
Esquema fraudulento envolvendo o Banco Master e o governo Tarcísio de Freitas revela a manipulação de ações da EMAE em 863% e o desvio de R$ 400 milhões do caixa público. Escândalo demonstra como a burguesia utiliza as privatizações para saquear o Estado e transferir a riqueza produzida pelos trabalhadores para o bolso de especuladores financeiros.
Reinilson Câmara | Movimento Luta de Classes
BRASIL – Enquanto a classe trabalhadora enfrenta o aumento do custo de vida e a precarização dos serviços públicos, um escândalo envolvendo o capital financeiro e o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) escancara a verdadeira face das privatizações: um esquema criminoso de transferência de riqueza pública para o bolso de meia dúzia de especuladores.
Recentemente foi noticiado uma complexa teia de fraudes envolvendo o Banco Master, o empresário Nelson Tanuri e a privatização da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e da Sabesp. O caso é um exemplo pedagógico de como a burguesia utiliza o Estado para roubar o povo.
O “Milagre” da Multiplicação das Ações
Segundo relatório técnico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), houve uma ação coordenada para inflar artificialmente o preço das ações da EMAE em 863% entre junho e agosto de 2024. O objetivo dessa manobra fraudulenta era claro: valorizar os papéis para que servissem de garantia na própria compra da estatal.
Em outras palavras, os capitalistas não usaram seu próprio dinheiro para “investir” no país, como diz a propaganda liberal. Eles utilizaram um esquema de alavancagem financeira, garantido pelo próprio patrimônio que iriam abocanhar. Tércio Borleng Júnior, controlador da Ambipar, e Nelson Tanuri uniram forças com o Banco Master para criar dinheiro fictício e se apropriar de bens reais construídos com o suor dos trabalhadores paulistas.
A Destruição do Caixa da Empresa
A voracidade do capital não parou na compra. Após a privatização, a nova gestão privada tratou de drenar os recursos da EMAE. Quando estatal, a empresa possuía R$ 400 milhões em caixa. Apenas um ano após a entrega ao capital privado, o caixa estava zerado.
Para onde foi o dinheiro? Para financiar outros negócios do mesmo grupo econômico. A EMAE foi forçada a comprar debêntures da Light (outra empresa de Tanuri) e investir em CDBs do Banco Master. Transformaram uma empresa sólida, essencial para o fornecimento de energia e controle das águas em São Paulo, em um mero veículo financeiro para cobrir rombos de outras empresas falidas da burguesia.
A Farsa da “Eficiência” Privada
Este caso desmonta completamente a falácia neoliberal de que a privatização traz “eficiência”. A única eficiência demonstrada foi a de rapinar o patrimônio público em tempo recorde. Sob a gestão privada, o que vemos é o desmonte, o risco financeiro e a subordinação de serviços essenciais à lógica do lucro máximo e imediato.
O governo de Tarcísio de Freitas é cúmplice direto deste ataque. Ao promover a privatização da Sabesp e da EMAE “a preço de banana”, o governador atua como um gerente dos interesses dos banqueiros, entregando o controle da água e da energia — recursos estratégicos e vitais — para especuladores que demonstraram não ter qualquer compromisso com a população, apenas com a multiplicação de suas fortunas pessoais.
A Saída é a Luta Organizada
As investigações da Polícia Federal são necessárias, mas não podemos ter ilusões de que a justiça burguesa resolverá o problema pela raiz. O esquema Banco Master-Tanuri-Governo SP não é um “erro” do sistema, é o seu funcionamento normal. O capitalismo vive de parasitar o Estado e explorar os trabalhadores.
É urgente organizar a revolta popular contra as privatizações e pela reestatização de todas as empresas entregues ao capital, sob controle dos trabalhadores. Só a luta organizada da classe trabalhadora pode barrar esse saque e garantir que as riquezas do Brasil sirvam ao povo brasileiro, e não a uma minoria de parasitas financeiros.
