16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher
Foto: Matheus Urenha / A Cidade
Campanha mundial busca conscientizar a sociedade sobre realidade que vitimiza mulheres no dia a dia, na foto Shirley Viana, vítima de assédio, levanta bandeira contra a violência
Hoje é dia de ativismo. Um entre os 16 dias da campanha internacional que pede igualdade de gêneros e o fim da violência contra a mulher.
No Brasil, 13 mulheres são assassinadas por dia. Em Ribeirão Preto, os números de estupro aumentaram em 97% em um ano.
O Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Fórum de Ribeirão tem quatro mil processos. De janeiro a outubro deste ano, a Delegacia de Defesa da Mulher abriu 1.163 inquéritos e prendeu 117 pessoas.
Os números mostram que há muito caminho a ser percorrido no combate à violência contra a mulher. A notícia que não deixa o desânimo tomar conta é que o engajamento se multiplica por todo lado.
A campanha que começou ontem e vai até dia 10 quer conscientizar. “Precisamos trazer a discussão para que as mulheres vejam que não estão sozinhas. A informação é o que leva a vítima a buscar ajuda”, diz Najla Ferraz, presidente do Conselho Municipal da Mulher.
Conscientização que Shirley Viana, 33 anos, plantou e hoje passa à frente. A atriz e professora de teatro guarda na mente o assédio que sofreu, ainda adolescente, em um ônibus. O homem tentou passar a mão e ela revidou com uma sombrinha. Depois, foi revidando quando os namorados não aceitavam a profissão e revida até hoje quando a cantada grosseira reverbera na rua.
Shirley é integrante da União Brasileira da Mulher, participa de movimentos, entende o feminismo como manifestação política. “Quando você começa a estudar, o feminismo vem com tudo. Todos os dias mulheres são agredidas.”
Em busca de direitos
Para a juíza Carolina Moreira Gama, do Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, as mulheres, nos últimos 10 anos, têm buscado mais os seus direitos. “Hoje, temos uma mulher mais fortalecida. Que trabalha, sabe dos seus direitos e precisa continuar recebendo apoio do poder público para sair de situações de violência.”
Ela acredita que, esse “fortalecimento” faz com que a mulher denuncie mais a violência que sofre. “Os números de violência contra a mulher só tem crescido. Mas esse crescimento vem do conhecimento maior que a mulher está tendo para buscar a Justiça. A violência sempre existiu”, ela diz.
O anexo recebe uma média de 120 processos novos enquanto nas outras varas criminais do Fórum de Ribeirão entram de 80 a 90 ações mensais.
1) Buscar proteção é o 1º passo
A mulher que é vítima de violência deve encontrar um lugar onde se sinta segura e acolhida. Um médico, um amigo, um familiar, um psicólogo, a Justiça, a Polícia: o primeiro passo é encontrar apoio para tomar suas decisões.
2) Violência de muitas caras
Agressão é violência. Assédio é violência. Estupro é violência. Mas o machismo diário também é. A diferença que a empresa faz entre homens e mulheres é violência, sim. A cantada grosseira na rua também é. A violência está por todo lado, em diferentes formas.
3) Conversar é preciso!
Falar sobre os problemas faz surgir ideias de ativismo e novas formas de combate à violência. Além disso, quando as mulheres compartilham umas com as outras suas dificuldades, criam uma rede de apoio e entendem que não estão sozinhas. Rodas de conversas, encontros, eventos são opções para o diálogo.
4) Precisamos falar com os homens!
No combate à violência contra a mulher, o foco não está só nelas. É preciso falar com os homens, explicar, orientar e engajá-los pelos direitos das mulheres. A Prefeitura de Ribeirão Preto tem um programa de reeducação do agressor, com o objetivo de fazer o homem entender a violência e mudar sua postura.
5) Rede de proteção
A mulher que é vítima de violência precisa de uma rede de acolhimento que preste apoio em todas as esferas: Justiça, Saúde, Assistência Social. É preciso, porém, que a equipe saiba entender e respeitar as vontades da mulher.
6) Igualdade no trabalho
Não há motivos para homens e mulheres que ocupam a mesma função serem remunerados de maneira diferente. As empresas devem promover a igualdade através de palestras e iniciativas e respeitar os direitos dos funcionários e funcionárias.
7) Feminismo em sala de aula
A educação é o caminho mais eficaz na busca por igualdade de gêneros e no combate à violência contra a mulher. As escolas precisam colocar essas questões em pauta, entendendo que a educação tem o poder de criar conceitos e modificar a cultura do machismo.
8) Combater o silêncio
Denunciar é a forma de levar o problema ao poder público e cobrar providências. As estatísticas de violência crescem, mas os especialistas não lamentam. Consideram o aumento um sinal de que a violência sempre existiu, mas agora as mulheres estão buscando seus direitos.
9) Rosa e azul
Rosa é cor de menina e azul é cor de menino. Menina brinca de boneca e menino de carrinho. Menina é delicada e menino é forte. Menina é princesa e menino é super-herói. Conceitos que formam a cultura machista desde cedo.
10) Saia curta. E daí?
Um a cada três brasileiros culpa a mulher pelo estupro sofrido, de acordo com pesquisa do Datafolha divulgada em setembro. Mesmo entre as mulheres, 30% culpa a vítima. O Brasil registra, em média, 50 mil estupros ao ano. O tamanho da saia não justifica tamanha violência.
11) Não é não
O que o “não” significa? Que a mulher é difícil? Que ela está fazendo uma ‘graça’? Que ela quer, mas não tem vergonha de falar? Todos esses pensamentos têm como resultado algum tipo de violência. Não significa não. E ponto.
12) Casamento não é prisão
Não é porque a mulher está casada que precisa aceitar o que o marido quer. A autonomia da mulher deve ser respeitada em qualquer circunstância. Sexo não consentido é estupro, mesmo no casamento.
13) Família é apoio
É importante que a mulher possa contar com o apoio de familiares no momento de denunciar a violência sofrida e buscar seus direitos. A família pode orientar e buscar formas de apoiar, sempre respeitando a vítima.
14) É seu direito!
A mulher tem direito à vida, à liberdade e à igualdade, à informação e à educação, à privacidade, à saúde, à participação política, ao voto. Saiba quais são seus direitos e não tenha medo de lutar por eles.
15) Lei Maria da Penha
A lei completou 10 anos e é um marco na defesa dos direitos das mulheres. Ribeirão conta com o Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que funciona no Fórum e tem como objetivo prestar atendimento especializado e acolhimentos às mulheres, fazendo valer a lei.
16) Participe!
Em Ribeirão Preto, coletivos, ONGs, instituições e prefeitura têm espaço para o ativismo e o engajamento. As redes sociais podem ser uma forma de compartilhar informação de qualidade. A arte pode ser uma forma de manifestação política. Escolha a sua forma e participe!
Como a campanha surgiu:
1991 - 23 mulheres de diferentes países lançaram a Campanha dos 16 dias de ativismo com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo. As participantes escolheram um período datas históricas importantes: de 25 de novembro a 10 de dezembro.
25 de novembro - Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres - Data marcada pelo assassinato das irmãs “Las Mariposas”, como eram conhecidas, contra a ditadura da República Dominicana.
29 de novembro - Dia Internacional dos Defensores dos Direitos da Mulher - Campanha lançada em 2004 pelo reconhecimento e a proteção das mulheres defensoras dos direitos humanos.
1º de dezembro - Dia Mundial de Combate à AIDS
Os números de mulheres com Aids preocupam e levaram o Governo a lançar o Plano de enfrentamento da Feminização da AIDS e outras DST’s.
6 de dezembro - Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres - Data marcada pelo massacre de mulheres em Montreal no Canadá, em 6 de dezembro de 1989, no qual um homem invadiu uma sala de aula, assassinou 14 mulheres à queima roupa e depois suicidou-se, deixando uma carta dizendo que não suportava a ideia de ver mulheres estudando Engenharia.
10 de dezembro - Dia Internacional dos Direitos Humanos
Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada pelas Organizações das Nações Unidas.
Fonte: A Cidade, Defensoria Pública de São Paulo, Conselho Municipal da Mulher, ONU Mulheres, Think Olga
Daniela Penha
---Rede PT Ribeirão, com informações da ACidadeON/Ribeirão
Copyright © 2015 - 2026 Rede PT - Todos os Direitos Reservados
Comentários