'Congresso inimigo do povo?': a madrugada da vergonha e o PL que alivia a vida de Bolsonaro
Arte: Rafone Neri
Na edição de hoje do programa Brasil do Futuro, Nando Medeiros e José Alfredo Carvalho destrincham a manobra de Hugo Motta, o acordão em torno do PL da Dosimetria e as consequências políticas da madrugada em que o Centrão trabalhou a favor dos golpistas
A MADRUGADA DA VERGONHA
Às 2h25 da madrugada de 10 de dezembro de 2025, enquanto o país dormia, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação relâmpago, o chamado PL da Dosimetria – um projeto que reduz penas de Jair Bolsonaro e de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, abrindo brechas perigosas no sistema penal brasileiro.
A sessão foi conduzida pelo presidente
da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em meio a protestos e denúncias de
manobra. No placar, 291 votos a favor e 148 contra, com apoio decisivo de
partidos aliados ao governo Lula.
Na prática, a mensagem é clara:
enquanto o STF condenou os articuladores do golpe, uma parte expressiva do
Congresso trabalhou para baratear o custo do crime contra a democracia.
O ACORDÃO DA MADRUGADA
O episódio especial do Brasil do
Futuro – “Congresso inimigo do povo?” – reconstruiu o roteiro político da noite
em Brasília e mostrou como o tabuleiro foi montado.
De um lado, o “pacote das punições”:
foram colocados em votação casos disciplinares envolvendo parlamentares de
campos opostos.
De outro, a contrapartida: em
paralelo, o PL da Dosimetria entrou na pauta “na calada da noite”, como
contrapeso ao chamado “PL da Anistia”, derrotado anteriormente.
O resumo do acordo, como expuseram Nando Medeiros e José Alfredo Carvalho, ficou assim:
– a esquerda garantiu votos para as
punições e cassações impostas a bolsonaristas condenados;
– a direita e o Centrão garantiram a aprovação de um projeto que reduz penas de
Bolsonaro e dos golpistas;
– a democracia saiu da sessão com a conta mais alta: o recado de que golpe de
Estado pode sair mais barato do que manda a Constituição.
O QUE MUDA COM O PL DA DOSIMETRIA
No programa, o texto do projeto foi
destrinchado para além das manchetes. O PL 2162/2023, apelidado de PL da
Dosimetria, faz três movimentos centrais:
1.
Reduz o somatório
de penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela trama golpista, ao
limitar a forma de acumulação de crimes.
2.
Recalibra a
dosimetria, abrindo margem para revisão das penas não só de Bolsonaro, mas de
todos os envolvidos na tentativa de golpe.
3.
Cria um
precedente jurídico que poderá ser invocado por outros réus, inclusive em
crimes comuns, sempre que se alegar “excesso” na combinação de tipos penais.
Ou seja, não se trata apenas de um
detalhe técnico ou de um “gesto de conciliação”. É uma mudança estrutural na
forma como o Estado responde a crimes contra a ordem democrática, com impacto
direto sobre a responsabilidade de Jair Bolsonaro e de seus aliados.
GLAUBER PUNIDO, ZAMBELLI SALVA
O Brasil do Futuro também destacou a
simetria torta das votações da noite.
Glauber Braga (PSOL-RJ) foi punido com
suspensão de mandato por reagir a um militante bolsonarista que ofendia sua
mãe, gravemente doente, em um episódio de provocações sucessivas.
Carla Zambelli (PL-SP), com longo
histórico de ataques às instituições, perseguições nas ruas e condenações, foi
poupada da cassação e manteve o mandato.
O recado é político, não apenas
jurídico: o Parlamento mostra disposição para punir quem enfrenta o fascismo
com firmeza e proteger quem o alimenta. É desse cenário que nasce a pergunta do
programa:
“Congresso inimigo do povo?”
Quando as decisões seguem essa lógica,
a pergunta deixa de ser retórica.
DA INDIGNAÇÃO À MOBILIZAÇÃO
O programa conectou a manobra da
madrugada com a necessidade de resposta nas ruas. Após a aprovação da redução
de penas para os golpistas, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, convocou
uma mobilização nacional em defesa da democracia e contra qualquer forma de
anistia disfarçada.
A mensagem reforçada na bancada foi
direta: se o golpe foi articulado em gabinetes e redes sociais, a defesa da
democracia precisa ser feita nas ruas, nas escolas, nos sindicatos e nas telas
– com informação qualificada, memória histórica e pressão popular.
JORNAL PT BRASIL: O NOTICIÁRIO DA
RESISTÊNCIA
Na edição desta quinta, o quadro
Jornal PT Brasil trouxe outros pontos centrais da conjuntura:
– Trabalho e direitos – Com apoio do
PT, a CCJ aprovou o projeto que extingue a escala 6x1, um avanço importante
para trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas.
– Dois pesos, duas medidas – A Câmara manteve o mandato de Glauber Braga, mas
salvou Carla Zambelli, evidenciando a seletividade na aplicação do “decoro
parlamentar”.
– Mobilização nacional – Após a aprovação da redução de penas para os
golpistas, Edinho Silva reforçou o chamado para uma grande mobilização nacional
no domingo.
– Caravana Federativa em Minas – O programa destacou ainda a Caravana
Federativa em Minas Gerais, com a presença do presidente Lula, aproximando
governo federal, estados e municípios e mostrando que, enquanto parte do
Congresso protege golpistas, o Executivo segue trabalhando por políticas
públicas para o povo.
EDUCAÇÃO NA TV: A DEMOCRACIA TAMBÉM SE
DEFENDE NA SALA DE AULA
O episódio 1237 do quadro “Educação na
TV” reforçou que disputa política também é disputa de projeto de país na
educação. Entre os temas abordados:
– ICMS Educação e o financiamento das
redes de ensino;
– Piso Salarial Profissional Nacional e a valorização do magistério;
– IAMSPE e a situação da saúde dos servidores;
– Inteligência Artificial na sala de aula, seus riscos e oportunidades;
– Loba Festival, articulando cultura, juventude e participação da juventude.
A mensagem é simples e profunda: não
basta punir golpistas; é preciso formar gerações comprometidas com a democracia.
POR QUE ESTE EPISÓDIO IMPORTA
A edição desta quinta-feira do Brasil
do Futuro vai além do comentário de conjuntura. Ela registra um momento
decisivo:
– um Congresso que, na prática, reduz
o custo jurídico do golpe;
– uma extrema direita que segue organizada e pressionando;
– um governo que precisa recalibrar sua relação com o Centrão;
– um campo democrático que só avança se combinar institucionalidade e
mobilização popular.
O Brasil do Futuro se propõe
justamente a isso: traduzir a engrenagem do poder, nomear responsáveis e
apontar caminhos para que o povo seja protagonista, e não apenas plateia.
ASSISTA AO PROGRAMA COMPLETO
José Alfredo Carvalho é ex-vereador de 1993 a 2004 e atual secretário de Finanças e Planejamento do PT de Ribeirão Preto-SP
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