A Suprema Corte de Israel anunciou nesta terça-feira (16/06) a rejeição de um recurso em favor do médico palestino Hussam Abu Safia, que está detido há mais de 500 dias com base em uma ação realizada sob a Lei de Combatentes Ilegais, mas sem uma acusação criminal tenha sido formalizada contra ele.
O médico foi detido no dia 27 de dezembro de 2024 por desobedecer às ordens de militares israelenses para evacuar o Hospital Kamal Adwan, centro médico do qual era diretor, que fica no norte da Faixa de Gaza. Na ocasião, ele foi preso juntamente com outros funcionários que decidiram ignorar os alertas e permanecer no local atendendo os pacientes.
Outro ponto controverso da decisão desta terça é que ela teria se baseado, segundo a Suprema Corte israelense, em “materiais confidenciais”, aos quais a defesa do acusado não teve acesso.
Segundo o canal catari Al Jazeera, Abu Safia está sendo mantido em uma cela solitária na prisão de Nafha e enfrentando condições abusivas, incluindo a falta de atendimento médico solicitado por seus advogados de defesa.
A situação enfrentada pelo médico palestino tem mobilizado até mesmo organizações israelenses, como a entidade édicos pelos Direitos Humanos de Israel (PHRI, por sua sigla em inglês).
Em nota publicada nesta mesma terça, PHRI enfatiza que “em vez de defender os princípios fundamentais do Estado de Direito e do devido processo legal, o tribunal endossou a detenção por tempo indeterminado de um diretor de hospital que permanece em confinamento solitário enquanto sofre de problemas de saúde que não estão recebendo o tratamento adequado”.
Por sua vez, o Centro Palestino para a Defesa dos Prisioneiros publicou um comunicado não só criticando a decisão da Justiça israelense como instando a que “as instituições internacionais de direitos humanos, principalmente o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a Organização Mundial da Saúde (OMS)e os relatores especiais da Organização das Nações Unidas (ONU), intervenham urgentemente e pressionem as autoridades israelenses a colocarem fim à detenção ilegal” de Abu Safia.

Anistia Internacional
Apoios brasileiros
No Brasil, a campanha em favor do médico palestino recebe, desde março de 2025, o apoio de entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), e de personalidades como a cineasta Tata Amaral, o jornalista Breno Altman (fundador de Opera Mundi), o ex-deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), que também é médico, e o senador Humberto Costa (PT-PE), também médico.
A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) também tem atuado desde 2023 na denúncia, em território brasileiro, dos abusos cometidos por Israel não somente contra Abu Safia como contra outros médicos palestinos que foram vítimas de prisões e outras ações determinadas pelos militares israelenses.
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