
Às vésperas de a guerra na Ucrânia completar quatro anos, o presidente Volodymyr Zelensky pediu a Donald Trump que os Estados Unidos “fiquem ao lado da Ucrânia”, afirmou em entrevista à CNN.
O apelo é reflexo do momento em que a Ucrânia enfrenta o acúmulo de baixas e danos à infraestrutura energética, em um conflito condicionado pelos interesses das grandes potências europeias e dos Estados Unidos.
Na entrevista, Zelensky afirmou que os Estados Unidos são “grandes e importantes demais para se afastarem do conflito” e disse esperar que Trump reforce publicamente o apoio a Kiev.
Questionado se o presidente norte-americano exerce pressão suficiente sobre Vladimir Putin, respondeu de forma direta: “Não”.
O ucraniano também declarou que “se eles realmente querem deter Putin, a América é tão forte”, numa tentativa de vincular o destino da guerra à posição que Washington decidir adotar.
As declarações expõem o grau de dependência política e militar da Ucrânia no quarto ano do conflito. Embora a guerra siga em curso no país, decisões centrais sobre financiamento, fornecimento de armas e limites do envolvimento externo continuam sendo tomadas fora de Kiev, sobretudo entre aliados europeus e os Estados Unidos.
Nesse arranjo, a Ucrânia acabou concentrando o desgaste humano e material de uma guerra prolongada, enquanto seus principais patrocinadores calibram o nível de apoio, a conta financeira e os limites do envolvimento.
Quatro anos depois, o conflito segue sem perspectiva clara de reversão no campo de batalha, mas também sem condições políticas evidentes para um desfecho negociado.
Zelensky, por sua vez, insiste que ceder às exigências russas não está em discussão. “Não podemos simplesmente dar a ele tudo o que ele quer”, disse, ao rejeitar a retirada de tropas das áreas do leste ainda sob controle ucraniano.
Sobre as garantias de segurança em debate com aliados, o ucraniano cobrou uma resposta “muito específica” sobre o que fariam “se Putin voltar”. A cobrança de Zelensky por garantias de segurança, no entanto, esbarra na falta de coordenação entre os próprios países da Otan.
Quatro anos depois o bloco segue dividido sobre o nível de compromisso, os custos econômicos e os riscos políticos de sustentar o conflito no longo prazo, o que enfraquece a credibilidade de promessas feitas a Kiev.
O impasse tem sido reconhecido inclusive por lideranças políticas no Ocidente, que avaliam que a guerra expôs mais os limites da estratégia da aliança do que a capacidade de resistência ucraniana. A leitura é a de que, apesar da superioridade econômica do bloco, a ausência de uma ação coordenada transformou o conflito em um derrota europeia.
Enquanto isso, as conversas diplomáticas seguem sem resultados concretos. Há negociações, anúncios de novos pacotes de sanções e iniciativas pontuais, mas nenhuma sinalização de cessar-fogo ou acordo político.
O prolongamento do impasse reforça a avaliação de que a guerra caminha menos para uma solução negociada e mais para a consolidação de uma derrota política do Ocidente, com a Ucrânia arcando com o custo humano e material do conflito.
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