
A um mês da eleição presidencial na Colômbia, o presidente do Equador, Daniel Noboa, aliado de Donald Trump, tenta interferir no processo eleitoral colombiano ao acusar o governo de Gustavo Petro de ligação com guerrilheiros.
Nesta quarta-feira (29), Noboa afirmou, sem apresentar provas, que uma suposta “incursão” de guerrilheiros pela fronteira norte estaria sendo promovida pelo governo de Petro, o que levou o presidente colombiano a reagir, classificar as declarações como “mentiras” e desafiá-lo a um encontro na fronteira.
“Várias fontes nos informaram de uma incursão pela fronteira norte de guerrilheiros colombianos, impulsionada pelo governo de Petro”, acusou Noboa em uma publicação nas redes sociais.
“Presidente Petro, dedique-se a melhorar a vida do seu povo em vez de querer exportar problemas para países vizinhos”, prosseguiu o aliado de Trump.
A declaração foi feita sem detalhamento sobre local, data ou evidências da suposta incursão, o que aprofundou a tensão entre os dois países e a percepção de interferência no processo eleitoral em um momento de escalada política, comercial e militar.
A reação de Gustavo Petro veio poucas horas depois, também pelas redes sociais.
O presidente colombiano negou as acusações e respondeu diretamente ao mandatário equatoriano, afirmando: “Vá até a fronteira norte e se encontre comigo, e construiremos a paz desses territórios; deixe de acreditar em mentiras”.
Nos últimos dias, o presidente equatoriano mentiu ao dizer que o mandatário colombiano teria mantido vínculos com o narcotraficante José Adolfo Macías Villamar, conhecido como “Fito”, apontado como chefe da organização criminosa Los Choneros, uma das principais estruturas do crime organizado no Equador.
Segundo as falsas acusações de Noboa, Petro teria se reunido com Fito durante uma visita à cidade costeira de Manta, em 2025, após participar da cerimônia de posse presidencial em Quito. A acusação, mais uma vez, não foi acompanhada de provas.
Petro rejeitou a alegação e afirmou que ela se baseia em interpretações frágeis de relatórios de inteligência. “Até o advogado de Fito desmente a versão estúpida da inteligência equatoriana que serve a Noboa para me caluniar”, escreveu.
O presidente colombiano detalhou que a narrativa apresentada por autoridades equatorianas se apoia em supostos “movimentos estranhos” de sua equipe de segurança. “Segundo a inteligência equatoriana, movimentos ‘estranhos’ da minha escolta, que é da Polícia Nacional e da UNP, demonstrariam a conversa de ‘Fito’ comigo; essa é a prova que apresentam”, afirmou.
Em tom crítico, Petro acrescentou que os deslocamentos mencionados eram atividades rotineiras: “Os movimentos estranhos são me levarem comida e a pessoa que me ajuda na redação do meu livro”.
O episódio se soma a uma série de confrontos recentes entre Bogotá e Quito, que já vinham se deteriorando desde o início de 2026 com a imposição de tarifas comerciais por parte do Equador.
Inicialmente fixadas em 30%, as taxas foram ampliadas progressivamente até atingir 100% sobre diversos produtos colombianos, com entrada em vigor prevista para 1º de maio.
A Colômbia respondeu com medidas equivalentes, intensificando a disputa econômica entre os dois países.
Em março, o governo equatoriano admitiu a realização de bombardeios em áreas próximas à Colômbia, em meio ao aprofundamento da cooperação militar com os Estados Unidos e a intensificação das operações contra grupos armados na região.
Outro ponto de atrito é o caso do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, preso por corrupção. Petro o classificou como “preso político”, enquanto o governo equatoriano considerou a declaração uma ingerência em assuntos internos.
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