
A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, anunciou neste domingo (11) o envio de centenas de agentes federais para Minneapolis, no estado do Minnesota, em meio à escalada de protestos contra o ICE (Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro dos EUA) após a morte de Renee Nicole Good, 37, baleada por um agente do órgão na última quarta-feira (7) durante uma operação migratória na cidade.
Segundo Noem, o reforço chega nesta segunda-feira (12) para “proteger” equipes do ICE e da Patrulha da Fronteira já mobilizadas em Minnesota, numa operação que o próprio Departamento de Segurança Interna descreveu como a maior até agora. São cerca de 2.000 agentes federais na região.
O governo Trump sustenta que o agente que matou Good agiu em legítima defesa e voltou a enquadrar o caso como “terrorismo doméstico”, alegando que o veículo em que a vítima estava teria sido usado como arma.
Autoridades estaduais e municipais, porém, contestaram a versão federal e citaram vídeos que indicariam que o carro se afastava no momento em que os disparos foram feitos, enquanto o estado de Minnesota abriu investigação criminal própria após relatar ter sido excluído da apuração conduzida pelo FBI.
No sábado (10), a polícia de Minneapolis estimou a presença de “dezenas de milhares” de pessoas no ato “ICE out of Minnesota” (Ice fora de Minnesota). Também houve prisões em protestos noturnos diante de hotéis onde agentes federais estariam hospedados.
O prefeito da cidade, Jacob Frey, criticou a exclusão das autoridades locais da investigação, afirmou que a apuração precisa ser neutra e imparcial e voltou a defender a retirada dos agentes federais da cidade.
Em resposta à morte de Renee Nicole Good e ao padrão de violência por parte do ICE, manifestações se espalharam por grande parte dos Estados Unidos ao longo do fim de semana, reunindo milhares de pessoas em dezenas de cidades do país.
Organizações sociais e movimentos progressistas convocaram mais de 1.000 eventos de protesto, sob o lema “ICE Out For Good”, em repúdio às práticas do órgão e à política migratória do governo Trump.
Em Nova York, manifestantes percorreram ruas de Manhattan com cartazes e palavras de ordem contra o ICE e a administração Trump, bloqueando trechos de avenidas e exigindo responsabilização e mudanças nas políticas federais de imigração.
Em Washington, D.C., mais de mil pessoas se reuniram em frente à sede do ICE, marchando pela cidade em ato pacífico que incluiu discursos contra a atuação do serviço e a favor de reformas no sistema migratório.
Os protestos também ocorreram em outras regiões e estados, com registros de manifestações em cidades como Boston, Austin, Philadelphia, Knoxville, Portland, Tampa Bay e diversas outras localidades, onde grupos locais organizaram marchas, vigílias e concentrações para denunciar a violência do ICE e mostrar solidariedade às vítimas e suas famílias.
Em várias dessas ações, os participantes criticaram o uso de força letal e táticas de repressão, pediram o fim das operações migratórias repressivas e exigiram que as lideranças políticas federais respondessem pelos acontecimentos.
As mobilizações ganharam também repercussão em mídias sociais e ações simbólicas, ampliando a pressão sobre legisladores e autoridades locais em diversas partes do país.
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