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CTB defende fim da escala 6×1 e fortalecimento dos direitos do trabalhador no 1º de Maio

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, participou nesta quinta-feira (30) da nova edição do programa Entrelinhas Vermelhas, para analisar o cenário político nacional e as lutas da classe trabalhadora. Em pauta, a marcha realizada em 15 de abril em Brasília, a construção de uma agenda comum entre as centrais sindicais e as perspectivas para a aprovação da redução da jornada de trabalho.

Assista a íntegra da entrevista:

Pauta unitária e maturidade política do movimento sindical

Adilson destacou que a marcha da classe trabalhadora representou “o ápice da maturidade política” das centrais sindicais. “Estamos diante de uma encruzilhada e o tempo político tem nos cobrado maior responsabilidade”, afirmou. A pauta entregue ao presidente Lula e ao presidente da Câmara, Hugo Motta, reúne demandas estratégicas: redução da jornada para 40 horas semanais sem cortes salariais, fim da escala 6×1, regulamentação do trabalho por aplicativos e fortalecimento da negociação coletiva.

Segundo Adilson, a construção coletiva dessa agenda e a unidade entre as entidades são elementos fundamentais para projetar conquistas concretas. A marcha também se articulou com a realização de uma nova Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), a fim de levar à disputa eleitoral compromissos que possam integrar planos de governo.

Apoio ao governo Lula e perspectiva de reeleição

Questionado sobre o balanço do terceiro mandato de Lula, Adilson reafirmou o compromisso da CTB com o projeto democrático-popular encabeçado pelo petista. “O presidente Lula pega um governo destroçado e consegue, ainda num ambiente de muita complexidade, consolidar questões principais”, avaliou.

Entre os avanços citados, estão a igualdade salarial entre homens e mulheres, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução da tributação para rendimentos de até R$ 7.330. “Esses grandes feitos motivam a dar consequência e ajudar no processo eleitoral para que a gente consolide a manutenção desse projeto”, completou.

Para o dirigente, a alternativa ao governo Lula seria o retorno de uma agenda liberal, de retrocesso e subtração de direitos. “Nós só temos um caminho: eleger um governo vocacionado à defesa de uma pauta de interesses do povo e da nação”.

Redução da jornada: fatores que viabilizam a vitória

Sobre a iminente aprovação da redução da jornada de 44 para 40 horas e do fim da escala 6×1, Adilson apontou mudanças estruturais que favorecem a medida. “O aumento da produtividade, dos ganhos das empresas e dos investimentos tecnológicos materializam a possibilidade de uma jornada menos extenuante”, argumentou.

O dirigente ressaltou que países já testam a jornada de quatro dias com resultados positivos para empresas e trabalhadores. “Menos fadiga, menos estresse, menos burnout resultam num ambiente de trabalho mais saudável”. No Brasil, 70% da população apoia o fim da escala 6×1, o que reforça a legitimidade social da proposta.

Adilson também alertou para os dados alarmantes sobre saúde ocupacional: o Brasil é o segundo país com maior incidência de óbitos por acidente de trabalho e o terceiro em doenças ocupacionais. “Não temos outro caminho que não seja combater esse problema”, afirmou.

Representação sindical e orientações para as eleições

Diante da redução da bancada sindical no Congresso e do fortalecimento de forças de direita, Adilson defendeu a construção de uma ampla frente para “derrotar o fascismo”. “O ambiente institucional tornou-se muito hostil. Há um predomínio marcadamente da elite do grande capital em tomar de assalto os espaços institucionais”, criticou.

Para reverter esse quadro, a CTB orienta a eleição de representantes comprometidos com uma agenda de desenvolvimento, educação pública de qualidade e valorização do trabalho. “O Brasil não tem mais razões para seguir à deriva para o neocolonialismo. Precisamos construir uma frente que consiga galvanizar mentes e corações para um projeto mais ambicioso”.

Pejotização e trabalho por aplicativos: precarização em debate

Adilson também abordou a pejotização e o trabalho por plataformas digitais como expressões da precarização acelerada pela reforma trabalhista de 2017. “A pejotização seria a pá de cal, porque o problema mais grave é o rebatimento na Previdência Social”, alertou.

Sobre os aplicativos, o dirigente criticou a ideologia que vende a ideia de que o trabalhador é “empreendedor”, quando na realidade submete-se a jornadas extenuantes sem contrapartidas. “90% dos trabalhadores brasileiros recebem até R$ 3.500. Essa é uma situação decadencial”, afirmou.

A CTB defende a regulamentação urgente do trabalho por aplicativos e o combate à pejotização fraudulenta, temas que tramitam no Congresso e no Supremo Tribunal Federal, respectivamente.

1º de Maio: unidade na diversidade

Sobre as celebrações do Dia do Trabalhador, Adilson destacou que “a unidade se constrói na diversidade”. O 1º de Maio ocorrerá de forma descentralizada pelo país, com atos unitários em alguns locais e ações específicas em outros. “Quanto mais 1º de Maio, melhor”, afirmou.

O dirigente reforçou que a data deve ser usada para ganhar as ruas e reivindicar uma agenda próspera, que inclua o Brasil nas cadeias globais de valor, incentive energia limpa, explore a Amazônia Azul e promova desenvolvimento sustentável. “Precisamos concentrar riqueza, valorizar o trabalho e protagonizar a condição de um Brasil próspero, desenvolvido e soberano”.

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