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CTB leva voz da classe trabalhadora à COP30 em Belém

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) terá presença garantida na 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), que acontecerá em Belém, no Pará, de 10 a 21 de novembro de 2025. A entidade inscreveu e teve aprovado o painel “Desenvolvimento Sustentável com Emprego e Direitos”, marcado para o dia 12 de novembro no Pavilhão Brasil, na chamada Zona Azul, onde se concentram os debates oficiais sobre a implementação da NDC brasileira no Acordo de Paris.

Em entrevista ao Portal Vermelho, a secretária de Meio Ambiente da CTB, Sandra Paula Bonetti, destacou participação a relevância política da participação da central no evento. “Participar da conferência é extremamente significativo. A classe trabalhadora poder, de alguma maneira, estar nesse espaço é fundamental, porque é um espaço que historicamente foi negado e é negado à classe trabalhadora. Essa discussão climática parte muito de uma visão mercantilista do capital, de acabar negociando a natureza. Então, muitas decisões tomadas ali impactam diretamente a nossa vida e não estarmos presentes para dizer quais são os nossos anseios é extremamente prejudicial.”

Painel com foco na transição justa

Sandra Paula Bonetti, secretária de Meio Ambiente da CTB

O painel da CTB, registrado como número 29 na lista oficial dos painéis aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente, buscará debater políticas e práticas que unam crescimento econômico, preservação ambiental e garantia de direitos trabalhistas. “No painel sobre desenvolvimento sustentável com emprego e direitos, pretendemos trazer vários aspectos: o desenvolvimento no campo, no urbano, e também a questão da transição justa. É preciso pensar práticas sustentáveis que incluam a classe trabalhadora, e que isso não seja mais uma questão que vai onerar os trabalhadores – uma questão onde os trabalhadores simplesmente vão ter que se adaptar e não vão ter nenhum tipo de cuidado em relação a isso. Nosso objetivo é olhar as várias perspectivas de desenvolvimento e incluir as pessoas nesse processo, com apoio da pesquisa, da ciência e da tecnologia”, explicou Sandra.

Limites e desafios de participação

A dirigente sindical também destacou os desafios de acesso ao espaço oficial de negociações da ONU. “Infelizmente, a conferência das partes não é um espaço aberto e participativo. O que conseguimos é o espaço dentro do Pavilhão Brasil, proporcionado pelo governo, para discussão com a sociedade civil. Participar efetivamente das negociações da ONU é um outro patamar, ainda restrito. Por isso, precisamos estar preparados para conhecer esse universo e fazer incidência política antes, durante e depois da conferência”, afirmou.

Segundo Sandra, a CTB já iniciou essa atuação em encontros preparatórios, como a conferência de Bonn, realizada em junho de 2025 na Alemanha. O painel da central será transmitido online, garantindo que dirigentes e trabalhadores de todo o país possam acompanhar as discussões.

Expectativas e próximos passos

Com o lema de ser a “conferência da implementação”, a COP30 deverá aprofundar o debate sobre como transformar acordos em políticas públicas concretas. Para a CTB, esse é o ponto central. “A nossa expectativa é que os acordos estabelecidos sejam cumpridos e se transformem em políticas públicas que mudem a vida da classe trabalhadora. Que resolvam problemas emergentes, como enchentes, secas, mobilidade urbana, e que desenvolvam tecnologia para garantir a produção de alimentos e a adaptação às mudanças climáticas. Precisamos pensar no antes, no durante e no depois da conferência”, reforçou Sandra.

A presença da CTB na COP30 reafirma o papel estratégico das lideranças sindicais nos debates sobre o futuro sustentável do país, defendendo que desenvolvimento econômico e preservação ambiental caminhem lado a lado com direitos e justiça social.

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