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Perda da hegemonia americana é ‘descompassada’, aponta especialista

A hegemonia global dos Estados Unidos vive um processo de declínio que “se dá de forma descompassada”, com perdas evidentes nas esferas econômica e tecnológica, mas ainda sustentada por uma forte presença militar e cultural. A observação é da pesquisadora Ana Penido, da UFRJ, que participará da segunda mesa do ciclo de debates do Projeto de Resolução do PCdoB, rumo ao 16º Congresso do partido, sob o tema “Mundo em Transição: Multipolaridade, declínio dos EUA, BRICS, papel da China e tensões geopolíticas”. O debate será mediado pela dirigente do PCdoB Conceição Cassano e terá ainda a participação dos professores Elias Jabbour (UERJ) e Luis Fernandes, secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Penido aponta que, mesmo em países historicamente resistentes à influência e às sanções norte-americanas, como Cuba e Venezuela, persiste uma penetração cultural pautada pelos Estados Unidos. Essa contradição revela que o declínio da hegemonia estadunidense não se dá de forma homogênea, e que as chamadas “guerras híbridas” — que combinam sanções econômicas, lawfare, desinformação e ciberataques — seguem sendo utilizadas para conter o avanço de alternativas como o BRICS e a aproximação entre Brasil e China. Penido critica o aumento dos gastos militares globais em detrimento das necessidades sociais e defende uma política externa brasileira voltada à integração sul-americana e à construção da soberania militar, hoje subordinada aos interesses dos EUA e da OTAN.

O socialismo chinês desponta como alternativa

Elias Jabbour analisa que essa nova configuração que se encaminha para um mundo multilateral abre espaço para a consolidação do socialismo como alternativa concreta ao neoliberalismo. Com vasta experiência e mais de uma dezena de visitas à China, ele defende o modelo chinês como expressão de soberania, crescimento acelerado e infraestrutura de ponta — como os 45 mil km de trens de alta velocidade no país asiático. Jabbour enfatiza a necessidade de o Brasil constituir “uma maioria política capaz de sustentar um projeto de desenvolvimento soberano”, alinhado à multipolaridade emergente.

O Brasil deve superar vulnerabilidades militar e tecnológica

Luis Fernandes, cientista político, também concorda que o mundo pós-Guerra Fria caminha para uma ordem multipolar, com o enfraquecimento relativo dos EUA, Europa e Japão, e a ascensão da China como potência global. Nesse contexto, ele aponta que o Brasil tem “margem de manobra para ampliar sua inserção internacional de forma autônoma”. Apesar das vulnerabilidades em áreas estratégicas como defesa e tecnologia, Fernandes afirma que “há caminhos viáveis, em curso, para superar a dependência externa nessas áreas”. Investir em ciência e tecnologia será, segundo ele, essencial para completar a independência nacional e garantir soberania no cenário global.

SERVIÇO

Ciclo de Debates – Mesa 2

  • Tema: Mundo em Transição: Multipolaridade, declínio dos EUA, BRICS, papel da China e tensões geopolíticas
  • Data: Segunda-feira, 4 de agosto, às 18h
  • Local: Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (SEAERJ), Glória, Rio de Janeiro
  • Participantes: Professores Elias Jabbour, Ana Penido e Luis Manuel Rebelo Fernandes
  • Mediação: Conceição Cassano
  • Inscrições gratuitas: https://comunicacao.grabois.org.br/ciclo-de-debates-rj-mundo-em-transicao

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