Câmara de Ribeirão Preto aprova moção de repúdio contra Lula; PT denuncia distorção de fala antirracista e oportunismo político
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Vereadoras petistas denunciam distorção de discurso antirracista e acusam uso político oportunista da moção
A Câmara Municipal de Ribeirão Preto aprovou, nesta segunda-feira (25), moção de repúdio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 15 votos favoráveis, 3 contrários e 2 abstenções. Entre os contrários estão as vereadoras do PT Judeti Zilli, Perla Müller e Duda Hidalgo; a proposta foi apresentada por André Rodini (Novo) e obteve apoio da maioria, apesar do pedido de votação destacada feito pela bancada petista. A relação nominal dos votos e o placar constam do registro jornalístico local.
Como votou cada vereador:
Favoráveis (“sim”): André Rodini (Novo), Junin Dêdê (PL), Daniel Gobbi (PP), Daniel do Busão (PL), Delegado Martinez (MDB), Igor Oliveira (MDB), Jean Corauci (PSD), Franco Ferro (PP), Lincoln Fernandes (PL), Diácono Ramos (União), Maurício Vila Abranches (PSDB), Maurício Gasparini (União), Paulo Modas (PSD), Rangel Scandiuzzi (PSD), Bigodini (MDB).
Contrários (“não”): Judeti Zilli (PT), Duda Hidalgo (PT), Perla Müller (PT).
Abstenções: Matheus Moreno (MDB), Danilo Scochi (MDB).
Não votou: Brando Veiga (Republicanos); o presidente Isaac Antunes (PL) só vota em caso de empate.
No centro da polêmica está a fala de Lula durante evento em Sorocaba, quando o presidente criticou uma peça publicitária que retratava “um senhor negro, alto, sem dente”, apontando que esse tipo de representação reforça estigmas e vulnerabilidades históricos contra a população negra. A interpretação que embasou a moção inverteu o sentido do discurso: onde havia crítica à estética estigmatizante de uma campanha, enxergou-se, equivocadamente, preconceito do orador. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, reiterou a natureza antirracista do comentário presidencial e qualificou a controvérsia como leitura fora de contexto.
Em plenário, Duda Hidalgo (PT) classificou a moção como “oportunista” e acusou os proponentes de distorcerem o conteúdo da fala, que mirava a crítica a um padrão publicitário recorrente e excludente.
“A juventude sabe distinguir quem está ao lado do povo. Lula fala de inclusão e respeito, e nós, do PT, seguimos firmes para transformar essa cidade e esse país.”
A posição das vereadoras do PT foi sustentada por argumentos de mérito — defesa do enfrentamento ao racismo estrutural e repúdio ao uso político de uma crítica a imagens estigmatizantes.
Para a vereadora Perla Müller:
“Não aceitamos que um discurso de combate ao racismo seja manipulado de forma tão baixa para atacar o presidente Lula. É oportunismo político que envergonha Ribeirão.”
Já o Coletivo Popular Judeti Zilli finalizou:
“As falas de Lula são contra o racismo estrutural, não contra as pessoas. Nossa cidade precisa é se unir para enfrentar desigualdades, e não se perder em disputas mesquinhas.”
O autor da moção, André Rodini, acumula histórico de proposições folclóricas. Em 2021, apresentou uma moção de repúdio ao “Papai Noel gay” da Noruega, criando repercussão negativa nacional; dias depois recuou e pediu a retirada do texto, movimento documentado na imprensa. A reincidência de iniciativas dessa natureza projeta o vereador como protagonista de pautas de costume instrumentalizadas para ganho midiático, em detrimento de debates substantivos para Ribeirão Preto.
Para além do episódio atual, a própria Câmara já aprovara moção semelhante contra Lula em 2024, evidenciando uma estratégia de repetição que fragiliza a imagem institucional do Legislativo local ao substituir discussão de políticas públicas por gestos simbólicos de ataque.
Do ponto de vista jurídico, a aprovação de uma moção ancorada em leitura distorcida pode tangenciar crimes contra a honra (calúnia/difamação) e ensejar responsabilidade civil por dano moral, uma vez que atribui ao presidente conduta discriminatória não presente na fala original; politicamente, exacerba a polarização e prejudica o diálogo da cidade com o Governo Federal; eticamente, sugere desvio de finalidade legislativa, quando a tribuna passa a ser usada para alimentar fake news em vez de qualificar o debate público.
O presidente municipal do PT, Jorge Roque, resume a posição do partido:
“A Câmara errou ao transformar uma crítica a estereótipos raciais em ataque ao presidente. É um desserviço à cidade e à democracia. Defendemos audiência pública para repor a verdade e reafirmar o compromisso de Ribeirão Preto com o combate ao racismo.”
A direção do PT local também solicitará formalmente o acesso ao registro integral (vídeo/transcrição) da fala de Lula e convidará representantes do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e da sociedade civil para uma audiência pública na Câmara. Paralelamente, o partido vai monitorar manifestações nacionais para atualizar o dossiê de informação pública sobre o caso, já coberto por veículos nacionais que contextualizaram a crítica presidencial como uma reação a estereótipos publicitários e não à população negra.
Por fim, o PT de Ribeirão Preto reafirma que combater o racismo exige precisão e honestidade intelectual. A cidade ganha quando a Câmara discute políticas públicas e perde quando prefere performance baseada em leitura descontextualizada da fala de um presidente cuja trajetória é marcada por diálogo social e respeito à diversidade.
SeCom - Secretaria de Comunicação do PT de Ribeirão Preto
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