
A decisão da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de vetar o uniforme principal do Haiti para a Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona o debate sobre a tutela desproporcional que a entidade exerce sobre as nações de menor peso geopolítico. Sob o argumento de manter a neutralidade nos gramados, a federação barrou a camisa que homenageava a Batalha de Vertières (1803) – marco da Revolução Haitiana contra o colonialismo francês -, mas expôs uma contradição: o próprio protocolo oficial da entidade obriga e ritualiza a execução dos hinos nacionais antes de cada partida.
Os hinos nacionais são, por definição, as expressões mais explícitas de ideologia e afirmação do poder de um Estado. Ao mesmo tempo em que a Fifa proíbe uma pequena federação caribenha de estampar um símbolo de libertação da primeira república negra independente do mundo, ela institucionaliza manifestações políticas de grande porte. Críticos apontam que a rigidez contra o Haiti contrasta com o silêncio da entidade diante de abusos promovidos pelos Estados Unidos, co-sede do torneio.
Rigores com o Sul Global e complacência com o império
Enquanto pune o resgate histórico de uma nação periférica, a Fifa silencia perante as restrições consulares e logísticas impostas pelo governo norte-americano. A seleção do Irã enfrentou severos entraves diplomáticos, incluindo a negativa de vistos de entrada para 11 membros da comissão técnica sob a justificativa de segurança nacional. O bloqueio forçou os iranianos a transferirem sua base de preparação para Tijuana, no México, além de se submeterem a longas esperas na fronteira. A ingerência também atingiu a arbitragem, com juiz impedido de ingressar no país por restrições de visto impostas pela administração de Donald Trump.
Mesmo diante de declarações do mandatário estadunidense questionando a presença da delegação iraniana e de claras violações ao livre trânsito que as regras exigem de um país anfitrião, a direção da Fifa, comandada por Gianni Infantino, evitou contestações. Infantino manteve agenda de proximidade com o presidente norte-americano, reforçando as críticas sobre o duplo padrão na governança do futebol mundial, onde os abusos de uma superpotência são tratados com omissão institucional.
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