Jurista Feres Sabino questiona uso político de títulos de cidadania em Ribeirão Preto
Arte: Agência PT
Em artigo contundente, advogado defende que honraria municipal deve reconhecer serviços reais prestados à cidade — e não servir como instrumento eleitoral ou de conveniência política
O advogado e jurista Dr. Feres Sabino publicou, nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, o artigo “Título de Cidadania, limpo de vergonha”, no qual faz uma dura reflexão sobre a concessão do Título de Cidadão Ribeirão-pretano pela Câmara Municipal de Ribeirão Preto. Para ele, a honraria deve preservar sua dignidade pública e estar vinculada a serviços concretos prestados ao município.
Logo na abertura do texto, Feres lembra que o Título de Cidadania
representa o reconhecimento de um mérito social e municipal, razão pela
qual não basta que a pessoa homenageada ocupe cargo ou função pública. É
preciso, segundo o jurista, que tenha realizado ações relevantes em benefício
da cidade e de sua população.
O artigo surge no contexto de três Projetos de Decreto Legislativo
em tramitação na Câmara Municipal de Ribeirão Preto. Feres Sabino questiona a
pertinência das homenagens propostas e alerta para o risco de transformar uma
distinção pública em instrumento de disputa política, propaganda eleitoral ou
alinhamento ideológico.
Entre os nomes citados no artigo estão o senador Flávio Bolsonaro,
o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite e o
atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Em
relação a eles, o jurista levanta uma pergunta central: quais serviços
efetivamente teriam sido prestados a Ribeirão Preto para justificar a concessão
da honraria?
A crítica de Feres vai além dos nomes em discussão. O ponto principal do
artigo é a defesa da seriedade das instituições públicas. Para o advogado, o
Título de Cidadão Ribeirão-pretano precisa estar associado a exemplos de vida
pública, contribuição social e compromisso real com o município, não podendo
ser “torcido e distorcido” para finalidades eleitorais ou desinformativas. (Feres
Sabino)
A reflexão é especialmente relevante num momento em que parlamentos
municipais de todo o país convivem com tentativas de nacionalização artificial
do debate local. Honrarias concedidas por câmaras municipais não podem ser
tratadas como simples gestos de agrado político. Elas carregam memória,
reconhecimento coletivo e responsabilidade institucional.
Ao questionar a concessão de títulos sem demonstração clara de
contribuição à cidade, Feres Sabino recoloca no centro do debate uma pergunta
essencial: a quem servem as homenagens públicas? À população e à
história do município, ou aos interesses imediatos de grupos políticos?
Para a democracia local, a resposta não é secundária. Quando uma Câmara
Municipal concede uma honraria, ela fala em nome da cidade. Por isso, cada
título aprovado precisa estar à altura da memória de Ribeirão Preto e do
respeito devido à sua população.
Como resume o espírito do artigo, ato público tem compromisso com a
verdade — e a verdade exige que homenagens públicas sejam limpas de
conveniência, limpas de oportunismo e, como provoca Feres Sabino, limpas de
vergonha.
José Alfredo Carvalho é ex-vereador de 1993 a 2004 e atual secretário de Finanças e Planejamento do PT de Ribeirão Preto-SP
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