O 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores terminou com a aprovação de um Manifesto político e com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva como eixo central da tática partidária para 2026. Realizado entre 24 e 26 de abril, em Brasília, o encontro reuniu 519 delegados de todo o país, alinhados na defesa do governo e na proposta de ampliar o diálogo social, especialmente fora das redes.
O documento “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país” atualiza o projeto do partido e lista reformas estruturais: político-eleitoral; tributária, com ênfase em justiça tributária e combate à concentração de renda; do Judiciário; tecnológica, com foco em soberania digital e produtiva; administrativa, voltada à reconstrução da capacidade pública; reforma agrária, pela soberania alimentar; e reforma da comunicação, com enfrentamento aos monopólios do setor. O texto também defende a universalização da escola em tempo integral e o fim imediato da escala 6×1, com ao menos dois dias de folga semanais.
2026 no centro da estratégia
Os congressos partidários também funcionam como espaço de encontro da militância. No caso do 8º Congresso, o centro do debate foi a eleição de 2026 e a definição da tática eleitoral. Nesse contexto, o delegado do PT-DF, Fabiano Trompetista, avaliou que o partido cumpre ali sua tarefa de “nortear a estratégia política”.
A percepção de que o encontro marca um momento decisivo também aparece entre parlamentares. Em seu primeiro congresso, a deputada estadual Dani Portela (PT-PE) destacou a importância de definir estratégias e ampliar a presença institucional. Para ela, a continuidade do projeto passa pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. “A caneta que muda a vida das pessoas precisa continuar no campo popular democrático”, afirmou.
A dimensão territorial e o papel da escuta foram ressaltados pela deputada estadual indígena Eliane Xunakalo (PT-MT), que apontou o congresso como espaço de alinhamento entre diferentes realidades do país. Já o vice-presidente da UNE, Gutemberg Rodrigues, chamou atenção para o cenário eleitoral à frente. Segundo ele, o partido se prepara para uma disputa “não tranquila” em 2026, com foco na disputa de projeto de país e na ampliação de bancadas no Congresso.
A leitura de que o momento exige centralidade estratégica na eleição também foi reforçada pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC). Para ele, o encontro evidenciou a diversidade da militância e a importância da reeleição. “É decisiva para o futuro do Brasil, da soberania nacional e da democracia”.
Movimento negro cobra avanços e aponta conquistas
A presença do movimento negro foi marcada por reivindicações organizativas e pela avaliação de avanços. Thaís Carvalho, do Rio Grande do Norte, integrante do Coletivo Nacional de Combate ao Racismo, destacou a articulação dos delegados do movimento negro e o perfil do congresso. “Mais da metade dos participantes deste congresso se declarou preta ou parda”, disse.
Em uma avaliação positiva, ela considera que o encontro consolidou “vitórias” defendidas há anos. Entre elas, citou a proposta de curso de letramento racial para candidaturas e a criação de uma banca de autoidentificação para fortalecer candidaturas de pessoas pretas e pardas.
Congresso reforça articulação internacional do partido
A dimensão internacional foi apontada como um dos pontos altos do encontro. A programação, organizada em parceria com a Fundação Perseu Abramo desde a quarta-feira (22), reuniu representantes estrangeiros e reforçou o caráter global do congresso. Foram 70 convidados internacionais de 23 países, entre eles, 16 embaixadores.
Os Núcleos do PT no exterior marcaram presença com representantes da Argentina, Barcelona, Irlanda, Lille e Paris. A coordenadora do núcleo de Barcelona, Heike Weeage, ressaltou o ambiente amistoso e fraterno dos dias do evento. “Vou me aprofundar nos temas discutidos durante o congresso, para me preparar para a segunda etapa”, disse.
Entre os delegados, o tema apareceu em destaque. O delegado Ivanildo, de Goiânia (GO), mesmo crítico à ausência de tarefas práticas, ressaltou a “mesa das autoridades internacionais” como um dos momentos mais relevantes, pela troca de experiências com delegações estrangeiras.
A avaliação sobre o peso internacional do encontro também foi compartilhada pelo senador Humberto Costa, secretário de Relações Internacionais do PT. Segundo ele, a presença de partidos, países e embaixadas demonstra a “respeitabilidade” internacional da legenda. O desafio agora, afirmou, é estruturar essa força e transformá-la em ação política concreta.
Entre avaliações, prevalece leitura de unidade
Apesar de avaliações distintas sobre o formato, a leitura predominante foi a de um congresso que cumpriu seu papel político. O delegado Raimundo Itamar Filho, do Ceará, afirmou que o encontro “cumpriu o objetivo dentro do possível”, destacando o intercâmbio entre militantes de diferentes regiões e setoriais.
O deputado Jilmar Tatto, secretário-executivo do congresso, classificou o resultado como “sucesso total” e afirmou que o partido sai do encontro com unidade e diretrizes claras.
A mesma avaliação aparece na fala do secretário-geral do PT, Laércio Ribeiro, que destacou o caráter estratégico do encontro e o papel do manifesto como síntese política. “A avaliação é positiva. Iniciamos um espaço importante de debate, discutindo tática eleitoral e diretrizes do programa. Saímos com um manifesto dirigido não só ao PT, mas à sociedade brasileira”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que o congresso não se encerra em si. “É um processo que continua, com novos debates sobre organização partidária e programa no próximo período”.
Para Laércio, o principal resultado foi político. “O ponto alto é o manifesto. O recado agora é ir para o enfrentamento eleitoral e apresentar ao povo brasileiro o que já fizemos e o que propomos para o futuro”.
