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A Copa da festa e a da hipocrisia

Foto: Reprodução/CGTN

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Uma bela aula de política, como diz a Susana Botár, durante a sua fala no DCM da última terça-feira. Na última segunda-feira o Irã, após o empate de 2 x 2 contra a Nova Zelândia em seu jogo de estreia na Copa do Mundo, o capitão da equipe Mehdi Taremi e o auxiliar-técnico Saide Alhouei foram retidos e não puderam embarcar com o restante da delegação, conforme informações do site Banda B.

“Não há motivos para esse tipo de prática, é pura cretinice… São jogadores profissionais, atletas e não há razão para tratamento discriminatório…(…), é uma atitude antidiscriminatória, antiesportiva e o Irã está num momento de assinatura de acordo… (…) É injusta por si só… É pra desestabilizar os jogadores na copa…” enfatiza Susana Bótar no DCM desta terça-feira, 16/06.

Ao mesmo tempo da multiplicidade de países representados, jogos diversos e algumas estreias de muita luta, há impedimentos. Cães farejadores revistando bagagens dos jogadores uruguaios, jornalistas revistados de forma humilhante – caso da Karine Alves, ao passar por abordagem constrangedora pela polícia imigratória nos Estados Unidos.

E como fica, defensor da liberdade de expressão? Como faz para aquele que vem com o argumento: “Ah, mas as big techs vão dominar o mundo e pra quê leis?” – vindo da boca de uma moça evangélica esse absurdo. Opa, vamos contar até 10 e pensar um pouco nesse absurdo vivenciado em 25 anos de um jovem século estranho?

Desse modo, é necessário colocar os olhos na literatura, especialmente em Albert Camus, em “O Estrangeiro”. Na segunda parte do livro, o fio condutor da história traz a história da prisão e de inúmeras vezes que foi interrogado. Logo, tratava-se de interrogatórios de identidade, onde se pergunta nome, morada, profissão e local de nascimento.

Já, James Hillman, em “o Código do Ser” compreende sobre a necessidade da coragem para aceitar a coleira apertada. Por mais que os sujeitos ignorem o que perturba, a mente é a ultima faculdade a ceder onde há um cabo de guerra entre o chamado do coração e o plano da mente.

Assim, é a Copa do Mundo 2026. Sim, é o cabo de guerra entre o chamado do coração – torcer, festejar, comprar ingredientes para preparar petiscos e receber os amigos – e o plano da mental diante da hipocrisia do ocidente, do duplo padrão seletivo ao classificar negros, latinos e árabes como suspeitos, terroristas.

Ao trazer a compreensão de Byung Chul-Han em “Capitalismo e impulso de morte: ensaios e entrevistas” a globalização elimina todas as diferenças de forma violenta com o intuito de acelerar a comunicação e a circulação de capital. Nesse sentido a extrema-direita, se aproveita e venda a ideia de saudade, traz sensação de medo e cria a “couraça do caráter”, como diz Wilheim Reich, em “Análise do Caráter”.

A colonização juntamente com a extrema-direita iguala tudo, reduz ao mesmo nível e monetiza o mundo. Para Byung Chul-Han, a singularidade do outro perturba o contexto global imposto na cabeça das pessoas. A supremacia do contexto global reage com nacionalismo, regionalismo e provincialismo.

Enquanto isso, a solidão do jogador que deixa a sua casa, família para jogar em um país desconhecido e ser tratado com um “pacote” suspeito. É o jogador Uruguaio, em vez do perfume da esposa, o suor da camisa e o odor do cachorro, deu-se lugar a revista humilhante pela polícia migratória.

Sim, a Copa continua. No entanto, é o ajuntamento do cheiro do preconceito, a xenofobia, ou para Byung Chul-Han o conformismo – que ao mesmo tempo exige-se uma autenticidade vã se dá lugar a supressão da estrangeridade, onde esta se coloca como obstáculo às trocas de capital e informação. É a maior festa da terra com nítidos sinais de hipocrisia.

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