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Quaest: Isenção do IR tem apoio recorde e amplia aprovação de Lula

A reforma do Imposto de Renda, principal bandeira econômica do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se um dos pilares da recuperação política do governo. 

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (8) mostra que 79% dos brasileiros apoiam a isenção para quem ganha até R$5 mil por mês, índice recorde desde o início da série. Apenas 17% são contrários, e 4% não opinaram.

A proposta, aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados e agora em análise no Senado, também prevê taxação de 10% sobre rendas superiores a R$600 mil anuais, medida apoiada por 64% dos entrevistados, contra 29% que se dizem contrários. 

O resultado consolida a percepção de que a política tributária do governo “furou a bolha” ideológica e passou a ser bem avaliada até por setores identificados com a direita e o bolsonarismo.

O levantamento mostra que o impacto da reforma alcança eleitores de diferentes perfis ideológicos e de renda. 

Entre os que se declaram bolsonaristas, 36% esperam uma melhora importante nas próprias finanças com a isenção — percentual que era de 23% em março. Outros 55% acreditam que a mudança trará uma melhora pequena, mas positiva.

A percepção é ainda mais otimista entre os eleitores de Lula: 51% projetam melhora importante, enquanto 44% esperam ganho moderado. Mesmo entre os que se definem de direita, mas não bolsonaristas, 59% acreditam que haverá ao menos uma “melhora pequena”.

Para o cientista político e diretor da Quaest, Felipe Nunes, o resultado reflete a dimensão popular da agenda econômica. “A reforma do IR virou um ativo político do governo. É uma pauta que atinge o bolso das pessoas e, por isso, tem penetração até em públicos tradicionalmente críticos”, afirmou.

Reação positiva nas classes médias e entre os mais ricos

A pesquisa indica ainda que o avanço da reforma teve efeito direto na aprovação do governo entre os eleitores de maior renda. Entre aqueles que ganham acima de cinco salários mínimos, a aprovação subiu de 37% para 45%, enquanto a rejeição caiu de 60% para 52%. 

É o maior salto desde o início do ano e reflete, segundo analistas, a percepção de que o governo recuperou o diálogo com o setor produtivo após a crise tarifária com os Estados Unidos.

Nos demais estratos sociais, o cenário se manteve estável. Entre quem ganha até dois salários mínimos, 54% aprovam o governo, e entre os que recebem de dois a cinco salários, 46%. 

O crescimento mais expressivo entre os mais ricos sinaliza uma redução da polarização econômica e uma melhora na confiança de parte da classe média.

Mulheres e católicos formam base mais sólida de apoio

O efeito da política tributária também reforçou a sustentação de Lula entre mulheres e católicos, dois segmentos que apresentaram as maiores taxas de aprovação nas últimas pesquisas. 

Entre as mulheres, 52% aprovam o governo e 45% desaprovam, uma inversão completa em relação ao início do ano.

Entre os católicos, a aprovação chegou a 54%, contra 44% de desaprovação — avanço de nove pontos desde maio. Já entre os evangélicos, a rejeição se mantém elevada (63%), embora com ligeira redução desde o semestre anterior.

Analistas apontam que o impacto da isenção é particularmente forte entre as mulheres, que compõem a maior parte dos lares de baixa renda e foram as mais afetadas pelo custo de vida. A ampliação da faixa de isenção, somada à queda dos preços de alimentos e ao retorno de programas sociais, contribuiu para reverter a tendência negativa verificada no primeiro semestre.

Símbolo de justiça fiscal e redistribuição de renda

Com 67% da população afirmando já conhecer a medida — 11 pontos a mais que em junho —, a reforma do IR se consolidou como símbolo de redistribuição e justiça fiscal. Além do efeito econômico, o tema tem servido como bandeira política de afirmação do governo frente à oposição liberal.

A percepção de que a economia “melhorou” subiu de 21% para 28%, e o índice dos que acreditam que “vai melhorar” nos próximos 12 meses alcançou 43%, contra 35% que projetam piora. A diferença de oito pontos é a mais favorável desde o início de 2024.

Economistas próximos ao Planalto avaliam que a reforma reforça o discurso de responsabilidade social e consolida a imagem de Lula como líder capaz de equilibrar crescimento econômico e inclusão social.

Nova fase política

Com a pauta econômica em alta e a aprovação empatada com a rejeição, Lula vive o melhor momento de seu terceiro mandato. A consolidação da reforma do IR, aliada à retomada da diplomacia e ao enfraquecimento das bandeiras bolsonaristas, fortalece a percepção de estabilidade política e social.

A pesquisa mostra que a economia voltou a ocupar o centro do debate, e que a resposta popular à política de redistribuição confirma a estratégia do governo de reconstruir a confiança pelo cotidiano, não apenas pela retórica.

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