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1º de Maio: atos fortalecem luta pelo fim da escala 6×1

1º DE MAIO. Atos combativos em São Paulo, Salvador e Belém. Foto: Eloísa Bonifácio (JAV/SP)

Reduzir a jornada, fim da escala 6×1 e enfrentar a exploração capitalista foram as principais bandeiras dos atos organizados pela Unidade Popular e pelo Movimento Luta de Classes em dezenas de cidades do país.

Ésio Melo e Redação


TRABALHADOR UNIDO – Da greve em Chicago, em maio de 1886 – marco para o surgimento do Dia Internacional dos Trabalhadores –, aos dias atuais, a classe trabalhadora luta pela redução da jornada de trabalho e combate a exploração capitalista.

Há 140 anos, a luta foi pela conquista da redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. Hoje, a classe trabalhadora brasileira tem como principal luta a redução da jornada de trabalho atrelada também ao fim da escala 6×1. Segundo pesquisa Datafolha, mais de 70% dos brasileiros querem o fim dessa escala de morte, que retira o direito à vida social, ao descanso, ao estudo e ao convívio com a família. 

“O povo pode e vai garantir a redução da jornada de trabalho e o aumento do salário mínimo. Os exemplos dos estudantes da USP, dos estivadores de Santos e dos povos indígenas do Pará mostram que é com as lutas que nós vamos derrubar a escala 6×1”, afirmou Samara Martins, pré-candidata à Presidência da República pela Unidade Popular (UP) no ato em São Paulo, no Jardim Pantanal, Zona Leste da cidade. A região é afetada por graves problemas de enchentes, déficit habitacional, violência policial, violência contra a mulher, e onde se concentram muitos trabalhadores que atuam na escala de trabalho 6×1.

O Movimento Luta de Classes (MLC), assim como os demais movimentos que constroem a UP e sindicatos combativos, foram às ruas para homenagear a memória dos operários de Chicago e apresentar à sociedade que só com o socialismo será possível acabar com a exploração e o sofrimento da classe trabalhadora.

“A gente não pode deixar esse dia ser tomado das nossas mãos porque a burguesia quer enganar a classe trabalhadora e dizer que é o ‘Dia do Trabalho’. Esse é o Dia dos Trabalhadores em luta por sua libertação, por redução da jornada, por segurança no trabalho, por saúde, pela eliminação do trabalho infantil, pelos direitos iguais entre homens e mulheres. É por isso que a gente sai às ruas no 1º de Maio”, afirmou Lígia Mendes, diretora do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo e militante do Movimento Luta de Classes.

Atos pelo Brasil

A disputa entre o dia 1º de Maio ser um dia de greves, paralisações e lutas ou um dia festivo existe há mais de 100 anos. Arthur Bernardes, então presidente do Brasil, em 1924, assinou uma lei tornando o 1º de Maio um feriado. Seu objetivo era conter protestos e estimular festejos e descanso.

Assim, mesmo setores do movimento sindical tendo aderido a essa tese, deixando de convocar protestos para a data, em diversas cidades do Brasil a Unidade Popular e o MLC garantiram a luta nas ruas, especialmente, em bairros populares.

Em Santa Catarina, aconteceram atos em Chapecó, Criciúma, Itajaí e Florianópolis. “O Dia Internacional dos Trabalhadores é para que a gente denuncie também o imperialismo estadunidense, o que o sionismo israelense e outras potências têm feito contra o povo trabalhador, porque as guerras servem aos ricos e à grande burguesia, mas quem paga por elas, inclusive com a própria vida, é a classe trabalhadora”, disse Laís Chaud, pré-candidata ao Governo Estadual pela UP.

No Rio Grande do Sul, houve atos em Porto Alegre, Novo Hamburgo, Charqueadas, Caxias do Sul e Pelotas. No Paraná, a UP convocou atos de rua em Curitiba, Londrina, Matinhos, Guaratuba e Foz do Iguaçu.

No Estado do Rio de Janeiro, o Movimento Luta de Classes e a Unidade Popular resgataram essa tradição organizando atos em sete cidades do interior, além de uma manifestação na favela Santa Marta, na capital, participando, ainda, do ato unificado convocado pelas centrais sindicais.

“A Unidade Popular mostrou, na prática, que só o povo organizado arranca direitos. Nada vem de cima, nada é concedido. Foi um ato firme, combativo, que deixou claro: a favela não vai aceitar exploração, abandono e violência como destino. Cada pessoa presente foi prova viva de que existe um caminho diferente construído coletivamente, com coragem e disposição para enfrentar as estruturas que mantêm o povo oprimido. Não tem transformação sem confronto, não tem vitória sem povo nas ruas”, afirmou a pré-candidata ao Governo do Rio Juliete Pantoja.

Em Belo Horizonte (MG), os trabalhadores se reuniram na quadra da Ocupação Paulo Freire e empunharam a faixa “Só a luta dos trabalhadores pode parar as guerras”, convocando os trabalhadores a enfrentarem as agressões imperialistas e a se solidarizarem com os povos do mundo. No Espírito Santo, o ato aconteceu na orla do Município de Serra.

1º DE MAIO. Atos combativos em São Paulo, Salvador e Belém. Foto: Beatriz Miranda (JAV/PA)
1º DE MAIO. Atos combativos em São Paulo, Salvador e Belém. Foto: Beatriz Miranda (JAV/PA)

Em Belém do Pará, centenas de militantes fizeram um ato com concentração no centro da cidade, numa área de forte comércio, onde os trabalhadores cumprem a escala 6×1. “Concentramos perto de um supermercado e seguimos em passeata até outro supermercado. Quando nos posicionamos com as faixas, houve uma forte repressão da Polícia, mas, mesmo assim, o ato resistiu, fazendo um jogral e denunciando a violência do Estado a serviço dos patrões”, disse Raquel Brício, pré-candidata da UP ao Governo do Pará.

Em Manaus (AM), a luta começou ainda na madrugada do dia 30 de abril, em frente à fábrica Walf Industrial, onde os trabalhadores denunciaram o atraso de seis meses no depósito do FGTS, assédio moral e alimentação insuficiente. Houve ainda ato de rua e brigada do jornal A Verdade.

No Mato Grosso, a Unidade Popular foi linha de frente na organização dos atos em Sinop, Barra do Garças, Rondonópolis e na capital Cuiabá. Os manifestantes ocuparam um shopping, chamando outros trabalhadores a não aceitarem mais serem explorados na escala 6×1 e ainda recebendo baixos salários. Também aconteceram atos em Brasília (DF) e Campo Grande (MS). Em Goiás, atos foram em Goiânia, Anápolis, Catalão e Caturaí.

Em Recife (PE), a UP esteve presente no ato unificado. Camila Falcão, professora, militante do Movimento de Mulheres Olga Benario e pré-candidata ao Governo Estadual, afirmou que “uma das principais batalhas do povo trabalhador é derrubar essa maldita escala 6×1, que nos mata e nos adoece”.

Também houve atos em Mossoró (RN), São Luís (MA) e Maceió (AL), onde os militantes da UP se concentraram num bairro popular, com muita agitação porta a porta, e depois seguiram para o ato unificado. No Ceará, a militância fez um ato na periferia de Fortaleza, além de participar dos atos em Juazeiro do Norte e Crato. No Piauí, houve atos em Teresina, Floriano e Parnaíba. Em Aracaju (SE), a militância ocupou o Shopping Jardins para denunciar a escala 6×1. Em Salvador (BA), aconteceu uma plenária no bairro popular do Uruguai, que mobilizou os trabalhadores em torno das bandeiras do 1º de Maio e da guerra eleitoral que se aproxima.

1º DE MAIO. Atos combativos em São Paulo, Salvador e Belém. Foto: Isabella Tanajura (JAV/BA)
1º DE MAIO. Atos combativos em São Paulo, Salvador e Belém. Foto: Isabella Tanajura (JAV/BA)

A luta continua

A cada dia está mais claro que o fim da escala 6×1 será fruto das lutas da classe trabalhadora, com protestos, manifestações e greves. Do Congresso Nacional, não se pode esperar nada. Se avança uma proposta pelo fim da 6×1, deputados e senadores cobram do Governo, por outro lado, a retirada de algum direito trabalhista. Votam por anistia a golpistas, privilégios para os ricos e avançam com leis para liberar a precarização geral do trabalho por meio da pjotização e da “uberização”.

“Por isso, o Movimento Luta de Classes e a Unidade Popular convocam as trabalhadoras e os trabalhadores brasileiros a se manterem nas ruas, em mobilizações pelo fim da 6×1, pela redução da jornada de trabalho e por direitos trabalhistas. Convoca, particularmente, a fazer panfletagens, e mobilizações construindo atos no dia 16 de maio, Dia do Agente de Limpeza Urbana”, afirmou Esteban Crescente, da Coordenação Nacional do MLC.

Matéria publicada na edição impressa nº 333 do jornal A Verdade