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Chanceler alemão repudia ameaças dos EUA a Cuba: ‘não há base discernível para intervenção’

O chanceler alemão Friedrich Merz rejeitou, nesta segunda-feira (20/04), as ameaças dos Estados Unidos de uma possível intervenção em Cuba durante a visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não existe absolutamente nenhuma base discernível para uma intervenção em Cuba”, declarou Merz ao final de uma coletiva de imprensa ao lado de Lula na cidade de Hanôver.

Merz afirmou que, apesar dos problemas internos na ilha, “não há ameaça perceptível a terceiros países fora de Cuba“. Especificamente, “no caso dos Estados Unidos da América, eles não têm motivo para tal ação”, afirmou.

“Só posso aconselhar urgentemente que, se houver conflitos, se houver esforços para a mudança, inclusive no que diz respeito à liberdade de circulação, fronteiras abertas e direitos humanos, esse caminho deve ser trilhado por meios diplomáticos e pacíficos, e não iniciando desnecessariamente um novo conflito no mundo, o que só criaria mais problemas “, disse ele.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz
@bundeskanzler / X

Minutos antes, Lula havia se expressado na mesma linha. “Eu me oponho à falta de respeito pela integridade territorial dos países (…) Onde está a autodeterminação dos povos? Onde está o respeito pelos direitos humanos?”, questionou.

Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que impacta severamente a economia do país, foi agora reforçado por inúmeras medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.

Ameaça dos EUA a Cuba

Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando “estado de emergência nacional” em resposta à alegada “ameaça incomum e extraordinária” que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região.

O texto acusa o governo cubano de se aliar a “numerosos países hostis”, abrigar “grupos terroristas transnacionais” e permitir o destacamento na ilha de “sofisticadas capacidades militares e de inteligência” da Rússia e da China.

Com base nesses argumentos, foram anunciadas tarifas contra os países que vendem petróleo para a nação caribenha, juntamente com ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.

A medida surge em meio à escalada das tensões entre Washington e Havana, que tem rejeitado consistentemente essas alegações e alertado que defenderá sua integridade territorial. O presidente cubano respondeu que “essa nova medida demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida de uma conspiração que se apropriou dos interesses do povo norte-americano para obter ganhos puramente pessoais”.

Em 7 de março, Trump anunciou que “uma grande mudança está chegando em breve a Cuba”, que — acrescentou ele — está “chegando ao fim da linha”.

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