Marcha histórica das mulheres negras supera racistas em Brasília

/ Editor: José Alfredo | Agência Rede PT Ribeirão
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foto: Agência Rede PT

Marcha histórica das mulheres negras supera racistas em Brasília

Evento marcou o movimento de milhares de mulheres negras contra todas as formas de discriminação e violência de gênero

A data 18 de novembro de 2015 tornou-se um marco na história pela igualdade racial no Brasil, com milhares de mulheres negras, quilombolas, indígenas e yalorixás participando da primeira edição da Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, denunciando a intolerância religiosa e o racismo. Uma delegação de Ribeirão Preto e região, com 48 pessoas, participou do evento. “A marcha foi ótima, com cerca de 30 mil pessoas, muito mais participantes do que a polícia militar diz”, afirmou a petista Adria Ferreira, coordenadora do ônibus que saiu de Ribeirão Preto na noite do dia 17 e chegou de volta na manhã do dia 19 de novembro.

 

Adria destacou que diversos movimentos sociais, de todo o País, inclusive de homens, participaram da marcha. A presidenta Dilma Rousseff recebeu 18 integrantes da Comissão Nacional organizadora da marcha. Adria lembrou que houve manifestações de grupos que queriam o impeachment de Dilma, com agressões verbais contra a Marcha das Mulheres Negras, estouros de bombas, mas que não interromperam o movimento.

 

De volta a Ribeirão Preto, Adria lamentou a informação de que o Dia da Consciência Negra não será mais feriado a partir de 2016. Existe uma decisão judicial, em última instância, que revoga a lei municipal, criada a partir de projeto da petista Angela Roberto, de 2002, promulgada em 2004 e que teve o primeiro feriado local em 2006. “Isso é um retrocesso, já que queremos adiantar as conquistas públicas, mas existe um racismo estrutural no País”, comenta Adria. “Com essa decisão procuram nos dar invisibilidade, atendendo aos argumentos do setor financeiro”, completou ela.

 

Marcha

 

A marcha em Brasília pediu o fim do extermínio da juventude negra, foi contra a maioridade penal, a favor dos direitos das mulheres e por mais políticas públicas voltadas para negras. A manifestação também homenageou importantes personalidades negras, como Dandara, Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, Carolina de Jesus, Lélia Gonzalez. Elas também ocuparam o Congresso Nacional aos gritos de "Fora, Cunha". A marcha foi uma iniciativa de diversas organizações, como CUT e coletivos do Movimento de Mulheres Negras e do Movimento Negro, além de ter o apoio de importantes intelectuais, artistas e ativistas.

 

A secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Maria Julia Nogueira, afirmou que o evento foi a realização de um sonho e de uma luta histórica da central. "A CUT diz que é preciso não aceitar mais o racismo. A democracia só vai se consolidar quando a sociedade não permitir o racismo. Vamos dizer a esse Congresso machista e racista que a discriminação racial não dá mais nesse país", disse ela.

 

"Hoje as mulheres negras mostram para o mundo e para o Brasil a nossa força e resistência. Dizemos ainda que queremos estar em todos os lugares. É importante marchar pelas implementações de políticas públicas para as negras", afirmou Nilma Lino Gomes, Ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

 

Bastante emocionada, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) afirmou que era um momento histórico porque a marcha traz a marca e o suor de cada movimento, das donas de casa que conseguiram adquirir um diploma universitário: "Não somos uma qualquer. Estamos conseguindo o nosso espaço e marchando para dizer: não aos projetos que tiram os direitos das mulheres; não à matança de jovens negros; não à violência contra as mulheres. Basta de intolerância! Não queremos retrocesso, mas queremos, sobretudo, defender o Estado Democrático de Direito".

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