
A narrativa de “perseguição política” alimentada pela extrema direita sofreu um forte abalo vindo de dentro da própria família Bolsonaro. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (23) ao podcast estadunidense Louder with Crowder, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro admitiu abertamente o temor do avanço da Justiça contra seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro. Questionado sobre os desdobramentos de uma eventual derrota no segundo turno das eleições, Eduardo defendeu sem rodeios que o irmão fuja do país. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, declarou o parlamentar, a apenas dois dias da votação.
A fala é um reconhecimento público e confissão explícita o gravíssimo risco jurídico que criva a trajetória da família frente às apurações da Polícia Federal (PF) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025 após ser condenado no Brasil e já afirmou que não pretende retornar.
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Esquema com Banco Master e o filme ‘Dark Horse’
A tese de fuga desenhada por Eduardo tem motivos reais. Flávio Bolsonaro é alvo central do Inquérito 5026 no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. A investigação, aberta a pedido da PF com parecer favorável do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, debruça-se sobre um pesado esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
No centro das apurações está a viabilização e o financiamento do filme Dark Horse, utilizando recursos ligados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. A PGR identificou “indícios consistentes” de atuação criminosa e determinou o mapeamento de propostas legislativas apresentadas por Flávio e pelo deputado Mario Frias que visavam atender diretamente a interesses econômicos do Banco Master e de Vorcaro.
Rota de fuga mapeada e o fantasma das ‘rachadinhas’
A recomendação de Eduardo para que Flávio deixe o Brasil espelha movimentos recentes do seu entorno mais próximo. Na última semana, o advogado, operador e amigo íntimo de Flávio, Willer Tomaz, viajou às pressas com a família para Miami (EUA).
Embora Tomaz negue irregularidades, a Polícia Federal monitora os passos do advogado sob a suspeita de que a viagem seja uma antecipação de fuga diante do cerco policial. Tomaz é investigado por envolvimento no esquema de descontos indevidos no INSS, corrupção ativa e violação de sigilo. A PF também rastreou conexões diretas entre ambos, descobrindo inclusive que o senador figurava como “usuário master” de contas bancárias de empresas do advogado.
O fim do escudo eleitoral
A tentativa do clã Bolsonaro de desqualificar o rigor técnico da Polícia Federal e do Ministério Público Federal como “perseguição do STF” ruiu com a própria declaração de Eduardo. A conduta expõe que, nos bastidores da campanha, a eleição é encarada pela família não como uma disputa de projetos para o país, mas como uma blindagem jurídica instrumental para evitar a cadeia.
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