
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, discursou durante a abertura da segunda semana de negociações da COP30, em Belém (PA), nesta segunda-feira (17). A plenária de alto nível reuniu 160 lideranças entre ministros e representantes de alto escalão de diversos países.
A principal pauta é a aceleração das negociações. Diversos ministros de Meio Ambiente, Relações Exteriores e Economia estão na capital paraense para dar celeridade às discussões.
Alckmin deixou explícito o pedido para uma transição mais acelerada de “negociação para a implementação” dos acordos, uma vez que as mudanças climáticas já são realidade.
Estiveram na mesa com ele a presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock; o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell; a vice-secretária executiva da UNFCCC, Noura Hamladji; e o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago.
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Stiell destacou os dez anos do Acordo de Paris: “única forma da humanidade sobreviver a esta crise climática global e de espalhar os vastos benefícios da ação climática para todas as nações.”
Comunga da mesma opinião Baerbock: “Tenho sido inspirada repetidamente, desde Paris, pela coragem e determinação de pessoas que, através de regiões e setores, avançaram apesar dos ventos contrários. As soluções estão todas lá fora, por todo o mundo. Agora temos que conectá-las, focando em nossos mais fortes e maiores amigos: a confiança e a cooperação regional.”
Conferência da Verdade
Em seu discurso, Alckmin apontou a COP30 como “Conferência da Verdade, da Implementação e, sobretudo, da Responsabilidade”.
O vice-presidente ressaltou o Brasil como guardião de um dos maiores biomas do planeta, a Amazônia, e destacou como prioridade elaborar os mapas do caminho para a transição energética e o fim do desmatamento ilegal.
“Esta COP deve marcar o início de uma década de aceleração e entrega. O momento em que o discurso se transforma em ação concreta, em que deixamos de debater metas e, todos nós, passamos a cumpri-las”, disse Alckmin.
Ele ainda falou de realizações brasileiras, como o aumento para 30% a mistura do etanol na gasolina, e de 15% de biodiesel no diesel; redução de 50% no desmatamento ilegal e o compromisso de reduzir a zero até 2030; de lançar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a iniciativa Coalizão Global de Mercados Regulados de Carbono; entre outros.
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Sobre os dez anos do Acordo de Paris, afirmou que o momento é de repactuação: “a apresentação pelos governos de NDCs [Contribuições Nacionalmente Determinadas] alinhadas ao objetivo de 1.5ºC do Acordo de Paris é um dos sinais de compromisso com o combate à mudança do clima e o reforço do multilateralismo”.
Conforme destacou, a NDC brasileira é “ousada, mas realista”, ao determinar um compromisso de redução nas emissões líquidas de gases de efeito estufa no país de 59% a 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005.
Dessa maneira, além de pedir aos líderes presentes a transformação de ambições em compromissos, com “urgência, pragmatismo e esperança”, Alckmin reforçou a necessidade de que os acordos sejam efetivamente cumpridos: “A COP30 marca agora a transição do regime da negociação para a implementação. As várias decisões que sairão de Belém reforçarão mecanismos e estimularão novos arranjos para acelerar a ação de combate à mudança climática em escala global. E isso faremos por escolha própria, porque é a escolha certa a ser feita”, finalizou o vice-presidente.

‘Descarbonização’
Na parte da tarde, Alckmin lançou consulta pública para a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (Endi), que poderá ser acessada na plataforma Brasil Participativo até 17 de janeiro de 2026.
A iniciativa do ministério que ele comanda está alinhada à Nova Indústria Brasil (NIB) e visa preparar a indústria brasileira para competir em um cenário global que exige produtos e processos de baixo carbono, segundo o MDIC.
“A indústria do futuro é de baixo carbono e a ENDI vai fortalecer a produção nacional, aumentando a competitividade da indústria brasileira em um cenário global que exige baixas emissões. Com essa estratégia, mais uma vez, o Brasil mostra que está na liderança global quando falamos de sustentabilidade”, disse Alckmin.
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