetória de Edwaldo Eugênio Arantes merece ser contada com respeito
e emoção. Escritor, poeta, homem da palavra, ele representa uma forma de
resistência cultural. Em um mundo cada vez mais apressado, superficial e
esquecido de suas raízes, figuras como Edwaldo nos lembram que a memória é uma
forma de permanência.
A literatura não morre quando é verdadeira. A poesia não envelhece
quando nasce da alma. E o reconhecimento público, quando justo, continua
brilhando mesmo décadas depois.
Foi isso que aconteceu com a homenagem de 1999. Ela nasceu como
solenidade. Transformou-se em lembrança. E agora, em 2026, reaparece como
memória viva, registrada nas fotografias de um reencontro carregado de
simbolismo.
José Alfredo Carvalho, ao rever Edwaldo Arantes e relembrar aquela
homenagem, também reafirma uma convicção que atravessa sua trajetória pública:
a de que a política precisa estar a serviço das pessoas, da memória, da cultura
e da dignidade humana.
Porque a grandeza de um mandato não está apenas nas leis aprovadas ou
nos discursos pronunciados. Está também nos gestos que reconhecem quem merece
ser reconhecido. Está na capacidade de olhar para a cidade e enxergar seus
personagens essenciais. Está na coragem de dizer, em nome do povo: “sua vida,
sua obra e sua contribuição têm valor”.
Edwaldo Arantes recebeu a Medalha 125 Anos da Câmara Municipal de
Ribeirão Preto porque sua caminhada justificava essa distinção. E o reencontro
de 2026 demonstra que aquela honraria não ficou presa ao passado. Ela continua
falando. Continua emocionando. Continua lembrando a todos que a cultura é uma
das formas mais nobres de serviço à coletividade.
Neste reencontro, a medalha reluz não apenas pelo metal, mas pelo
significado. O diploma não vale apenas pelo papel, mas pela história que
carrega. E a imagem dos dois, lado a lado, torna-se documento afetivo de uma
cidade que precisa preservar suas melhores memórias.
Ao escritor e poeta Edwaldo Eugênio Arantes, o reconhecimento permanece.
À Câmara Municipal de Ribeirão Preto, a lembrança de seus 125 anos se
engrandece por ter celebrado homens como ele.
E a José Alfredo Carvalho, fica o registro de um gesto público que
atravessou o tempo: a homenagem justa, sensível e necessária a um homem da
cultura, da palavra e da memória.
Porque há homenagens que são entregues uma vez.
E há homenagens que continuam sendo merecidas todos os dias.
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