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41% das mulheres evitam sair à noite por medo da violência

O avanço da violência no Brasil tem imposto restrições cada vez maiores à vida das mulheres. Sair à noite, usar o celular nas ruas ou simplesmente circular pela cidade sem medo deixou de ser uma realidade para milhões de brasileiras, em um cenário marcado pelo crescimento da insegurança e pela ampliação da intolerância política no país.

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizada pelo Instituto Datafolha, mostra que 41% das mulheres deixaram de sair à noite no último ano por medo da criminalidade. Entre os homens, o percentual é de 30%.

Mais da metade dos brasileiros mudou a rotina por medo da violência; entre mulheres, receio é ainda maior

O levantamento revela que o medo da violência já interfere diretamente na rotina de mais da metade da população brasileira. Ao todo, 57% dos entrevistados afirmaram ter mudado hábitos nos últimos 12 meses para evitar situações de risco.

Entre as mulheres, a sensação de vulnerabilidade é ainda mais intensa: mais de 80% afirmaram ter medo de sofrer violência sexual.

Crescimento da violência de gênero e polarização política aprofunda medo entre mulheres

Os números expõem uma realidade histórica de desigualdade e violência de gênero que continua permeando o cotidiano feminino no país. O cenário se agrava diante do crescimento dos casos de feminicídio. Dados do Ministério da Justiça apontam que o Brasil registrou 399 feminicídios entre janeiro e março deste ano, o maior número já contabilizado para um primeiro trimestre.

A insegurança também se manifesta no campo político. Segundo outro recorte da pesquisa, quase seis em cada dez brasileiros têm medo de sofrer agressões físicas por causa de posicionamentos partidários ou opiniões políticas.

Mais uma vez, as mulheres aparecem entre as mais afetadas: 65,5% afirmaram ter receio desse tipo de violência. O índice também é mais elevado entre a população de baixa renda, evidenciando como a violência atinge com mais força os setores socialmente mais vulneráveis.

O estudo ainda chama atenção para o avanço da influência de facções criminosas e milícias em diferentes regiões do país. Em bairros onde esses grupos atuam, moradores relatam evitar falar sobre política por medo de represálias, em um ambiente de intimidação que afeta diretamente a liberdade de expressão e a convivência democrática.

Os dados revelam um país em que o medo passa a determinar comportamentos cotidianos, limitar direitos básicos e aprofundar desigualdades sociais já existentes, sobretudo para mulheres e moradores das periferias.

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