Sebastião Roberto Miranda: o pintor que transformou memória, paisagem e afeto em arte

/ Editor: José Alfredo | Agência Rede PT Ribeirão
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Fotos: MAM

Sebastião Roberto Miranda: o pintor que transformou memória, paisagem e afeto em arte

Artista plástico, pintor e professor, homenageado com a Medalha Comemorativa dos 125 anos da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, Miranda construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade, pelo trabalho manual e pela preservação da memória cultural da cidade

Há artistas que atravessam o tempo não apenas pelas obras que produzem, mas pela maneira como ajudam uma cidade a reconhecer a si mesma. Em Ribeirão Preto, esse é o caso de Sebastião Roberto Miranda, artista plástico, pintor e professor, cuja trajetória reúne pintura, ensino, comunicação visual, memória urbana e compromisso com a beleza cotidiana.


Neste novo gesto de reconhecimento, o ex-vereador José Alfredo Carvalho entrega a Sebastião Roberto Miranda o Diploma de Honra ao Mérito e a Medalha Comemorativa dos 125 anos da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, honraria outorgada em 31 de dezembro de 1999, durante as comemorações históricas do Legislativo ribeirão-pretano.


Mais do que uma entrega simbólica, trata-se do reencontro entre a memória pública e um artista que, por décadas, ajudou a colorir Ribeirão Preto com suas telas, seus retratos, seus letreiros, seus painéis e sua presença ativa na vida cultural da cidade.


Sebastião Roberto Miranda é identificado em bases de arte como artista brasileiro nascido em 1948, com obras ofertadas em leilões e circulação no mercado de arte. Sua produção aparece associada a títulos como “Barcos”, “Pequena festa” e “Mercado Marrakech”, de 1987, revelando uma obra marcada por paisagens, cenas humanas, barcos, festas populares e atmosferas ligadas ao universo árabe e norte-africano.


Nascido em Brodowski-SP e radicado em Ribeirão Preto, Miranda pertence a uma geração de artistas formados no ofício direto da pintura. Começou cedo, desenvolveu sua linguagem pela prática e construiu uma obra reconhecida pela força da imagem figurativa, pela vibração das cores e por uma sensibilidade impressionista. Sua especialidade, está na pintura acrílica em estilo impressionista, especialmente em composições que refletem cenários, luzes e referências culturais dos países árabes.


Essa presença do mundo árabe em sua pintura não aparece como simples reprodução decorativa. Em suas obras, os mercados, aguadeiros, caravanas, ruas, embarcações e paisagens parecem falar de travessias. São imagens de movimento, encontro, trabalho e contemplação. O olhar de Miranda transforma cenas distantes em experiências próximas, como se cada tela abrisse uma janela para outro tempo, outro lugar, outra forma de vida.


Mas a trajetória de Sebastião Miranda não se limita ao cavalete. Em 1977, ele fundou a Miranda Propaganda e Arte, empresa familiar de comunicação visual em Ribeirão Preto. A própria empresa registra que nasceu no tempo em que a comunicação visual era feita com letreiros pintados à mão, antes da digitalização e das tecnologias modernas de impressão. Hoje, a empresa é administrada por José Eduardo Miranda, dando continuidade ao legado do pai.


Esse dado é essencial para compreender a grandeza de Miranda. Ele não foi apenas o artista das telas: foi também o trabalhador da imagem urbana. Antes das fachadas prontas, dos banners industriais e da comunicação visual digital, havia o pincel, a mão firme, o traço artesanal, a composição pensada letra por letra. Miranda pertence a esse tempo em que a cidade era escrita e pintada pelas mãos de artistas.


Como professor, também deixou marcas. Sebastião Miranda foi professor de artes na Escolinha da Secretaria de Cultura de Ribeirão Preto, no período em que a área cultural era dirigida por Antonio Palocci, pai do ex-prefeito Antonio Palocci Filho. Essa informação, embora ainda dependa de confirmação documental em arquivos públicos, dialoga com a conhecida tradição cultural de Ribeirão Preto e reforça outra dimensão de sua trajetória: a do artista que não apenas cria, mas também ensina, orienta e forma novos olhares.


Sua presença em espaços institucionais também está documentada. Em maio de 2016, o Tribunal de Justiça de São Paulo registrou exposição no Fórum de Ribeirão Preto com quadros de Sebastião Roberto Miranda e de seu filho Henrique Daniel Miranda, apresentados como pai e filho. A mostra ocorreu no 1º andar do Fórum, na Nova Ribeirânia, entre 15 de maio e 18 de junho daquele ano.


O registro é bonito por vários motivos. Primeiro, porque confirma a presença de Miranda em um espaço público de grande circulação. Segundo, porque mostra a arte como herança familiar. Ter pai e filho expondo juntos é também uma imagem de continuidade: a pintura como linguagem passada de geração em geração, como ofício, como memória e como destino.


Mais recentemente, registrou-se que o restaurante Madre Mia, em Ribeirão Preto, oferecia uma experiência artística aos clientes por meio de obras do artista plástico ribeirão-pretano Sebastião Miranda, espalhadas pelo salão, enriquecendo o ambiente, contando histórias e podendo ser adquiridas pelos visitantes.


Essa circulação revela um traço importante de sua obra: Miranda não ficou restrito aos espaços formais da arte. Suas pinturas atravessaram galerias, fóruns, leilões, restaurantes, coleções particulares, ambientes familiares e espaços de convivência. Sua arte pertence ao mundo vivido. Está onde as pessoas passam, conversam, comem, trabalham, celebram e recordam.


A partir de 2015, iniciou-se também uma relação especial entre Sebastião Miranda e o Centro de Documentação e História Política Guilherme Simões Gomes. Naquele ano, o ex-vereador procurou o artista em seu ateliê, localizado na Rua João Ramalho, nos Campos Elíseos, e teve início um trabalho de grande valor memorialístico para o partido.


Foi pelas mãos de Sebastião Roberto Miranda que foram criadas as galerias dos presidentes do PT de Ribeirão Preto, dos parlamentares petistas e dos prefeitos ligados à história democrática e popular da cidade, além de outras obras hoje expostas na sede do Diretório Municipal.


Essas obras não são simples quadros em uma parede. São fragmentos de uma história coletiva. Retratam lideranças, mandatos, militantes, governos, lutas populares e trajetórias que ajudaram a formar a identidade política de Ribeirão Preto. Ao pintar essas galerias, Miranda também ajudou a preservar a memória visual do PT local.


Em uma cidade marcada por disputas políticas, apagamentos e reconstruções permanentes da memória, esse trabalho tem valor histórico. Ele transforma a sede partidária em espaço de lembrança, pertencimento e continuidade. Cada retrato pintado por Miranda é também uma afirmação: a história popular merece ser vista, preservada e transmitida.


A homenagem concedida por José Alfredo Carvalho em 1999 deve ser compreendida nesse contexto mais amplo. A Câmara Municipal de Ribeirão Preto nasceu no século XIX e reconhece sua história legislativa a partir de 1874, como registra a própria página institucional do Legislativo ao remeter às legislaturas municipais de 1874 a 2028.


Na comemoração dos 125 anos da Câmara Municipal, a Resolução 107/99 autorizou a outorga do Diploma de Honra ao Mérito e da respectiva medalha comemorativa a pessoas que se destacaram por relevantes serviços prestados ao município e ao povo ribeirão-pretano.


A medalha, portanto, não é apenas um objeto comemorativo. É um símbolo institucional de gratidão pública. Ela representa o reconhecimento da cidade àqueles que, por diferentes caminhos, ajudaram a construir Ribeirão Preto. No caso de Sebastião Miranda, esse caminho foi a arte.


Ao homenageá-lo, José Alfredo reconhecia, já em 1999, aquilo que o tempo apenas confirmou: a importância de um artista que fez da pintura uma forma de trabalho, de expressão, de ensino e de memória.


Há ainda uma dimensão simbólica fundamental envolvendo o Palácio Rio Branco, edifício central na história política e administrativa de Ribeirão Preto. Inaugurado como Paço Municipal em 26 de maio de 1917, o prédio abrigou, por mais de um século, algumas das decisões mais importantes da vida pública ribeirão-pretana, consolidando-se como patrimônio de elevado valor histórico e cultural. Em 2023, o município iniciou um trabalho de conservação, catalogação e inventário dos objetos históricos do Palácio, incluindo mobiliário, documentos e quadros artísticos.


É nesse espaço de memória institucional que se encontra uma das obras mais expressivas de Sebastião Roberto Miranda. Na parede principal do Palácio Rio Branco, há uma tela de grandes dimensões pintada pelo artista, retratando a Rua General Osório no início do século XX. Constatada in loco, a obra revela não apenas o domínio técnico de Miranda, mas também sua profunda ligação com a memória urbana de Ribeirão Preto. Ao reconstruir, por meio da pintura, uma das vias mais emblemáticas da cidade em seus primeiros tempos de formação, o artista transforma a paisagem histórica em patrimônio visual. A presença dessa obra no Palácio Rio Branco confirma a relevância institucional de sua produção artística e reforça seu lugar entre os nomes que ajudaram a preservar, com sensibilidade, talento e rigor, a memória cultural do município.


Sebastião Roberto Miranda é um artista de ofício. Um homem da cor, da luz e da composição. Um pintor que uniu técnica e sensibilidade. Um professor que compartilhou saberes. Um trabalhador da comunicação visual que ajudou a desenhar a paisagem urbana de Ribeirão Preto. Um artista plástico cuja obra circula em espaços públicos, privados, institucionais e afetivos.


Sua pintura impressionista carrega movimento. As figuras parecem respirar. Os barcos parecem deslizar. As ruas parecem conservar vozes antigas. As cenas árabes, tão recorrentes em sua produção, não são apenas imagens de outro mundo: são pontes entre culturas, memórias e sensibilidades.


Em tempos de pressa e apagamento, homenagear Sebastião Miranda é afirmar que a cidade não vive apenas de concreto, trânsito, prédios e obras públicas. Uma cidade também vive de cores, lembranças, retratos, símbolos e beleza. Vive daqueles que olham para o mundo e devolvem ao povo uma imagem mais humana da existência.


Para Carvalho, a entrega da medalha representa um gesto de gratidão e justiça histórica:

“Homenagear Sebastião Roberto Miranda é reconhecer um artista que dedicou sua vida à arte, ao ensino e à memória de Ribeirão Preto. Miranda ajudou a colorir nossa cidade, formou olhares e preservou, com sua pintura, parte da história cultural e política do nosso povo. Esta medalha é um gesto de respeito, gratidão e reconhecimento.”

A medalha dos 125 anos da Câmara Municipal de Ribeirão Preto chega, agora, às mãos de quem sempre soube transformar pincel, tinta e sensibilidade em legado.


Sebastião Roberto Miranda pintou paisagens, cenas, rostos e memórias. Mas, acima de tudo, ajudou Ribeirão Preto a se ver em cores.


E uma cidade que reconhece seus artistas reconhece também a parte mais profunda de sua própria alma.








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José Alfredo Carvalho é ex-vereador de 1993 a 2004 e atual secretário de Finanças e Planejamento do PT de Ribeirão Preto-SP Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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