
O diálogo entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pelo escândalo do Banco Master, caiu como uma bomba no colo do centrão e da extrema direita. O áudio revelado pelo Intercept Brasil na quarta-feira (13) evidencia a relação próxima entre eles a ponto de gerar um pedido financeiro de R$ 134 milhões sob o pretexto da produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
A gravidade dos fatos apurados pela Polícia Federal (PF) fez com que deputados do PCdoB, PT e Psol acionassem a Procuradoria-Geral da República (PGR) com um pedido de instauração de inquérito e outro de prisão preventiva do senador. Em paralelo, pedirão à PF busca e apreensão, além de quebra dos sigilos bancário e telefônico de Flávio.
Além disso, a base do governo Lula agora trabalha para que seja aberta uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para analisar a atuação do Banco Master e as relações de Vorcaro com bolsonaristas e membros do centrão.
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Ainda que muitos parlamentares ligados a Flávio defendam a abertura da CPI, o pedido vindo deles é demagógico, para não se opor publicamente, em um primeiro momento, aos graves fatos diante da opinião pública. Como eles sabem que instalar a CPI demandaria muito esforço, fazem esse jogo político, mas por trás das câmeras os bolsonaristas e parlamentares do centrão atuam para que a proposta não avance.
Anteriormente já foram feitas tentativas de abertura de CPI, inclusive com um pedido no STF negado. O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), se vale da fila de CPIs para impedir que outra seja aberta.
Já aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), são apontados como receptores de dinheiro vindo do Master. Analistas apontam que Alcolumbre tem atuado para enterrar qualquer investigação sobre o banco. A situação envolveu, inclusive, sua atuação para barrar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal – visto como possível ameaça em julgamentos que possam revelar as entranhas da ligação bolsonarista-centrão-Vorcaro.
Pedido de prisão
A líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali, assinou junto a outros deputados uma notícia de fato criminal enviada a PGR com um pedido de instauração de inquérito e outro de prisão preventiva do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato da extrema direita à presidência do Brasil.
Conforme o texto apresentado pelos deputados, “o ponto central desta notícia de fato está no conteúdo dos prints e do áudio divulgados. Os elementos revelam uma relação que extrapola contato eventual, institucional ou protocolar. A linguagem utilizada por Flávio Bolsonaro indica proximidade pessoal, dependência financeira, cobrança direta e vínculo de confiança com Daniel Vorcaro, justamente no período que antecedeu a prisão do controlador do Banco Master.”
Em discurso no plenário da Câmara, Jandira aponta que a família Bolsonaro, por meio de Flávio, mostrou ser aliada e cúmplice dos que “ganham dinheiro a partir dos sonegadores e fraudadores do sistema financeiro brasileiro”.
A deputada ainda destaca a proximidade de Flávio e Vorcaro, em que o senador chama o banqueiro de “irmão” e diz “estarei contigo sempre”.
Para completar, Feghali lembra que o filme “Ainda Estou Aqui” custou cerca de R$ 50 milhões e deu ao Brasil seu primeiro Oscar. Já o filme “O Agente Secreto” custou R$ 28 milhões e deu ao Brasil dois Globos de Ouro.
Portanto, “R$ 134 milhões para fazer um filme [Dark Horse] de uma biografia pobre como essa aí, do Bolsonaro? Obviamente, não é só um filme”, critica a líder do PCdoB.
Repercussão
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) também comentou o caso, lembrando que dos R$ 134 milhões solicitados por Flávio, há indícios de que R$ 61 milhões foram efetivamente pagos.
“Agora está explicado porque os bolsonaristas odeiam tanto a Lei Rouanet. O Daniel Vorcaro é a Lei Rouanet particular deles”, afirma Orlando. Em outra postagem, o deputado remete à proximidade entre senador e banqueiro: “Irmãozão”, é muita conta para pagar. E olha que o cara estava acostumado a comprar mansões em dinheiro vivo. O BOLSOMASTER é roubalheira PESADA!”
Já a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) observa que “a máscara da ‘familícia’ está caindo mais uma vez”. Conforme indica, “o senador manteve conversas diretas com o dono do Banco Master dias antes da prisão do empresário.”
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O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) apontou a falsidade de Flávio que, horas antes do áudio ser revelado, negou em frente às câmeras qualquer relação com o banqueiro: “A extrema direita brasileira já nem tenta esconder a própria contradição. Uma hora nega. Na outra, admite. Uma hora posa de vítima. Na outra, aparece cobrando milhões nos bastidores. O roteiro do filme ainda nem saiu… mas o da hipocrisia já ganhou bilheteria nacional”, diz Almeida em alusão à cinebiografia de Jair.
Por sua vez, a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) afirma que “essa é a índole de quem quer governar o Brasil. É o BOLSOMASTER!”, em referência à pré-candidatura de Flávio. Ela ainda ressalta que o pai do banqueiro também foi preso, assim como Jair Bolsonaro: “Agora, além dos R$ 134 milhões, Flávio e Vorcaro têm mais uma coisa em comum: pais presos. Nesta manhã, Henrique Vorcaro foi alvo da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas ao banco.”
Ofensiva contra Flávio
O pedido de prisão de Flávio feito à PGR e a articulação por uma CPI do Master são apenas algumas das atitudes da base governista, que deve lançar uma ofensiva ainda maior a fim de elucidar os fatos.
Em coletiva na quarta-feira, os líderes da federação formada por PCdoB e PT junto com representantes do Psol indicaram pedidos à Polícia Federal e à Receita Federal para obter mais informações sobre as relações do senador e do banqueiro preso.
Nesses pedidos devem constar a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Flávio e Vorcaro; busca e apreensão; bloqueio de bens; perícia nos áudios divulgados; retenção de passaportes; proibição de contato entre os investigados, entre outras medidas.

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