
Em um cenário de extrema tensão geopolítica após a ação militar dos EUA na Venezuela, a Colômbia reafirmou sua soberania por meio da mobilização popular e da diplomacia direta. Na quarta-feira (7), os presidentes Gustavo Petro e Donald Trump tiveram uma conversa telefônica de mais de uma hora, o que representou um recuo tático de Washington após ameaças explícitas de intervenção. Foi o primeiro diálogo oficial entre os chefes de Estado desde o início do mandato de Trump.
A Escalada de agressões
A crise escalou segunda-feira (5), quando Trump, a bordo do Air Force One, lançou ataques pessoais contra o líder colombiano. Sem provas, acusou Petro de ser um “homem doente, que gosta de fazer cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Ao ser questionado por jornalistas sobre uma possível operação militar na Colômbia, semelhante ao sequestro de Nicolás Maduro em Caracas, Trump foi categórico: “Isso me soa bem”. E ameaçou: “a Colômbia está muito doente também e ele [Petro] não vai fazer isso por muito tempo”.
A resposta de Bogotá foi pautada na resistência. Petro denunciou que Trump foi enganado por “mafiosos colombianos e elites de Miami” e “coronéis da inteligência” que repassavam informações falsas. Em tom de defesa nacional, Petro declarou que “todo soldado colombiano recebeu esta ordem: qualquer comandante das forças de segurança que prefira os EUA [em detrimento da soberania nacional] deve ser destituído”. O presidente chegou a evocar sua trajetória de luta, afirmando que “tomaria as armas novamente” se fosse necessário para defender o país de um “espetáculo de morte” como o ocorrido na capital venezuelana.
A força das ruas em Bogotá: “Não nos ajoelhamos”
A virada diplomática não ocorreu no vácuo. Na quarta-feira (7), milhares de colombianos ocuparam a Plaza de Bolívar, sob o grito de “soberania”. No palanque, Petro proferiu um discurso histórico, elevando o tom contra a extorsão internacional: “Disseram-me que agora eu ia entender por que me colocaram na lista das sanções dos EUA. Eu nunca cedi a propostas mafiosas. Para mim, esse tipo de atitude não passa da expressão típica da máfia colombiana dormindo em Miami com seus aliados da extrema direita na Flórida, tentando ajoelhar um presidente. Nós não nos ajoelhamos. Nós não vamos dar um passo atrás”, afirmou Petro sob aplausos.
O presidente questionou diretamente o desconhecimento de Trump sobre a realidade andina: “O senhor Trump não tem ideia de quem sou eu, nem do que penso, nem da história deste país. Nem sequer sabe com clareza onde fica a Colômbia… Ataca o líder que mais se opôs ao narcotráfico sedento de poder político e de sangue”.
Soberania contra o “Controle Colonial”
Petro foi enfático ao classificar a política externa de Washington como uma forma de dominação que ignora os avanços sociais da Colômbia. Ele denunciou que a suposta ajuda militar é, na verdade, um mecanismo de tutela: “A desculpa da luta contra as drogas… é, na realidade, um programa de controle colonial sobre os países da América Latina, começando pela Colômbia. Nos dominam, mas nós juramos em nossa história ser livres e independentes. Hoje nos colocam diante de uma extorsão mafiosa proveniente de um governo estrangeiro para decidir se aceitamos de novo outro rei ou se dizemos que não. O rei não é soberano; o povo é o soberano”.
O recuo de Trump
Após a demonstração de força nas ruas, Trump mudou o tom nas redes sociais, classificando a ligação como uma “grande honra” e elogiando o “tom respeitoso” de Petro. Trump convidou o presidente colombiano para uma reunião na Casa Branca para discutir políticas antidrogas e uma “aliança de energia limpa”.
Petro, por sua vez, inseriu na pauta a estabilização da Venezuela, propondo um diálogo tripartite (Colômbia-Venezuela-EUA). O objetivo é evitar a perpetuação da “supervisão” militar dos EUA sobre o petróleo vizinho. Ao encerrar o dia, Petro enviou uma mensagem de alívio à nação que, agora, os colombianos podem “dormir tranquilos”. E completou afirmando que “o tamanho da grosseria mede inversamente o tamanho do cérebro. Aos insultos, respondemos com a dignidade de quem cuida da vida”.
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